Porque Não Se Compram Mais Casas Novas… Veja Aqui Uma Análise Detalhada ao Assunto…

Crise no Sector Imobiliário   Fonte: www.paginav.com

Hoje e para começar bem a semana, trago algo, que me suscitou alguma reflexão no final da semana transacta, sendo o assunto, a crise no sector imobiliário, passo a transcrever a referida peça jornalística e de seguida, vou fazer um comentário ao assunto.

« Compra de casas novas caiu 50% desde 2000

Queda vai manter-se este ano, prevê o Banco de Portugal. Recuperação marginal só em 2011

A crise do imobiliário só estalou em 2008, mas a quebra na compra de casas novas começou muito antes. Os dados do Banco de Portugal revelam que os portugueses compram agora metade das casas que compravam há dez anos, com o investimento residencial a cair 50% na última década. Não porque o mercado esteja em crise desde essa altura, mas sim porque amadureceu a tal ponto que é impossível voltar aos níveis de crescimento da década de 90.

Segundo o Boletim de Inverno do Banco de Portugal, divulgado terça-feira, o investimento residencial, que abrange apenas a compra de habitação nova por parte das famílias, registou “uma tendência de queda acentuada desde o início da década, que se situa já em cerca de 50% em termos acumulados”. Em 2010, a projecção do banco central aponta para uma nova queda de 4,1%, bem menor que a derrapagem de 12% registados no ano passado e ao mesmo tempo superior à contracção de 3,4% registada em 2008.

“O investimento residencial foi também afectado pela crise financeira internacional, dada a elevada percentagem deste tipo de investimento financiada com recurso a crédito bancário, num contexto de critérios de concessão de crédito mais restritivos”, analisa o Banco de Portugal, frisando também o papel importante das “condições desfavoráveis no mercado de trabalho”. A previsão negativa para este ano é, neste contexto, uma recuperação – sendo que o banco central já prevê um crescimento marginal em 2011. O Boletim de Inverno refere que esta componente da formação bruta de capital fixo (FBCF) continuará a ser afectada “pela fraca criação de emprego”. E destaca ainda um aspecto particular: a “dinâmica associada a factores demográficos”. Não há pormenores para esta questão, mas o decréscimo das taxas de natalidade – que habitualmente forçam as pessoas a mudar de casa, não será alheio à queda do indicador.

Menos construção Durante este ano, estima o banco central, vão ser construídas 44 mil casas. Este valor representa menos de metade das habitações novas construídas no ano 2000 e também menos que as 50 mil do ano passado. Da mesma forma, as vendas totais do mercado imobiliário (não só de casas novas, mas também usadas) ficarão este ano a menos de metade dos números que se atingiam na década passada. Como se explica este fenómeno?

Na verdade, o declínio está ligado à explosão da compra de casa própria durante a década de 90, altura em que os juros do crédito à habitação se reduziram substancialmente. As vendas recorde foram acompanhadas de um grande aumento na construção de novas casas, já que se pensava haver um défice na ordem das 500 mil habitações (o número consta do Livro Branco sobre a Habitação, de 1993).

No entanto, os Censos 2001 vieram desmistificar esta ideia, ao revelar a existência de 544 mil casas vazias, parte das quais construídas nos cinco anos anteriores. A ideia de que seria necessário continuar a construir foi eliminada e a partir de 2003 o número de casas novas começou a cair. Desde então, os dados são inequívocos: o mercado português está maduro. Há 5 milhões de casas para 3,6 milhões de famílias. A crise de 2008 só veio acelerar no mercado imobiliário uma tendência que estava iminente: o fim da valorização contínua dos imóveis.

“Crises à parte, este mercado nunca poderia crescer até ao céu, sob pena de se cimentar o país”, comenta o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima. “O mercado residencial imobiliário destina-se a famílias, e estas não estão sempre a mudar de casa”, explica o responsável, até porque muitas ainda estão a pagar casas que adquiriram há 10 ou 20 anos. Luís Lima considera ainda que o decréscimo do número de transacções imobiliárias “era mais do que esperado e natural”, embora esta queda não tenha sido acompanhada de um decréscimo do valor das transacções.

Ora o indicador do investimento residencial, referindo-se apenas a casas novas, mostra que o mercado português tão cedo não vai regressar ao crescimento – algo que, de resto, se tem reflectido ano após ano na actividade das construtoras, mais que na das mediadoras imobiliárias. Luís Lima sugere, por exemplo, que o mercado se vire mais para a reabilitação urbana. A readequação da construção aos nichos e à qualidade (ao invés de à quantidade) também é tendências que o mercado deverá ditar nos próximos anos. Com S.P.P. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/41991-compra-casas-novas-caiu-50-2000, a 15 de Janeiro de 2010, em Jornal I

O meu comentário:

Relativamente a este assunto, a minha opinião é que é obvio que tudo tem um limite, e como tal, não se poderia andar sempre a construir habitações, sem terem uso, ou seja, comprador. Não quero dizer que, não existem compradores para as casas, ou para o mercado imobiliário, existem, e até existem muitos interessados, o problema é que com a construção desenfreada dos anos 90, e com a ideia de que as casas são sempre um factor de valorização, levou a que, existisse uma escalada dos preços das mesmas, no entanto, os compradores da década de 90, eram pessoas que tinham empregos, maioritariamente estáveis, e com renumerações acima das praticadas nos dias de hoje, e com o empurrão dos bancos e das suas reduzidas taxas de juro, levaram à compra de habitações por parte das gerações novas de então.

