A Céralac Está de Parabéns…

A Papa Infantil... Céralac... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo, sobre um dos artigos de alimentação infantil mais carismática do público português. A Ceralac… passo a transcrever o referido artigo.

« Cerelac. A avó das papas faz 75 anos

 A papa mais famosa do país é portuguesa e foi desenvolvida por Egas Moniz. Desde 1936 que é fabricada com cereais e leite portugueses. Se nunca conseguiu ser um bebé Nestlé, aproveite, a marca desenvolveu uma aplicação que lhe permite transformar-se num

Se empilharmos o número de embalagens de Cerelac vendidas por ano em Portugal, a brincadeira atinge 1190 quilómetros, o equivalente à costa continental portuguesa.

Quem o garante é Fernando Carvalho, director de marketing da Nestlé, que diz também que se espalmássemos essas embalagens, daria para cobrir quase duas vezes o território português. É muita papa. No preciso momento em que lê estas páginas, bebés rechonchudos e de belos olhos azuis (a julgar pelos anúncios) estão a regalar-se com colheres de Cerelac. Quem diz bebés, diz homens e mulheres feitas. Confesse: um prato de Cerelac ainda o deixa de olhos a brilhar.

No Facebook existe, até, uma página criada para quem gosta de Cerelac e não tem vergonha disso: “I”m old enough… and I still love Cerelac!” Qualquer coisa como “Já sou crescido mas continuo a adorar Cerelac”, com comentários e testemunhos de adultos de todo o mundo a elogiarem aquela que tem como lema ser a “primeira do bebé”.

Ora a Cerelac faz uns respeitáveis 75 anos. É uma papa avó, que começou como Farinha Láctea Nestlé, inventada por Henri Nestlé na Suíça, e adaptada ao paladar português pelo neurologista Egas Moniz, Nobel português em 1949.

Era uma vez

Bom, comecemos do início, em jeito de aula de história: No século XIX a mortalidade infantil era muito elevada e Henri Nestlé decidiu criar um alimento que resolvesse o problema. Nascia assim a Farinha Láctea Nestlé que se espalhou rapidamente por vários países da Europa.

Em Portugal, e face ao mesmo problema de mortalidade infantil, o professor e neurologista Egas Moniz criou, em 1923, a primeira fábrica de leite em pó, em Avanca (Estarreja). Em 1933, Egas Moniz consegue o exclusivo de fabricação e venda dos produtos Nestlé e começa a fabricar a tal farinha láctea, que em 1936 sofre algumas alterações e adaptações ao paladar nacional. Em 1954, passa a chamar-se Cérélac (assim mesmo, com dois acentos), mantendo a mesma receita e sabor. Apesar de pertencer à Nestlé, a Cerelac (que entretanto perdeu os acentos para se posicionar melhor no mercado internacional) é uma marca nacional feita com cereais e leite nacionais (o leite vem dos Açores). Por esta é que não esperava, pois não?

E a verdade é que, quando a marca diz ser “a primeira papa dos portugueses”, não está errada: segundo a empresa de estudos de mercado Nielsen, a Cerelac detém 62% do mercado de papas. Milhões de portugueses cresceram e tornaram-se roliços graças a esta papa. Voltando a Fernando Carvalho “a cada minuto são consumidos 7 quilos de Cerelac”.

Inovações Oito cereais e mel, banana, laranja, com e sem glúten e bolacha maria. Multifrutos, pêra e maçã. Um universo de papas que abrange todos os paladares e um perigoso mundo os adultos em geral e para os pais em particular que a cada três colheres roubam uma para “dar o exemplo” aos rebentos.

Longe vão os tempos dos anúncios televisivos com mães de camisa de noite em plena sessão de aleitamento explícito, com uma locução masculina a explicar que nos primeiros quatro meses de vida o bebé deve alimentado com o leite materno e só depois com a Cerelac.

A televisão evoluiu, os bebés tornaram-se mais bonitos (e inexplicavelmente louros de olhos azuis) e os anúncios menos cinzentos. Em 1992, entra em acção a versão “Papa a papa” do “Frére Jacques” e nunca mais parou.

O mais recente spot televisivo conta com a chefe Mafalda Pinto Leite, a nova imagem da campanha da Nestlé Portugal.

bebé nestlé

Sempre quis ser um mas os seus pais nunca concorreram? Morria de inveja da vizinha do lado que apareceu na revista em 1987 como a bebé mais bonita da vizinhança? Chegou o seu momento. Digitalize a sua fotografia de infância preferida e faça o upload da mesma no site ou no Facebook. A propósito da campanha dos 75 anos da Cerelac, a Nestlé disponibiliza uma aplicação que permite transformar qualquer criança num bebé Nestlé orgulhosamente colocado num mupi virtual. E nem precisa de (ter sido) ser o mais bonito do bairro.

Inquérito

Nas conversas que envolvem a Cerelac, carregadas de confissões adultas de amor à papa, há sempre uma discussão que surge e que dá aso a verdadeiros debates e lutas pela razão. A Cerelac deve ser feita com água ou com leite?

“Com água, senão fica enjoativo”, gritam uns. “Com água não sabe a nada, com leite é que é”, gritam outros. Ora depois de um inquérito rigorosíssimo nessa plataforma multifuncional que é o Facebook, chegámos à conclusão que a maioria de todas as dez pessoas interrogadas preferem com leite. Ou porque era assim que a mãe ou a avó faziam, ou porque com água é fraquinho, ou porque na verdade são uns verdadeiros gulosos. A Cerelac já tem leite, não precisa de mais. As ancas e a barriga agradecem.

 

Crítica: Viagem ao mundo das farinhas

 

nestum

(três estrelas)
O de mel era o mais popular entre a miudagem. Não por opção, se pudessem escolher certamente elegeriam o de chocolate. Havia quem também gostasse do de figo. Os mais radicais faziam com leite frio para poderem trincar os flocos feitos de trigo que formavam pequenos grumos estaladiços. Ficava sempre com aspecto de vomitado.

 

pensal
(quatro estrelas)

A farinha com cacau. O chocolate da Farinha Pensal sabe mesmo a chocolate. Os flocos são mais pequenos do que os do Nestum, mas não chegam a ser farinha como a Cerelac. O mundo da criançada dividia-se entre os que comiam Nestum, o popular, e Pensal, a desconhecida.

maizena
(cinco estrelas)

Criada em 1856 nos EUA,  a Maizena serve para variadíssimas coisas entre as quais engrossar molhos. Quem teve avós à moda antiga, poderá ter tido a sorte de conhecer outra faceta desta farinha: uma maravilha cremosa e doce, com um pau de canela e uma gema de ovo.

miluvit
(três estrelas)

Tinha como mascote o Vitinho e isso era meio caminho andado para ter sucesso. Tinha os flocos ainda mais pequenos do que a Pensal, mas não chegava a ser farinha. A de a maçã era ligeiramente ácida e doce ao mesmo tempo. O de arroz era bom para problemas infantis intestinais. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/128420-cerelac-avo-das-papas-faz-75-anos, a 06 de Junho de 2011, em Jornal I

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