Entrevista a Sérgio Godinho…

Sérgio Godinho... Fonte:www. wook.pt

« Sérgio Godinho “Na rádio parece que só tenho duas canções. Caramba, fiz tantas!”

40 anos após a estreia em álbum. Dos “Sobreviventes”, de 71, para 2011, ao ritmo do novo “Mútuo Consentimento”, a editar dia 12, e dos temas que sobreviveram às épocas

Seria da mãe que se esmerava nas quadras que oferecia aos amigos. Ou da avó que declamava poesia na rádio. Ou do tio que punha a família a dançar bebop. Não é certo de onde veio o combustível para os versos, mas tantos anos depois eles ainda queimam nos ouvidos.

Há 40 anos , ao lançar “Sobreviventes”, não passaria um dia inteiro de volta de entrevistas. O que é que mudou mais ao longo deste tempo?

Para já, há 40 não estava cá, porque nos meus dois primeiros discos não podia sequer estar neste país. O “Sobreviventes” e o “Pré-Histórias” foram gravados em Paris, embora no segundo disco já não vivesse em Paris, estava em Amesterdão, depois Canadá, Brasil, etc. Mas as coisas mudam sempre. Assim em que sentido?

Começando pela máquina de propaganda de um álbum, e não só.

Ui, mudou muita coisa. Para lá da máquina de promoção, que é uma coisa necessária, procuro apenas ser selectivo no sentido de não ter que abranger publicações ou programas que não me interessam, mas isso também tem a ver com o bom senso da editora. Agora, ao nível das condições musicais e de trabalho muita coisa mudou, para melhor e para pior. Mas o melhor é podermos praticar a nossa música. Quando voltei para Portugal houve aquele período do PREC em que as condições eram precárias e muitas vezes não correspondiam ao que se fazia em disco. Foi um período tão excepcional que se calhar isso também foi necessário, mas também rapidamente todos sentimos que era preciso solidificar os projectos, fazer espectáculos ao vivo.

Faziam-se poucos?

Fiz uma tournée em 78, a que chamei “Sete anos de Canções”, imagine agora que estamos nos 40, e que foi pioneira, porque não havia esse hábito de apresentar os espectáculos noutras cidades com princípio, meio e fim. Nos princípios dos anos 80, os grupos rock deram um grande impulso a isso, puseram a música na estrada, que sempre gostei.

Continua a gostar?

Sou um bocado saltimbanco. E sempre achei que nos palcos está a última e mais nobre função da música, no caso das canções. As canções têm várias vidas. Primeiro uma criativa, solitária, depois com os músicos; e depois têm a transformação que vai acontecendo quando continuam a pulsar e a viver e a ir para os palcos, com o sentido de risco que há em cada espectáculo. Gosto muito das artes performativas e ao longo dos anos fiz vários trabalhos como actor. Há esse lado do inevitável. Uma vez que começamos aquilo tem que ir até ao fim, a não ser que aconteça uma catástrofe. Até há aquela velha coisa, salvo seja que já bati aqui na madeira [bate mesmo], do actor que gostaria de morrer no palco, o velho cliché.

Não tem esse gosto particular.

Não, não tenho esse gosto. Gosto de viver no palco. É aí que a canção ganha essa imprevisibilidade dentro do que está trabalhado, mais as suas próprias interpretações. Uma canção pode ter, e as minhas tiveram muitas vezes, mesmo por mim, várias vidas. Tive canções que cantei já de maneiras muito diferentes. O âmago continua o mesmo mas mudamos o feeling. Noutras não é preciso. Há canções que canto… por exemplo, o “Espalhem a Notícia”. Continuo a cantar muitas vezes e o arranjo não levou grandes alterações, talvez uma cor um pouco diferente.

Como é que se garante a longevidade de canções como essa?

Bem, mas eu não as canto todas. Podiam ser quarenta anos, como 30 ou vinte. Acho que certas canções sobrevivem e outras não, vão-se embora de morte natural. Como se garante? Não há garantia. Posso cansar-me, ou sentir que até era uma boa canção mas deixou de fazer sentido. Não é uma questão de renegar, é uma questão de as deixar numa prateleira qualquer para ganhar o seu pó natural.

Há canções que já não canta por esse motivo?

Há. Nomeadamente do “À Queima Roupa “, um disco com um conteúdo político mais expresso, ou para-político, social-político. É curioso porque continuo a cantar, e ainda recentemente gravei no disco “Nove e Meia no Maria Matos” [2008], a canção “Liberdade”, que acho que continua a fazer sentido. Não ficou datada e no entanto há canções como “Os Pontos nos Is”, que falava da reforma agrária, que de facto teve a sua função na altura mas as circunstâncias mudaram e temos que falar de outras coisas.

Sente-se ainda um cantor de intervenção?

Nunca fui um cantor de intervenção nem deixei de ser. Não gosto muito dessa palavra, nem eu nem o Zé Mário Branco. Acho que não define nada. Tenho canções que têm esse conteúdo, mais político ou de uma certa crítica social, mas é extremamente redutor que aqueles ou outros sejam os cantores de intervenção. Mesmo em relação à obra do Zeca, que tem tantas cores, onde o popular irrompe de uma maneira luminosa. De facto, as minhas canções que foram ficando, se pensarmos desde “A Noite Passada” ao “Brilhozinho nos Olhos” ou “Lisboa que Amanhece”, falam da vida, também dos amores. Da vida de uma maneira que às vezes até são interrogações filosóficas, sem que seja pretensioso.

A filosofia está em todo o lado.

É, a gente é que não repara. Mas tenho muitas interrogações nas canções. “O Primeiro Dia” é um percurso de uma ruptura, das dúvidas da reconciliação com o melhor de si. Isso é que me interessa. Não consigo sequer definir o que é que eu sou. Intervimos em tudo. Há uma coisa que me dá grande satisfação e que respeito muito, nunca faria troça disso. As pessoas vêm-me falar muitas vezes na rua de como uma frase de uma canção em dado momento fez alguma coisa às suas vidas. Não as transformou, não foram para um convento, mas fez qualquer coisa. Isso é também intervir.

E neste novo álbum não intervém só sobre o amor.

Sim, por exemplo o “Acesso Bloqueado” é de perfeita crítica a esse presente em que o acesso é bloqueado. Adivinhar o presente é mais complicado. Adivinhar o futuro é muito duro, adivinhar o passado é mais seguro embora às vezes também saia errado. E falo mesmo de coisas práticas, do crédito mal “aparado”… Depois há outras coisas que me apetece desenvolver. O contraponto dessa canção podia ser o “Em Dias Consecutivos”, que fiz com o Sassetti. Há muito tempo que queríamos fazer uma canção. É também um bocadinho o retrato do Portugal de hoje, com o seu lado mais depressivo. Digamos que é o lado meio fantasmagórico. Uns de nós ainda mortos, uns de nós ainda vivos.

