Análise ao Ensino em Portugal…Em Que Ponto Está Portugal em Matéria de Ensino…O Que Devemos Mudar Para Ter Mais Qualidade no Ensino em Portugal…

Hoje deparei-me com uma análise ao nosso ensino e os progressos realizados nos últimos 50 anos, passo a transcrever a peça jornalística e de seguida, vou efectuar um comentário à mesma e ao assunto.

«Ensino. Portugal está no mesmo ponto de partida de há 50 anos

Dados do INE revelam que Portugal deu um salto gigante, mas os especialistas avisam que o atraso face aos países desenvolvidos permanece igual

Em cinco décadas, o número de crianças no pré-escolar cresceu 40 vezes, a taxa de escolaridade no ensino secundário escalou de 1,3% para 60% e o acesso das raparigas ao ensino subiu 15%. Este é o retrato do ensino português publicado nos “50 Anos de Estatísticas da Educação”, que ontem o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) divulgou. Os dados mostram que o país deu um salto gigante entre 1960 e 2008 mas, para os especialistas, essa evolução significa que Portugal está exactamente no mesmo ponto de partida de há 50 anos. “Fartámos de correr, mas não conseguimos ainda apanhar o pelotão da frente”, avisa o sociólogo do Instituto de Ciências Sociais Manuel Villaverde Cabral.

O crescimento numérico é inegável, mas os dados estatísticos não traduzem uma recuperação de Portugal face aos outros países desenvolvidos, esclarecem os investigadores. “Houve uma massificação do acesso ao ensino, mas a qualidade não acompanhou essa evolução”, defende o professor universitário Santana Castilho. A única conclusão a retirar da publicação do INE é que, há 50 anos, os portugueses viviam na idade das trevas. “O que me salta aos olhos é que o sistema educativo antes do 25 de Abril era realmente mau, porque 99% da população estava excluída da escola”, desabafa Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português.

O ensino secundário é para Manuel Villaverde Cabral o exemplo mais flagrante do atraso português. “Nos Estados Unidos, a taxa de escolaridade até ao 12º ano era de 100% ainda antes da Segunda Guerra Mundial; em Portugal o ensino obrigatório até aos 18 anos só acontecerá a partir de 2013.” De acordo com o INE, só 60% dos portugueses completaram o ensino secundário; a mesma percentagem de norte-americanos tem habilitações superiores. “Os países escandinavos, por exemplo, conseguiram recuperar o atraso face aos EUA e, na década de 60, 100% da população já estava escolarizada ao nível do secundário”, conta o sociólogo e autor do estudo “Sucesso e Insucesso – Escola, Economia e Sociedade”.

Todos os países desenvolvidos como França, Alemanha ou Espanha conseguiram taxas plenas de sucesso no ensino secundário, recorda o investigador do Instituto de Ciências Sociais, mas “em Portugal, 30 a 40% da população não consegue ir além do 9º ano”. O sistema exclui sobretudo os que mais precisam: “O insucesso escolar acontece principalmente no interior do País e nas periferias de Lisboa e Porto.” Duplicar ou até triplicar o investimento na educação poderá ser uma solução para apanhar o comboio da modernidade, propõe Villaverde Cabral que está convencido de que o atraso no sistema educacional “muito se deve” às elites governamentais que tomaram opções erradas e contribuíram para um modelo de ensino “ineficiente e dispendioso”.

Aposta tardia Para Paulo Feytor Pinto, o nível com maiores lacunas continua a ser o pré-escolar, com uma escolarização de 77,7%. “Foi uma aposta tardia do país, que só começou com o primeiro governo António Guterres. Fez-se muito e ainda há muito a fazer, pois é nessa idade que se decide muita coisa, para o bem e para o mal.” Critica ainda o facto de, mais uma vez , as estatísticas não distinguirem o abandono escolar de retenções. “A retenção é administrativa, o importante seria perceber que alunos saem da escola antes do tempo. Não conseguimos perceber se há uma melhoria ou não – faz-se o diagnóstico, mas não se traça a evolução.” A diferença verificada entre a taxa de escolarização aos 15 anos (99,7% em 2006/07) e a taxa de escolarização para o secundário (60% no mesmo ano lectivo) representa outra preocupação. “Eu e outros colegas temos cada vez mais a sensação de que o abandono e a desmotivação começa sobretudo a partir 11º ano.”

