Conheça Uma Entrevista a Miguel Guilherme…

Entrevista a Miguel Guilherme... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo que penso que seja interessante e que saiu na imprensa nacional, uma entrevista a Miguel Guilherme.

« Miguel Guilherme “Estou-me a cagar para a política cultural”

Aos 15 anos descobriu um livro erótico de Bocage e diz que lhe “caiu que nem Ginjas”. O pai e os amigos notavam-lhe as semelhanças físicas, mas foram precisos muitos anos até ser chamado a vestir a pele do poeta português, que considera um homem virulento e narciso “até à última casa”. Miguel Guilherme aceitou receber o i em sua casa, no Príncipe Real, em pleno coração de Lisboa. Diz que não sente a crise e deixa que o tom de voz se altere discretamente quando chega a hora de falar sobre política cultural num país que atravessa uma crise sem precedentes. “Podes escrever assim: caguei para isso”

Já terminou as gravações do último a sair?

Acabamos há alguns dias, mas o programa continua até ao fim deste mês. Acho que correu muito bem, embora o meu trabalho fosse um bocadinho solitário. Eu ia lá duas vezes por semana, gravava fora do ambiente que se criou na casa, tal como acontece na gravação dos reallity show a sério, em que os apresentadores nem sabem o nome dos concorrentes. Eu não, eu sabia (risos).

Os portugueses entendem aquele tipo de humor?

Acredito que haja vários tipos de entendimento. A ideia de que aquilo é a sério, pouca gente a terá. Mas há pessoas que vibram como se aquilo fosse um reallity-show a sério, que vibram com as saídas, com os nomeados, etc. Não sei se o formato está totalmente claro em relação a isso, mas uma certa ambiguidade também é interessante. Uma espécie de perversão da coisa, se fosse clean não teria piada. Custa-me perceber que as pessoas, ao verem os concorrentes tratar-me por Júlia e Teresa, possam acreditar que aquilo é a sério. Devem pensar “ah, aquilo são brincadeiras de artistas, é uma coisa séria, mas eles estão a brincar”. Só podem ser pessoas muito incultas. Nesses programas da manhã, há sempre momentos de humor, dizem sempre as suas larachas. Aliás, dizem as larachas que lhes vêm à cabeça, o que comeram no dia anterior, se estiveram mal dispostos na noite passada, quantos puns deram. A escatologia é interminável, por isso pode haver da parte de algumas franjas de espectadores alguma confusão. Mas a confusão está instalada nas cabeças há muito tempo. O que se diz “fucked up”.

O guião do programa era uma coisa muito restrita?

O guião não era apenas um maço de apontamentos, tinha diálogos, mas sempre com margem para improvisar. Houve um período de adaptação, mas depois punha-se a filmar e está a andar. A menos que sentíssemos que se estava a afastar da linha do guião.

Ficou surpreendido por a RTP ter aceitado um programa daqueles, tão arrojado?

Acho que um canal público tem de ter ideias arrojadas. Não deve ser chato, tem de arranjar alternativas a outros canais de televisão, senão não vale a pena ser público. Talvez o principal problema da RTP seja mesmo esse, não se consegue posicionar como um canal público. Olhamos para a programação e parece um canal privado: a quantidade de concursos, coisas institucionais só porque sim, está dependente de certos tiques políticos. Achei muito estranho que, quando celebrou 52 anos, o slogan da RTP tenha sido “Informamos bem os portugueses há 52 anos”. Ora, durante 40 anos, a RTP era o braço media da ditadura. Não se pode dizer o que se diz. Como é que isso é possível?

Costumava ver reallity shows?

Às vezes picava, mas não me dizia nada. Não tem qualquer nexo, nem cá nem na América. Se calhar o “Peso Pesado” americano vem mais bem embrulhadinho, mas a merda é a mesma resume-se à exploração voyeurista. O que eu gostava era de saber como vão estar aquelas pessoas daqui a três anos. Isso sim, dava um bom documentário, perceber se o programa ajudou alguém. Supostamente aquilo é para ajudar, não é? Tudo muito propedêutico, mas daqui a uns tempos é que era interessante perceber o que lhes aconteceu. As pessoas que se inscrevem são lumpemproletariado, de estratos muito baixos intelectualmente, que, infelizmente, pensando que se estão a servir do sistema, acabam por ser usadas por ele. São abusadas, não sexualmente, mas na sua vida, a sua imagem, sentimentos, em tudo.

