Uma Entrevista a Roberto Leal…

Roberto Leal... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre o até à bem pouco tempo escondido e desaparecido Roberto Leal…

« Roberto Leal. “A minha maior dificuldade foi sempre Portugal: há guetos e preconceitos”

Roberto Leal não andou desaparecido antes de o “Último a Sair”. Gravou dois discos “a sério” e já não quer vender milhões

Primeiro choque: Roberto Leal não aparece vestido de branco, mas todo de preto, com sapatilhas all star e uma camisa com uma cruz de Santiago gigante. Segundo choque: Roberto Leal já não se queixa de ser português no Brasil e brasileiro em Portugal. Terceiro choque: Roberto Leal já não quer fazer discos de ouro e anda ocupado a estudar a música tradicional portuguesa e a fazer discos “a sério”. O problema agora é vencer o preconceito. “No Brasil deu tudo certo, em Portugal senti-me sempre segregado”, confessa. A razão de tantas mudanças, explica, é o resultado de uma grande caminhada: Roberto Leal diz que teve de mudar muita coisa para finalmente ser feliz. “Mas quando você ganha a consciência de quem é tudo se transforma.” O músico de Vale da Porca, em Trás-os-Montes, comparece na entrevista com a filha, que anda de canadianas porque caiu de um palco e partiu o pé. “Coitadinha, ela estava sozinha em casa e eu trouxe ela”, apressa-se a justificar. Há momentos em que Roberto fala com sotaque brasileiro. Noutras partes da conversa, as palavras soam mais a Portugal. Na semana em que ganhou o programa “Último a Sair“, da RTP, Roberto Leal recorda as coincidências bizarras que o levaram à fama, os primeiros tempos no Brasil, confessa que foi a mulher quem o ensinou a comportar-se à mesa e defende que é preciso que Portugal mude rapidamente de mentalidade.

Passa mais tempo cá ou no Brasil?

Vou andando cá e lá. Já fiz a viagem tantas vezes que já nem dou por isso. Não me custa nada. Uma vez o João Pedro Pais disse-me que cada vez que atravessa o oceano precisa de meses para recuperar. Eu acho que o corpo e a mente acabam por se habituar a tudo. Aliás, eu hoje olho para a minha vida e vejo quantas coisas tive de mudar e readaptar para ser feliz. Há uns anos, por exemplo, detestava que me chamassem brasileiro cá e português lá, mas, a partir do momento em que você ganha a consciência de quem é realmente, esse sentimento acaba. Quando aceitei participar no “Último a Sair”, a minha condição foi exactamente ser quem eu era.

Quem é que o convidou?

Foi o próprio Bruno [Nogueira]. Ligou- -me e eu levei uns dez dias a pensar. Disse-me que era um programa onde ia ser eu mesmo e onde ninguém ia cortar a minha espontaneidade. Gostei dessa ideia e achei mesmo que a naturalidade seria o melhor caminho. Não me poderia desviar daquilo em que acredito e daquilo que sou.

Na casa, você era o conciliador. Também é assim na sua vida?

Ser apaziguador é normal em mim e na minha família. Cresci num ambiente assim, com muito carinho, muito jeitinho. Tenho um casamento que dura há 36 anos! Mas quando aceitei o programa disse logo que não tirava a roupa nem dizia palavrões e que quando falasse em Deus e nos meus valores gostaria que isso fosse respeitado. Os textos eram muito bons, mas havia uma margem grande para o improviso.

Durante décadas, foi uma figura popular. Nos últimos anos desapareceu…

Sabe o que fiz nos últimos seis anos? A maior pesquisa etnográfica e musical deste país. Gravei dois discos. O “Canto da Terra” e o “Raiç/Raiz”. Estudei a música tradicional, o mirandês. Fui passar Entrudos a Macedo de Cavaleiros e a Miranda do Douro. Fui à procura dos nossos traços genéticos, da nossa história. Mergulhei centenas de horas em arquivos municipais. Quanto mais estudava, mais perplexo ficava: como era possível que Portugal não conhecesse nem valorizasse aquele património maravilhoso? É natural que estes trabalhos não tenham tanta projecção, mas foi uma coisa consciente. Tenho uma história bonita, mais de 18 milhões de discos vendidos, não acredito que haja algum artista português com um palmarés tão grande. Cantei no mundo inteiro. Quis fazer isto por amor.

