Conheça o Novo Albuns dos Strokes….

The Strokes... Fonte:www.clashmusic.com

Hoje trago um artigo sobre os strokes, e mais um trabalho que sai para o público, passo a transcrever a referida peça jornalística.

«The Strokes. Dez anos depois da revolução

”Under Cover of Darkness” é o novo álbum da banda que fez renascer o rock”n”roll e que hoje afirma “isto é trabalho duro”

Encontrámos os Strokes elegantes por um dia. Vestidos de preto com gravatas brancas, os elementos da derradeira banda rock de Nova Iorque juntaram-se há algumas semanas em Jersey City para rodar o vídeo do seu novo single, “Under Cover of Darkness”. Para uma das principais sequências, os membros da banda foram posicionados em redor de uma requintada mesa de jantar. Mas a cadeira de veludo vermelho em forma de trono à cabeceira da mesa encontrava-se vazia. Onde estava Julian?

Julian Casablancas, o vocalista e carismático frontman do grupo que há uma década fez renascer o desavergonhado rock”n”roll de Nova Iorque, encontrava–se no camarim, a ouvir pela primeira vez a mistura final do quarto álbum dos Strokes, “Angles”, que chegou ontem às lojas. Estava satisfeito. Aleluia.

Mas peça-se uma opinião aos Strokes e serão recebidas várias respostas, uma lição que a banda, e os seus fãs, aprenderam bem desde que o grupo se formou em 1998. Nessa altura estavam unidos no mesmo objectivo: antigos alunos do secundário cosmopolitas devotados ao rock de guitarras do passado e ao estilo de vida correspondente. Houve um momento para o renascer do cool de Nova Iorque e, de súbito, estes tipos encaixaram-se nisso, moldaram-no, inspiraram cortes de cabelo; até a reacção adversa, questionando a sua autenticidade, pareceu da mesma espécie. Mas ao longo dos anos, conforme a idade, a fama, os vícios, os projectos a solo e as contribuições criativas se fizeram sentir, a perspectiva deles ficou marcada. Com “Angles”, o seu primeiro álbum em cinco anos, os Strokes estão a adoptar um novo equilíbrio, que leva em consideração a voz de cada um dos seus membros de forma mais equitativa. Ou algo assim: “É para todos ficarem contentes”, diz Casablancas de forma calma. “Operação Fazer Toda a Gente Satisfeita.”

Esse estado foi difícil de alcançar, de uma forma profissional e pessoal, como a banda tem assumido. O resultado é um álbum com dez canções identificáveis como Strokes – os riffs de guitarra em contraponto, as vocalizações dispépticas de Casablancas, com a sua energia de final de noite, as letras carregadas de dúvidas, alguns sintetizadores e downbeats próprios dos ritmos modernos – mas com uma diferença. Pela primeira vez, o material foi escrito não apenas por Casablancas, que esteve ausente de forma premeditada, mas por todos os membros. E não foi gravado num estúdio de Nova Iorque, mas num cenário bucólico no Norte do estado. Não é que os Strokes estejam maduros – “Se digo isso”, explica Albert Hammond Jr., o guitarra ritmo, “soa aborrecido, não é?” – mas estão perto.

A edição de “Under Cover of Darkness”, anunciado como um regresso dos Strokes ao seu som do passado, bloqueou o site do grupo devido ao excesso de tráfego. Blogues de música e fãs na indústria como Lisa Worden, directora musical da KROQ-FM, a estação de rádio de Los Angeles que foi uma das primeiras defensoras da banda, estão expectantes com entusiasmo. Ela pôs o single dos Strokes em rotação imediatamente, “porque os adoramos”, afirma. Mas, acrescenta, é demasiado cedo para dizer se a canção será um sucesso. “Ainda estamos a perceber o entusiasmo do público da KROQ”, refere. “Passou muito tempo” desde que ele teve de ter em conta os Strokes.