Volta a rodear-se de uma série de nomes. Já disse em entrevista que não é pelo desejo vampiresco de se rodear de sangue novo.

É engraçado, devo dizer que mais de 50% dessas colaborações foram suscitadas pelos outros. Desde os Clã, com quem trabalho há mais de dez anos, foi sempre acontecendo. O próprio Nuno Rafael e os que vieram dos Despe e Siga disseram que gostavam de tocar comigo. Nunca vou obsessivamente à procura desse tal sangue novo, entre aspas.

Costuma estar receptivo a estas colaborações?

Sim, isso sim. Neste disco, para lá do nosso núcleo duro, Os Assessores, que são responsáveis por mais de metade dos arranjos, há outras sugestões. Umas minhas, no caso do Sassetti ou da Francisca Cortesão. Fiz uma letra para a música dela. Mas outros foram sugestão do Nuno, também produtor musical. Ele sentiu que certas canções precisavam de outro tratamento. Se calhar porque sentiu nalgumas delas o tal acesso bloqueado. Veio o Noiserv e a Roda de Choro, casar-se com um tom que era já um bocadinho de bolero.

Nota-se muito o toque destas pessoas em cada faixa.

Claro, mesmo no tema que abre, arriscado, porque não é uma canção; é um spoken word, uma série de definições poéticas sobre o que é a música, que não define nada. Define só em termos de imaginário. Aí o Hélder Gonçalves fez a cama sonora para esse poema dito. Achámos que era bom começar o disco com isso, é quase como uma declaração de intenções. Tem seis minutos muito envolventes e nós começámos já os espectáculos de final de rascunho , que fiz na Culturgest e na Casa da Música, com isso.

Abre com seis minutos e por diante tem um “Mutuo Consentimento” que parece um beijo muito breve mas muito intenso.

É, acho que é uma boa definição. Sim, é um encontro, um amor de um momento em que ninguém está a cobrar nada ao outro. Aconteceu. Não fugiste nem eu te fugi. Não te pedi nada nem me pediste nada e resultou algo desse momento. Colamo-la a outra canção, “Eu Vou a Jogo”, que é também um mútuo consentimento. Um homem e uma mulher que se conheceram no passado e que se encontram por acaso e contam coisas sem contar muito. E as suas vidas saíram um bocadinho mais enriquecidas. Ambos voltaram à eterna casa de partida, que esteve à venda tão barato, como se diz no fim. É também a minha atitude em relação a este disco e se calhar à vida: “Eu Vou a Jogo”.

No sentido de apostar.

De apostar e de ousar. Acho que tenho muito essa atitude.

Tem rituais de escrita?

Desgraçadamente não. Tenho que me lamentar porque às vezes, por muito que queira, não consigo ser disciplinado. Evidente que quando há pressão, quando marcamos prazos, e eu próprio instigo isso, tens que te haver com isso, sabes que tens que cumprir até certo dia e que as coisas devem estar bem. E eu quando não estou a compor não sou sistemático mas sou obstinado; quero que as coisas saiam bem, que fiquem até onde sei que posso chegar. Às vezes até nos transcendemos um bocadinho sem dar por ela, mas não é isso. Nesse aspecto quero que saia mesmo bem, quero gostar delas sem ser condescendente. E isso é perigoso, porque há um momento em que achamos que já está bem e voltamos no dia seguinte e dizemos “hum”…

Corrige-se muito?

Ah, sim, claro. A gente vê que ainda não é aquilo e julgava que era. Até porque as alturas do dia… Se estivermos a trabalhar à noite já temos certas coisas em cima. Já comemos, já bebemos, já fumámos. Digamos que esses apports nos transformam também na maneira como deixamos a criatividade trabalhar.

Para melhor ou pior?

Uma pessoa pode ter a tendência de achar que está genial e que é muito bom e depois vai ver no dia seguinte…

Foi obra da noite anterior.

É, estive-me a enganar a mim próprio. É um pouco como os sonhos, onde temos ideias geniais. O Hitchcock falava disso. Uma vez teve uma ideia bestial para um filme e meio a dormir apontou num caderno e no dia seguinte era algo do género: um homem e um mulher encontram-se numa gare de comboio e vão tomar um café. Mais ou menos isto. De facto o que ele tinha pensado era outra coisa.

Recorda-se de tirar ideias de sonhos?

Costumo recordar muitos sonhos, mas não acho muito aproveitável, não. Às vezes há mecanismos meio inconscientes, quando as coisas aparecem num repente e de facto já tiveram trabalho antes, mas já é outra coisa. Estamos a absorver sem ter noção disso. Tenho canções onde reconheço coisas de livros que li, filmes, situações que são extramusicais e também de muita música que ouvi.

Canta uma “Linhagem Feminina”. É verdade que a sua avó paterna tinha um programa de rádio onde declamava poesia?

Era, era. Recordo-me de ouvir, no Porto. Tinha uma voz muito bem timbrada, muito bonita, mas em minha casa sempre se gostou muito de literatura e de poesia, muito presentes, como a música. A minha mãe tocava muito bem piano e o meu pai também gostava de música. A minha avó, sim, ouvia-a, e sendo uma coisa oral agradava-me. Eu até nem gostava tanto dessa avó, gostava mais da outra, mas dessas coisas gostava.

A outra não declamava poesia.

Não, mas contava outras histórias, muito saborosas. Também me ensinou muito. Mas nisso gostava da outra, sim, era muito inteligente.

Também daí o gosto pelas letras?

Não, isso sempre existiu em minha casa. A minha mãe tinha um jeito para fazer versos que era uma coisa… Os amigos por exemplo iam lá a casa jantar e ela fazia uma quadra para cada um, mas assim muito bem feito.

Já escrevia nessa altura?

Gostava muito de ouvir música, de todo o género, da clássica que ela tocava ao piano, como os discos do meu pai, brasileira, americana, jazz. O meu tio, irmão da minha mãe, também tocava bebop, música a abrir, para ensinar a dançar, como dizia o meu pai. Sempre cresci com isso, mais os livros.

Um privilégio para a época.

