A propósito de um artigo sobre natalidade…

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Depois de muito tempo decidi reaparecer com algumas discussões que considero pertinentes….

Li uma notícia num novo diário nacional que é o jornal i, passo a transcrever a mesma:

« Este país não é para bebés. Portugal apoia pouco a natalidade

Portugal precisa de mais bebés para sair da crise e evitar a derrocada do sistema de pensões, mas o efeito prático dos incentivos públicos existentes é reduzido e, no que diz respeito à natalidade, tem dado poucos resultados. O problema não se põe só em relação às políticas do actual governo; é tão antigo quanto a democracia portuguesa, la-mentam vários especialistas. Se está a pensar ter filhos, saia do país e experimente noutro sítio – Luxemburgo, Alemanha, França, Bélgica ou Áustria, por exemplo.

Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostra que Portugal é dos países ricos onde, financeiramente, menos compensa ter filhos; onde as políticas públicas de redistribuição (através de impostos, contribuições e subsídios) são pouco generosas para os trabalhadores por conta de outrem quando comparado com a realidade de outros países.

De acordo com o estudo da OCDE “Taxing Wages 2007-2008”, divulgado há três semanas, um casal de classe média que opte por ter dois filhos ganha mais 968 euros (rendimento líquido), valor corrigido de paridades de poder de compra que, por isso, permite a comparação entre países. O acréscimo ao rendimento salarial líquido representa metade (49%) da média da OCDE e 43% da média da União Europeia. Na Europa, apenas Espanha e Polónia têm incentivos menores. O rendimento líquido de um trabalhador é o dinheiro que cada um leva para casa já depois de pagos os impostos e contribuições para a Segurança Social e de recebidos todos os subsídios a que tem direito.

No caso de uma pessoa solteira portuguesa, a disparidade é maior: o benefício de ter filhos (dois) é de 1219 euros anuais – apenas 40% da média internacional, também corrigida do poder de compra.

Bert Brys, economista do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, confirma que “os benefícios líquidos para ter crianças são muito mais baixos em Portugal”. “Apesar de o peso da fiscalidade e das contribuições até não ser dos mais elevados e de os benefícios até serem generosos, a verdade é que quando se soma tudo isto percebe-se que os incentivos monetários a ter filhos é dos mais baixos”, acrescenta.

Por que razão? Para o especialista da OCDE, “os benefícios relacionados com crianças são, de facto, mais baixos em Portugal, mas não podemos esquecer que a economia tem, há muitos anos, um crescimento baixo, o que limita as receitas públicas e a margem de manobra para este tipo de políticas”.

O governo defende que não é bem assim. Fonte oficial do Ministério do Trabalho refere que foram tomadas medidas como o Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais, que deu prioridade à construção de creches; a criação do abono pré-natal (disponível para mulheres grávidas a partir do terceiro mês de gravidez); a duplicação do abono de família para o segundo filho e a triplicação para o terceiro e seguintes; o reforço de 20% dos abonos de família nos escalões mais baixos; o reforço de 25% dos abonos para as famílias monoparentais; os novos direitos concedidos pelo alargamento da licença parental; o apoio no pré–escolar. O Ministério das Finanças explica que aumentou a dedução das despesas das empresas com creches e, em sede de IRS, a duplicação das deduções para dependentes até três anos.

Ana Cid, secretária-geral da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, acusa os sucessivos governos de “nada terem feito de significativo para derrubar as barreiras à natalidade”. “Não pedimos incentivos, pedimos mais justiça. Ter filhos é um direito. E o que temos? As pessoas hoje têm metade do número de filhos que realmente desejam”, refere, citando um estudo da consultora Netsonda. “Estamos a assistir a um desastre na natalidade: com menos pessoas a nascerem no futuro próximo haverá menos consumo e mais desemprego, como se vê pelo caso dos professores, problemas muito sérios no sistema de pensões”, diz Ana Cid.

Jorge Arroteia, professor de Demografia jubilado da Universidade de Aveiro, considera que “a fertilidade cada vez mais baixa é uma hecatombe”. E quais as causas? “As políticas públicas desajustadas, a mudança de comportamentos e de mentalidades, a instabilidade da economia e do emprego, tudo isto converge para um problema de grandes proporções.”»

in: http://www.ionline.pt/conteudo/7187-este-pais-nao-e-bebes-portugal-apoia-pouco-natalidade – 3 de Junho de 2009

A minha análise e comentário:

Após ler este artigo, relembra-me algumas aulas de Geografia onde estudávamos gráficos e quadros onde analisávamos a natalidade, a mortalidade, ou seja, a demografia de um país. Pouco mais de uma década nos separa desse tempo…nesses anos a natalidade crescia e a mortalidade descia; hoje a natalidade é quase inexistente e a mortalidade tente para valores muito baixos, só não tende para zero, porque é como alguns “limites”, por outras palavras, é impossível.