Nunca o convidaram para um reallity-show de famosos?

(risos). Não, nada disso. Nem aceitaria, obviamente. Acho que o princípio do “Big Brother” foi aquele mini laboratório que a NASA fez para experimentar a vida em ecossistemas fechados em vidro, com biólogos, psicólogos e onde se tentava criar em ambiente simulado o ambiente da terra. Era o sonho de passarmos a última fronteira, e isso sim, interessa-me. Acho inevitável, é evidente que temos de nos expandir para fora da terra.

Acredita mesmo nisso?

Acredito piamente. E há provas que podemos expandirmo-nos dentro da nossa galáxia. Já há tecnologia para ir a Marte. Por muito que tentemos preservar a terra, não será suficiente para albergar toda a gente. Parece ficção científica mas é real. O nosso destino vai ser esse, acredito nisso.

Conhecia os participantes do Último a Sair?

Não, só o Rui Unas e o Bruno Nogueira. O que achei interessante foi aquelas pessoas, vindas de ambientes completamente diferentes, tenham conseguido encontrar uma forma de se entender. Baseado num argumento, é certo. O Roberto Leal é incrível, está sempre a representar. Aquilo faz parte da natureza dele, o optimismo, o discurso final sempre que alguém sai, é tudo dele, não é do programa. Sabe que está a representar, leva muito a sério, mas ao mesmo tempo sabe que está a brincar.

Costuma ver-se no programa?

Sim. Mas é importante não julgar, nem achar muito bom nem muito mau. Nem sempre consigo, não sou muito crítico. Aos poucos fui começando a improvisar cada vez mais. Gosto de o fazer em determinados trabalhos, mas em textos mais sérios, de Brecht ou Shakespeare, não há margem para improvisação. Posso, isso sim, aprofundar a relação com o personagem, mas nunca alterar o texto para meter lá umas buchas.

É muito disciplinado na preparação dos seus trabalhos?

Sou disciplinado na entrega, mas não tenho um método do género, ”hoje decoro às 10, depois vejo as marcações, analiso o personagem, etc”. Não, isso não faço. É mais importante decorar.

Tem algum método para isso?

Decoro melhor quando me levanto às sete da manhã. Trabalho meia hora e volto para a cama, não consigo decorar três horas seguida. Depois é como a tabuada.

Costuma dizer que um actor aprende mais a fazer televisão do que cinema. Porquê? Não é um meio muito mais instantâneo?

A televisão não é apenas um grupo de miúdos das novelas deslumbrados. O que acho é que se filma muito mais e isso permite ao actor aprender muito melhor a relação com a câmara. Claro que no cinema em vez de 20 cenas faço três, mas na televisão aprende-se a urgência de fazer. Uma série de 13 episódios da HBO demora oito meses a fazer. Nós fazemos três episódios num mês. Temos os meios, bons realizadores, bons actores, argumentistas, falta-nos é tempo. Só assim a produção é mais cuidada. O Bocage eram oito episódios e demorámos um mês e meio, quando na realidade deveria ter demorado seis meses.

Por falar em Bocage, quando era novo diziam quer era parecido com ele.

Há três retratos do Bocage, mas ninguém sabe exactamente como ele era. Agora já não é bem assim, mas quando era mais novo as semelhanças eram de facto muito grande. Toda a gente me dizia, achava giro. Daquilo que li dele, acho que era um homem extremamente virulento, narciso até à ultima casa, mas um génio da poesia portuguesa do século XVIII. O grande problema dele foi ter misturado coisas muito boas com pornografia e com coisas mais fáceis. Mas ele era assim, uma espécie de rebel without a cause. Descobri poesias eróticas em casa do meu pai, numa edição de 1860, impresso em Bruxelas. Claro que era feito em Portugal, mas como era proibido em Portugal, os editores diziam que tinha sido impresso na Bélgica

Que idade tinha quando descobriu o livro?

