Análise da Campanha Eleitoral Para as Legislativas 2009…

Legislativas 2009      Fonte: www.bulimunda.wordpress.com

Legislativas 2009 Fonte: http://www.bulimunda.wordpress.com

Hoje trago um resumo publicado por um diário português, o Jornal I, passo a transcrever e de seguida faço um comentário sobre este mesmo resumo:

« Os pecados mortais dos cinco maiores partidos em plena campanha eleitoral

A ira de Sócrates é pecado ou virtude? E a avareza da Manuela Ferreira Leite mais a preguiça combatida por Portas? Conheça os pecados mortais em confronto eleitoral

Avareza PSD

A arma eleitoral de Ferreira Leite

A avareza social-democrata não é bem um pecado. É uma arma eleitoral apresentada como virtude. Ferreira Leite não gosta de comícios e não os faz: organiza sessões públicas. Tecnicamente não é um comício; mas na prática é, embora numa versão minimalista, mais recatada e controlada. A decoração é sóbria e as surpresas inexistentes: convida a discursar os cabeças-de-lista dos distritos que visita e conta com a ajuda de um nome sonante do partido para animar as hostes. Marcelo, Rangel, Sarmento e Marques Mendes foram as últimas escolhas. Todos assumiram as despesas do ataque aos socialistas ou da galvanização das massas. Manuela agradece.

Agradece sobretudo porque, nesses mesmos dias, Manuela repetiu o seu discurso. Foi em Coimbra, Viseu e Vila Real, podia ter sido em Faro, Setúbal ou Aveiro. A mesma linha, as mesmas ideias, o mesmo rumo. As mesmas palavras. Sem um soundbyte que agitasse a tribuna de imprensa. Se Ferreira Leite tivesse agência de comunicação, seria altamente provável que a alertassem para a necessidade de alimentar a voragem mediática. Mas não é por acaso que Manuela dispensa esses conselhos. “Essa pergunta pressupõe que a política é feita através de soundbytes ou de anúncios nos jornais”, respondeu a uma jornalista que a questionava, em Bragança, sobre a possível construção de uma barragem na região. E para Manuela não é assim que a verdade funciona.

Manuela só fala quando tem a convicção de que vai emitir a opinião que quer. Os jornalistas insistem. Perguntam uma vez por Cavaco e por Fernando Lima. “Não comento.” Perguntam outra vez. “É um problema do presidente.” A avareza do discurso é também uma estratégia. Bem visível: entre domingo e terça-feira, dedicou apenas doze minutos e quarenta e cinco segundos a falar com os jornalistas que seguem a campanha social-democrata. E faz questão de se centrar nos assuntos que escolhe para cada dia de campanha. O resto é a espuma dos dias. A verdade não alimenta polémicas.

Orgulho PCP

Jerónimo de Sousa luta, orgulhosamento só, pelos trabalhadores
Vá aonde for Jerónimo de Sousa, as palavras do candidato são sempre de que a CDU luta, orgulhosamente só, pelos direitos dos trabalhadores. Os trinta e três anos de alternância no governo entre PSD, PS e CDS serviram para sacrificar a vida de quem trabalha e beneficiar os grandes grupos económicos, lembra Jerónimo às populações que visita. O pecado do orgulho tem uma justificação prosaica: o PCP vai conseguindo manter a sua representação parlamentar.
Jerónimo de Sousa tem sempre uma palavra a dar aos trabalhadores. Sobre o desemprego, a precariedade ou criticando o novo Código do Trabalho aprovado pela “política de direita do eng. Sócrates”. Ontem, o candidato foi bem recebido entre as mulheres da Califa, uma empresa têxtil do distrito de Aveiro que está em processo de insolvência.
Muitos beijinhos e abraços e sentimentos à flor da pele. “Levanto-me Às 5h30 da manhã para estar aqui, chegamos a casa às 19h00”, diz uma trabalhadora que é interrompida por outra: “Tenho uma menina pequena e a casa por pagar, o que vou fazer à minha vida?” E logo a primeira volta à carga: “Queremos o nosso salário. É pouco mas é nosso. Só exigimos aquilo que é nosso.” Os cerca de 200 trabalhadores não receberam o salário de Agosto, nem o subsídio de férias. Jerónimo vai lançando um discurso optimista: “Tenha esperança”; “Não desista.” Mas as trabalhadoras estão desiludidas: “É preciso é boa disposição para a gente esquecer o que se está a passar e se calhar ainda vai passar mais”, diz uma. “Rir sem vontade”, atira outra. Ao que Jerónimo responde: “Um sorriso é sempre um sorriso.” “A esperança é a última a morrer”, diz a trabalhadora sem, no entanto, esboçar um sorriso. O candidato culpa o governo: “Esta fábrica tem uma grande potencialidade, tem encomendas e qualidade nas camisas que produz mas, infelizmente, o governo tem tomado opções erradas.”
A sirene toca aguda e os beijinhos e mensagens de esperança de Jerónimo também acabam, afinal as trabalhadoras têm mais uma tarde pela frente. “Até domingo! Pode contar connosco!”, gritam. Com orgulho.

