Segredos de Como Se Dão os Nomes Aos Filmes em Portugal…

Mistério dos Nomes dos Filmes... Fonte: http://www.semtedio.com

Hoje trago um artigo, que saiu num diário da nossa praça, sobre os nomes que se dá aos filmes, vou transcrever o artigo que achei muita piada e que decidi partilhar com os leitores.

« Desvendámos o mistério das traduções dos títulos de filmes

Não são tradutores, nem linguistas. São os departamentos de marketing das distribuidoras que rebaptizam os filmes

A canção “Ponha aqui o seu pezinho, devagar, devagarinho” pode servir de inspiração para um filme de vampiros? A Castello Lopes acha que sim. Não sabemos se a ideia terá nascido de um trautear em desespero de causa numa sala cheia. O certo é que o filme “Vampire Sucks” – que estreia a 30 de Setembro – foi traduzido para “Ponha Aqui o seu Dentinho”.

Este é um sério candidato a título mais original do ano e foi com isso em mente que nos propusemos a resolver um mistério que atormenta os cinéfilos: quem é que traduz os títulos dos filmes para português e como funciona este processo?

Regras a cumprir Primeiro, é preciso saber que os títulos que vê nos cinemas têm de ser aprovados pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), que tem como regra número um: tudo em português. Mas há excepções. “Podem ser utilizados títulos em inglês ou outra língua estrangeira, desde que se refiram a nomes de personagens, localidades, temas musicais ou bandas, ou de difícil tradução ou atribuição de título em português”, esclarece-nos por email Eliana Pereira, assistente técnica do IGAC. Ao que nós acrescentamos, depois de falarmos com várias distribuidoras, de muito, muito difícil tradução.

André Taxa, director de marketing da Columbia TriStar Warner, simplifica a questão. “Existem duas condicionantes impostas pela IGAC: ao contrário de outros países da Europa, em Portugal não são aceites títulos exclusivamente em língua original, salvo casos em que estes sejam nomes próprios das personagens (como o ”Salt”), marcas, locais, etc. Não são aceites ainda títulos repetidos de filmes já existentes (excepto remakes).”

Segundo ponto importante para entender a escolha de um título português é que os tradutores não são para aqui chamados. “A questão dos títulos locais não é um problema de competências de tradução, é de capacidade de escolher um título forte e apelativo, e que posicione o filme com o tom certo para o público a que se dirige”, explica ao i Pedro Espadinha, do departamento de marketing da Columbia TriStar Warner. Por essa razão, nenhum tradutor levantou o braço e disse: a tradução de ”The Expendables” é dispensáveis e não “Os Mercenários”, como está nas salas. São decisões dos departamentos comerciais e de marketing que normalmente englobam cerca de 4 a 10 pessoas.

Mas muitas vezes, as distribuidoras vêem-se a braços com verdadeiros dilemas de tradução. “A expressão ”Vampire Sucks” tem uma piada que não é possível traduzir. Por um lado sucks significa ”chupar”, mas também ”não presta”. Optamos por manter o espírito do filme de comédia”, diz Sandra de Almeida, do departamento de marketing da Castello Lopes Multimedia.

A escolha da linguagem é uma das formas de situar o filme correctamente para o seu target, como nos explica Nuno Gonçalves, administrador da ZON Lusomundo Audiovisuais. “”Na Senda dos Condenados” é direccionado para um público mais velho, não é para jovens. Optamos por não traduzir literalmente ”Fifty Dead Men Walking” (Cinquenta homens mortos a caminhar) porque seria comprido de mais.” Outro título que iria fazer história era “”Tá bem, Abelha!”. “No caso do filme ”Bee Movie”, que era uma abelhinha chata, achamos um nome engraçado e tipicamente português, o ”Tá bem, abelha”. Mas a produtora norte-americana não concordou. Internacionalmente era ”A História de Uma Abelha” e assim ficou. Era um título ao estilo National Geographic, mas são eles que têm a palavra final.”

Nas traduções dos títulos há até liberdade para dar mais informação do que o original, como no caso “The Back-up Plan”, “Plano B… ebé” ou “The Box” para “Presente de Morte”. “Damos mais informação para ir buscar o público deste filme. No caso ”The Box”, não vale a pena os fãs das comédias românticas da Cameron Diaz irem ao cinema à espera de vê-la alegre e divertida, porque é completamente diferente”, diz Nuno Gonçalves.

Outro recurso utilizado é manter o título original e acrescentar um subtítulo em português. A Ecofilmes recorre a esta estratégia várias vezes. “Normalmente o título em inglês já é reconhecido e as produtoras preferem que se mantenha o original, como é o caso de ”Thirst – Este é o Meu Sangue…””, diz o director comercial da Ecofilmes, Jorge Dias. Um dos títulos mais falados da distribuidora não foi um destes casos. Os críticos cairam em cima de “Um Homem Singular” porque não concordavam com a tradução de “A Single Man”. “Tentamos ser fiéis ao original, a intenção de escolher singular em vez de sozinho é para dar mais informações sobre a personagem.”

Os departamentos estão habituados a críticas, mas como nos respondeu Pedro Espadinha acerca do título “Miúdos e Graúdos”, original “Grown Ups”: “Nestes casos em que há críticas aos títulos de filmes, gostamos também de devolver a sugestão de novo título a quem critica. Que título daria ao ”Grown Ups”? ”Crescidos” acha que é um bom título, com apelo comercial e que reflecte que se trata de uma comédia familiar? É uma área que gera discussão naturalmente, o que para nós até é positivo, porque mostra também a importância e interesse que os filmes têm para as pessoas.” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/76234-desvendamos-o-misterio-das-traducoes-dos-titulos-filmes, a 1 de Setembro de 2010, em Jornal I

Grandes nomes…

RT

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