O Que Os Portugueses Solicitam a José Socrates…

Jose Socrates

Jose Socrates

Passo a transcrever uma notícia do jornal I, onde uma amostra de portugueses faz alguns pedidos ao actual primeiro ministro, José Sócrates, hoje não vou tecer nenhum comentário, deixo, simplesmente com a notícia, e deixo ao critério de cada um, a sua analise.

Passo a transcrever a referida notícia:

« O que os portugueses querem de José Sócrates

Os portugueses pedem de tudo a José Sócrates: um jantar, a verdade, um computador portátil, um diploma

“O que se passa? É um bandido? Criminoso? Prisioneiro?”, pergunta um vendedor da revista “Cais” ao olhar para um homem a ser fotografado, em plena Avenida da Liberdade, em Lisboa. Depois de Manuela Ferreira Leite, José Sócrates.

O i voltou à rua para ouvir o que os portugueses querem do secretário-geral do PS e candidato a novo mandato como primeiro-ministro. O vendedor, com sotaque ucraniano, não fica satisfeito com a justificação. Não encontra outra razão para um homem estar a segurar uma ardósia com letras desenhadas a giz que não seja ter cadastro criminal. Ou ser presidiário.

Neste preciso momento repetia-se a pergunta nas ruas do Porto: “O que gostava de pedir a José Sócrates, caso vença as eleições?” E desta vez quase todos quiseram deixar recados ao primeiro- -ministro. De admiração ou de ódio. Se há quem o venere e lhe peça que “continue no mesmo rumo” e a “avaliação dos professores”, outros pedem que se “demita”. Há ainda os que não resistem a ousar a ironia. “Dá-me um diploma como o teu”, pede Frederico Sousa, um leiriense que, aos 30 anos, não conseguiu terminar a licenciatura. E os alienados. B., um madeirense de 24 anos que não quis ser identificado, tentou, tentou e tentou, mas não conseguiu responder. “Não sei mesmo o que posso pedir, não percebo nada disso, nunca votei.” “Nem sequer sou recenseado”, acrescenta, ao mesmo que tempo que fica surpreendido quando percebe que a nova legislação já o recenseou automaticamente. “Ah é? Então e agora… como é que faço? Se calhar tenho que ir informar-me para saber em quem posso votar.”

No Saldanha, em Lisboa, Luís Menano, 41 anos, parece uma criança hiperactiva. Quer decidir tudo – desde a maneira criativa como sugere segurar a ardósia até ao cenário da fotografia, que insiste que seja o do seu prédio para publicitar a sua venda. Manda para o ar mil pedidos loucos e excêntricos, mas na altura de parar para escrever obriga-se a ser sério: “Quero que diga a verdade e ajude os que precisam.”

A amiga que o acompanha, a publicitária Maria Clemente, usa uma das últimas perguntas da entrevista de Judite de Sousa a José Sócrates como inspiração, aproveita a dica do “sexy” e pede: “Quero que ele jante comigo.” Só por ter sido considerado um homem sexy? “Também”, brinca. E logo a seguir acrescenta: “Mas porque também tenho uma lista enorme de pedidos para lhe apresentar que não cabem neste quadro.” O cruzamento entre as expectativas dos cidadãos e as metas socialistas para o país ignora as “frivolidades” a que Sócrates diz não ligar: o convite para jantar deverá, por isso, ficar sem resposta. Já sobre a “verdade”, o secretário-geral do PS tem insistido nas críticas à apropriação pelo PSD desse conceito: “A verdade não tem patente”, disse na recente convenção nacional do PS, depois de já ter considerado que o “discurso da verdade” social-democrata é “uma desconsideração” aos restantes partidos.

Paulo Figueiredo, a criança de dez anos que pediu a Sócrates que não minta, pode ficar tranquilo: a verdade não tem dono e Sócrates invoca o direito à sua, geralmente associada à obra feita pelo governo nos últimos quatro anos. O pedido de “contenção na despesa pública” sugerido por Mário Costa entronca nesse critério. “Com uma governação de rigor, competência e responsabilidade, e com o esforço dos portugueses, o governo do PS venceu a crise orçamental que a direita tinha deixado”, refere o programa socialista, que exalta o facto de ter sido atingido “o défice mais baixo em toda a história da democracia portuguesa”. E a promessa para a próxima legislatura é clara: “A política orçamental deve prosseguir a trajectória de reforço e sustentabilidade de longo prazo das finanças públicas.”

O “esforço dos portugueses” reconhecido pelo PS neste trajecto de contenção tem um nome: impostos. Graça Santos pede a Sócrates que os baixe, mas José Sócrates recusa assumir o compromisso. O programa do PS não faz qualquer referência a possíveis descidas no IRS, mas promete “eficiência, simplicidade e equidade no sistema fiscal”. A reforma sugerida para o IRS aponta apenas o objectivo de “redistribuir as deduções e benefícios fiscais, num modelo progressivo em favor das classes médias”.