Cansou-se de vender discos?

Sinto que tenho uma missão para com Portugal. Saí de Vale da Porca, em Trás-os-Montes, com 12 anos. Passei por Lisboa, apanhei um navio para o Brasil e só voltei muito tempo depois. Senti, nos últimos anos, que a minha missão era não deixar morrer o património do meu povo. No Interior é que estão os traços genuínos de Portugal. E a música é rica. Há música para ceifar o trigo, para ir buscar a água… às seis da tarde tocam as ave-marias. Houve uma altura da minha vida em que senti um vazio, crescia em mim um desejo de mudar. Precisava de oxigénio, vim para cá.

Mas é mais requisitado no Brasil?

Tenho uma história muito sólida no Brasil. Grandes nomes da música de lá cantaram canções minhas, sou reconhecido, acarinhado. Cá sempre foi diferentes. Senti-me segregado. Aqui há guetos, separações, preconceitos. Há uns tempos, o Rui Veloso ligou-me era meia-noite. Tinha estado a ouvir o “Canto da Terra” e disse que não podia acreditar, e que aquele era o seu disco, cantou para mim ao telefone. Achei tão humilde, chorei tanto… O disco tem tudo: adufes, gaitas de foles, os bombos de Miranda… uma loucura. Fiquei estes anos todos a fazer isto. Para mim, já não é importante fazer discos de ouro.

Está consciente de que nunca vai vender tanto?

Claro que não estou a vender nem um décimo do que vendia. Mas é música que precisa de ser cantada.

Já não quer ser mais uma estrela?

Deixou de ser a prioridade. E o “Último a Sair” foi um passo em frente nessa mudança. Desfiz, finalmente, aquele boneco do homem vestido de branco. O artista tem de ter capacidade de superação. Quando se tem 40 anos de carreira, começamos a repetir-nos, não evoluímos. Isso é o pior que pode acontecer. Com o programa, quis superar-me. Eu sempre fui um vencedor! A minha maior dificuldade, como disse, sempre foi Portugal.

Porquê?

Não me cabe julgar. Em 2004 fiz um disco chamado “De Jorge Amado a Pessoa”, que foi um sucesso estrondoso no Brasil. Convidei artistas incríveis para participar, como o Carlinhos Brown, a Simone, Martinho da Vila. Aqui também convidei e, tirando o Vitorino…, quase toda a gente me ignorou.

Quem é que recusou?

Olha, isso eu não quero falar, mas te digo que houve pessoas que à noite disseram que sim, que gravavam comigo, e que voltaram para casa e me ligaram no dia a seguir a dizer que a editora aconselhou a não o fazerem, para não ficarem rotulados comigo. Isso deixou-me triste, porque era um trabalho muito digno, muito bom, e era uma oportunidade para a música portuguesa no Brasil. Andamos sempre a queixar-nos de que ninguém nos valoriza lá fora e depois… adiante.

Também tem um restaurante no Brasil. Como é que se meteu nisso?

É o Marquês de Marialva. Fazemos tudo à moda portuguesa. O leitão, os doces, o cordeiro (porque lá eles têm a mania de que nós somos comemos bacalhau). Levei para lá o melhor azeite de Trás-os-Montes, dei-lhe uma marca e, no ano passado, foi o terceiro azeite mais vendido, no Natal, no Rio de Janeiro. Também estou a exportar doces conventuais, vinho e bacalhau. Sinto que estou a ajudar o Interior, uma região deprimida e que nos últimos anos tem perdido população. O último censo mostra valores assustadores e isso mexe muito comigo. Tenho muito orgulho em Portugal. Quando fui para o Brasil, ser português não era uma coisa bem vista. Eles achavam que tudo era brega e triste. Quis mostrar que Portugal é um país alegre, daí ter misturado a música portuguesa com os ritmos alegres brasileiros.

Porque é que abriu o restaurante?