Era um privilégio, com outra coisa importante: uma certa consciência política, porque sobretudo o meu pai era mesmo contra o regime salazarista. Sempre fui comendo dessa colher de sopa, mas fazia-me sentido também. Ainda parti de Portugal legalmente mas nunca me passou pela cabeça ir para a guerra em África. Inclusivamente a nível das colónias, até antes de eclodir a guerra, o meu pai dizia que as devíamos deixar, como os outros países. Já tinha essa influência, embora não tivesse tido uma actividade política. Saí aos vinte anos e para dizer a verdade nunca fiz parte de nenhum partido. Mas tinha ideias contra o regime, claro.

Acompanha a política?

Sim, acompanho. Temos que acompanhar, além do mais ela entra-nos pela casa dentro e pelo bolso, mesmo que não queiramos. Mas sim, sigo de perto.

Tem estado a proteger a garganta. Já a pensar no concerto de sábado [hoje] no Avante?

Não, ando há três dias a acordar meio apanhado, mas sim vou actuar no auditório 1º de Maio. Já lá cantei muitas vezes e gosto. As pessoas estão muito próximas e querem mesmo estar ali por nossa causa. Só cantaremos duas do disco novo, mas a meio do mês vamos estar no Olga Cadaval e no Theatro Circo e cantaremos mais. Mas também teremos canções mais antigas, até porque há esta efeméride dos 40 anos.

Mesmo sem efeméride há sempre o pedido implícito por canções antigas. Constrange-o, tendo álbum novo para apresentar?

Não é constrangimento. Mas quando há álbum novo têm que levar com ele. Agora, acho que as minhas canções têm muitas vezes isso. Há um tempo de apreensão relativamente longo. É-me dito recorrentemente, até por colegas seus, que a primeira vez que ouvem estranham e só depois é que se entranha. Mas gosto que seja assim. É pior quando entra à primeira e depois uma pessoa já está farta.

Gosta de se ouvir por aí, na rádio, por exemplo?

Na rádio não passo muito. Há rádios que não me passam, vamos lá ver se este disco passa, não s ei, mas não quero falar muito disso. Se estiver no carro, onde só ouço rádio, não desligo, excepto quando passam sempre a mesma canção, que me irrita. Parece que só tenho duas ou três, como “O Primeira Dia” e o “Brilhozinho nos Olhos”. Caramba, fiz tantas canções! Parece que há uma certa preguiça. “Ah, embora pôr aquela.”

A sua voz não mudou muito nestes 40 anos.

Não acho que tenha mudado radicalmente, não. Engrossou um bocadinho com a idade, o que é natural. Ganha graves, mas não perdi muito nos agudos.

Terminando por onde devíamos ter começado, parabéns atrasados.

É verdade, foi ontem [quarta-feira]. O ano passado como foi número redondo foi uma grande festa; este ano foi muito tranquilo, só mesmo família, filhos e netos.

66?

66. Route 66. Já estou a atravessá-la. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/146887-sergio-godinho-na-radio-parece-que-so-tenho-duas-cancoes-caramba-fiz-tantas, a 4 de Setembro de 2011, em Jornal I

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Discos Que Nos Vão Surgir Até Ao Final do Ano…de 2011…

Hoje trago um artigo que considero bastante interessante, pois versa, sobre os próximos discos a serem editados…em Portugal…

« Os discos que rodam até ao final do ano

De Setembro em diante nem tudo é mau. Esteja de olhos e ouvidos bem abertos para conhecer outros sons dos músicos de sempre, a apresentação de bandas revelação e o aniversário de grupos míticos. Este disco não toca mas vai ser música para os seus ouvidos

Em mais um regresso ao trabalho o que se quer são sonoridades fresquinhas para acompanhar o corpo cansado e ainda preguiçoso. Na rádio ou no mp3 vão ouvir-se novas vozes e ainda o retorno de grandes nomes. Há um pouco de tudo: artistas revelação lançam os álbuns de estreia, cantores míticos apresentam novos trabalhos e bandas já há muito retiradas regressam em edições nostálgicas para sacudir o pó do baú das memórias. Nacional, internacional e nacional cantado em inglês. Faça o círculo perfeito (e em harmonia) para descobrir as suas companhias para os meses que se seguem.

Nacional: em bom português e não só
Há números gordos que são difíceis de ignorar. Servem de exemplo os 40 anos de carreira de Sérgio Godinho. O cantor já pediu várias vezes que não se associe o lançamento do novo álbum ao aniversário mas é tarefa complicada. “Mútuo Consentimento”, que vai estar disponível nas lojas a partir de dia 12 de Setembro, tem vindo a ser revelado pelo autor, que já apresentou dois temas na internet. Godinho estava em pausa discográfica desde 2006, data em que lançou “Ligação Directa”, disco pai do tema “Às Vezes o Amor”. Paulo Gonzo também deve lançar um álbum cantado em português. Este será o sucessor de “By Request” do ano passado, disco em que o cantor reinterpretou temas de Ray Charles e James Brown.

“Komba” dos Buraka Som Sistema tem apresentação marcada para o Outono, os Mundo Complexo marcam dez anos de existência com uma colectânea, os Macacos do Chinês trazem o segundo disco e Valete traz o “Homo Libero”, aquele que será o duplo álbum do rapper licenciado em Economia. Quanto aos Doismileoito, quarteto da Maia com especial gosto por rock”n”roll, já lançaram nas redes sociais e na rádio “Quinta-feira” para primeiro single novo álbum, produzido por Nuno Rafael.

A ter em atenção o sangue fresco que vai correr nos próximos tempos. O trio Julie & The Carjackers apresenta-se com “The Imaginary Life of Rosemary and Me” e os Paus – constituídos por gente já experimente dos Linda Martini, dos extintos Vicious Five e dos If Lucy Fell – também lançam o primeiro longa duração, depois do EP “É Uma Água”. O escritor Jacinto Lucas Pires e o artista plástico Tomás Ferreira são Os Quais, com um primeiro álbum, e Rita Braga é a autora “Cherries That Went To The Police”. Os We Trust também extenderão o repertório depois do single “Better Not Stop”.

Na mesma linhagem independente estão novos trabalhos de Old Jerusalem, Rose Blanket, João Só e os Abandonados, oLUDO, Iconoclasts e o disco a solo do homem à frente dos Diabo na Cruz, Jorge Cruz. Prometidas estão também notícias para os que esperam algo vindo de gente como Jorge Palma, Carlos Nobre (melhor, Pacman, a solo) e B Fachada.

O que vem de lá de fora
Regressos em grande, junções explosivas e até realizadores que fazem música. Há razões mais que suficientes para ficar com os ouvidos alerta. Destaque para a estreia dos Superheavy. Como o próprio nome indica este campeonato é outro, o dos pesos pesados. O grupo que junta Mick Jagger dos Rolling Stones, Dave Stewart dos Eurythmics, Joss Stone, Damian Marley e A.R.Rahman, compositor do filme “Quem quer ser bilionário?” vai mostrar do que é capaz. Também particular é o novo trabalho de Bjork, parcialmente gravado no iPad. “Biophillia” deverá ser uma nova experiência musical, com imagens, vídeos e ainda aplicações nos aparelhos da Apple dando ao utilizador a oportunidade de fazer uma versão nova das canções, entre outras prendas inesperadas.

