As Coisas Que Mais Gostamos….

Hoje trago um artigo que saiu no dia de ontem num diário da nossa praça e que versa sobre originalidade, passo a transcrever o referido artigo.

« 500 = 5 listas de 10 coisas que gostávamos de fazer 10 vezes

É um tema recorrente entre septuagenários: a lista de coisas a fazer antes de morrer. A ideia é triste e o excesso de iniciativa do ocaso da vida tanto pode levar a resoluções atléticas do tipo “vou saltar de um avião” como a iniciativas radicais do género “vou comprar uma arma e ajustar contas”. Antes que chegue esse momento, aqui está uma lista de coisas boas que se podem repetir dez ou mais vezes. São 500 sugestões que aparecem aqui disfarçadas de 50 porque promovemos a repetição – para evitar remorsos

COMER

Sonhos de abóbora. Está na altura deles e quem gosta mesmo não consegue chegar ao fim da quadra sem ter metido ao bucho menos de uma dezena.
Gelados da Santini. É verdade que ir dez vezes à Santini significa perder várias horas da sua vida – as filas são enormes –, mas vale a pena. Sugestão: gelado de abacate.
Bacalhau. Se há 1001 maneiras de o cozinhar, provar este petisco dez vezes é não só uma tarefa demasiado fácil como um pequeno crime.
Cozido à portuguesa. Se está anunciado numa toalha de papel à porta de um restaurante, então é porque vale a pena.
Pastéis de Belém. Não dá para comer só um, pois não? Dez não é a conta certa porque se vendem em pacotes de seis, por isso 12 é o número mais acertado. Mas só desta vez.
O autoproclamado “Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”. Provar dez vezes só para ter a certeza se é tão bom como se diz. Repetir a experiência se necessário.
Vegetais e fruta. Porque esta lista também pode ter propósitos pedagógicos, é hora de lembrar a importância das coisas verdes na nossa dieta.
Azeitonas. Dez é a conta certa e aproximadamente o número de azeitonas que vêm no couvert. Pouco, mas bom.
Percebes. O marisco mais subvalorizado do mundo inteiro é uma iguaria rara. Meio alga, meio extraterrestre, é um petisco viciante que merece repetidas degustações.
Francesinhas. Aqui o número dez é para ser respeitado mas exige alguma distribuição cronológica: dez francesinhas em cinco anos, duas por ano. Tentar provar dez numa semana pode engrossar o sangue e entupir as veias de forma bastante desconfortável.

IR

Veneza. Porque sempre que lá se vai pode ser a última vez. A cidade-museu italiana está em risco de desaparecer e todas as oportunidades são poucas.
Sintra. Pode achar que já lá esteve, que já viu tudo, que subiu ao Palácio e desceu a serra e pronto. Mas cada regresso a Sintra é a visita a uma vila nova que parece transformar-se entre o nascer e o pôr do sol.
Nova Iorque. Dez passeios pela Grande Maçã não chegam para ficar a conhecer um décimo do que esta cidade tem para oferecer.
Açores. São nove ilhas. Dá para nove viagens e ainda sobra uma para voltar à sua preferida.
Costa Vicentina. São mais, muito mais de dez praias na zona costeira mais bonita – e menos urbanizada – do país.
Roma. É o centro incontornável dos dois eixos da cultura ocidental, goste-se ou não: a Igreja católica e a arte europeia. Uma viagem não chega.
Passear pelo Douro. De barco ou a pé, há muitas maneiras de ficar a conhecer os 26 mil hectares da paisagem classificada pela UNESCO como Património da Humanidade.
Chegar a Lisboa de barco. Até pode ir só ao Ginjal lanchar e apanhar o cacilheiro de volta, mas vale a pena fazer a viagem e repeti-la.
Fazer um InterRail. A Europa é suficientemente grande para perder (ou ganhar) meses e meses de comboio.
Ir a Fátima a pé. Fazer esta viagem 10 vezes significa que a) está perto de ser canonizado; b) é um pagador de promessas profissional. Seja como for, boa viagem.

