Conheça Uma Entrevista a Vanessa da Mata…

Vanessa da Mata... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo interessante, pois trata-se de uma entrevista a Vanessa da Mata…

« Vanessa da Mata. “Tenho uma velha e uma criança dentro de mim”

Foi ela que pôs toda a gente a gritar “Ai, ai, ai” e a desejar “Boa Sorte”. Hoje à noite actua em Cascais para dar a conhecer “Bicicletas, Bolos e outras Alegrias”

 Ao longe vê-se o cabelo volumoso, a expressão simpática mas não demasiado sorridente. A figura alta está afundada no sofá, de perna cruzada e cabeça encostada à mão. Nem beijinho, nem aperto de mão mas logo um “tudo bem?” cantado. Respira fundo e distrai o olhar antes de falar. De repente assusta, lança uma gargalhada forte. Vanessa da Mata nasceu no Mato Grosso e com 15 anos foi estudar medicina. Ou pelo menos era o que a família achava: entregou-se à música. Aos 21 anos escrevia a letra que ganharia vida na voz de Maria Bethânia. Seguiram-se três álbuns e grandes sucessos de ficar no ouvido como “Não me Deixe Só”, “Ai, Ai, Ai” e “Boa Sorte/Good Luck” em dueto com Ben Harper. Chega ao quarto trabalho com título e sonoridade infantis mas letras de gente grande.

Afinal o que é “Bicicletas, bolos e outras alegrias”? Em que é que é diferente dos álbuns anteriores?

Do começo ao fim autoral é autoral. É um CD bem moderno e tem um trabalho um pouco mais sofisticado. Tem uma mistura entre afrobeat e ritmos brasileiros que é uma coisa que sempre quis fazer. É feito ao vivo, praticamente. Entrámos no estúdio, ensaiámos os arranjos todos e depois fomos gravar juntos que é uma coisa que se fazia muito na década de 70. Tem um retro mas ele está ao mesmo tempo muito moderno, é um encontro de gerações talvez.

Apesar de o título remeter para a infância, por vezes os assuntos tratados são mais adultos.

Muitos assuntos estão ligados à infância mas procedem de uma maneira adulta. Há uma critica do consumismo, na “Bolsa de Grife”, como se a bolsa fosse dar auto-estima, uma base de ego, de formação. Eu me sinto parte disso, por isso que me incomoda. Existem várias ditaduras. De ser vencedor, de ter um bom carro, de toda essa aparência. Mas me incomoda muito o facto de ter tantas meninas que saem em revistas de moda, de fofoca, e que estão visivelmente doentes ou anoréxicas e são mantidas como se fossem vencedoras e estão cada vez mais a caminho do matadouro.

Sente-se ou já se sentiu pressionada por essas ideias?

Fui modelo uma época e sofri muito porque gostava de comer e tinha que passar fome e a sensação que eu tinha era que as pessoas queriam manter o corpo de adolescente, quase criança. E tinha uma conotação quase que pedófila. É um incentivo à juventude extremada, uma sensualidade feia. Não pode ter bunda, não pode ter quadril, não pode ter peitos. Não pode ter cara de mulher tem que ter cara de menina. Então para mim aquilo era sempre muito esquisito.

Com seis anos compôs uma canção sobre uma conversa que tinha ouvido entre adultos, que falava de amores e traições. Era uma criança irrequieta?

Eu fui completamente irrequieta. Eu era uma criança que a minha avó mesmo dizia que nunca tinha visto entre meninos e meninas uma criatura tão atentada – não sei se vocês usam essa palavra aqui. Eu tinha défice de atenção e hiperactividade junto.

Hoje é muito calma, na maneira de estar e falar.

Mas olha o meu pé está sempre batendo [lança o olhar para a perna cruzada].

A menina que nasceu no Mato Grosso é muito diferente da mulher que vemos hoje nos palcos?

Totalmente diferente mas, ao mesmo tempo, existe a mesma essência. Tenho uma velha e uma criança dentro de mim. Às vezes se digladiam, às vezes se amam. E eu não posso matar as duas.

Esteve perto de seguir uma carreira de medicina. Se não fosse cantora o que seria?

Não tenho a menor ideia. Se fosse outra qualquer profissão acho que seria muito infeliz.

Nove anos depois do 1º álbum continua a viver situações engraçadas em palco?

Há pessoas que sobem no palco e cada uma quer dar um recado, outras vezes querem abraçar, cantar junto. É um pouco intimidador. Me lembro do meu primeiro show em Portugal, tive muito mais público aqui que no Brasil. Isso prá mim foi chocante no bom sentido.

O dueto com Ben Harper “Boa Sorte/ Good Luck” foi um grande sucesso em Portugal e mundo fora. Nunca se cansou de ouvir a música?

Houve uma altura que falei por amor de deus! [risos] Mas as canções não dependem da gente. A gente faz e depois elas ganham vida própria, se instalam na vida de cada um.

Como assim?

Um dia estava comendo no Chiado e veio uma mulher portuguesa, chorando muito com o telefone na mão, que disse: “Fala com o meu marido. Ele terminou com a sua letra”. E era como se eu tivesse ajudado a ele terminar. No Brasil também aconteceu com um casamento de 25 anos que o cara mandou a letra para a mulher… e olha, não tenho o que dizer. Isso acontece, transforma a vida das pessoas. Por exemplo, “Ainda Bem”, que era de um disco anterior, fazia com que as pessoas se juntassem. Diziam “ah, essa é a nossa música, essa música me pediu em casamento”. Essas músicas vão se tornando vozes de outras pessoas, vão sendo a trilha sonora das suas vidas. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/145041-vanessa-da-mata-tenho-uma-velha-e-uma-crianca-dentro-mim, a 25 de Agosto de 2011, em Jornal I

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