Em registo dito normal – mas não menos entusiasmante – estão o regresso de Tom Waits com “Bad As Me”, dos Coldplay com “Mylo Xyloto” e ainda dos Metallica que se fazem acompanhar por Lou Reed em “Lulu”. Ryan Adams, The Drums, Beirut, Florence and The Machine, dEUS, Feist e Marisa Monte também cortarão o silêncio dos últimos tempos.

Ainda David Lynch dará um ar da sua graça. O realizador que várias vezes compôs temas para os seus filmes, apresentará o álbum “Crazy Clown Time”. “Good Day Today” é o exemplo de uma electrónica ambígua mas menos negra do que os enredos na tela. Esperar para ouvir.

Regresso ao passado
Dois mil e onze é o Ano Internacional das Florestas e da Química. É também o ano de grandes efemérides. Vinte anos depois, “Nevermind”, disco épico dos Nirvana que inclui temas como “Smells Like Teen Spirit” e “Come As You Are”, ressurge com imagens ao vivo e um DVD. “Achtung Baby” dos U2 que comemora a mesma idade, chega agora em formato de filme recordando a gravação do disco em Berlim. Também na onda cinematográfica aparecem os Pearl Jam com um documentário realizado por Cameron Crowe. Os Pink Floyd terão toda a discografia remasterizada para outro saborear das músicas da banda de Cambridge. A comemorar ao dobro estão os Queen que deverão fazer completar a reedição de toda a discografia, recomeçando por “The Works” e até “Made in Heaven”. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/145893-os-discos-que-rodam-ate-ao-final-do-ano, a 30 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Conheça Uma Entrevista a Vanessa da Mata…

Vanessa da Mata... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo interessante, pois trata-se de uma entrevista a Vanessa da Mata…

« Vanessa da Mata. “Tenho uma velha e uma criança dentro de mim”

Foi ela que pôs toda a gente a gritar “Ai, ai, ai” e a desejar “Boa Sorte”. Hoje à noite actua em Cascais para dar a conhecer “Bicicletas, Bolos e outras Alegrias”

 Ao longe vê-se o cabelo volumoso, a expressão simpática mas não demasiado sorridente. A figura alta está afundada no sofá, de perna cruzada e cabeça encostada à mão. Nem beijinho, nem aperto de mão mas logo um “tudo bem?” cantado. Respira fundo e distrai o olhar antes de falar. De repente assusta, lança uma gargalhada forte. Vanessa da Mata nasceu no Mato Grosso e com 15 anos foi estudar medicina. Ou pelo menos era o que a família achava: entregou-se à música. Aos 21 anos escrevia a letra que ganharia vida na voz de Maria Bethânia. Seguiram-se três álbuns e grandes sucessos de ficar no ouvido como “Não me Deixe Só”, “Ai, Ai, Ai” e “Boa Sorte/Good Luck” em dueto com Ben Harper. Chega ao quarto trabalho com título e sonoridade infantis mas letras de gente grande.

Afinal o que é “Bicicletas, bolos e outras alegrias”? Em que é que é diferente dos álbuns anteriores?

Do começo ao fim autoral é autoral. É um CD bem moderno e tem um trabalho um pouco mais sofisticado. Tem uma mistura entre afrobeat e ritmos brasileiros que é uma coisa que sempre quis fazer. É feito ao vivo, praticamente. Entrámos no estúdio, ensaiámos os arranjos todos e depois fomos gravar juntos que é uma coisa que se fazia muito na década de 70. Tem um retro mas ele está ao mesmo tempo muito moderno, é um encontro de gerações talvez.

Apesar de o título remeter para a infância, por vezes os assuntos tratados são mais adultos.

Muitos assuntos estão ligados à infância mas procedem de uma maneira adulta. Há uma critica do consumismo, na “Bolsa de Grife”, como se a bolsa fosse dar auto-estima, uma base de ego, de formação. Eu me sinto parte disso, por isso que me incomoda. Existem várias ditaduras. De ser vencedor, de ter um bom carro, de toda essa aparência. Mas me incomoda muito o facto de ter tantas meninas que saem em revistas de moda, de fofoca, e que estão visivelmente doentes ou anoréxicas e são mantidas como se fossem vencedoras e estão cada vez mais a caminho do matadouro.

Sente-se ou já se sentiu pressionada por essas ideias?

Fui modelo uma época e sofri muito porque gostava de comer e tinha que passar fome e a sensação que eu tinha era que as pessoas queriam manter o corpo de adolescente, quase criança. E tinha uma conotação quase que pedófila. É um incentivo à juventude extremada, uma sensualidade feia. Não pode ter bunda, não pode ter quadril, não pode ter peitos. Não pode ter cara de mulher tem que ter cara de menina. Então para mim aquilo era sempre muito esquisito.

Com seis anos compôs uma canção sobre uma conversa que tinha ouvido entre adultos, que falava de amores e traições. Era uma criança irrequieta?

Eu fui completamente irrequieta. Eu era uma criança que a minha avó mesmo dizia que nunca tinha visto entre meninos e meninas uma criatura tão atentada – não sei se vocês usam essa palavra aqui. Eu tinha défice de atenção e hiperactividade junto.

Hoje é muito calma, na maneira de estar e falar.

Mas olha o meu pé está sempre batendo [lança o olhar para a perna cruzada].

A menina que nasceu no Mato Grosso é muito diferente da mulher que vemos hoje nos palcos?

Totalmente diferente mas, ao mesmo tempo, existe a mesma essência. Tenho uma velha e uma criança dentro de mim. Às vezes se digladiam, às vezes se amam. E eu não posso matar as duas.

Esteve perto de seguir uma carreira de medicina. Se não fosse cantora o que seria?

Não tenho a menor ideia. Se fosse outra qualquer profissão acho que seria muito infeliz.

Nove anos depois do 1º álbum continua a viver situações engraçadas em palco?

Há pessoas que sobem no palco e cada uma quer dar um recado, outras vezes querem abraçar, cantar junto. É um pouco intimidador. Me lembro do meu primeiro show em Portugal, tive muito mais público aqui que no Brasil. Isso prá mim foi chocante no bom sentido.

