Hoje trago uma notícia sobre uma cervejaria, desta feita a denominada cervejaria da esquina…
« Cervejaria da Esquina. Não é a sua cervejaria habitual
O chefe Vítor Sobral contra-ataca com uma cervejaria moderna em Lisboa que pisca o olho à tradição e fecha os olhos aos lugares-comuns
”Em cada esquina um amigo/ Em cada rosto igualdade”, ouvia-se ainda esta segunda-feira na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Há, no entanto, centenas de velhos noutra zona da cidade, o Restelo, a exigir “um Salazar a cada esquina”. Já o chefe Vítor Sobral defende um bom restaurante em cada esquina e tem lutado para isso no bairro de Campo de Ourique. Depois da Tasca da Esquina, onde as ruas Domingos Sequeira e do Patrocínio se cruzam, é a vez da Cervejaria da Esquino número 58 da Rua Correia Telles (antiga morada do Café Bonina).
A ideia é pegar no conceito tradicional de cervejaria (as sapateiras a olhar para nós nos aquários, a cerveja a fazer olhinhos ali no balcão) e elevá-lo ao quadrado. Talvez seja demasiado snob chamar-lhe “cervejaria sofisticada” mas há grandes diferenças entre a casa do chefe Vítor Sobral e as suas congéneres da Avenida Almirante Reis. Diferença n.º1: a Cervejaria da Esquina não está na Almirante Reis mas no tranquilo bairro de Campo de Ourique, o melhor sítio para habitar em Lisboa segundo os habitantes de Campo de Ourique, cidadãos habituados a jogar Tetris com o carro de cada vez que querem estacionar. Diferença n.º2: não há uma televisão sintonizada na Sport TV nem toalhas de papel para jogar ao galo enquanto não chegam as lambujinhas. Diferença n.º 3: não há lambujinhas.
Hoje há conquilhas, amanhã também
E para além disso: berbigão lingueirão e ameijoa vendidos à dose – ostras a 2,60€ cada. Mais: búzios, canilhas, burriés, percebes, lagostim, camarão, lavagante, lagosta, sapateira, santola e navalheira, todos eles com preços a variar consoante o peso.
Tudo isto, a par com o pão torrado com manteiga e outros mimos de cervejaria, são clássicos intemporais que remontam à bela arte de encontrar pretextos para beber cerveja – o que nos leva ao velho dilema de casualidade: o que veio primeiro, o petisco ou a cerveja?
Há os clássicos, é claro: creme de camarão, arroz de mariscos, cataplanas e bifes – este últimos suculentos, altos, de encher o olho. Outra das novidades (diferença n.º 4) é a cozinha de autor, acepipes vários trabalhados pelo próprio chefe Vítor Sobral. Quem se quiser submeter aos gostos e destreza manual do próprio só tem de escolher a a opção “nas mãos do chefe” e avisar de quaisquer incompatibilidades dietéticas. O menu é “feito na hora e raramente se repete”, conta o chefe, “escolhido a partir dos produtos dos melhores e mais frescos produtos do dia”.
O par para este tango, a cerveja, vem servida em copos baixos. A “esquininha”, bebida da casa, não é mais do que uma versão sofisticada da injustamente esquecida “lambreta” copo menor (em tamanho) com uma estranho apego à vida – a esquininha, tal como a lambreta, demora mais tempo a morrer.
Os tachos não são para enfeitar, é lá que são cozinhados os pratos de caril e as açordas, receita muito popular na tal Grândola, vila morena, terra onde em cada esquina há um amigo.
Cervejaria da Esquina, Rua Correia Teles, n.º56, Campo de Ourique, Lisboa. Terça a Domingo, das 9h30 às 15h30; das 19h39 às 23h30. »
In: http://www.ionline.pt/conteudo/119393-cervejaria-da-esquina-nao-e-sua-cervejaria-habitual, a 27 de Abril de 2011, em Jornal I
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Publicado por hangover 