Vou-te contar. Em Vale da Porca só se comia o que a terra dava, era tudo igual, e só o azeite tinha o poder de mudar o sabor à comida. Era lindo… o meu pai contava histórias. Tive uma infância feliz. Aquilo que as pessoas vêem como pobreza, eu achei muita riqueza. E então o meu pai punha pedaços de pão no lume regados com azeite. Isso ficou-me na cabeça para o resto da vida. E a ausência desses sabores levou-me a querer mostrá-los e levá-los para o Brasil. Sempre fiz na vida o que amo, sempre com amor, e acho que é essa a razão de ter dado tudo certo. Tem a ver com a minha educação. Fui criado num ambiente de amor. E sou fruto de um amor muito puro.

Um amor puro?

É uma história linda. O meu pai era um simples barbeiro e o pai da minha mãe era um burguês, dono de metade das terras da região. O meu pai ia a casa dele fazer-lhe a barba. Até que um dia viu uma menina de olhos azuis, que era a minha mãe. Apaixonaram-se e o meu avô opôs-se. Não podia acontecer, porque o meu pai era um simples barbeiro! Eles fugiram e foram morar para um pequeno monte, uma casa minúscula, dada pelo meu avô paterno. Éramos dez irmãos e vivíamos mal. Mas o amor deles venceu e isto acompanhou-me sempre. Vivemos tanta coisa… havia uma tia, casada com um irmão da minha mãe, que nos levava, debaixo do avental, pedaços de carne para não passarmos fome.

Depois de emigrarem para o Brasil, vendeu sapatos e doces. Como é que chega aos discos?

Foi do nada para o tudo, obra do destino. Juntei dinheiro e gravei um disco numa gravadora minúscula. O single era o “Arrebita”. Gravei, mas ninguém tocava aquilo, ninguém me pegava. Passaram sete meses, eu estava no Rio e não conseguia nada. Resolvi voltar para São Paulo, de onde tinha vindo. Desiludido. No dia antes de ir, li uma entrevista de um cara chamado Chacrinha, que era o maior sucesso da Globo naquela altura. Revelou grandes artistas e tinha um programa em horário nobre. Ele dizia, nessa entrevista, que andava à procura de artistas diferentes, que não queria o óbvio. E eu tive a intuição, a certeza, de que era ele quem me iria lançar.

Achava-se assim tão diferente e bom?

Nossa! Eu era um português de cabelo comprido que se vestia como uma árvore de Natal! [risos] Arranjei maneira de entrar pela Globo adentro e achei o Chacrinha, sem T-shirt, a beber água de coco e a fazer a programação. Ele olhou para mim e chamou-me de paneleiro (risos).

Então e depois, o que aconteceu?

Disse que era um cantor português e pus o single a tocar. Ele ouviu até ao fim sem dizer palavra. Depois pediu para pôr a tocar de novo. A meio disse: “Tu tens cá as tuas raparigas que dançam isto contigo, não tens?” E eu disse logo que sim, lógico que tinha. Mentira. Não tinha nada. Ele disse: “Domingo você está no programa.”

E como é que fez para encontrar as raparigas?

Como estava no Rio, procurei e achei uma associação de Arouca. Deixei lá o CD para ensaiarem. Antes de domingo, quis ir todo bonito e bronzeado para o programa e fui para a praia, mas apanhei um escaldão enorme, parecia uma lagosta [risos]. Não dormia a pensar: “Meus Deus, vou estar na Globo.”

Como é que correu o grande dia?

O programa era das oito às dez da noite. Lá apareci eu, vermelhão, mas com a melhor roupa que tinha. A seguir, a emissão ia para o Maracanãzinho, para o festival internacional da canção, onde estavam grandes nomes como o Demis Roussos. As horas foram passando. Faltavam dez minutos para as dez e eu desiludido… todo o mundo actuou menos eu. Quando faltavam quatro minutos, o Chacrinha me chamou. E eu dancei que nem um cabrito. Quis mostrar tudo. Entretanto, a produção recebe um telefonema. Havia um problema no Maracanãzinho e o Chacrinha tinha de continuar a emissão. Como era eu que estava em palco, mandou-se seguir. Aí já com o Brasil inteiro a assistir, audiência máxima. Isto é obra do destino. No dia a seguir já não podia andar na rua e em 15 dias vendi 150 mil discos. Toda a gente queria aquilo. Ninguém sabia bem o que eu era. Se era pagode, rumba, funk…

Tem nove irmãos. O que é feito deles?