Ira PS

Muitos chamam-lhe arrogância, mas o PS diz ser determinação

A ira é o pecado compulsivo do secretário-geral do PS que, quase na mesma proporção, o alimenta (“determinação”, “rumo”, etc.) e o destrói, como se viu no divórcio com os professores, funcionários públicos e outros. É ao pecado da “arrogância”, outro nome usado para referir a ira de Sócrates, que muitos atribuem a derrota nas europeias, quando o PS foi abandonado pelos eleitores e ficou com o pior resultado de sempre. Do pecado, Sócrates tentou penitenciar-se a seguir à derrota de Junho e falhou. Não houve ave-marias rezadas perante os clérigos do partido, na reunião da comissão política depois das eleições, que lhe extirpassem a coisa. A tentativa de se despojar da ira durou 24 horas e logo José Sócrates a abandonou: o sofrimento de não pecar era insustentável e, acreditava o PS, talvez inútil, tendo em conta as circunstâncias.
A José Sócrates perdoa-se-lhe o pecado da ira quando é camuflado com um nome positivo: determinação. Mas ela está lá sempre, quando entra em fúria quando é questionado, quer pelos jornalistas, quer pela oposição. É à ira – pecado que partilha com a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues – que se deve em parte a gestão desastrada de algumas reformas, como a da educação.
A ira corrói um governo e uma personalidade ao ponto de não deixar espaço para uma dose mínima de humor, nonchalance e autocrítica. Nunca Sócrates se consegue salvar da ira, mesmo em campanha eleitoral: os comícios cheios de “determinação” e “rumo”, convictos até à exaustão da bondade do seu projecto, são profundamente irados. Ele acredita e é impossível alguém não acreditar: como qualquer irado, Sócrates sente-se permanentemente vítima da incompreensão alheias. O irado nunca percebe o que lhe está a acontecer e tem dificuldade em ouvir a opinião alheia sem a tomar como “relatório do inimigo”: foi assim durante os quatro anos de um governo pujante de auto-suficiência, característica de toda a gente que sofre do pecado da ira. É um pecado estranho: dá-lhe votos quando lhe carrega a marca da “convicção” e retira-lhe quando salta à vista a “arrogância”.

Preguiça CDS

Perante a preguiça não há complacência, diz o CDS. Será soberba?

A ideia é petróleo para acender as arruadas. “Andam a comer à custa dos trabalhadores, vão para os cafés fumar e beber e não querem fazer nada. É galões, é bolos, é tudo. E um desgraçado tem de trabalhar até aos 65. Já trabalho desde os 12 anos, querem-me obrigar a continuar até aos 65, de bengala agarrada às máquinas”, dizia um homem a Paulo Portas quando a caravana passou por Espinho. O líder do CDS usa outras palavras, mas diz o mesmo.
Mais do que Sócrates, Ferreira Leite ou Louçã, o grande inimigo do CDS nestas eleições é a preguiça. Pecado dos pecados é não fazer nada. E pecado ainda maior é receber um ordenado pelo nada que se faz. No evangelho segundo o CDS, a preguiça é uma doença contagiosa do povo que Sócrates propaga oferecendo uma recompensa chamada Rendimento Mínimo. A norte, no povo do Portugal que não é Lisboa, a mensagem dos democratas-cristãos tem encontrado o seu mais fiel destinatário.
Paulo Portas sabe que quem conta dinheiro todos os meses e chega às últimas semanas já sem nada para contar, dá por si a maldizer “a malandragem que para aí anda a viver à custa de quem trabalha”. Fala numa “maioria silenciosa” que, de tão silenciosa não se apanha nos radares das sondagens, mas que pensa como ele – “não acha bem que os que trabalhem paguem impostos e os que não trabalham vivam à custa do contribuinte”. O CDS, “o único partido da direita com convicções”, vem dizer que não há nada de mal em pensar assim, porque o dinheiro deve ser de quem o trabalha e, perante a preguiça, não há complacência.
Contra a crise, o CDS só vê duas escolhas possíveis. O trabalho – na lavoura, nas pequenas e médias empresas, nas pescas e nas florestas de Portugal – ou a preguiça, que não conduz o país ao reino da riqueza, mas para a qual o PS criou o limbo do Rendimento Mínimo. Portas promete vida curta a este apoio e, com um corte de 25%, quer aplicar o mesmo dinheiro a aumentar o subsídio de desemprego para quem não encontra ocupação e as reformas de quem já trabalhou o que tinha a trabalhar.

