Conheça Paredes de Coura e o Seu Festival…Vamos na Edição 18…

Festival de Paredes de Coura....Edição de 2010...Edição 18.... Fonte: http://www.music-is-math.blogspot.com

Começou no dia de ontem o Festival de Paredes de Coura, no entanto só hoje tive a oportunidade de postar sobre Paredes de Coura e o seu festival anual, vou transcrever uma peça que saiu num diário da nossa praça, deixando a discussão aberta para os leitores.

« Paredes de Coura. Esta vila é feita de rock’n’roll

São estes os dias mais esperados do Verão, por quem recebe e por quem visita. A partir de hoje e até sábado

Só à noite é que o calor dá algum descanso a Paredes de Coura. No centro desta vila do Alto Minho acolhe-se o serão entre grupos vindos de toda a parte – de Portugal e do mundo, entenda-se. O desafio é escolher as melhores esplanadas. Bebem-se finos e ouve-se música com rótulos como “alternativa” ou “indie”. Lee e os irmãos “rato” e “ratu” – assim os conhecem quem por ali tem morada – aceitam largar a tenda no recinto do Festival Paredes de Coura (PdC), na Praia Fluvial do Tabuão (a banhos, sim, confirma-se) e marcar encontro com o i na vila.

Trazem T-shirts negras, com referências a bandas como os Slayer e outras que tais. Desde os dez anos que vão ao Festival e por aqui decidiram organizar o seu, dedicado a sons de outro (maior) peso. Em Setembro realiza-se o terceiro Metal Coura Fest. Receberam apoios, incluindo da autarquia, e querem ver este festival metaleiro “crescer sem ser comercial, mantendo o estilo underground”. O trio já tocava junto nos Bloody Factory e geria a promotora Incesticide Productions.

Foi um pouco assim que o PdC nasceu, “fruto da inocência de meia dúzia de rapazes que não tinham o que fazer num meio tão pequeno”, explica ao i João Carvalho, director do evento. E da mesma forma vai mudando a vila e as novas gerações, dizem-nos. “Nunca vi tanta guitarra e pessoas a aprender música em Paredes como agora. Os melhores bares a passar música em Portugal estão aqui. Vou a alguns onde trabalham em part-time miúdos de 17 e 18 anos que me dão a conhecer bandas. Sinto que criámos públicos, que este movimento todo influenciou a forma de vestir, de pensar e de ouvir música”, afirma João Carvalho. Para Paulo Silva, gerente do Pub Albergaria, foi mesmo o festival a “dar nome à terra”, que é “pouco conhecida pelo resto”.

Mentalidades

Por aqui não se acena aos visitantes como nos tempos idos do primeiro festival, em 1993. “Havia sempre um iluminado com um familiar em Lisboa que dizia que vinham duas camionetas de skinheads”, recorda João Carvalho. Na última década as coisas “mudaram muito” e a vila “tornou-se uma aldeia global”. Maria Alice Vaz, do Café do Pi, diz que “o pessoal do rock é compreensivo e paciente”. Na Barbearia Brito, a mais antiga da zona, Alcides Barreiro até corações já desenhou em couro cabeludo migrante. Tudo é “malta porreira”, mas durante o festival os clientes locais “não vêm, talvez por temerem roubos”.

Festival e vila assinaram os papéis e dificilmente se divorciam. Quase todos os cafés afixam cartazes sobre o acontecimento do ano e as contas da terra agradecem. Oitenta mil pessoas procuram palcos, tendas e o que mais houver, esgotando tanto os parques de campismo como o que resta da oferta de camas e tectos. As caixas multibanco dizem adeus a 2,5 milhões de euros. E há quem avance já com números de muitos zeros – quatro milhões de euros – para juntar à expressão “valor mediático” do PdC.

Como em qualquer terra que tenha a palavra “emigração” como inevitável, um acontecimento como este festival traz um peso aos bolsos que em tudo é bem acolhido. Mais de metade das pessoas envolvidas na produção do festival é de Paredes de Coura. Gente como Diamantino Santos, que o i encontrou a erguer arcos para as próximas festas locais onde há 20 anos “não havia nada”. Preparar estes dias de música é “muito mais trabalhoso”, confessa. Ali, Diamantino é polivalente: monta vedações, trata das ligações de água e da parte eléctrica. No meio de tudo isto, não há pista de queixume em cada uma das tarefas que realiza.