O dueto com Ben Harper “Boa Sorte/ Good Luck” foi um grande sucesso em Portugal e mundo fora. Nunca se cansou de ouvir a música?

Houve uma altura que falei por amor de deus! [risos] Mas as canções não dependem da gente. A gente faz e depois elas ganham vida própria, se instalam na vida de cada um.

Como assim?

Um dia estava comendo no Chiado e veio uma mulher portuguesa, chorando muito com o telefone na mão, que disse: “Fala com o meu marido. Ele terminou com a sua letra”. E era como se eu tivesse ajudado a ele terminar. No Brasil também aconteceu com um casamento de 25 anos que o cara mandou a letra para a mulher… e olha, não tenho o que dizer. Isso acontece, transforma a vida das pessoas. Por exemplo, “Ainda Bem”, que era de um disco anterior, fazia com que as pessoas se juntassem. Diziam “ah, essa é a nossa música, essa música me pediu em casamento”. Essas músicas vão se tornando vozes de outras pessoas, vão sendo a trilha sonora das suas vidas. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/145041-vanessa-da-mata-tenho-uma-velha-e-uma-crianca-dentro-mim, a 25 de Agosto de 2011, em Jornal I

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História do Muro de Berlim…

Muro de Berlim... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre a história do muro de Berlim…

« Há 50 anos o mundo acordou com o Muro de Berlim

Quando um muro tem nascimento, morte e vida é porque não é um muro qualquer. Inspiração para filmes, clássicos da literatura, música e até arte urbana. O muro de Berlim separou a Europa mas uniu a cultura

Atravessar o muro de Berlim foi durante décadas a derradeira prova de um espião, tanto no cinema como na literatura. E na vida real, claro. Alfred Hitchcock e Billy Wilder foram os primeiros a utilizar o potencial infindável de histórias que um gradeamento de metal com mais de 60 km, 302 torres de observação, 127 redes electrificadas e 255 pistas de corrida para cães de guarda tinha. A 13 de Agosto de 1961, o mundo conhecia a cara visível da Guerra Fria: o muro de Berlim. Demorariam quase 30 anos até a Europa deixar de estar dividida entre comunistas e capitalistas. Hoje assinalam-se os 50 anos da construção do Muro e olhamos para a sua herança cultural. Do graffiti, à literatura, passando pela música.

 

O espião que veio do frio

1963 Dois anos depois da construção do muro, o génio dos romances de espiões, John Le Carré, utiliza o Muro de Berlim para começar e terminar “O Espião que Veio doFrio”. Alec Leamas (Richard Burton no filme de Martin Ritt) é um espião inglês, do MI6, em plena guerra fria, com uma vida muito mais cinzenta e menos glamourosa que 007. Vive momentos intensos junto ao muro que quem leu ou viu o filme não esquece. “Sou um homem, seu idiota. Percebes? Um simples, modesto, desordenado e atrapalhado ser humano. Temos disso no ocidente, sabes.”

 

Cortina rasgada

1966 Winston Churchill foi o pai da expressão cortina de ferro, em 1946. Uma imagem perfeita para definir um continente dividido em Europa Ocidental e Oriental. Alfred Hitchcock apoderou-se da expressão para fazer um filme sobre um engenheiro aeroespecial (Paul Newman) que deserta para Berlim Oriental com a noiva (Julie Andrews). Na realidade, ele está a trabalhar para os americanos e tem de encontrar um fórmula matemática importantíssima. Não se tornou um clássico mas vale pela luta desesperada de cada um dos lados da cortina para obter o poder.

 

Keith Haring e a arte urbana

1986 O muro serviu como uma tela branca para vários artistas. Keith Haring foi um deles quando em 1986 fez um mural, no lado ocidental, claro. O artista foi convidado pelo Museu Charlie Checkpoint e desenhou uma corrente de humanos em 91,44 metros. “É uma cadeia interligada de figuras humanos, ligadas através das mãos e pés. A cadeia representa claro a unidade das pessoas em oposição ao que simboliza o muro. Pintei o mural com as cores da bandeira alemã: preto, vermelho e amarelo”, disse Keith Haring ao seu biógrafo. Durante décadas o muro foi sendo pintado e transformado em diário. Vários artistas conhecidos e desconhecidos deixaram a sua marca. Uma das pinturas mais conhecidas é o beijo fraternal, ou melhor na boca, entre Honecker, líder de Berlim Oriental, e Brezhnev, líder russo.

 

As asas do desejo

1987 O clássico de Wim Wenders surgiu dois anos antes da queda do muro. Uma reflexão sobre a existência humana, o divino e mortal. A acção decorre em Berlim, no pós-guerra, quando o batalhão de anjos aterra na cidade. Está visto que tinham muito trabalho em mãos tal não era a quantidade de almas tristes e deprimidas. Ainda assim, o amor prevalece (perdoe-nos a lamechice, mas é verdade). Um dos anjos apaixona-se por uma humana e está um sarilho armado. Lembra-se do filme “Cidade dos Anjos” com Nicolas Cage? Esse foi inspirado neste.

 

The Wall e David Hasselhoff

1989/1990 “Eu sou uma bola de berlim”, disse o Presidente dos Estados Unidos, JFK, no seu discurso mítico, em vez de dizer “sou berlinense”. Nessa altura os alemães perceberam que os americanos eram bem divertidos, por isso não estranharam quando David Hasselhoff – meses de depois do muro cair – cantou junto ao muro de Berlim com um cachecol com teclas de piano e um casaco com luzes a piscar. Ele era o ícone dos anos 80, o Michael Knight que abria caminho para o capitalismo. Um evento musical mais sério foi o concerto de beneficência em 1990 de Roger Waters que juntou Bryan Adams, Cyndi Lauper, Scorpions, Joni Mitchell e tantos outros num tributo a Berlim. Muitos músicos já tinham criado temas sobre o muro. Quem não se lembra de Elton John com “Nikita” ou Sex Pistols com “Holidays in the Sun”?

 

Adeus Lenine

2003 É uma bonita história de amor entre mãe e filho e o impacto das desilusões políticas. Um retrato intemporal da Guerra Fria e do dia-a-dia dos berlinenses. O filme começa em 1978. Christiane Kerner (Katrin Saß), uma fiel trabalhadora do regime entra em coma e acorda em 1990. O mundo que conhecia desapareceu, os anúncios de Coca-Cola já invandiram Berlim Oriental e o muro não existe. O filho Alexander ‘Alex’ Kerner (Daniel Brühl) vai fazer tudo para a proteger de um choque fatal. O filme de Wolfgang Becker ganhou o César em França.

