Alfaiates Ainda Existem…Senão Acredita Espreite Aqui…

Alfaiates para todos os gostos...Este é em Aveiro... Fonte:http://www.ionline.pt

Já pensou na ideia de fazer um fato por medida? Pois bem, se pensa que é difícil, trago uma peça jornalística que vai desmentir esta questão. Tem também algumas casas, e alfaiates, onde pode recorrer e alguns preços de referência para o efeito.

« “O alfaiate é como o barbeiro. Se servir bem, é para a vida”

Diz-se que não há nada como um fato executado a partir de um modelo real. O i falou com os mestres nacionais na arte do corte e costura e tirou a prova de que estão cá para ficar

Hoje em dia é fácil encontrar fatos por medida em lojas como a Massimo Dutti ou a Hugo Boss, mas se procura o real deal o melhor é ir à origem da confecção. Na década de 30 eram os alfaiates os responsáveis pelo trajar clássico da alta roda nacional. Em 2010 são os filhos desses mesmos artesãos a dar continuidade a uma arte em vias de extinção. A escassez de técnicos especializados é hoje o elefante na sala de qualquer ateliê. São por isso os habitués (e jovens com sentido estético apurado) – que não abdicam de ter no armário peças únicas e personalizadas – que dão alento à sobrevivência do corte e costura por medida. “Quer um fato bem feito? Vá a um alfaiate!”, diz João Teodósio, que sabe do que fala.

João Milheiro Teodósio A falta de mão–de-obra contribuiu para o encerramento da alfaiataria com o mesmo nome. “Trabalho não falta, já não há é pessoal.” Aos 73 anos está reformado, mas por “amor à profissão” – a única que conhece desde os 11 anos – mantém o ateliê em casa. A clientela, “homens nos 50 anos, porque a mocidade já não liga a estas coisas”, é seleccionada, mas deixa saudades dos tempos em que bastava passar nos Pastéis de Belém, perguntar pelo “João alfaiate e toda a gente sabia onde era”. João promete executar um fato clássico, “à antiga, feitinho à mão”, em duas semanas. Mas só porque está sozinho, porque antes ele e a mulher, “a melhor costureira de Lisboa”, eram a “dupla temível” da alfaiataria nacional. Rápidos, eficientes e perfeitos.

Travessa de Santo António, 23, Lisboa;

Tel: 213 625 280. Preço: 500€

Camisaria Pitta “Somos a camisaria mais antiga da Península Ibérica, com 123 anos de existência.” Quem o diz é o Sr. Vasco, responsável pela loja desde 1977 e defensor da ideia de que “um bom fato é como um quadro”, sendo o alfaiate o artista por excelência. Excelência é, aliás, o fio condutor da imagem da casa. A oficina tem um leque completo de serviços: tiradas as medidas, resta escolher a fazenda disponível no catálogo da loja e, se for o caso, levar uma camisa que faça pendant. Depois é esperar um mês e meio para conhecer o resultado. E como a história da moda é feita de regressos à origem, nesta alfaiataria o “clássico” é transversal a todas as épocas: “Os fatos que se vendem nas lojas saem de moda rapidamente. Aqui não. Confeccionamos os fatos de sempre e para sempre.”

Rua Augusta, 193 2.º, Lisboa; Tel: 213 427 526; Preço: 2000€

Américo Gonçalves Américo, o pai, abriu o ateliê em 1973. Hoje são os filhos a dar continuidade ao negócio. Vítor, 52 anos, é um dos mais novos mestres portugueses na arte da costura. Lembra com orgulho uma das páginas do livro de honra da Casa Gonçalves, na qual um rapaz de 19 anos descreveu o seu primeiro fato por medida como uma “experiência fabulosa”. Apesar de não impor o seu gosto pessoal aos clientes, admite que prefere que a roupa fique com um aspecto “fofo”, fugindo à traça quase exclusivamente clássica da concorrência. Ao contrário de outros colegas de profissão, a procura é de tal forma heterogénea que não lhe permite definir um cliente-tipo. “É que os alfaiates são como os barbeiros. Se servirem bem, é para vida.”

Rua Galeria de Paris, 36-1.º Esq. Porto;

Tel: 222 059 695. Preço: 800€

Lourenço & Santos, Lda Em Outubro, a loja celebra o primeiro centenário. A gerência mudou há uns anos, mas o nome ficou para sempre. Agora, sob a alçada do grupo Diniz & Cruz, é Paula Cruz a dar a cara pela marca. Situada no coração da Baixa lisboeta, pela porta entram diariamente “executivos, bancários e até jogadores de futebol” da nossa praça. O método tradicional (de confecção artesanal) continua a dar cartas nas vendas, mas o semitradicional (com algumas entretelas coladas) é o mais indicado para os clientes apressados. É a diferença entre esperar uma semana e um mês pela execução de um fato por medida. Por enquanto o target é masculino, mas Paula admite “vir a alargar o leque de vendas à roupa feminina por medida”. Mas não há pressa. É que a Diniz & Cruz já está no mercado de pronto-a-vestir para mulheres, representada pela marca Dalmata.

Praça dos Restauradores, 47-A e B, Lisboa; Tel: 213 462 570. Preço: 500€

Fernando Martins Almeida Aprendeu a ser alfaiate durante a escola primária, mas só depois do serviço militar é que se especializou na confecção industrial para outras marcas. Hoje, aos 60 anos, trabalha em parceria com a mulher, Maria de Lurdes. “Tiro as medidas, faço as provas, o corte e os acertos. Depois a minha mulher fica responsável pela confecção.” Homem de dois ofícios, relata com entusiasmo a viagem, há dois anos, a Basileia “para tirar medidas à selecção suíça de hipismo”. Trabalha com tecidos importados de Inglaterra e Itália e até tem em stock alguns catálogos “da marca que fornece os tecidos à Casa Branca”.

Rua Dias Cainarim, 15, Esgueira, Aveiro;

Tel: 234 311 528 Preço: 700€ »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/77027-o-alfaiate-e-como-o-barbeiro-se-servir-bem-e-vida, a 7 de Setembro de 2010, em Jornal I

Boas Roupas!

RT

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