Penso que o assunto é basicamente este, existem pessoas de baixas qualificações, com empregos pouco aliciantes e pouco exigentes a nível educacional, que neste momento vão comprando casa, vão casando…e vão tendo os filhos…os qualificados, os que investiram a nível de formação, e que pretendem ter um emprego, ter o mínimo de estabilidade, de pelo menos casar, ou juntar, e de alugar uma casa, pois infelizmente os ultra precários empregos que possuem não serve nem para um crédito ao consumo numa instituição bancária; esses não conseguem se juntar(casar), nem sair de casa dos país, conheço muitos que queriam dar esse passo com vista a pelo menos marcar pontos no caso da natalidade, mas infelizmente não o podem fazer, nem se sabe quando..

Basicamente, e apesar de os governos dizerem que investem em natalidade, o que se denota é que ou os apoios são fracos, ou praticamente inexistentes, isto comparado com os nossos congéneres europeus.

O problema segundo a minha óptica é fraco e mesmo inexistente apoio à geração de 78 a 92, esta geração, quem estudou, nunca vai poder sair da vida que tem, penso mesmo que tem tendência para ficar na pobreza, como tal para avançar, não vai acreditar em nada nem ninguém, não se esqueçam um filho deve ser fruto de várias coisas, entre elas  as estabilidades pessoais, profissionais e emotivas, neste momento, o controlado pelas pessoas é a emotiva, o restante está ao Deus dará…

Portanto, sabemos também que a economia nacional não dá muita margem, devido a fracos crescimentos, pergunta-se???

Será que o deficitário crescimento nacional, não se deve há quantidade de velhos nas empresas, que são aversos às mudanças e ao progressos sustentado???

Na minha opinião, o problema da natalidade, resolve-se com investimentos serio em emprego sério e com pessoas sérias, sem recibos verdes e contractos precários, e se investir nas pessoas, para que as pessoas possam sentir a estabilidade  e possam retribuir com crescimento da natalidade.

Meus senhores se querem ter reformas e sustentabilidade social, apostemmm, sem medo…

Tenho Dito

RT

Está aberta a discussão, comentem…

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2 pensamentos sobre “A propósito de um artigo sobre natalidade…

  1. sem duvida uma conclusão obvia, nao é preciso ser doutor para la chegar….
    ker dizer ….se calhar … para algumas pessoas até era preciso…
    nas aulas do 12º ano nao nos ensinam a tirar essas conclusões…
    deve ser esse o problema de um suposto engenheiro que todos conhecemos… falta-lhe a licenciatura…
    mas voltando ao cerne da questão, sem duvida que sem as bases ng avança, ja la dizia Maslow… depois dsd necessidades fisiologicas (sede, fome…) vém as necessidades de segurança (emprego, protecçao) e so depois as necessidades sociais, estima e autorealizaçao… bem ja parecia a minha prof de RH….
    mas a soluçao para a crise n passa apenas p uma liçao de teorias da motivaçao, mas tb por teorias economicas que afirmam que sem emprego nao ha poder de compra, sem poder d compra, as empresas fecham pq nao escoam, se nao escoam os produtos param a produçao ou fecham e se fecham mais desemprego, menor poder d compra, é ciclico e simples d entender… cabe aos nosos governantes passar umas horinhas na Faculdade tv tirar uma licencitura atraves dos maiores d 23 anos… assim pd ser k daki a 3 anos acordem e entendam, e consigamos sair d crise… invistam nas empresas e supervisionem as suas contas, assim elas nao fecham, mantem se os empregos, e ao mesmo tp subam um pouco os salarios, assim a economia poderá arrancar lentamente e td voltr ao normal…
    é a minha interpretaçao, sou doutora, sou mulher e aprendi td isto no primeiro ano d faculdade…

  2. Exactamente, são comentátios destes que vão fazer a questão andar para a frente.
    A classe política está podre, é necessário tirar de lá urgentemente, e entregar o poder aos mais novos, e o mesmo se passa nas empresas, dar lugar aos novos, reforma aos 40 anos de descontos, e tirar os velhos das grandes empresas publicas e por sangue novo para se poder competir num mundo mais atroz e exigente.

    Força, Fora o Sócrates, tenho muita pena mas tem que ir indo, ele e o Cavaco, que não pode falar, deve ser dos dentes novos….

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