Ou seja, os quatro dias de concertos fazem o melhor amigo de facturas e seus derivados. As do Café do Pi fazem contas de “100 por cento a mais”. “É o que nos vale para o ano todo. Se tivéssemos dois por ano era uma ajudinha. O que nos ajudou mesmo foi o rock”, refere a proprietária, Maria Alice Vaz. À Loja da Feira, os festivaleiros “vão buscar água e alimentos”, fazendo subir as o número de sacos de plástico a dar saída ao que por ali se vende, conta Lucinda Pereira. “Acho que não há ninguém com negócio aqui que se queixe do festival”, comenta Cláudia Carvalho do bar Xapa’s, spot festivaleiro diurno e nocturno com público que já lhe é fiel.

Qualidade de vida

Lucro – e os sorrisos que o acompanham – é também a palavra que se aplica à pensão/restaurante Albergaria, com “80 por cento” de receitas a mais durante o festival, apesar de este ano não terem aparecido as “melhores carteiras” para as dormidas, conta o o dono, Joaquim Gomes, atento ao que se vai passando. Na vila não há muitas opções para dormir, mas na restante região dispara a especulação no mercado dos alugueres, como se também fosse coisa de acordes com a distorção no máximo. Há quem duplique o valor dos quartos durante o festival e mesmo quem arrende casas “por 1500 euros”, revela João Carvalho.

E entre visitas de quatro dias para ver e ouvir o cartaz, há quem faça descobertas preciosas. Conta quem por aqui vive que não é preciso de sair da vila por quase nada. Se fossem pessoas, as instituições e serviços de Paredes de Coura acotovelar-se-iam de tão próximas que estão. A Câmara divide o largo com Biblioteca Municipal e Posto de Turismo e ao longo da rua principal espalham-se bancos, finanças, correios, restaurantes, cafés e bares. A vizinhança inclui ainda os bombeiros e o tribunal que ficam mesmo ao lado.

Poder estacionar o carro em frente a qualquer porta, despachar tudo num máximo de 15 minutos ou acordar com o canto do galo que não falha uma manhã definem “qualidade de vida que não se encontra em mais lado nenhum”, considera o director do festival, recordando um episódio antigo relacionado com o PdC e as vantagens das novas tecnologias: “Estava na varanda da minha casa a falar com uma agência que fretava aviões sobre a hipótese de fretar um para uma banda. Falávamos de valores de 30 e 40 mil euros e de repente ouve-se um galo que não parava de cantar. Perguntaram-me onde é que eu estava e respondi que estava no meu escritório (risos). Isso dá-me um orgulho enorme!”, comenta.

Comer
No Restaurante Albergaria há pratos económicos (frango assado, entrecosto, vários tipos de bacalhau ou panados) por seis euros; encontra francesinhas (desde seis euros) no Café Pizzaria e na Churrasqueira Carla; sopas e pães com panado (pouco mais de três euros no total) na Pastelaria Courense, onde também pode provar os tradicionais biscoitos de milho; se preferir um fino com tremoços sente-se na esplanada do Xapa’s; os apreciadores de petiscos podem entrar no Café do Pi.

Além dos palcos
No Café com Broa a música é boa, a vista panorâmica do terraço com esplanadas é desarmante e à noite polvilha-se de luzes. Há wireless e tomadas. O Centro Cultural oferece uma programação paralela com sessões de cinema, exposições, concertos e teatro.

Cartaz


28 julho
Palco After-Hours
Isidro LX 01h45
Memory Tapes 00h30
Los Campesinos! 23h00
Cosmo Jarvis 22h00

29 julho
Palco Principal
Caribou 01h10
The Cult 23h10
Enter Shikari 21h50
Gallows 20h40
Eli Paperboy Reed 19h35
Vivian Girls 18h30
Palco After-Hours
DJ Coco 04h00
Best Coast 03h00
We Have Band 02h00
Palco Ibero Sounds
Lost Park 17h45
Nouvelle Cuisine 16h45
Jazz na Relva
José Valente e Experiences of Today 16h00

30 julho
Palco Principal
Klaxons 00h50
White Lies 23h20
Peter Hook 21h50
The Courteeners 20h40
PAUS 19h30
The Tallest Man on Earth 18h30
Palco After-Hours
Mega Bass 03h00
Plus Ultra 02h30
Palco Ibero Sounds
Madame Godard 17h45
Boat Beam 16h45
Jazz na Relva
Zelig 16h00

31 julho
Palco Principal
The Prodigy 01h00
The Specials 23h10
Mão Morta 21h40
The Dandy Warhols 20h30
Jamie T 19h20
Os Dias de Raiva 18h30
Palco After-Hours
Os Yeah 03h15
Dum Dum Girls 02h30
Palco Ibero Sounds
Triangulo de Amor Bizarro 17h45
Samuel Úria 16h45
Jazz na Relva
Barbez 16h00»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/71030-paredes-coura-esta-vila-e-feita-rocknroll, a 28 de Julho de 2010, em Jornal I

Bom Festival!

RT

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