Expectativas Na década que passou desde que o álbum de estreia, “Is This It”, chegou à platina, tanto a indústria musical como a estética dominante se alteraram. Onde os Strokes eram antes um desvio bem-vindo a um mainstream de pop oleosa, rap metal e electrónica, hoje fazem parte de uma onda de bandas de tendência indie e guitarras pesadas, a qual ajudaram a anunciar. Ao mesmo tempo que as expectativas de vendas diminuíram a distribuição online deu tanta exposição a projectos feitos no quarto como às descobertas das grandes editoras.

Em alguns círculos os Strokes mantiveram o seu poder de atracção. “Os DJ passam ”Last Nite” a toda a hora”, diz a jovem DJ Mia Moretti, uma das mais requisitadas do circuito moda-artes-celebridades, acerca do single mais conhecido da banda. Moretti (sem qualquer parentesco com o baterista dos Strokes) acrescenta que passará as novas canções dos Strokes nos seus sets habituais nos clubes de Nova Iorque. “Penso que eles ainda são bastante sexy”, afirma Moretti acerca dos elementos do grupo, agora na casa dos trinta e poucos anos.

Quando os Strokes começaram, “as guitarras estavam fora de moda” em Nova Iorque, recorda Gordon Raphael, que produziu os dois primeiros álbuns da banda. Ainda assim, no início de 2001, o britânico “NME” fez uma crítica inflamada ao seu EP de estreia, “The Modern Age”, dando início a um ciclo de popularidade em Inglaterra. Kate Moss apareceu num dos primeiros concertos em Londres e quando a banda, ainda sem editora, regressou a Nova Iorque, a palavra espalhou-se. Quando os Strokes fizeram a primeira parte dos Doves, uma banda britânica, na Bowery Ballroom, “havia limusinas de editoras discográficas à volta do quarteirão”, conta Raphael. A RCA ganhou o que foi considerado como uma guerra acesa pela assinatura dos Strokes. Depois de “Is This It” sair, “por toda a East Village havia montes de miúdos de casaco de cabedal com guitarras às costas”, recorda Raphael.

Às vezes, eram os próprios Strokes. Nos primeiros tempos, eram vistos com frequência a vaguear juntos pelas ruas de Manhattan. “Durante muitos anos de seguida, passávamos a vida todos juntos”, diz Valensi. “Partilhávamos camas quando estávamos em digressão. Não quero falar disso, mas éramos desconfortavelmente chegados.” Sim, todos os clichés das estrelas rock se aplicam, incluindo namoradas famosas. Fabrizio Moretti andou com Drew Barrymore; Hammond com a modelo Agyness Deyn; e Valensi com a fotógrafa Amanda de Cadenet, com a qual acabou por se casar.

Fora da vista do público, ensaiavam tanto quanto se divertiam. No dia em que saiu “Is This It” – 11 de Setembro de 2001 – foram trabalhar para a sala de ensaio, recorda Moretti. Que a sua estreia coincidisse com os ataques às Torres Gémeas tornou-se parte da sua mitologia. Juntamente com bandas como Yeah Yeah Yeahs e Interpol, fizeram parte do renascimento da cena nova-iorquina. Os discos seguintes não seriam tão populares quanto “Is This It” e, ao terceiro álbum, “First Impressions of Earth”, a tensão era evidente. Apesar da nova sobriedade de Casablancas, para Fraiture tratou-se da pior experiência em estúdio. Depois da digressão de 2006, o manager da banda anunciou uma pausa por tempo indeterminado.

O regresso Ninguém esperava que fosse por tanto tempo. Durante os anos de interregno, todos menos Valensi começaram projectos paralelos ou a solo. Concentraram-se nas famílias e dividiram–se entre Nova Iorque e Los Angeles. Entrevistados, em separado, cada um dos Strokes admitiu que teve dúvidas em relação a gravar outro álbum e de como seria recebido. “Havia o receio de que, de certa forma, já não estivéssemos nos corações e nas mentes das pessoas e que tivéssemos de começar tudo de novo a um nível mais baixo”, diz Valensi.

