Tempos de Consumo ou de Poupança?? Qual a melhor opção???

Poupar para se consumir

A notícia aqui transcrita é sobre um assunto por mim abordado recentemente, mas que ainda está em voga, passo a transcrever, e de seguida a comentar:

«Mais poupança sim, mas agora não por favor


Recuo do consumo das famílias preocupa o Banco de Portugal. Prudência nos gastos, há muito pedida, é agora vista com receio e atrasa a economia

Os portugueses têm vindo a gastar acima das suas possibilidades nos últimos anos? Sim. Seria desejável que poupassem mais? Sim. E estão a fazê-lo agora? Sim. Então isso é bom para a economia? Sim e não. A recessão económica em Portugal, a mais grave desde 1975, está a pôr o país perante uma situação ambígua face à evolução da poupança e do consumo – a prudência há muito pedida para os gastos das famílias está agora a ser recebida com receio pelos economistas e pelo Banco de Portugal.

“Se a poupança aumentar [até 2010] mais do que se espera [a situação económica] pode ser pior”, admitiu esta semana o governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio. “Há uma grande incerteza quanto ao andamento do consumo”, acrescentou.

Uma vez que a taxa de poupança dos particulares desceu de forma drástica nos últimos anos – explicando a subida do endividamento externo de 40% em 2000 para mais de 100% já este ano – este regresso a uma maior prudência deveria ser saudado. No entanto, há um problema: o consumo privado é o principal motor da economia. Vale em Portugal dois terços da criação de riqueza.

“A economia portuguesa tem agora um problema mais grave. Por um lado está obesa, gastou mais do que devia e precisa de fazer dieta. Ao mesmo tempo, está em crise e precisa de se alimentar”, comenta João César das Neves, economista da Universidade Católica Portuguesa. “Sair da recessão vai ser mais difícil por causa desta contradição”, acrescenta. O Banco de Portugal concorda: “A actual projecção para a economia portuguesa comporta riscos associados quer à possibilidade de recuperação da economia mundial em 2010, quer ao comportamento da procura interna, num contexto marcado por um elevado nível de endividamento.”

Os dados do boletim de Verão do BdP, apresentado quarta-feira, indicam que perante o endividamento, a subida do desemprego e o mau clima económico as famílias não estão presas a ambiguidades – a decisão é poupar. A evolução do consumo em 2009 (-1,8%) e 2010 (-0,6%) corresponde a uma revisão em baixa significativa face à previsão de Abril e a taxa de poupança vai crescer acima de 2%, um “aumento expressivo”, diz o banco central (em 2008 cresceu pouco acima de zero, interrompendo um ciclo de cinco anos de queda).

Consumo é bom Então qual é o equilíbrio desejável entre poupança e consumo? Os economistas começam por contrariar a vilificação do consumo. “A democratização do consumo trouxe mais oportunidades a muitas pessoas – sou contra essa histeria intelectual, que parece criticar o facto de os pobres poderem também consumir mais”, defende José Reis, economista da Universidade de Coimbra. César das Neves pega no problema por outro lado. “Tínhamos a taxa de poupança mais alta da Europa porque o nosso sistema financeiro não funcionava”, aponta. Com a maior penetração dos serviços bancários, em particular no início dos anos 90, abriram-se oportunidades para consumir. “E essa é a finalidade da actividade económica: o consumo”, acrescenta.

O problema está na velocidade a que cresceram o consumo e o crédito. O grau de endividamento subiu de 90% do rendimento disponível em 2000 para mais de 125% em 2008. Nos últimos 12 anos o consumo cresceu em média um ponto percentual acima do rendimento disponível.

Face a este cenário, “o que seria desejável é que o consumo subisse, mas moderadamente, dentro das possibilidades oferecidas pelo rendimento disponível”, aponta Paula Carvalho, economista do BPI. Ou seja, que a subida da poupança não fosse muito acentuada, para dar espaço à recuperação da economia.

Esse é um cenário ideal – embora este ano, por exemplo, 30% do rendimento disponível dependa das transferências sociais do Estado – mas que resultará sempre num ajustamento do consumo em baixa nos próximos anos. Com exportações e investimento em colapso caberá ao Estado, que também parte de um nível alto de endividamento, entrar na economia para compensar a anemia. A factura será para pagar daqui uns anos.»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/13724-mais-poupanca-sim-mas-agora-nao-favor, em Jornal I a 17 de Julho de 2009

O meu comentário:

Pois é, andamos agora preocupados com a poupança..Como há uns dias aqui mencionei, será poupança??ou será falta de rendimento???

Na minha óptica, muitas pessoas podem até andar a poupar e a contrair no consumo, mas não me parece que com a queda das taxas de juro, os bancos apresentem produtos atractivos, que convençam as pessoas a poupar, senão vejamos…

Uma pessoa, há um ano, conseguia fazer aplicações financeiras com taxas de cerca de 4%, isto devido às subidas das taxas de juro, hoje em dia se chegar aos 3% é muito bom, e pelo menos em períodos de 3 anos no mínimo, os denominados depósitos a prazo de curto prazo não chegam aos 2%, repare-se que estou a referir-me a taxas ilíquidas, ou seja, ainda antes de impostos.

Como as taxas estão baixas, e se tivermos um produto indexado à Euribor 6M, com apenas 500€, e num prazo de 6 meses, este muito dificilmente atinge a rendibilidade final de 2,50€..Será que compensa??? Provavelmente muitos preferem guardar o dinheiro em casa!! Repare-se que a vizinha Espanha, tem taxas a rondar os 4% para os mesmos prazos…é obvio que não tem indexantes de acordo com a Euribor, pelo menos, directamente..A ideia em Espanha, pelo menos, é que se poupe, e dão boas condições para isso, o que não acontece aqui, embora, entenda o porque da banca agir assim, trata-se do preço do dinheiro, mas o consumidor comum, não consegue ver nessa óptica.

Como tal, a minha teoria é que, não se esta a poupar em Portugal, pelo menos tanto como se pensa, está-se provavelmente é basicamente a tapar buracos, a pagar as coisas que ficaram pendentes, do ano passado, devido às subidas das taxas de juro.

Outro factor, para a queda do consumo, é que as pessoas estão provavelmente mais cautelosas, e compra o que estritamente necessitam no momento, pois verificaram que se não comprarem logo, as coisas tendem a baixar, como já sabemos da velha lei da oferta e da procura, e ainda porque a nossa inflação está perto de zero, o que altera muito pouco o preço dos bens.

Na constituição do  consumo privado, tem também grande peso os bens duradouros, esses poucos são os que lhes pegam, pois com a banca e as financeiras a apertar o cerco, e com as medidas aplicáveis a certos bens, os mesmos estão inacessíveis a muitas pessoas, falo de bens como habitações e automóveis..

Quem pretende começar uma vida, ou não consegue avançar por falta de condições sociais, nomeadamente emprego, e falo de emprego estável, ou segue, e opta por alugar, pois estão todos a ver como param as modas.

Basicamente a questão da poupança, do consumo provado e a economia nacional, estão como o nosso governo, ou parados para férias, ou em gestão, à espera das eleições do 3º trimestre deste ano.

Não se pode pedir às pessoas que arrisquem, pois tem que se saber um pouco mais de futuro, e acima de tudo sentir o chão que se pisa para se avançar, e com a economia que não se sabe de desce ou sobe, com um governo em despedida ou não, e com políticas sociais que as pessoas não se espelham, que se esperava…milagres??

Tenho Dito

RT

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