A Sugestão Deste Domingo É… Restaurante Palmeira em Lisboa…

Restaurante Palmeira em Lisboa... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje e por ser Domingo, trago uma sugestão de um restaurante, como acontece geralmente aos Domingos no meu blog, vou transcrever a sugestão de hoje, publicada a algum tempo num diário da nossa praça, mas não comentar a mesma, em virtude de ser uma publi-reportagem.

« Palmeira

Há quem passe para o outro lado da estrada quando chega à Rua do Crucifixo. Gente que se encosta à Papelaria Fernandes e tapa o nariz com a manga do casaco. Cheira a fritos, é um facto. Tem dias em que custa a respirar, verdade. Mas tenhamos consideração. Quem emana tal fedor a óleos retardados é a mítica cervejaria Palmeira, e aquele mau cheiro merece tanto respeito como o chulé de uma pessoa de quem se gosta. É um mal necessário.

À entrada o balcão sorri-nos – sorriso rasgado ao longo de uns 20 metros de mármore antigo. Há quatro ou cinco bancos, mas vão estar ocupados por senhores com opiniões fortes acerca do Benfica e dentição fraca.

É essencial começar por pedir uma imperial. Chega depressa, bem fria, em toda a sua glória amarelo-torrado encimada pelos dois dedos de espuma que os empregados sacam com a precisão de um samurai. Depois chegam as batatas fritas e os tremoços. São a oferta da casa e podem ser confundidos com um gesto de simpatia: dourados, salgados – potencialmente letais.

Quem optar por uma das mesas do interior terá de se preparar para conviver com o Sr. Rodrigues. Tão conhecido e temido como a casa em si, Rodrigues é um senador da vida e, aparentemente, o autor de todos os lugares comuns ditos há décadas pelos empregados de mesa de todo o mundo.

– Queria quatro imperiais, por favor.
– Queria? Já não quer?
– E um copo de água.
– Aqui só há copos com água.

Rodrigues é um empregado de mesa free jazz. Está para os pratos e travessas como o Miles Davis – num dia mau – estava para o trompete. Ele não serve à mesa, ele faz com que o serviço à mesa aconteça. É preciso muito tacto e experiência para conseguir obter dele um sorriso. Mas gestos de simpatia vindos daquele lado existem, simplesmente nunca foram documentados – coisas semelhantes têm sido ditas sobre o monstro do lago Ness, por exemplo.

Os salgados são bons, sejamos sinceros. O leitão pode ser pedido sem medo e a sopa em malga de metal traz de volta as boas memórias da cantina da escola. Sai-se do Palmeira consolado e feliz. E levamos sempre um bocadinho daquela cervejaria connosco: o chão fica-nos colado às solas dos sapatos e uma nuvem de cheiro a fritos persegue-nos ao longo do dia – como uma personagem de BD a passar por um dia mau.

Morada: Rua do Crucifixo,n.º  69, 351-21
Telefone: 213 428 372 »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/5204-palmeira, a 20 de Maio de 2010, no Jornal I

Bom Apetite!

RT

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