Gula BE

A gula do BE é quase insaciável. O poder já não é tabu

“Mete uma faca à garganta se és um homem glutão.” A passagem é da Bíblia. Agora troque “homem” por “empresário”: até podia ser uma frase do programa eleitoral do Bloco de Esquerda. Em cada comício, em cada arruada, em cada almoço, repetem-se palavras de ordem contra aqueles (os poucos) que acumularam milhões à custa dos muitos, o povo “que não tem vida na sua própria vida”, como disse Francisco Louçã esta semana. E os glutões têm nome: Américo Amorim, José Eduardo dos Santos, Grupo Mello, Mota-Engil ou o “amigo de Sócrates”, Ricardo Salgado.  Mas à sua maneira, o Bloco de Esquerda também cai no pecado mortal, revelando um desejo insaciável por mais Estado. São as nacionalizações da Galp, da REN e de outros sectores estratégicos para que haja “justiça na economia”.
Louçã já disse que quer desprivatizar, “mas não a torto e a direito”. O fantasma ficou, embora a palavra nacionalização tivesse sido substituída por expressões mais suaves como “controlo público” ou “responsabilidade pública” e ainda “gestão pública”.
A verdade é que os “perigosos esquerdistas” ou “parasitas” anti-sistema – como disse António Costa – estão a evoluir para algo mais convencional. Agora, também eles estão na luta insaciável e gulosa pelo poder. Provas? Em Junho, ainda antes das eleições europeias, Miguel Portas deixava o primeiro sinal: “Queremos ser governo e estamos a preparar-nos para ser governo.”
Na passada segunda-feira em Coimbra, Louçã deixou outro desejo: “Quero convidar qualquer pessoa que nunca tenha votado no BE a pensar por que razão é precisa uma força na esquerda, neste partido, e uma maioria para governar.” Uma maioria? Exactamente, mas não para já. Palavra de coordenador nacional do BE. Por mais que negue dar a mão a Sócrates depois das eleições, há muita gente no Largo do Rato a “cobiçar a mulher alheia”. Alegre e Soares até já falaram em casamento. Para já, Louçã mantém-se fiel. Mas, depois do dia 27, até pode atender o telefone a Sócrates e dizer-lhe: “Perdoo-te o mal que me fazes pelo bem que me sabes.”»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/24301-os-pecados-mortais-dos-cinco-maiores-partidos-em-plena-campanha-eleitoral, 23 de Setembro de 2009, no Jornal I

O meu comentário:

Penso que vários são os itens que marcaram esta campanha eleitoral, pelo menos até este momento, podemos ver o PS, que consegue subir nas sondagens, mas não a escalar como em 2005, no entanto, com alguns mistérios a pairar sobre si, como é o caso, da dita asfixia de expressão, que se pensa quem muitos órgãos de comunicação tem passado, o caso das escutas, é outro dilema, e que infelizmente, na minha óptica o nosso presidente da república deveria vir a publico dizer algo, mesmo que isso, fosse prejudicial às eleições, pois acho que vai continuar a prejudicar as eleições, apesar do silêncio dele, enfim, são escolhas. Paira também o segredo de um acordo com o Bloco de Esquerda, mas são ideias coisas que deveriam ser mais transparentes, mas aqui tem a lógica de não deixar fugir eleitorado para o BE, e vice-versa, por parte do BE.