O problema do imobiliário, e este esticar de preços, com a valorização dos imóveis, foi o que levou a esta crise ter rebentado, lembremo-nos de que foi o sector imobiliário nos Estados Unidos, os responsáveis por parte desta crise, levando mesmo, os bancos a terem que ser «imobiliárias», pois as pessoas começaram por entregar os imóveis aos bancos, sabe que o negócio dos bancos não é imobiliário mas sim financeiro.

Como tal, penso que o problema foi a especulação e o esticar da corda, que levou a que as pessoas hoje em dia tenham consciência que comprar uma casa, não é uma decisão que deva ser tomada de animo leve, tem que ser bem ponderada, pois não existem os facilitismos dos anos 90, para a compra dos mesmos, e as condições e qualidade de vida, são bem mais degradantes, que as da época de 90.

Vou chamar a atenção do leitor, para as condições que hoje se praticam, siga-se o exemplo de um jovem casal de namorados, em casa, cada um deles deve ter, um irmão, ou mesmo nenhum, ou seja, comprova-se aqui a influência da natalidade, que a partir de 1974, começou a decrescer, por motivos como por exemplo, a compra de casa, que não libertava recursos para ter mais filhos, e sustentar a respectiva educação dos mesmos. Voltando ao casal de namorados, se os mesmos terminaram o seu cursos superior, estão tramados, pois vão entrar numa pescadinha de rabo na boca, de empregos precários, e sem futuro, onde são explorados ou por contractos atrás de contractos, ou então, pelos denominados recibos verdes, e então vão andar anos, ainda a viver na casa dos pais, e oscilam entre estar empregados ou desempregados, nenhuma entidade bancária pode conceder credito a este jovem casal, por muito que eles queiram juntar-se, ou mesmo casar, não vão poder, a não ser com intervenção de terceiros (podem ser os pais, mas muitos dos pais estão ainda endividados com a habitação, onde reside a família, portanto, não podem ser credíveis), moral da história vão andar anos da vida, sem poderem constituir família, e vão adiar a natalidade como é obvio, se conseguirem ao fim de alguns anos, constituir família, vão apostar nas carreiras, logo a natalidade vai ser tendencialmente nula, pois bem, estamos perante problema social, que afecta o sector da construção além de outros.

Vejamos agora outro exemplo, se um casal de namorados, idêntico ao anterior, no entanto, sem cursos superior, ou seja, possuem a escolaridade ao nível do 12º ano, ou mesmo, do 9º ano, este casal, como possivelmente já trabalha à mais tempo, como começou a trabalhar no inicio de 2000, ou pouco mais isso, pode até estar já efectivo, mesmo trabalhando no café da esquina, aqui a entidade bancária, vai conceder credito a este casal, o mesmo, vai poder constituir família, e consequentemente vai ajudar na resolução do problema da natalidade, pois bem, mas vai gerar problemas sociais, pois a assimetria entre pessoas que querem constituir família, mas porque estudaram, entram no mercado de trabalho mais tarde, e as pessoas que tem família, são mais novas e possuem empregos. Esta assimetria vai originar angústia em primeira instancia nas pessoas licenciadas que não conseguem mostrar o seu valor, e posteriormente nas que não estudaram pois estão a perder mercado a cada mês que passa, pois o mercado vai atrofiando, por exemplo, uma cabeleireira, em vez de ter 15 bons clientes ao sábado, passa a ter 5 clientes que só preferem serviços baratos, não rentabilizando desta forma, o cabeleireiro, levando ao desemprego do elemento sem curso no curto prazo, e como tal, vai causar problemas ao que aqui enumerávamos, que é as vendas no sector imobiliário.

Basicamente, e para terminar, o que está em questão, é que o sector pode não crescer, mas deve se segmentar, e verificar que a qualidade como enumera a peça, deve ser seguida, mas acima de tudo, a especulação de preços tem que terminar, e deve-se apostar nos jovens licenciados, dar tudo, pois são eles o motor da economia, são os que vão despoletar o final da crise, se os mesmos forem apoiados, e os empregos serem remunerados e com estabilidade justa, com certeza, que irão surgir os novos casais, e vão se vender mais habitações, em virtude da felicidade desta juventude, o incremento da natalidade surgir.

O problema da construção e da sociedade em geral, passa por problemas essencialmente de asfixia, sendo o mais notório a asfixia dos jovens licenciados, que não confiam em nada, nem em ninguém, mas também ninguém lhes concedeu ou deu oportunidade para que exista essa mesma confiança.

Boa Semana para Todos!

Tenho Dito

RT

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2 pensamentos sobre “Porque Não Se Compram Mais Casas Novas… Veja Aqui Uma Análise Detalhada ao Assunto…

  1. Na hora de comprar casas eu procuro sempre as novas… Meu desejo na verdade é construir uma do jeito que eu qro mas uma obra é mais cara que uma casa novinha, apesar de não ser tão facil de achar uma nova nas regiões mais centrais da cidade. Abraço!

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