Na hora de traçar caminhos para o futuro, as ideias focam-se na disciplina de língua portuguesa. “Precisamos de mais horas lectivas. Temos hoje três horas (quatro tempos de 45 minutos) para a língua materna, quando na generalidade dos países são seis, sete ou oito. Portugal é o caso excepcional.” Outro passo importante seria reconhecer uma “componente experimental ao português”, como acontece nas disciplinas científicas. “Permite o desdobramento das turmas, o que seria útil por exemplo para aprender a escrever com o professor ao lado. Não é com trabalhos de casa que se consegue essa aprendizagem.”

Esforço notável Santana Castilho admite que “o esforço do país na escolarização é notável, sobretudo nos últimos 30 anos”. Porém, considera que os números não podem ser lidos como um retrato fidedigno da educação em Portugal. Para o professor universitário, “números são números” e apenas transmitem “a quantidade, nunca a qualidade”. “Políticas de educação feitas para as estatísticas” e o “decréscimo da exigência do ensino para combater o abandono escolar” estão na mira de ataque do analista em educação. Se existem hoje 27 vezes mais alunos matriculados no ensino secundário do que na década de 60, Santana Castilho realça ser preciso fazer uma leitura dos dados de acordo com as mudanças recentes naquele grau de ensino, como o aumento do número de cursos profissionais. “No mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, 20 mil alunos matricularam-se no ensino profissional. O preço de termos menos jovens a abandonarem a escola é que até se criaram cursos de treinador de futebol que dão equivalência ao 12º ano.”

Somando número de alunos e número de docentes nas escolas portuguesas no ano lectivo 2006/2007, a publicação do INE mostra que existe hoje uma média de 9,75 alunos por cada professor. Esse número, para Santana Castilho, está “completamente desvirtuado” da realidade. “Basta percorrer meia dúzia de escolas para concluirmos que uma turma tem quase sempre muito mais de dez alunos. É preciso ter em conta que os professores do ensino especial ou a desempenhar tarefas administrativas também entram nesse cômputo, e que duas mil escolas – onde a relação professor/aluno era muito baixa – já fecharam.”»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/42939-ensino-portugal-esta-no-mesmo-ponto-partida-ha-50-anos, a 21 de Janeiro de 2010, no Jornal I

O meu comentário:

Na minha óptica esta peça jornalística transcreve o que se passa na educação em Portugal, no entanto, devemos ter em conta, que o problema da educação em Portugal, não deve ser analisado de uma forma tão leviana, ou visto, só como uma comparação de 50 anos.

No panorama nacional, em 50 anos, foi óptimo termos melhorado notoriamente a quantidade de pessoas que passaram a ter acesso à educação em Portugal, no entanto, penso que o nosso maior problema aqui, e que deve ser tido muito em conta, é mesmo a falta de qualidade no ensino leccionado em Portugal, penso que estamos em patamares mínimos, o que para um país que faz parte da União Europeia e em 2013, vai consagrar o 12º ano, como ensino obrigatório, tem que ter mais qualidade.

Outro aspecto que se deve ter em conta, é a fraca envolvência entre intervenientes dentro das escolas, senão vejamos, Há muitos anos defendia ainda nos meus tempos de liceu, que as escolas não poderiam ter como presidente do conselho executivo um professor, especialmente um professor que leccionava na própria escola, penso que não era justo para os seus colegas, votarem numa lista x ou y, constituídas por professores, penso que, mesmo sendo um voto secreto, é sempre uma situação bastante constrangedora, isto já, para não falar, que era tendencial, pois penso que os clientes, neste caso os alunos ou em sua representação os encarregados de educação, deveriam ter o direito ao voto, ou a uma percentagem dos mesmos, visto serem os mais interessados, para que o ensino fosse ministrado com qualidade. Pois bem, parece que ouviram, e mudaram, agora a gestão das escolas já está fora do enquadramento dos professores, passou para pessoas teoricamente isentas e imparciais, não quero dizer que os professores que lã estavam não possuíam estes valores, acredito que 99% os teria, mas não eram muito transparentes as coisas se lá continuassem.

