Noites de Natal Fora do Convencional…Conheça os Relatos na 1ª Pessoa…

Noites de Natal Fora do Comum.. Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo um pouco diferente do habitual, o mesmo versa sobre noites de consoada fora do comum, passo a transcrever o referido artigo.

« Quando o Natal corre mal. Oito histórias verídicas

Aproxima-se a noite da consoada, o equivalente humano ao choque entre duas placas tectónicas: de um lado a família do pai, do outro a família da mãe, juntas a puxar em direcções diferentes ou a chocar com violência. Os resultados são calamitosos. As tensões acumuladas durante um ano – ou uma geração – explodem como o Vesúvio ou deixam-nos perplexos como a grafia do vulcão islandês. Invisíveis à escala de richter, estes contos de Natal são tão fáceis de encontrar como uma consoante em Eyjafjallajokull

Uma ceia solitária não é uma ceia solidária

Pedro Branco
27 anos
Lisboa

“Durante o Natal a minha família muda-se por três dias para casa dos meus avós no Norte, numa aldeia perto de Fafe. O jantar de Natal é presidido com alguma cerimónia pelo meu avô, um homem muito religioso e austero, que sempre gostou de impor respeito junto de filhos e netos. Antes de começarmos a comer, pediu para dizer uma oração, como sempre, mas desta vez lembrou-se de interrogar os netos um a um sobre a sua fé – ou a sua instrução neste capítulo. Todos sem excepção eram baptizados, mas só alguns fizeram a primeira comunhão ou o crisma. Infelizmente deixei a catequese no primeiro ano, não tenho sequer a primeira comunhão, e ao que parece isso foi suficiente para me mandar ir jantar sozinho para a cozinha. Voltei a juntar-me com a minha família só por altura das sobremesas.”

Morcegos não é só no Halloween

Maria Fernandes
21 anos
Vila Real

“Foi há seis anos. Eu, os meus pais e irmãos tínhamos ido passar o dia de Natal a casa do meu tio, que é numa quinta no meio do nada. Estávamos na sala, já era de noite e estávamos naquelas pausas de conversa, quando se faz um grande silêncio. De repente começámos a ouvir uns gritos de lá do fundo da casa. Também se ouvia o chão a tremer e a fazer barulho (depois percebemos que eram os tacões da minha prima a correr no chão de madeira). Assustámo-nos, não sabíamos o que era. Mas teve muita piada quando ouvimos a minha prima histérica, a contar que tinham entrado pela chaminé uns bichos pretos, muito feios – morcegos. Ela só mexia no cabelo, com impressões no corpo e meia enojada. Os morcegos não lhe chegaram a tocar, mas ela tem muito medo de bichos que voem no geral. Depois foi o meu tio que foi lá resolver a situação e mandar os morcegos fora da janela.”

O anúncio que foi um presente envenenado

Maria Inês Salvador
32 anos
Lisboa
“Com a família finalmente  junta na noite de Natal, a mais velha das minhas quatro irmãs achou que estavam reunidas as condições para anunciar que se ia casar. Entre abraços e lágrimas de alegria o meu pai manteve-se em silêncio, pouco impressionado. Mais tarde, quando toda a gente acalmou, perguntou sem grande interesse: “Vais casar com quem?” Depois da resposta da minha irmã, que iria casar-se com o namorado de há alguns anos, ele remata: ‘Não te pago o casamento com esse tipo.’ E as mulheres foram chorar para a cozinha. Esse Natal acabou naquele momento e nem troca de prendas houve. A minha irmã e o namorado acabaram por se casar no civil num dia de semana, com muito poucos convidados. O copo de água foi servido num restaurante no centro de Lisboa, sem grandes preparos. No final, a conta foi dividida por todos.”

Ceia de Natal pode comer-se do chão

Maria Guimarães
27 anos
Lisboa

“A família estava reunida, cerca de 40 pessoas e a típica azafama das noites de natal. A minha mãe e a minha tia são as responsáveis pela cozinha, mas contam sempre com a ajuda do resto das pessoas. Passo a noite a entrar e a sair da cozinha. Numa das vezes, apercebi-me de que se tinha passado qualquer coisa estranha. Elas estavam com cara de caso, muito suspeitas, mas não me contaram nada. A família comeu o jantar, que estava óptimo. Mais tarde percebi o que se tinha passado. O jantar tinha caído ao chão. Quando elas estavam a levar o prato principal para a mesa, desequilibraram-se e a comida caiu toda. Como não havia outro prato principal e elas estavam sozinhas na cozinha, rasparam as partes mais sujas, arranjaram a carne no tabuleiro, disfarçaram tudo muito bem e serviram a comida. Ninguém soube de nada.”

