Consumo privado a descrescer… Será que se poupa mais??? Ou se ganha menos??

Consumo Privado

O meu comentário de hoje deve-se da seguinte notícia sobre o boletim de Verão emitido no dia de ontem pelo Banco de Portugal, passo a transcrever na integra a noticia e passo se seguida a comentar a mesma:

« Mais poupança e menos consumo

Contracção do consumo privado implica evolução da taxa de poupançaA projecção do Banco de Portugal apresenta uma contracção do consumo privado de 1,8% este ano, seguida de uma redução de 0,6% em 2010, uma evolução que implica um «aumento expressivo» da taxa de poupança dos particulares em 2009 e 2010.

Segundo o Boletim de Verão, divulgado esta quarta-feira, o aumento das despesas em consumo das famílias em 2008 reflectiu, em larga medida, o crescimento do rendimento disponível real, que se situou perto de 2% (-0,5% em 2007), num contexto de alguma melhoria das condições no mercado de trabalho.

«A redução esperada do consumo privado em 2009 e 2010 deverá reflectir a incerteza quanto às perspectivas de rendimento e riqueza das famílias associada à deterioração das condições no mercado de trabalho», pode ler-se no documento enviado pelo BdP.

De acordo com a informação disponível, «a taxa de poupança das famílias interrompeu em 2008 a tendência descendente que se observava desde 2003. Esta evolução terá reflectido, em particular, motivos de precaução relacionados com o aumento da incerteza e a deterioração contínua ao longo do ano da confiança dos consumidores».

O BdP prevê, assim, um aumento do nível de poupança, com destaque para este ano, antecipando-se que as famílias intensifiquem o ajustamento da sua situação financeira às perspectivas económicas».

Em 2009 e 2010, projecta-se uma redução muito expressiva nas despesas em bens duradouros, a qual atinge 20,6% em 2009 e 8,3% em 2010, exibindo o habitual forte comportamento pró-cíclico.

Aumento da poupança pode gerar inflação

O governador do Banco de Portugal disse esta quarta-feira que a desaceleração da dívida e a contenção do consumo privado poderão gerar inflação a prazo, o que conduzirá a um crescimento moderado.

«Há o risco de aumentarem os níveis de poupança e de iniciarmos um processo clássico de contenção do consumo privado», disse Vítor Constâncio, na apresentação do boletim económico de Verão, na Comissão de Orçamento e Finanças.

Segundo o governador do banco central, o rendimento disponível das famílias «continua a subir em termos reais» mas, com a expectativa de desaceleração do consumo, espera-se «um grande aumento da poupança».

«A tentação de compensar isto [desaceleração da dívida e contenção do consumo privado] com défices orçamentais pode gerar inflação a prazo», disse o responsável, acrescentando que esta situação conduzirá «a um crescimento moderado».»

In: http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=1075821&div_id=1730, em Agência Financeira a 15 de Julho de 2009

O meu comentário:

A contracção do consumo privado, deve ser tomado como um dado para a determinar a evolução da economia, ou seja, um pequeno passo para saber se a crise está a passar. O consumo privado, determina a confiança das pessoas, que ao consumirem mais, provavelmente estão a dispender mais percentagem do seu rendimento para consumo, privando desta forma a poupança.

A retracção do consumo privado, que está a acontecer, reflecte-se seguramente, nas poupanças, as pessoas estão desconfiadas quanto ao futuro, e ao desenrolar das condições sociais, tais como emprego, saúde, educação, estabilidade a todos os níveis e de tal forma, retiram parte do seu rendimento e colocam de parte, para a tão comum denominada «emergência».

Se desde 2003 a 2008, as taxas de poupança decresciam, e crescia o consumo, o cenário inverteu-se, sou seja, a tendência é para se consumir menos, e poupar mais, apesar de esta poupança poder ser uma teoria, pois com o degradar das condições sociais que temos assistido no nosso país ultimamente, pode muito bem acontecer, que não esteja a haver «poupança», por existir uma redução do rendimento familiar, devido essencialmente a factores sócias, entre os mais flagrantes e mais fácil de encontrar, é o desemprego, de algum dos agregados da família, se tal acontece, faz com que o rendimento disponível por mês, seja usado parte dele para poupança, e como tal o consumo privado sai prejudicado, pois a instabilidade no desemprego é muito grande; outra situação corrente do desemprego, é que o rendimento do agregado, fique inferior, e como tal, as pessoas tenham gastem menos em consumo privado, pois não têm.

