Comer Sem Consultar a Ementa….Algo Só Possível Num Optimo Restaurante da Cidade do Porto

Comer sem consultar a lista...num restaurante do Porto Fonte: http://www.veja.abril.com.br

Hoje e por ser sábado, trago uma sugestão muito boa para um jantar na cidade do Porto, desta vez vou somente transcrever o artigo e deixo os comentários para os caros leitores.

 

«O que vai ser o almoço? O chefe é que sabe

Se for ao Sessenta/Setenta, no Porto, não olhe para a carta: peça uma sugestão ao chefe e saboreie os melhores pratos de nouvelle cuisine da cidade

O Sessenta/Setenta fica numa transversal da Rua da Restauração, no Porto. Mas a transversal é tão discreta que há muitos taxistas que têm dificuldade em levar-nos lá. Depois de entrar na rua, antiga, estreita e sem lojas, também é difícil reparar na entrada do restaurante. Quando finalmente atravessamos o portão entramos num mundo à parte. Numa dependência do antigo Convento de Monchique, de soalho e parede de pedra, cheia de janelas a darem para o Douro, três amigos decidiram criar este restaurante sofisticado, aberto desde 2002.

São eles Lourenço Rochi (arquitecto de origem italiana, responsável pela renovação do espaço), Carlos Costa (economista) e Francisco Meireles, um chefe autodidacta, que em boa hora decidiu trocar o negócio de automóveis pela cozinha e Vila Real pelo Porto. O nome não tem nada a ver com décadas; é, sim, um rebuscado, mas acertado, trocadilho abrasileirado: “Se senta, se tenta.”

Há dias fomos almoçar com Francisco Meireles e em cima da mesa foram aterrando diversas tentações, de surpresa. A abrir, lavagante flamejado em conhaque, com tamarilho. Depois um ceviche de rodovalho com uma cebolada de hortelã. A seguir um belo bolinho de bacalhau assente em cama de roupa-velha. Por fim, um magnífico gratinado de chila e ovos. “Eu faço muitos menus que os clientes não escolhem. Dizem-me: ‘Francisco, faz tu o que quiseres.’ Depois sentam-se à mesa e esperam que eu os sirva”, explica. “É uma relação de altíssima confiança, quando alguém se senta e não vê a carta do restaurante. Tenho clientes que me dizem: ‘Eu acho que nunca vi a tua carta.’ Como essa relação existe, também não sabem o que vão almoçar, e eu é que escolho. E isso responsabiliza-me imenso, não há margem para erros. A opção é minha, e o risco é muitíssimo grande. Se o cliente pedir um bife com pimentas que está na carta e não gostar do bife, vai ter no subconsciente que foi ele que escolheu. Agora se ele me disser ‘O jantar é contigo’, o risco é todo meu”, reconhece. “Mas, ao mesmo tempo, isso dá-nos uma capacidade fantástica, que é fazer coisas novas quase todas as semanas, porque o mesmo cliente pode vir cá duas vezes num mês, e não faz sentido dar-lhe a mesma refeição. Tenho de lhe dar coisas diferentes, senão perde o encanto, completamente.”

Os pratos mais populares do Sessenta/Setenta são entradas cruas (ceviche e tártaro), duas opções de bacalhau (o Bacalhau Dourado, uma posta com uma gema de ovo montada em quente, com uma cebolada ligeiramente avinagrada, e o Bacalhau à Freixieiro, com broa e presunto), duas opções de carne (a Sopa Seca e o Folhado de Foie Gras) e duas sobremesas (Pêra Gelada, a grande coqueluche da ementa, e uma Marquis de Chocolates).

Francisco Meireles acha que a sua linha gastronómica “não tem um padrão”. E explica: “Tem algumas regras de enorme simplicidade, uma muito grande preocupação com a cor dos pratos e com a forma como eles são arrumados, mas estou sempre aberto a fazer coisas diferentes… Não vou muito pela cozinha de fusão, não é muito bem por aí que me apetece. Eu acho que as raízes portuguesas estão cá, mas não vejo porque não utilizar coisas que não sejam produtos nossos.” De resto, um restaurante temático estaria fora de questão. “Nunca iria gostar de ter um restaurante de cozinha italiana, ou mais oriental…”, confessa Francisco. “Acho que este espaço de liberdade – de chegar à cozinha, ver um produto qualquer e fazer qualquer coisa com ele – é indispensável. É directo, sem receita. Há coisas que fiz, foram para a mesa e nunca cheguei a provar! Há uma grande dose de improvisação.”

Rua de Sobre-o-Douro, 1-A, Porto.

Telefone: 223 406 093. De segunda a sexta-feira, das 13h às 15h e das 20h às 24h. Sábado, aberto só ao jantar. Encerra ao domingo e feriados.»

 

In: http://www.ionline.pt/conteudo/34996-o-que-vai-ser-o-almoco-o–chefe-e-que-sabe, a 27 de Novembro de 2009, no Jornal I

Bom Fim Semana

RT

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