Entrevista a Justin Timberlake no Âmbito de «Amigos Coloridos»

Amigos Coloridos.... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo que apesar de ter saído ontem, é hoje a estreia de Amigos Coloridos, e como tal, passo a transcrever uma peça sobre o cantos que passou para actor, que saiu num diário da nossa praça.

« Justin Timberlake. O ecrã matou a estrela da rádio

Estreia amanhã “Amigos Coloridos”, mais um filme com o cantor que por estes dias é mais actor que outra coisa. O próprio explica-se

Quando Justin Timberlake fez a audição para o papel de Sean Parker em “A Rede Social”, o realizador David Fincher tinha uma ideia muito do que queria, já presente no argumento de Aaron Sorkin. Sean, o antigo executivo da Napster que introduz Mark Zuckerberg nos meandros de Silicon Valley, é um sedutor hábil: “No argumento é descrito como um tipo que atravessa uma sala como se fosse uma espécie de Frank Sinatra”, recorda Fincher. Mais conhecido pelo seu passado numa boy band e pelo seu presente como estrela pop em nome próprio, Timberlake decidiu deixar a música para trás e concentrar-se na carreira de actor. Para fugir à velha imagem, tem dado preferência a papéis mais negros, como os que teve em “Alpha Dog”, de Nick Cassavetes, e em “Black Snake Moan”, de Craig Brewer, ambos de 2006. Fincher ficou impressionado com Timberlake como apresentador do “Saturday Night Live”. “Quando o via pensava sempre: ”Este tipo é bom””, disse em entrevista telefónica. “Mesmo do que eu precisava para o Sean.” Nas audições para o papel, Fincher convenceu-se de que tinha encontrado o próximo Sinatra. “O problema era ele ser famoso de mais”, recorda.

À frente de um café, em Manhattan, Timberlake, de 30 anos, recorda o momento em que recebeu a notícia. “Quando o David me telefonou”, brinca, “acho que me mijei.” Depois do medo inicial, acabou por se impor como um actor credível entre os realizadores americanos. Teve boas críticas em “A Rede Social” e quando o “The New York Post” fez saber que andava a recolher apoios para uma nomeação para Melhor Actor Secundário nos Óscares ninguém ficou espantado.

Se ainda há pouco tempo Timberlake tinha uma imagem tão desgastada como Britney Spears, neste momento, depois de uma das reviravoltas mais notáveis de sempre na história do show business, Timberlake está à cabeça de um pequeno império de media e de moda. Do lado do cinema, teve nas comédias “Professora Baldas” e “Amigos Coloridos” (que estreia amanhã) dois dos seus melhores papéis até hoje. No Outono vai surgir em “In Time”, um thriller de ficção científica de Andrew Niccol, argumentista e realizador de “Gattaca” e argumentista de “The Truman Show”. A questão deixou de ser se vai conseguir para ser que tipo de actor quer ser.

respostas “Não quero ter de tomar essa decisão”, diz Timberlake já no restaurante, de camisa preta e jeans. “Não penso em termos de géneros”, diz, evasivo. “Ao princípio havia uma espécie de estratégia na minha escolha dos papéis. Recusei muitos orientados para um target que eu já tinha. Tive de ser paciente e nunca esquecer que o meu objectivo era evitar deixar-me aprisionar.”

Depois do mega-sucesso de “No Strings Attached”, com os ”N Sync, Timberlake correu o risco de acabar a carreira como cantor antes dos 25. “Nunca quis que toda a minha vida ficasse presa a esse momento”, e acrescenta que não sabe quando vai querer fazer outro álbum. “Não desisti da música”, garante. “Mas também quero fazer outras coisas.”

Timberlake diz que as suas ambições nasceram em Shelby Forest, um subúrbio de Memphis onde cresceu a venerar Dean Martin, Gene Kelly e, acertou, Sinatra. Lembra-se de ouvir canções na rádio em miúdo, de “agarrar numa guitarra e descobrir como se tocava”. Mas também se divertia a fazer imitações para divertir os pais e os amigos deles. Aos 10 anos, Timberlake foi seleccionado para o “The All-New Mickey Mouse Club”, um programa de variedades que era uma espécie de Actors Studio para adolescentes: “Tínhamos aulas de representação, de dicção, de dança e de improvisação.” Entre os colegas encontrou Spears, Christina Aguilera, Keri Russell e Ryan Gosling.

