Conheça a Peça « Catatua Verde »…

A Peça Catatua Verde... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo para os amantes da arte da representação, mais concretamente o teatro, passo a transcrever a notícia.

«Vinte e seis actores, uma taberna e uma revolução

“A Cacatua Verde”, com encenação de Luís Miguel Cintra traz-nos a revolução francesa e um jogo da verdade e da mentira. Aqui ficam boas razões para ir vê-la

Quando entramos na sala somos recebidos por actores de macacão preto que nos olham nos olhos. No meio deles distingue–se uma pessoa encostada a uma mesa. É Luís Miguel Cintra, o único de camisa branca e avental. Toca o início da “Carmagnole”, a música mais popular da Revolução Francesa, numa pequena concertina. De repente os actores começam a cantar, saem do palco e desaparecem.

É assim que entramos na taberna parisiense Cacatua Verde. Estamos no dia 13 de Julho de 1789, a véspera de um dia histórico. Na madrugada seguinte dá-se a tomada da Bastilha e o pontapé de saída da Revolução Francesa. O povo toma o poder e grita: “Liberdade!”

Antes de transformar este pequeno texto numa ode à revolução ou prevendo até alguma referência rebuscada às notícias do Egipto, explicamos do que se trata. É a nova peça do Teatro D. Maria II, com encenação de Luís Miguel Cintra. Vinte e seis actores dão vida a “Cacatua Verde”, do dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler, até dia 27 de Março. Aqui ficam algumas razões para sair de casa e dar um salto ao teatro.

diz que é uma espécie de Comédia Na taberna de Próspere, os aristocratas encontram o divertimento perfeito. Convivem com ladrões, assassinos, prostitutas, vigaristas, num ambiente seguro. É quase como uma ida ao jardim zoológico com direito a entrar nas jaulas com os tratadores. Próspere contratou os antigos actores, que trabalhavam na sua extinta companhia de teatro, para fazerem o papel de criminosos. Muitas vezes tem de os dirigir, tal qual no teatro. Um deles grita muito alto, exaltado, e Próspere corrige: “O teu papel não é fazer de doido mas de criminoso.”

Luís Miguel Cintra O encenador, actor e director do Teatro Cornucópia é um dos grandes nomes do teatro. Se já o viu, vale a pena revê-lo. Se ainda não assitiu a nenhuma peça com Luís Miguel Cintra, há uma grave lacuna no seu currículo. A vontade de fazer uma peça sobre a Revolução Francesa era antiga. Só agora surgiu a oportunidade, a convite de Diogo Infante. “Há muitas peças que me aborrecem. Já fiz muitas coisas de todas as épocas. Conheço o teatro muito bem, mas chegamos a uma fase na vida em que fazemos balanços. [Mais tarde vai acrescentar: “Estive a fazer estas fantuchadas todas na vida, de forma muito séria, para quê?”] Não gostaria de me instalar numa posição de prestígio que sei que adquiri. Quero continuar a ter prazer”, explica aos jornalistas.

Onde está a verdade? “A maneira mais bonita de não levar a vida a sério é ser actor.” As reflexões sobre o teatro e sobre a arte vão surgindo ao longo da peça. As personagens mostram-se contraditórias e o espectador fica na dúvida: os actores que representam os bandidos são verdadeiramente criminosos? No final, a dúvida cria o clímax da acção, que não podemos revelar por razões profissionais.

Arnold Schnitzler “É um autor muito leve na escrita, próximo do champanhe. Os diálogos são sucintos, com um humor muito subtil”, explica Luís Miguel Cintra. E acrescenta: “A peça não fala de teatro nem de revolução, mas da arte e da vida.” Para o encenador, “A Cacatua Verde” fala das revoluções na própria realidade, tema que lhe interessa e não deixa o público indiferente. “Muitos dos espectáculos são passatempos mais ou menos elaborados, mais ou menos inteligentes. É difícil encontrar uma relação profunda entre a realidade e a vida. É mais um objecto de consumo do mundo burguês. Sou inconsolável em relação a isto”, conclui. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/105169-vinte-e-seis-actores-uma-taberna-e-uma-revolucao, a 17 de Fevereiro de 2011, em Jornal I

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