13 ou 14 anos, em plena puberdade. Caiu-me que nem ginjas. Era um homem muito suis-generis, não era apenas um ordinário solitário, não levava nada a sério, excepto a ele. Achava-se o maior poeta português depois de Camões.

É quase irónico ter sido convidado para o papel.

Mais do que irónico, foi incrível. O argumento era do Mário Botequilha e Filipe Homem Fonseca. Baeei-me no argumento, e isso passava pelos diálogos e citações, tentei ser fiel ao espírito do argumento. Li grande parte da obra dele, e procurei perceber o espírito do tempo.

Mudando de assunto, ficou contente com a saída de José Sócrates?

Não fiquei contente como aquelas pessoas que odiavam de morte o Sócrates. Acho que todos os ciclos acabam, e o dele chegou ao fim. Foi um político corajoso que se enganou redondamente em certas estratégias, sobretudo nos últimos dois anos de crise. É pena que o PS, quando está na oposição, seja socialista, e quando está no Governo seja centro esquerda ou centro direita. De qualquer forma, a economia está tão má que houve medidas que tiveram de ser tomadas, estivesse quem estivesse no governo. Estamos numa época de ganância total. E foi a ganância que lançou esta crise em 2008.

E a entrada de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas em cena?

Não quero diabolizá-los como faz certa esquerda. Não sou liberal na economia, só noutras coisas, mas a coisa está tão má, e as soluções apontadas dos partidos à esquerda do PS são tão patéticas, perigosas e demagógicas, que gostaria que o PS tivesse um bocadinho mais de mão na coisa. Acho que eles estão eufóricos, vamos ver o que acontece. O FMI era inevitável, mesmo se o PEC 4 tivesse sido aprovado. O Sócrates também usou a ideia de que o chumbo fez o FMI bater à porta, mas eu acho que teve muito a ver com a conjuntura internacional. Se não houver um projecto político para a Europa, isto esfrangalha-se tudo. Acho que a ganância dos mercados continua, sobretudo vinda dos EUA.

É daquelas pessoas que partilha do anti-americanismo vigente?

Não, nada disso. Acho que a América é um bocadinho o lugar das experiências da liberdade. Era contra o Bush, obviamente, e achei criminosa a entrada no Iraque. Foi tremendo, mas há certas coisas que eu compreendo, como a tentativa de fazer um tampão no Afeganistão para evitar que aquele fundamentalismo se propague. Mas preferia que os americanos estivessem no Afeganistão. A Europa fala muito alto, mas quando é preciso usar bombas são os americanos a largá-las. As coisas no mundo árabe estão a mudar, ninguém sabe para onde, mas que se estão a transformar numa velocidade grande isso é inegável.

Como tem visto as mudanças na política cultural em Portugal? Sempre que vem a crise, lá se sacrifica a cultura.

A cultura tem de deixar de ser tão mariquinhas. Eu não gosto de choramingões, e há trinta anos que vejo gajos a choramingar e a traírem-se uns aos outros, a andar de punho cerrado e por trás a lamber o cu ao ministro ou ao secretário de Estado. Por isso, sabes o que te digo, eu caguei. Podes mesmo escrever, eu caguei para isso, cago para a política cultural.

Mesmo que desapareça, que deixe de existir um ministério da Cultura?

Não me interessa, caguei. Não vai deixar de existir, eles precisam sempre de fingir que têm cultura. É tudo tão feio na política cultural, a maneira como os agentes culturais não se unem…

Está a falar de subsídios?

Há coisas que não deviam ser subsidiadas, pura e simplesmente, ponto. Estão a tirar o lugar a outros. Os critérios não existem: são do compadrio, “já que demos a este agora vamos dar ao outro”, distribuem-se as migalhas, tentam distribuir o mal pelas aldeias. Há quem tenha direito ao subsídio: o Teatro de Almada, a Cornucópia, o Teatro Aberto. Quanto ao futuro, não sei. Seja como for, não havendo dinheiro, as pessoas têm de continuar a trabalhar. Acho que pelo menos 1% do Orçamento do Estado devia ser para a cultura, porque gera riqueza. Mas o poder político ainda não percebeu isso. A comedie française tem 40 milhões de euros por ano. Há quem diga que é demais. Cá temos pouco dinheiro e pouca atenção. Historicamente, o PSD sempre teve muito pouca sensibilidade cultural, o que é curioso porque o Durão Barroso sempre gostou das artes performativas. Vi-o muitas vezes, tal como ao Paulo Portas, em espectáculos, mas nunca vi gente de esquerda.