VER

Twin Peaks“. Ver e rever a série de David Lynch para entender de vez as intrigas e ter na ponta da língua várias teses sobre a morte de Laura Palmer.
O Padrinho“. A trilogia de Francis Ford Coppola é um dos dramas mais intensos do cinema moderno. Não dá para ver só uma vez.
Citizen Kane“. Não há unanimidade nestas coisas do cinema mas o primeiro filme de Orson Welles está em todas as listas dos melhores filmes de sempre.
Sozinho em Casa“. Mesmo que não queira vai voltar a ver este filme. É, a par com “E. T.”,  um dos filmes que mais passam na televisão durante o Natal.
Twilight Zone“. Uma das melhores séries de ficção científica de sempre. Merece ser revista por esta e outras gerações.
Seinfeld“. Melhor série de humor, ponto. Quem é que consegue mudar de canal quando por acaso tropeça num episódio?
O último episódio de “Lost”. Mas afinal o que é que acontece no fim?
A trilogia “Guerra das Estrelas”. Ou, em alternativa, todos os “Senhores dos Anéis”.
O golo de Maradona à Inglaterra do mundial de 86. Com os comentários (e as lágrimas) da TV argentina.
O vídeo “Keyboard Cat” no YouTube. Melhora de cada vez que se vê. Não envelhece e já foi visto por mais de 11 milhões de pessoas.

OUVIR

Discografia dos Beatles. Mais importante que um curso universitário e quase tão útil.
“Simpathy For The Devil”, dos Rolling Stones. De preferência já com o sol a nascer.
“Marcha Nupcial”. Se ouvir dez vezes na sua vida ou está a fazer alguma coisa muito mal ou muito bem.
“Hotel California” dos Eagles. É sinal de que já tirou a carta e deixou o auto-rádio ligado durante mais de 20 minutos – a quantidade de tempo suficiente para se ouvir esta canção em qualquer FM do mundo.
“Nevermind” dos Nirvana. Está a passar ou passou pela adolescência. Felicidades.
“Bohemian Rhapsody” dos Queen, num karaoke. Suportar isto dez vezes conta como experiência radical. Uma montanha-russa sonora.
“The End” dos The Doors. Pode querer dizer que viu “Apocalypse Now” até ao fim dez vezes, o que é, por si só, um feito assinalável.
“Parabéns a Você”. É bom sinal se se repetir todos os anos durante muito tempo.
“House of the Rising Sun”, dos Animals. Significa que alguém muito próximo de nós está a aprender a tocar guitarra.
A nossa música preferida numa rádio local quando já tínhamos desistido de encontrar uma estação decente. É preciso ter sorte.

FAZER

Uma viagem. Passeio de uma semana com apenas um objectivo. Exemplo: provar ostras. Deixar o resto ao deus-dará.
Oferecer flores. Pode ser à mãe, à namorada ou ao periquito. Nunca ninguém  se lembra dos periquitos e outros psitacídeos.
Comer até desapertar o botão de cima. E no fim repetir a sobremesa.
Começar uma dieta e não cumprir. Ver o ponto anterior.
Deixar de fumar. A maioria dos fumadores já ultrapassou várias vezes as dez tentativas.
Pagar uma rodada aos amigos. Mas não o faça dez vezes no mesmo dia. Algum autocontrolo, por favor.
Plantar uma árvore. Um daqueles lugares-comuns muito bonitos que só faz sentido se for repetido de vez em quando.
Formatar o disco. E ter aquela sensação libertadora de começar de novo.
Pedir um aumento. Tem uma vida inteira pela frente, doseie estas iniciativas sabiamente.
Dormir 30 horas em dois dias. Mas só se tiver feito algo realmente notável para o merecer.»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/93490-500–5-listas-10-coisas-que-gostavamos-fazer-10-vezes, a 13 de Dezembro de 2010, em Jornal I

Boas Cenas

RT

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s