Quando o programa acabou, em 1994, “fiquei mesmo em baixo”, diz. “Sentia-me infeliz, outra vez nesta pequena cidade, como se uma porta se tivesse fechado.” Quando já tinha convencido a mãe a levá-lo a Los Angeles para a temporada de audições para os episódios-piloto das séries recebeu um telefonema de um cantor chamado Chris Kirkpatrick, a convidá-lo para entrar num grupo em Orlando, na Florida. “Oito meses depois tínhamos um contrato para um disco e depois começámos uma digressão pela Europa, e os discos a venderem-se.” É assim que conta a história da ascensão dos ”N Sync. “Mas a verdade é que não sabia como lidar com tudo aquilo”, diz.

Depois dos ”N Sync, Timberlake sentiu-se ansioso por mudar de rumo: “Queria fazer uma coisa a sério.” Nos primeiros trabalhos a solo colaborou com Timbaland, o lendário produtor de hip-hop, que lhe deu outra credibilidade musical.

Na frente cinematográfica, a primeira oportunidade de Timberlake como actor surgiu em 2006. Andy Samberg, que queria Timberlake num teledisco, escolheu-o para uma brincadeira com uma canção com órgãos sexuais embrulhados como prendas. A chegar perto dos 30 milhões de views no YouTube, demonstrou sem margem para dúvidas que Timberlake era capaz de se olhar com sentido de humor, mas também de fazer Samberg ganhar uma pipa de massa. “Muita gente que não olharia duas vezes para um miúdo de uma boy band viu este vídeo”, diz Brewer, que contratou Timberlake para um papel em “Black Snake Moan.”

“É excelente contracenar com ele”, diz Christina Ricci, que trabalhou com ele nesse filme. “Havia partes pesadas e intensas, mas ele sabia sempre quando chegava a altura de aliviar a tensão e começar a rir.” O à-vontade é um dos grandes trunfos de Timberlake como actor. Fincher lembra uma cena de “A Rede Social” num restaurante japonês: “Não há diálogo, mas percebemos tudo nos olhos, nas mãos.”

Em “Amigos Coloridos”, uma comédia romântica acerca de dois amigos que decidem experimentar o sexo na relação, Timberlake tem o seu maior papel até ao momento. Will Gluck, que realizou o filme, diz que Timberlake participou em todo o trabalho e até “ajudou a reescrever o argumento para se ajustar melhor à personagem”. Gluck queria um jogo rápido de réplicas à maneira dos velos duelos entre Tracy e Hepburn, e Mila Kunis, que contracena com Timberlake, assegura que não foi fácil manter o ritmo. “Ele é de uma rapidez incrível”, conta-nos por telefone. “Partia-me realmente a rir com ele.”

Planos De momento a prioridade de Timberlake é o cinema. De qualquer maneira é dono, sozinho ou em sociedade, de vários restaurantes, de uma marca de vestuário, a William Rast, de uma editora discográfica e até de um campo de golfe. Acerca da sua participação na Specific Media, a empresa que acaba de comprar a MySpace, diz que entrou no negócio com o seu próprio dinheiro e explica que funciona como uma espécie de agente de ligação e brainstormer. “Não sou um investidor”, diz. “Mas adoro ideias, oportunidades de criar.”

Depois do café seguimos a pé para High Line park. À porta do restaurante um fotógrafo escondia-se atrás da porta aberta de um carro e outro disparava do outro lado da rua. Em High Line as pessoas abriam muito os olhos e sussurravam, excitadas, à passagem de Timberlake, sem guarda-costas. A sua única protecção eram os óculos de sol e o boné. Perguntei-lhe se ficava nervoso por se mostrar em público. “Não me meto em centros comerciais”, garante, “mas passei tanto tempo isolado em miúdo que de certa maneira o que mais quero é sair e conhecer a vida real.”

Um pouco adiante três jovens de 20 e poucos anos fingem tirar fotografias umas às outras mas quando Timberlake passa as máquinas delas acompanham-no. “São agentes duplos”, diz o actor entre risadas. “Uns 50 metros atrás já tínhamos passado por elas.” “Vocês são umas falsas”, grita-lhes. Elas riem-se e aproveitam imediatamente para lhe pedir para tirar uma foto com ele. “Acho-as giras”, diz ele, sem parar.

Desde que saímos do restaurante que parece um pouco mais tenso e depois do último episódio começou a andar mais depressa. Um pouco mais adiante há mais pessoas e eu pergunto-lhe se não quer descer para a rua e apanhar um táxi. Diz-me que vai voltar para o seu apartamento no SoHo. “Yeeeah”, responde-me com um aceno. “Se calhar é melhor…” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/144830-justin-timberlake-o-ecra-matou-estrela-da-radio, a 24 de Agosto de 2011, em Jornal I

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