Mais a norte, em Santo Tirso, surge um pedido com bênção divina. Maria Lúcia Fonseca, freira de 64 anos, sugere a Sócrates “um país justo e honesto”. Uma generalidade sem cor política. Uma generalidade a que o PS responde no seu programa. De forma genérica, claro: “O PS pugna por uma Justiça que seja vista pelos cidadãos mais como serviço do que como poder”, pode ler-se no documento socialista.

Justiça e honestidade sim. Mas como? Na justiça, através de um sistema “mais simples e desburocratizado”, “mais célere”, “mais acessível”, “mais transparente e previsível” e com “vias alternativas para a resolução de litígios”, defende o PS. No plano da honestidade poderão encaixar metas como o “combate à corrupção”. “A democracia exige condições de confiança e segurança das pessoas e comunidades nos diversos níveis de actuação e responsabilidade do Estado”, assume o PS.

Com a crise económica e com o desemprego a ultrapassar a fasquia dos 500 mil portugueses, os cidadãos ouvidos pelo i repetiram um pedido: “Quero mais emprego.” O programa do PS aceita o repto e propõe “um pacto para o emprego”. Uma aposta que cruza factores como a “defesa e o reforço da capacidade competitiva das empresas”, a promoção do “trabalho digno, da participação e da negociação colectiva”, ou o alargamento das “oportunidades para os jovens que anualmente procuram entrar no mercado de trabalho”. Além disso, Sócrates propõe o “reforço dos mecanismos de inserção profissional para desempregados não subsidiados” e a promoção do “microcrédito como instrumento de desenvolvimento e de criação de emprego”.

Mas as preocupações eleitorais do PS em matéria de emprego não se centram apenas nos que o procuram. E há uma classe profissional com particular interesse no programa socialista: os professores, nomeadamente aqueles que encheram as ruas de Lisboa em sucessivas manifestações contra as políticas do executivo de Sócrates. O reformado Eduardo Pedroso, no entanto, concorda com a política do PS e pede a “continuação da avaliação aos professores”. E deverá ver o seu desejo correspondido: na educação, o programa do PS mantém a ideia de valorizar “princípios essenciais como a avaliação de desempenho, a valorização do mérito e a atribuição de maiores responsabilidade aos docentes mais qualificados”. A avaliação é, pois, para continuar.

Maria José Ornelas, profissional de seguros, tem de pensar muitas vezes, mas quando descobre finalmente o que quer anuncia o pedido como se estivesse a concorrer para ganhar um prémio. “Quero um Magalhães. É isso, um Magalhães!”, diz Maria, 33 anos, aos saltinhos. E logo a seguir faz beicinho: “Mas quero mesmo! Nunca mexi em nenhum. Um entusiasmo condizente com o orgulho do último governo no seu plano tecnológico: “Uma bandeira mobilizadora e um projecto que logrou obter importantes resultados”, lê-se no programa do PS, que assume este objectivo: “Prosseguir a modernização tecnológica permanecerá uma prioridade estratégica.” Chegará o Magalhães aos trintões?

Sem resposta para o seu pedido, Maria José convence a amiga envergonhada, Maria Ribeiro, 52 anos, a ser fotografada. E o pedido sai imediatamente: “Quero que o senhor [Sócrates] seja mais feliz.” “Porque ele tem cursos, freeports e um país inteiro que o atormentam”, diz.

O secretário-geral do PS agradecerá a atenção, seguramente. Até porque tem acentuado nos seus discursos a necessidade de “optimismo” para o país. Mas há quem vá mais longe.

Nuno Zeferino, de Vila Nova de Gaia, pede “mais amor” para Portugal. Uma sugestão esotérica sem enquadramento político. Mas, numa certa perspectiva, passível de legislação: a remoção das “barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo”, como consta do programa do PS.

In: http://www.ionline.pt/conteudo/22546-o-que-os-portugueses-querem-jose-socrates, a 11 de Setembro de 2009, no Jornal I

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Um pensamento sobre “O Que Os Portugueses Solicitam a José Socrates…

  1. O nosso País não está bem de Finanças, mas não se pode comparar com a Grécia, daí afirmar que os PPD,s travestidos de sociais democratas e dizem-se de direita envergonhada conservadora, o que eles querem é o poder a qualquer preço.
    Pena é que os partidos de esquerda muitas vezes fazem o jogo do CDS que em Portugal é de extrema direita e do PSD, aliando-se a eles nas votações, vamos a ver se mudem de atitude, pois as pessoas que votem nesses Partidos de Esquerda não apreciem essses comportamentos.
    Quem deixou a Grécia ficar nesses estado de calamidade foram os alidos do CDS e PPDs do nosso País, agora dizem que é o Governo Socialista.
    Só qum não tem memória, não se lembra o que os nossos governos desses Partidos fizeram todos os que vieram da Província fsem nada hoje estõ todos ricos.
    Agora não se fala do Portucale do BPN do BPP e outros serviços e empresas que foi uma boa maneira para se encheram e toso os amigos.

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