Uma travessa de couves para o vegan
André Passos
29 anos
Chaves

“Tenho um primo que, quando tinha 16 anos, passou por uma daquelas fases em que os miúdos querem mudar o mundo e tornou-se vegetariano. Não um vegetariano qualquer, mas vegan, a versão mais extrema que mistura a dieta com a defesa dos direitos dos animais. Na mesa de natal não havia nada que não tivesse origem animal para além das couves e uns brócolos, por isso a família jantou em silêncio numa espécie de amuo colectivo – a escolha do rapaz não colheu compreensão nos pais, muito menos nos avós, que culpavam os progenitores por aquele desvio. Lá para o fim o rapaz, de barriga cheia de couves, vingou-se nas sobremesas e foi por pouco que não trincou o muito elogiado pudim abade de priscos [feito com toucinho]. Confesso que estava a torcer para que ninguém o avisasse da origem animal daquela delícia.”

Grelos com borracha também é bom

Ana Guerreiro
29 anos
Leiria
“O Natal da casa da minha tia é uma espécie de ditadura. A família não consegue conversar porque ela está sempre a pôr-nos ao corrente de quem morreu, casou ou está internado no hospital quase a bater o pernil. O jantar atrasa-se sempre e a comida costuma estar fria. Ela é inflexível e acha que neste planeta ninguém faz as coisas tão bem como ela. Resultado, não deixa que a ninguém a ajude. Chega a gritar quando alguém põe os talheres tortos ou corta uma fatia de bolo sem estar milimetricamente direita. Num dos jantares, superou-se. Quando finalmente chegámos à mesa e ela começou a servir a comida, qual é o nosso espanto quando vemos no meio dos grelos a tampa do ralo do lavatório da cozinha. Ela fez que não viu e nós disfarçamos. A família inteira comeu grelos a saber a borracha e não reclamou. Mas ficou com fome.”

Chorar pelos presentes é catarse
Raquel Pereira
31 anos
Lisboa

“Lá em casa ainda se desembrulham os presentes à meia-noite e há um Pai Natal de serviço a entregar prendas. Tão certo quanto existir uma pessoa vestida de vermelho é haver uma choradeira ao estilo da plateia de Oprah Winfrey quando recebe um carro. São normalmente as minhas primas que ficam lavadas em lágrimas, a soluçar. Numa das vezes uma delas recebeu uma Playstation e chorou de tal maneira que a minha avó ficou preocupada porque não percebia o que se tinha passado e dizia: ‘Não podem fazer isso à menina.’ A choradeira alastra-se aos pais que ofereceram os presentes, que elas nunca estão à espera. É vê-los abraçados a chorar. O resto da família não fica constrangida, rimo-nos. Só me apercebi que isto não era comum quando vi que o meu marido ficava espantado e achou aquelas manifestações de emoção curiosas.”

Trânsito e vómitos natalícios

Mariana Moura
35 anos
Lisboa

“O meu Natal são dois dias e quatro festas. Passo o tempo a correr. Faço o almoço de 24 na minha casa com 11 pessoas, depois vou jantar com o meu pai que vive em Sintra. Nodia 25, almoço com a minha mãe e jantamos com a família dela na casa da minha avó. Está tudo contado ao minuto e pelo meio recebo telefonemas a pressionar com as horas. Numa das vezes, fiquei presa no IC19 na noite de 24. Tinha havido um acidente e ficámos parados uma hora. Os miúdos já estavam a dormir e cheguei atrasada. No dia seguinte, passei o Natal com a minha mãe e a noite com 50 pessoas e muitas crianças. Além das correrias, que já incluíram miúdos a partirem vidros, sei que por mais que diga aos meus três filhos (de 7 a 4 anos) que não podem comer aperitivos e chocolates, não vale a pena. É o disparate total, passam o tempo a comer porcarias. É sabido que quando chego a casa um deles vai vomitar.” »

 

In: http://www.ionline.pt/conteudo/94921-quando-o-natal-corre-mal-oito-historias-veridicas, a 22 de Dezembro de 2010, em Jornal I

Esperemos que não se repitam!

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