Por volta de 2007, ele, Fraiture e Moretti estavam de regresso ao estúdio. “Estávamos a tentar pôr outra vez a bola em jogo”, afirma Fraiture. Em 2009, acrescenta, “foi a última oportunidade – ou isto vai acontecer ou não”. O que os puxou também foi o contrato de cinco álbuns com a RCA; “Angles” é o quarto do acordo. Os cinco membros regressaram finalmente ao Music Building – onde ensaiam em salas sombrias há uma década – para escrever, fazendo actualizações periódicas em relação ao seu progresso. Mas não passou muito tempo até que Casablancas voltasse à estrada para promover o seu álbum a solo. E quando estavam prontos para começar a gravar Hammond teve de sair. “Fui para a desintoxicação”, conta Hammond. “Escondi–me nas drogas, em muitas drogas. Precisava de conserto.”

Quando Hammond regressou, os membros da banda recomeçaram a trabalhar, com o produtor Joe Chicarelli (My Morning Jacket, The Shins), num estúdio de Manhattan. Mas não ficaram satisfeitos com os temas que ali gravaram. “Eram bastante chatos”, afirma Hammond, embora os seus colegas tivessem sido mais suaves na avaliação.

Os Strokes mudaram-se para a casa de Hammond, a norte de Nova Iorque, onde viveram e gravaram juntos durante várias semanas. “Os três primeiros álbuns foram gravados em Manhattan, com aquela vibração super urbana em que mandamos vir comida chinesa, vamos a pé para o trabalho e, sei lá, temos o nosso serviço de entrega de erva ao domicílio”, diz Valensi. “Desta vez, estávamos a modos que no meio do nada. Acordávamos de manhã cedo e, não estou a brincar, havia uma família de veados no quintal a metro e meio do alpendre. Lembro-me do Nikolai, entre takes, a cortar lenha.” Todos eles contribuíram com material: Valensi escreveu o primeiro tema do álbum, “Machu Picchu” – a primeira vez que contribuiu com uma canção.

E onde estava Julian? Ainda na estrada. “Queria afastar-me o máximo que pudesse”, admite Casablancas. Acreditava que o seu estilo podia ser uma barreira. “Estou sempre a opinar”, confessa enquanto bebe chá perto do seu apartamento na East Village. Mesmo sem ele por perto, o processo foi uma tortura. “Há muitas versões de todas as canções”, diz Gus Oberg, amigo de Hammond e o produtor que acabou por produzir a maior parte de “Angles”. “Foi preciso muito tempo para que toda a gente acabasse por concordar.”

Casablancas acabou por intervir. “Diria que aproximadamente 60% do que eles fizeram eu achava porreiro e não mexia e 40% ou alterava ou deixava de lado”, diz. “Tentei manter o padrão elevado.” Escreveu e gravou letras de forma independente, aproveitando ocasionalmente os versos dos seus colegas e tentando manter o equilíbrio. Ter uma carreira a solo ajuda. “Acho que ”Strokes de colaboração” não é bem aquilo em que estou interessado”, acrescenta. “Fico com o que posso, pelo que estou feliz.”

Por esta altura, os Strokes já estão habituados em relação ao interesse obsessivo na dinâmica da banda e estão sempre a corrigir o que dizem. Nas entrevistas, todos eles fazem questão de dizer que só falam por si próprios. Todos dizem que os problemas derivam da falta de comunicação. Quando a banda se formou, “tentámos seriamente que a coisa parecesse natural”, considera Moretti. “E acho que agora admitimos que é, de facto, trabalho duro.” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/112073-the-strokes-dez-anos-depois-da-revolucao, a 22 de Março de 2011, em Jornal I

Bom Som!

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