Dois já faleceram. Todos estão bem, no Brasil, na área da restauração. Menos o João Gabriel. Casou com uma brasileira, não deu certo, já nem no namoro dava certo… Depois conheceu uma portuguesinha, vieram para cá e estão a viver em Trás-os-Montes. Farta-se de dizer que aquilo é um paraíso.

Vem de uma família onde ninguém era artista. De onde lhe vem a música?

Costumo dizer que ninguém decide, de uma hora para outra, que quer virar cantor. Já se nasce com o kit completo. A minha irmã mais velha desafina que é um horror [risos]. Timbre, dom, é uma coisa que vem com você, não tem como comprar. O meu irmão mais velho reparou que eu cantava bem. Aí, todos os meus irmãos começaram a juntar dinheiro para eu ir estudar para uma academia musical de um português do Porto. Tinha 200 alunos, mas eu fui-me destacando, porque era cá uma figurinha [risos]. Nunca fui de cantar com as mãos nos bolsos. O meu negócio era alegria, ritmo. Passados quatro anos, influenciado pelo sucesso do Roberto Carlos, quis partir, quis actuar, ter uma carreira. Daí ter gravado aquele disquinho.

Costuma compor com a sua mulher. É trabalho de equipa?

Sim. A Marcinha foi de grande importância em tudo na minha vida. Ela era uma menina da classe média-alta, o pai era presidente de um banco. Tínhamos 21 anos quando nos conhecemos, poucos dias antes da formatura dela. Formou-se em Direito. Comecei a ir todo o dia para casa dela. Foi ela que me ensino a comportar-me à mesa, a pegar nos talheres…

Ensinou-lhe isso?

Sim. E ensinou-me muito mais. Ela cantava no coro da faculdade. Eu sabia tocar violão, mas só dois ou três acordes. Ela também tocava, mas muito. Mostrou-me canções que tinha escrito. Maravilhosas! Mas ela não dava valor, porque era insegura, e ainda hoje é. Acho que foi por isso que deu certo, eu sou o contrário: só sabendo dois ou três acordes no violão já achava que sabia tudo e ela, que tocava tanto, achava que não tocava nada.

Como é que se conheceram?

Numa rádio, andava ela a angariar apoios para o baile da formatura. Arranjei bilhetes e fui lá, com um amigo. Naquela época eu só tinha duas roupas. Quem me visse duas vezes achava que até me apresentava bem [risos]. Ficámos fisgados um no outro. Dançámos toda a noite na formatura.

E o pai dela?

Ui. Que complicação. O pai proibiu, porque eu era português e era pobre. Um dia fui falar com ele e disse que ainda havia de ser famoso. E ele disse que artista não dava para a filha dele, porque se virasse famoso ia ter muitas mulheres. E se não virasse seria pobre. Mas depois do Chacrinha fiquei famoso e ele começou a aceitar aos poucos e a cuidar dos meus negócios. Mas houve episódios incríveis. Uma vez, no início, fui a um cocktail, estava todo o mundo vestido com fato e gravata, e eu entrei com uma camisa com padrão tigre e calças de ganga manchadas com lixívia. A Márcia viu–me e entrar e disse: “Roberto… para o quarto, já!” [risos] O pai dela dizia que eu era um vagabundo e que quem usava cabelo comprido só podia ser gay.

Como se constrói uma relação de 36 anos?

Como tudo na vida: sabendo exactamente quem você é. As pessoas não devem pedir a Deus, devem merecer de Deus. A vida constrói-se fluindo normal. Uma vez tive um sonho: eu perguntava ao universo qual era o meu caminho e aí vi um lugar imenso, plano, e derramei um copo de água, que fluiu para um lugar. Esse sonho passou a ser a bússola da minha vida. Entendi que o plano maior tem um projecto para cada um de nós. Conheço muitas pessoas com dinheiro, mas que são infelizes. No começo, tinha muita vaidade, ainda tenho, mas tive de mudar. E descobri isso graças aos meus carros.