 

A vida dos Outros

2006 O vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro conta a história de um agente da polícia secreta em Berlim Oriental no ano de 1984.É um retrato comovente de como um apagado Hauptmann Gerd Wiesler vigia artistas e políticos dissidentes    obrigando-os a pararem ou irem para a prisão. O filme de Florian Henckel von Donnersmarck mostra como se vivia numa estrutura social que punha todos em risco de vida. O próprio actor principal, o alemão Ulrich Mühe tinha sido espiado pelas autoridades durante a Guerra Fria. Pior ainda, descobriu que a sua mulher na altura era uma informadora da Stasi. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/142982-ha-50-anos-o-mundo-acordou-com-o-muro-berlim, a 14 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Conheça o Festival Que Vai Durar Até ao Final de Agosto…

Festival Hippie... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre um festival que nos vai levar até ao final de Agosto…

« Os festivais para meninos acabaram. Agora é só hippies

 Começa hoje o festival de trance Freedom, em Elvas. No Gerês, o Rainbow reúne hippies até ao fim de Agosto

 “Pedir a alguém no Rainbow para não fazer sexo em frente dos seus filhos, é como ir a um bar com miúdos e pedir aos clientes para não beberem álcool.” A frase foi escrita por Jim Dee, um autoproclamado hippie e “filho de um hippie dos anos 70” na página do Facebook do Rainbow. Jim Dee aconselha todos os participantes do encontro – que começou em Portugal a 30 de Julho e se prolonga até 29 de Agosto – a não levarem crianças.

“Em miúdo, o meu pai levou-me a alguns encontros destes e fiquei chocado. Há muita nudez e sexo, por exemplo em tendas públicas como a do chá”, escreveu. “Também há sexo na relva e em arbustos, onde os miúdos brincam.”

O primeiro Rainbow aconteceu na Califórnia em Julho de 1972 e contou com 20 mil pessoas. Onze anos depois chegava à Europa e realizava-se na Suíça. O que começou por ser um evento pontual numa floresta norte-americana tornou-se no maior encontro anual de hippies, pseudo-hippies, viajantes e curiosos que aguentam alguns dias na comunidade até apanharem piolhos. Nos encontros europeus, que duram um mês, os participantes trazem as suas tendas e montam um acampamento onde as actividades principais são workshops como os de respiração holotrópica, permacultura e curas com ervas – fumá-las é a técnica preferida.

Este ano, Portugal é o país escolhido para o encontro europeu, tal como em 1996 e em 2008 – neste último juntou apenas 70 pessoas porque se tratava de um evento local. Mas não é fácil encontrar o sítio. Com uma pesquisa no Google percebemos que se realiza na “Ibéria”. Só depois de saltarmos por vários sites com arco-íris, descobrimos que é em Salto, uma aldeia em Montalegre, perto do Gerês.

“Espaço para 4 mil pessoas, fontes de água potável, madeira para fogueiras e lugares de estacionamento a um mínimo de uma hora e meia do local de encontro” são algumas das características do espaço do Rainbow.

Freedom nos intervalos do Boom

A partir de hoje, a Herdade do Monte da Chaminé, em Elvas também se vai encher de pessoas com rastas. Até dia 15, são esperados entre 8 a 10 mil amantes da música trance no Freedom. O festival que teve a sua primeira edição em 2005 realiza-se de dois em dois anos, para coincidir com os intervalos do psicadélico Boom, em Idanha-a-Nova.

“O que nos difere da cultura do Boom é apostarmos em nomes mais fortes no cartaz”, conta Tiago Mota, director do palco principal. Na 1ª. edição, a organizadora Crystal Matrix levou a Elvas nomes sonantes do trance como os israelitas Infected Mushroom e juntou 10 mil pessoas em três dias, com bilhetes a 55 euros.

Este ano os bilhetes aumentaram de preço (custam 110 euros), mas o festival dura uma semana e inclui uma after-party no dia 16. “Os principais artistas vão ser Talamasca [um DJ francês], Vibe Tribe [o projecto do produtor russo Stas Marnyanski] e os Sun Project [que combinam metal com trance].”

Tal como no Boom, onde no ano passado foram apreendidas perto de 16 mil doses de heroína e quase 5 mil selos de LSD, o consumo de drogas pesadas é habitual no Freedom. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/142341-os-festivais-meninos-acabaram-agora-e-so-hippies, a 10 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Uma Entrevista a Roberto Leal…

Roberto Leal... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre o até à bem pouco tempo escondido e desaparecido Roberto Leal…

« Roberto Leal. “A minha maior dificuldade foi sempre Portugal: há guetos e preconceitos”

Roberto Leal não andou desaparecido antes de o “Último a Sair”. Gravou dois discos “a sério” e já não quer vender milhões

Primeiro choque: Roberto Leal não aparece vestido de branco, mas todo de preto, com sapatilhas all star e uma camisa com uma cruz de Santiago gigante. Segundo choque: Roberto Leal já não se queixa de ser português no Brasil e brasileiro em Portugal. Terceiro choque: Roberto Leal já não quer fazer discos de ouro e anda ocupado a estudar a música tradicional portuguesa e a fazer discos “a sério”. O problema agora é vencer o preconceito. “No Brasil deu tudo certo, em Portugal senti-me sempre segregado”, confessa. A razão de tantas mudanças, explica, é o resultado de uma grande caminhada: Roberto Leal diz que teve de mudar muita coisa para finalmente ser feliz. “Mas quando você ganha a consciência de quem é tudo se transforma.” O músico de Vale da Porca, em Trás-os-Montes, comparece na entrevista com a filha, que anda de canadianas porque caiu de um palco e partiu o pé. “Coitadinha, ela estava sozinha em casa e eu trouxe ela”, apressa-se a justificar. Há momentos em que Roberto fala com sotaque brasileiro. Noutras partes da conversa, as palavras soam mais a Portugal. Na semana em que ganhou o programa “Último a Sair“, da RTP, Roberto Leal recorda as coincidências bizarras que o levaram à fama, os primeiros tempos no Brasil, confessa que foi a mulher quem o ensinou a comportar-se à mesa e defende que é preciso que Portugal mude rapidamente de mentalidade.

Passa mais tempo cá ou no Brasil?

Vou andando cá e lá. Já fiz a viagem tantas vezes que já nem dou por isso. Não me custa nada. Uma vez o João Pedro Pais disse-me que cada vez que atravessa o oceano precisa de meses para recuperar. Eu acho que o corpo e a mente acabam por se habituar a tudo. Aliás, eu hoje olho para a minha vida e vejo quantas coisas tive de mudar e readaptar para ser feliz. Há uns anos, por exemplo, detestava que me chamassem brasileiro cá e português lá, mas, a partir do momento em que você ganha a consciência de quem é realmente, esse sentimento acaba. Quando aceitei participar no “Último a Sair”, a minha condição foi exactamente ser quem eu era.