O problema da qualidade que aqui levanto, tem a haver como é feita a prestação de um serviço, que é o ensino, os professores não possuem a culpa toda, especialmente porque as turmas são muito grandes, o que só se entende, pelo factor da despesa, pois professores e infra-estruturas para ministrar aulas é o que mais por aí há. No entanto, como referia, a grande extensão das turmas, não permite o acompanhamento dos alunos, pelo menos, numa proximidade que penso que seria desejável, o que leva a que os professores tenham que deixar cair, um determinado aluno, pois não lhe dá garra, pois vem mal preparado do ano anterior, e não possui as bases, como tal, em vez de o apoiar, e ajudar, e tentar a incentivar a que o mesmo ultrapasse estas lacunas, o professor desiste dele, o que é lastimável, na vida encontrei muitos professores assim, mas muitos que não, que me incentivaram, que me davam a possibilidade de recuperar e sentir que é possível não deixar a cadeia, a esses, só tenho a agradecer, aos outros horas de formação humana e pedagógica, era algo que precisavam.

Outro factor de falta de qualidade notória nas escolas, é tratar as pessoas como quartel, as pessoas cada vez mais cedo, são mais exigentes e não toleram que se mande nelas, penso que o ideal, em vez de controlar quem falta, quem não faz o trabalho de casa, era sim persuadir, motivar, e mostrar que os comportamentos como faltar ou não fazer os trabalhos de casa, não eram benéficos, e que estariam a originar problemas a médio e longo prazo, caso persistissem, Penso que na persuasão as coisas são mais produtivas, que se impor, senão vejamos, ninguém gosta de fascismo por ser um sistema muito imperativo e punitivo, geralmente gostam mais de democracia, por ser mais liberal e justo, pelo menos tendencialmente.

Um problema mais geral, trata-se da nítida desadequação dos conteúdos programáticos às vivencias de hoje em dia, e das reais necessidades, o jovem nos dias de hoje é mais prático, gosta mais de viver o causa-efeito, e não é teórico, logo, existem cadeiras que ele vai deixando para trás, por não se espelhar a sua realidade de vida, nos conteúdos programáticos, isso é especialmente notório a partir do 10º ano, onde as pessoas tem que fazer todas as cadeiras e não deixar cair nenhuma, pois tem que as limpar, até ao final do 12º ano, seja para conquistar o titulo do ensino secundário, quer seja para conquistar a ambicionada entrada na universidade. Um exemplo, deste desfasamento é os cursos profissionais, cada vez possuírem mais pessoas, sendo que a cada ano lectivo que começa, se bate recordes no acesso aos mesmos.

Para terminar, pois este comentário já vai longo, tudo que disse são medidas que devem ser colocadas em primeira estância, para melhorar a qualidade de ensino, visto que em quantidade, parece que as pessoas já entenderam, mas muito mais teria a indicar, pois a escola deve ser olhada e vivida como uma organização, e ver que os clientes, que neste caso são os alunos, devem possuir orgulho nela, devem gostar das aulas, e não somente ir para a escola, para estar com os amigos, coisa que é muito vulgar nos dias de hoje.

Um dia, se tiver oportunidade, gostaria de estar à frente de um estabelecimento de ensino, e poder colocar em práticas estas e muitas mais medidas, de modo, a pelo menos sentir me realizado, mas acima de tudo, ver no sorriso de cada estudante, a vontade de aprender e de ir às aulas, sentir que a cada dia que passa ficam mais instruídos, e possuírem a vontade de aprender mais, de tentar ir mais longe, e o anseio que o dia seguinte surja, para novos conhecimentos se assimilem.

Apostem na qualidade do ensino, existem escolas e professores para o efeito.

Deixo a Questão: Que pensa do ensino ministrado em Portugal?

Tenho Dito

RT

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