Basicamente, as condições sociais são os vectores que controlam o consumo privado, trata-se basicamente uma questão de confiança, se as pessoas têm confiança nas questões sociais, vão gastar mais em bens para si; se por outro lado, estão descrentes, desconfiadas, vão poupar mais, pois não sentem confiança no futuro, essencialmente a curto prazo.

Outro dado a ter em conta, é que os bens que se compram mais em tempos de crise são essencialmente bens não duradouros, essencialmente os mais comummente denominados de bens de consumo; quem sai prejudicado são os bens duradouros, e isso reflecte-se. A indústria da construção foi das primeiras a entrar em crise, pois as pessoas ao sentirem a crise, não compravam habitações, actualmente junta-se a indústria de bens como, por exemplo, automóveis, sendo responsável ultimamente por muitos dos despedimentos a que temos assistido.

Para agravar, a crise existe por parte das políticas sociais um grande desincentivo nas fachas etárias mais jovens, essencialmente as mais graduadas, pois essas são as que teoricamente podem ajudar as coisas mudarem, pois se tais pessoas tiverem empregos, têm tendencialmente salários superiores, e como tal, serão os primeiros a fazer o consumo privado disparar, e comprarem bens duradouros, o que é bom para a economia, da mesma forma, não carecem de tantos incentivos sociais, tais como, incentivos à natalidade, abonos, etc, pois têm escalões que os tiram fora destas situações, no entanto, esta facha etária anda perdida, pois investiu em estudos, em cursos que há 4 e 5 anos muitos deles tinham muita saída e hoje estão parados, sem saber o que fazer.

Penso que a solução para o consumo privado, para os défices e para ultrapassar a crise, passa por apoios reais e tangíveis a juventude em geral e tendo especial atenção para os recém licenciados e muitos deles, já nas fachas dos 30 e tal anos, que ainda não começaram as suas vidas, por falta de condições sociais igualitárias dadas aos jovens com menos estudos, e confiança essencialmente nas políticas do país, na sua economia, e nas entidades patronais, que nos dias de hoje usam as pessoas em sistemas de usar e deitar fora, usam as pessoas como se meras máquinas fossem, e perderam a noção de humanidade, de credibilidade.

Os empresários têm que lembrar-se do velho ditado: «Equipa que ganha, não mexe…», desta forma podem verificar que estão exactamente a fazer o contrário, e os seus lucros podem ser altos no curto prazo, mas no médio e longo prazo, serão piores que actualmente, a ponto de poder comprometer o negócio, exemplo disso, são os empresários dos têxteis, quiseram ganhar tudo a curto prazo, que no médio e longo prazo, tiveram que fechar, porque investiram as verbas que deveriam ser usadas para se preparar para a globalização, e a entrada dos chineses, para outras coisas, e agora estão a fechar, e dizem que a culpa é da crise…a culpa foi de não saberem se preparar para a abertura dos mercados, e dos chineses que têm em certos aspectos uma produção mais competitiva que a nossa…

Penso que a questão se resolvia com políticas sociais justas e honestas para todos, para poder ultrapassar a crise mais rapidamente, estancar ou mesmo reduzir o desemprego, o que ajudava a existir incremento do consumo privado.

Acordem de  vez, ajudem quem mais precisa, para bem do país, e não vão arrepender, temos muitos cérebros à espera de poderem brilhar e de poderem seguir a vida, e que se tal lhes for concedido, ficaram gratos e vão agradecer em primeira instancia com incremento do consumo privado, que vai ser bom para todos…

Deixo uma questão: Tem poupado mais em 2009, face a 2008?

Tenho Dito

RT

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