Enquanto actor, sente a crise?

Por agora não, mas acho que vou sentir.

A publicidade ajuda…

É um trabalho relativamente bem pago e que me permite fazer escolhas, embora há muito que as tabelas não são actualizadas. Empresto a voz, mas dou prioridade ao teatro. Se tiver um ensaio à mesma hora da gravação de um anúncio, vou ao ensaio.

Há algum tipo de anúncios que se recuse a fazer?

Não trabalho para empresas de crédito pessoal. Aquilo é uma desgraça para as famílias, um endividamento que nunca mais acaba. Mas dá-me muito gozo fazer vozes, é um trabalho muito criativo.

Tem algum artista que possa considerar um ídolo?

Ídolos não tenho, mas admiro o trabalho de muita gente. Para além do Bocage, Shakespeare, Becket. Mas gostei de trabalhar com o Viegas, que era uma referência. Considerava-o uma espécie de Bocage dos nosso dias, um tipo incrível. Era um gajo muito mais mordaz do que se possa imaginar. Fazem falta tipos assim, esse tipo de actor não existe, toda a gente quer fazer a sua carreira certinha, o Mário estava-se nas tintas para isso, sempre foi muito caótico. Quando andava com ele nunca se sabia o que ia acontecer. Era um tipo muito revoltado mas que adorava viver e que extravasava para o espaço público toda a sua loucura, ele fazia de si próprio o espectáculo. Mais que polémico, era javardo, nada era sagrado para ele, tudo era passível de riso e de escárnio.

Encontra alguma explicação para não se encontrar gente assim tão ousada como ele?

A ideia do artista louco está a desaparecer. E a ausência dessas figuras empobrece o panorama, não tenho dúvidas quanto a isso. Há uma maior profissionalização dos jovens actores. As pessoas não brincam quando querem ser actores. Mas isso não é tudo: o Vasco Santana era filho de um empresário de teatro e era um bon vivant, adorava os artistas, os bastidores. Não sabia nada de teatro, mas conhecia os ambientes todos da cidade, o bas-fond, conhecia as personagens. Um dia faltou um tipo para fazer a peça e foram buscá-lo a Avenida da Liberdade. O êxito foi tão grande que o outro gajo não voltou mais.

E a história com a Glenn Close. Contracenou ou não com ela?

Isso é um erro, toda a gente diz isso, mas eu nunca entrei na Casa dos Espíritos. Fui lá fazer uma audição para um papel, mas a cena foi cortada. De qualquer forma o meu nome vem no filme. É estranho.

Estudou antropologia, mas nunca concluiu. Isso foi por causa do teatro?

Não, o teatro foi uma coisa fortuita, de qualquer forma não passei do primeiro ano de antropologia. Um dia, um amigo disse-me que o grupo de teatro da Comuna estava a abrir um curso para jovens actores e eu achei graça. Acabei por ficar, fui ficando… Primeiro por curiosidade, mas sempre com a consciência que se não tivesse jeito iria procurar outras coisas. Gostava de história, psicologia.

Recorda-se da sua estreia em palco?

Fui substituir um actor numa peça de Brecht mas não fazia a mínima ideia do que estava ali a fazer. Estava habituado a trabalhar em ateliês, a fazer exercícios, nada de peças. Deu-me uma branca, foi muito estranho. Fiquei completamente desorientado. Não há muito que se possa fazer nessas alturas, espera-se que o texto venha, ou que um colega salve a coisa.

Mesmo assim continuou a tentar.

Sim, se estivesse à espera do sucesso mais valia mudar de profissão. Muitas vezes falhamos, ou falha a peça. Estava convicto de que era aquilo que queria fazer, mas ainda não estava bem preparado. Tinha essa desculpa.

Prefere o teatro ao cinema e televisão. Porquê?