Descobriu como?

Olha… eu adorava carro caro. Uma vez saí de casa para comprar um carro e trouxe três, porque podia. A Márcia passava-se e dizia: “Outro, Roberto?” Mas durante anos, todos os carros que eu tinha, batia com eles. Um Mustang… ficou todo desfeitinho e eu não apanhei nem um arranhão. Um Mercedes que tive, um autocarro veio contra mim do nada. Chorava tanto, não entendia. Havia períodos em que achava que já estava curado do vício dos carros, mas tinha recaídas e voltava a comprar e tudo dava errado com eles. Até que um dia percebi. Fiz uma oração, pedi que nada mais interferisse no meu caminho, entendi que já não queria mais coisas materiais. Então ouvi uma voz que me disse que eu já não era o mesmo, que tinha aprendido. Eu dava demasiada importância para a matéria e quando a matéria me vinha parar às mãos rebentava. Era vaidoso.

E hoje, que carro tem?

Ah… hoje está tudo bem. Tenho Jaguar, mas já passou. O problema não é ter um carro bom, é o significado que o carro tem na nossa vida.

Ouviu mais vezes essas vozes?

Sim, em muitos momentos da minha vida. E tenho muitas intuições. Com o programa também foi assim. Pensei em recusar, mas depois algo me disse que devia aceitar, porque fazia parte do meu processo de crescimento e transformação.

A dada altura quis mudar de nome. Também teve a ver com essa necessidade de transformação?

Isso foi tudo um enorme mal-entendido. A minha agência lançou isso de mudar o meu nome enquanto eu não estava em Portugal e quando voltei acabei logo com essa história. Como é que você apaga um nome que demorou anos a fazer? E isso é lesar as pessoas que te querem bem! Mudei outras coisas, claro, porque a minha música, hoje, é diferente. E o preconceito continua. Deixei de me vestir de branco, mudei o cabelo, faço música diferente. Mas seria incapaz de mudar o meu nome.

Conhece bem o Brasil e a Europa. O Brasil está a ter um crescimento enorme e a Europa vive uma época algo conturbada. O que é que está a acontecer?

A velha Europa envelheceu mesmo e às vezes é mais fácil mudar uma praia inteira do que uma areia, quando não se quer mudar. Mudou-se a moeda, as regras, mas as pessoas não querem mudar.

E é preciso mudar em quê?

Mudar por dentro. Só mudámos a estética. Fizemos lindas auto-estradas nos últimos anos, o dinheiro foi mal investido. Devíamos ter investido em tecnologia, em formação. Há demasiados anos que vivemos só de turismo. Tínhamos um calçado e têxteis geniais. Porque não se investiu nisso? Não mudámos mentalmente. No Brasil houve o inverso. O Lula era o final da linha e afinal tornou–se um novo começo. Estabeleceram-se parcerias com países de todo o mundo. O Brasil tornou-se um quintal onde toda a gente começou a plantar coisas. Eu sou amigo do Lula e sei que ele se cansou de tentar falar com Portugal, insistiu de mais, nos últimos anos, em tentar estreitar ligações connosco. Com quem é que Portugal tem parcerias? Nem com o mundo lusófono tem, verdadeiramente! Aliás, sempre defendi a existência de um ministério dos Assuntos Lusófonos. Já viu o que Portugal ganhava se levasse para uma reunião em Bruxelas o apoio de todo o mundo lusófono? Além disso, Portugal nunca se soube vender. Demorou muito a perceber a importância de se vender no estrangeiro. E de se vender cá dentro, também. Há tempos convidaram-me para fazer uma publicidade para dizer às pessoas que comprassem produtos nacionais. Mas tive dúvidas: de que serve esse apelo se depois as pessoas chegam ao supermercado e os produtos portugueses custam mais dinheiro? Isto quando os há nas prateleiras… O consumidor ia perguntar-me: “Ó Roberto, você está brincando, né?” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/141255-roberto-leal-a-minha-maior-dificuldade-foi-sempre-portugal-ha-guetos-e-preconceitos, a 04 de Agosto de 2011, em Jornal I

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