O PSD, a sua líder mostra que não gosta do contacto com o publico, se assim o é, como tem dado a entender, então temos que a única a razão para se candidatar, é a perseguissão de um tacho, e não o dever se servir o país e os portugueses, que são valores que se deve, ter como principais numas eleições deste tipo, mesmo as suas sessões deixam um pouco a desejar, pois o povo gosta de movimento, confusão e algumas ofertas…

O CDU, ao contrário do partido anterior, tem mostrado e isso, é uma tradição deste partido, gosta de estar, aliado a multidões e de estar ao lado das pessoas, este partido, tem estado sempre presente nas lutas, das pessoas e na maior parte das manifestações, penso que tem presença forte, nos distritos onde habitualmente ganha, apesar de ter algumas ideias de cariz ideológico forte, não as consegue concretizar, por estar conotado negativamente, perante a população em geral, embora, o seu líder tenha assumido que, enquanto houver juventude, não desiste, pode ser que se renove, e agarre a juventude, não agora, mas talvez daqui a alguns anos, a ver vamos.

O CDS-PP, é um partido, notoriamente de Bom Vivant, onde os meninos ricos e aliados à igreja, encontram o seu poiso, digamos que é a nata da sociedade, embora tenha valores questionáveis, e muitas delas irreais, tem uma ou outra, que até são boas ideias, no entanto, não promete reprimir o Bom Vivant, que muitas pessoas não gostam, pois na sua generalidade, só trabalham para uma imagem cada vez mais metro sexual, do que contribuir para algo tangível, mas se continuarem a se esforçar, se despirem esta conotação e se assumirem como pessoas trabalhadoras e interessadas em servir os portugueses, e o país, não correndo atrás de coligações a todo custo para assegurar um tacho, penso que podem ter cotação no futuro.

Por fim, o BE, um partido que é o mais recente dos 4 acima por mim mencionados, que veio do nada, conseguiu subir, e mesmo nas ultimas eleições europeias, conseguiu escalar, e subir de uma forma exponencial, atingindo e consolidando de uma vez por todas o 3º lugar. Este partido, move-se essencialmente, por força de uma juventude, com valores fortes e ideias bastante vincadas, é uma juventude, que muita dela é oriunda de classes com necessidades, outros com necessidades de vencer, geralmente e muita da geração de 80, que tenho vindo a destacar esta semana, vai se refugiar neste partido, e penso que mesmo, alguma e muita da indecisa, vai mesmo encontrar um mínimo conforto neste partido, pois penso que seja, o que tem o programa mais realista, para este nicho populacional, deve-se muito também a este nicho a sua escalada nas ultimas europeias.

Como disse, eu não vou revelar publicamente, aqui o meu voto, pois penso que os votos das pessoas, são o resultado de uma reflexão cuidada, que todos devemos fazer aos programas dos partidos políticos, e não votar por caras, ou por tradições de cariz partidário, devemos votar por ideais, e por programas.

Desejo a melhor sorte a todos os partidos, mesmo os que não enumerei aqui, por não terem tradicionalmente assento político.

Que os Portugueses elejam quem mais desejam!!!!

Deixo a questão: Que pensa do comportamento dos 5 principais partidos nesta campanha eleitoral para as legislativas de 2009?

Tenho Dito

RT

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2 pensamentos sobre “Análise da Campanha Eleitoral Para as Legislativas 2009…

  1. Gostei da sua análise politica.Tenho pena do esforço que a sr.dr manuela f. leite faz,já tem 69 anos,eu sei o sacrificio que faz porque tenho 72,ela está esgotada.Mas nunca lhe daria o meu voto, porque não tem filling. Lembro-me dos 2 anos de ministra “2 anos os reformados a penar,zero, nem aumento de corecção de inflação”por isso srs. do p.s.d. façam descançar a sra. e coloquem um jovem com garra (ex:um passos coelho).que tem garra á Socrates. O B.E. se fôr governar vai ser como P.R.D.desaparece.Um abraço viva PORTUGAL com bons politicos sérios e com senciblidade para GOVERNAREM o nosso país e controlarem a imigração que é um escandalo o que está a acontecer no nosso pais.Cinco romenos foram á minha casa com uma camionete roubaram-me tudo, foram presos, soltaram-nos.Qual é o meu pensar? Isto está a saque e ninguém faz nada.Não quero Salazar nem ditadura, mas no tempo dele não acontecia. Atenção srs. politicos façam leis para defender o cidadão. Assim não.Fico muito triste,mas votem bem, em consciência.VIVA A DEMOCRACIA e o respeito pela opinião dos outros, sem atropelos.Mais uma vez um abraço.

    • Fico muito grato pelas suas Palavras, António Fernandes.

      Tento fazer um trabalho, que espero que seja, do agrado da maioria dos meus leitores, sempre com credibilidade, imparcialidade, e com qualidade.

      Obrigado pela sua opinião e pelas suas palavras, e ainda bem que é do seu agrado!

      RT

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