O teatro é a minha área. Foi onde comecei e é onde sinto que consigo aprofundar mais a arte de representar. Há uma maior proximidade com o público. O escrutínio do público assusta-me. Não se trata das palmas, é saber se há ou não público. Há peças boas que estão vazias, já vi isso acontecer sem saber porquê.

Tem dois irmãos. É muito dado à família?

Nem por isso, somos os três daqui de Lisboa mas não estamos muitas vezes juntos. Quando éramos pequenos íamos para Mangualde, perto de Viseu, e passávamos lá as férias. Viseu era longe. Quando o meu avô morreu, o meu pai não ficou com a quinta, por isso nunca mais lá voltei. Está muito modificado, se fosse igual eu queria voltar. Tinha um lago enorme, barcos a remos. Era assim coisa mesmo à anos 30.

Tem facebook?

Tenho, mas é raro lá ir. Acho que é um fenómeno irreversível, vai alterar para o bem e para o mal toda a maneira que temos de nos socializar. Não gosto muito de pensar dessa forma, ”será positivo ou negativo?”. A invenção dos fósforos, foi boa ou má? Se pensarmos num pirómano que pega fogo ao monte, foi má. Se for para nos acender o lume numa cabana e nos aquecermos, já não. É uma consequência da nossa evolução tecnológica, tudo fica mais perto, estando longe. Daqui a 20 anos vamos estar todos a rir disto tudo, como agora achamos impensável haver televisão a preto e branco ou a ausência de telefone. Será uma coisa anacrónica. A evolução é voraz e transforma-nos. Tu estás a usar um telemóvel para gravar a conversa…

Ainda sai muito à noite?

Saí durante 30 anos e agora saio menos. Era muito boémio, mas não muito excessivo. Vivia à noite. Ia para os copos na bica, fazia uma vida mais nocturna. Divertíamo-nos como todas as gerações o fazem. Mas durante os anos 90 a noite de Lisboa era muito animada. Muitos dos trabalhos que combinei, eram na noite. Íamos ao Frágil. Hoje saio menos, mas gosto de sair, claro.

É habitual ser abordado na rua?

Não tenho exposição pública. Só através do meu trabalho, ao fim de 30 anos a aturarem-me é natural que me conheçam na rua. E ainda assim não é toda a gente. Às vezes fico vaidoso quando me falam, mas não passa disso. Nunca me aborreço, as pessoas não me chateiam.

Reparei que tinha ali uma Playstation. É muito dado aos jogos?

Gosto, mas a minha está estragada. Jogo muito coisas de tiros, com o Jorge Mourato, o Bruno e o Nuno Lopes. O meu preferido é o “Call of Duty”. Às vezes jogo online, que é incrível. A minha especialidade era sniper. Uma vez abati 22 tipos seguidos. Online dá muita adrenalina. Mas agora está avariada, tenho de a trocar. Os gajos não arranjam. Telefonas para lá – esta é a primeira que saiu – e os gajos pedem-me para dar esta, mais 180 euros e garantem que põem aqui uma nova com dois anos de garantia.

Vai ter férias?

Estou parado, mas no dia 18 começo uma peça com Bruno Nogueira. Quero ir uns dias para o Algarve. Vou alugar uma casa e fazer aquelas férias de acordar de manhã, ir até a praia, fazer vida sempre igual. Imagina que ia uma semana à Grécia (risos), descansava a cabeça mas não o corpo. Não sou gajo para ir daqui à Costa de carro, preferia meter os pés numa bacia e ficar no meu quintal.

O que é para si ser português?

Acho que estamos arredados. Nós e muita gente, temos sempre tendência a querer ombrear com os maiores, mas como não somos os maiores, isso acaba por se traduzir num complexo de inferioridade. Mas eu adoro ser português. Gosto de Lisboa e até de uma certa vida parola que levo. A cidade desenvolveu-se muito em termos culturais nos últimos quinze anos. Hoje temos dificuldade em escolher. Acho que estamos a atravessar tempos difíceis, mas há povos que estão piores. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/135368-miguel-guilherme-estou-me-cagar-politica-cultural, a 8 de Julho de 2011, em Jornal I

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