Quem é que o convidou?

Foi o próprio Bruno [Nogueira]. Ligou- -me e eu levei uns dez dias a pensar. Disse-me que era um programa onde ia ser eu mesmo e onde ninguém ia cortar a minha espontaneidade. Gostei dessa ideia e achei mesmo que a naturalidade seria o melhor caminho. Não me poderia desviar daquilo em que acredito e daquilo que sou.

Na casa, você era o conciliador. Também é assim na sua vida?

Ser apaziguador é normal em mim e na minha família. Cresci num ambiente assim, com muito carinho, muito jeitinho. Tenho um casamento que dura há 36 anos! Mas quando aceitei o programa disse logo que não tirava a roupa nem dizia palavrões e que quando falasse em Deus e nos meus valores gostaria que isso fosse respeitado. Os textos eram muito bons, mas havia uma margem grande para o improviso.

Durante décadas, foi uma figura popular. Nos últimos anos desapareceu…

Sabe o que fiz nos últimos seis anos? A maior pesquisa etnográfica e musical deste país. Gravei dois discos. O “Canto da Terra” e o “Raiç/Raiz”. Estudei a música tradicional, o mirandês. Fui passar Entrudos a Macedo de Cavaleiros e a Miranda do Douro. Fui à procura dos nossos traços genéticos, da nossa história. Mergulhei centenas de horas em arquivos municipais. Quanto mais estudava, mais perplexo ficava: como era possível que Portugal não conhecesse nem valorizasse aquele património maravilhoso? É natural que estes trabalhos não tenham tanta projecção, mas foi uma coisa consciente. Tenho uma história bonita, mais de 18 milhões de discos vendidos, não acredito que haja algum artista português com um palmarés tão grande. Cantei no mundo inteiro. Quis fazer isto por amor.

Cansou-se de vender discos?

Sinto que tenho uma missão para com Portugal. Saí de Vale da Porca, em Trás-os-Montes, com 12 anos. Passei por Lisboa, apanhei um navio para o Brasil e só voltei muito tempo depois. Senti, nos últimos anos, que a minha missão era não deixar morrer o património do meu povo. No Interior é que estão os traços genuínos de Portugal. E a música é rica. Há música para ceifar o trigo, para ir buscar a água… às seis da tarde tocam as ave-marias. Houve uma altura da minha vida em que senti um vazio, crescia em mim um desejo de mudar. Precisava de oxigénio, vim para cá.

Mas é mais requisitado no Brasil?

Tenho uma história muito sólida no Brasil. Grandes nomes da música de lá cantaram canções minhas, sou reconhecido, acarinhado. Cá sempre foi diferentes. Senti-me segregado. Aqui há guetos, separações, preconceitos. Há uns tempos, o Rui Veloso ligou-me era meia-noite. Tinha estado a ouvir o “Canto da Terra” e disse que não podia acreditar, e que aquele era o seu disco, cantou para mim ao telefone. Achei tão humilde, chorei tanto… O disco tem tudo: adufes, gaitas de foles, os bombos de Miranda… uma loucura. Fiquei estes anos todos a fazer isto. Para mim, já não é importante fazer discos de ouro.

Está consciente de que nunca vai vender tanto?

Claro que não estou a vender nem um décimo do que vendia. Mas é música que precisa de ser cantada.

Já não quer ser mais uma estrela?

Deixou de ser a prioridade. E o “Último a Sair” foi um passo em frente nessa mudança. Desfiz, finalmente, aquele boneco do homem vestido de branco. O artista tem de ter capacidade de superação. Quando se tem 40 anos de carreira, começamos a repetir-nos, não evoluímos. Isso é o pior que pode acontecer. Com o programa, quis superar-me. Eu sempre fui um vencedor! A minha maior dificuldade, como disse, sempre foi Portugal.

Porquê?

Não me cabe julgar. Em 2004 fiz um disco chamado “De Jorge Amado a Pessoa”, que foi um sucesso estrondoso no Brasil. Convidei artistas incríveis para participar, como o Carlinhos Brown, a Simone, Martinho da Vila. Aqui também convidei e, tirando o Vitorino…, quase toda a gente me ignorou.

Quem é que recusou?

Olha, isso eu não quero falar, mas te digo que houve pessoas que à noite disseram que sim, que gravavam comigo, e que voltaram para casa e me ligaram no dia a seguir a dizer que a editora aconselhou a não o fazerem, para não ficarem rotulados comigo. Isso deixou-me triste, porque era um trabalho muito digno, muito bom, e era uma oportunidade para a música portuguesa no Brasil. Andamos sempre a queixar-nos de que ninguém nos valoriza lá fora e depois… adiante.

Também tem um restaurante no Brasil. Como é que se meteu nisso?

É o Marquês de Marialva. Fazemos tudo à moda portuguesa. O leitão, os doces, o cordeiro (porque lá eles têm a mania de que nós somos comemos bacalhau). Levei para lá o melhor azeite de Trás-os-Montes, dei-lhe uma marca e, no ano passado, foi o terceiro azeite mais vendido, no Natal, no Rio de Janeiro. Também estou a exportar doces conventuais, vinho e bacalhau. Sinto que estou a ajudar o Interior, uma região deprimida e que nos últimos anos tem perdido população. O último censo mostra valores assustadores e isso mexe muito comigo. Tenho muito orgulho em Portugal. Quando fui para o Brasil, ser português não era uma coisa bem vista. Eles achavam que tudo era brega e triste. Quis mostrar que Portugal é um país alegre, daí ter misturado a música portuguesa com os ritmos alegres brasileiros.

Porque é que abriu o restaurante?

Vou-te contar. Em Vale da Porca só se comia o que a terra dava, era tudo igual, e só o azeite tinha o poder de mudar o sabor à comida. Era lindo… o meu pai contava histórias. Tive uma infância feliz. Aquilo que as pessoas vêem como pobreza, eu achei muita riqueza. E então o meu pai punha pedaços de pão no lume regados com azeite. Isso ficou-me na cabeça para o resto da vida. E a ausência desses sabores levou-me a querer mostrá-los e levá-los para o Brasil. Sempre fiz na vida o que amo, sempre com amor, e acho que é essa a razão de ter dado tudo certo. Tem a ver com a minha educação. Fui criado num ambiente de amor. E sou fruto de um amor muito puro.

Um amor puro?

É uma história linda. O meu pai era um simples barbeiro e o pai da minha mãe era um burguês, dono de metade das terras da região. O meu pai ia a casa dele fazer-lhe a barba. Até que um dia viu uma menina de olhos azuis, que era a minha mãe. Apaixonaram-se e o meu avô opôs-se. Não podia acontecer, porque o meu pai era um simples barbeiro! Eles fugiram e foram morar para um pequeno monte, uma casa minúscula, dada pelo meu avô paterno. Éramos dez irmãos e vivíamos mal. Mas o amor deles venceu e isto acompanhou-me sempre. Vivemos tanta coisa… havia uma tia, casada com um irmão da minha mãe, que nos levava, debaixo do avental, pedaços de carne para não passarmos fome.

Depois de emigrarem para o Brasil, vendeu sapatos e doces. Como é que chega aos discos?

Foi do nada para o tudo, obra do destino. Juntei dinheiro e gravei um disco numa gravadora minúscula. O single era o “Arrebita”. Gravei, mas ninguém tocava aquilo, ninguém me pegava. Passaram sete meses, eu estava no Rio e não conseguia nada. Resolvi voltar para São Paulo, de onde tinha vindo. Desiludido. No dia antes de ir, li uma entrevista de um cara chamado Chacrinha, que era o maior sucesso da Globo naquela altura. Revelou grandes artistas e tinha um programa em horário nobre. Ele dizia, nessa entrevista, que andava à procura de artistas diferentes, que não queria o óbvio. E eu tive a intuição, a certeza, de que era ele quem me iria lançar.

Achava-se assim tão diferente e bom?

Nossa! Eu era um português de cabelo comprido que se vestia como uma árvore de Natal! [risos] Arranjei maneira de entrar pela Globo adentro e achei o Chacrinha, sem T-shirt, a beber água de coco e a fazer a programação. Ele olhou para mim e chamou-me de paneleiro (risos).

Então e depois, o que aconteceu?

Disse que era um cantor português e pus o single a tocar. Ele ouviu até ao fim sem dizer palavra. Depois pediu para pôr a tocar de novo. A meio disse: “Tu tens cá as tuas raparigas que dançam isto contigo, não tens?” E eu disse logo que sim, lógico que tinha. Mentira. Não tinha nada. Ele disse: “Domingo você está no programa.”

E como é que fez para encontrar as raparigas?

Como estava no Rio, procurei e achei uma associação de Arouca. Deixei lá o CD para ensaiarem. Antes de domingo, quis ir todo bonito e bronzeado para o programa e fui para a praia, mas apanhei um escaldão enorme, parecia uma lagosta [risos]. Não dormia a pensar: “Meus Deus, vou estar na Globo.”

Como é que correu o grande dia?

O programa era das oito às dez da noite. Lá apareci eu, vermelhão, mas com a melhor roupa que tinha. A seguir, a emissão ia para o Maracanãzinho, para o festival internacional da canção, onde estavam grandes nomes como o Demis Roussos. As horas foram passando. Faltavam dez minutos para as dez e eu desiludido… todo o mundo actuou menos eu. Quando faltavam quatro minutos, o Chacrinha me chamou. E eu dancei que nem um cabrito. Quis mostrar tudo. Entretanto, a produção recebe um telefonema. Havia um problema no Maracanãzinho e o Chacrinha tinha de continuar a emissão. Como era eu que estava em palco, mandou-se seguir. Aí já com o Brasil inteiro a assistir, audiência máxima. Isto é obra do destino. No dia a seguir já não podia andar na rua e em 15 dias vendi 150 mil discos. Toda a gente queria aquilo. Ninguém sabia bem o que eu era. Se era pagode, rumba, funk…

Tem nove irmãos. O que é feito deles?

Dois já faleceram. Todos estão bem, no Brasil, na área da restauração. Menos o João Gabriel. Casou com uma brasileira, não deu certo, já nem no namoro dava certo… Depois conheceu uma portuguesinha, vieram para cá e estão a viver em Trás-os-Montes. Farta-se de dizer que aquilo é um paraíso.

Vem de uma família onde ninguém era artista. De onde lhe vem a música?

Costumo dizer que ninguém decide, de uma hora para outra, que quer virar cantor. Já se nasce com o kit completo. A minha irmã mais velha desafina que é um horror [risos]. Timbre, dom, é uma coisa que vem com você, não tem como comprar. O meu irmão mais velho reparou que eu cantava bem. Aí, todos os meus irmãos começaram a juntar dinheiro para eu ir estudar para uma academia musical de um português do Porto. Tinha 200 alunos, mas eu fui-me destacando, porque era cá uma figurinha [risos]. Nunca fui de cantar com as mãos nos bolsos. O meu negócio era alegria, ritmo. Passados quatro anos, influenciado pelo sucesso do Roberto Carlos, quis partir, quis actuar, ter uma carreira. Daí ter gravado aquele disquinho.

Costuma compor com a sua mulher. É trabalho de equipa?

Sim. A Marcinha foi de grande importância em tudo na minha vida. Ela era uma menina da classe média-alta, o pai era presidente de um banco. Tínhamos 21 anos quando nos conhecemos, poucos dias antes da formatura dela. Formou-se em Direito. Comecei a ir todo o dia para casa dela. Foi ela que me ensino a comportar-me à mesa, a pegar nos talheres…

Ensinou-lhe isso?

Sim. E ensinou-me muito mais. Ela cantava no coro da faculdade. Eu sabia tocar violão, mas só dois ou três acordes. Ela também tocava, mas muito. Mostrou-me canções que tinha escrito. Maravilhosas! Mas ela não dava valor, porque era insegura, e ainda hoje é. Acho que foi por isso que deu certo, eu sou o contrário: só sabendo dois ou três acordes no violão já achava que sabia tudo e ela, que tocava tanto, achava que não tocava nada.

Como é que se conheceram?

Numa rádio, andava ela a angariar apoios para o baile da formatura. Arranjei bilhetes e fui lá, com um amigo. Naquela época eu só tinha duas roupas. Quem me visse duas vezes achava que até me apresentava bem [risos]. Ficámos fisgados um no outro. Dançámos toda a noite na formatura.

E o pai dela?

Ui. Que complicação. O pai proibiu, porque eu era português e era pobre. Um dia fui falar com ele e disse que ainda havia de ser famoso. E ele disse que artista não dava para a filha dele, porque se virasse famoso ia ter muitas mulheres. E se não virasse seria pobre. Mas depois do Chacrinha fiquei famoso e ele começou a aceitar aos poucos e a cuidar dos meus negócios. Mas houve episódios incríveis. Uma vez, no início, fui a um cocktail, estava todo o mundo vestido com fato e gravata, e eu entrei com uma camisa com padrão tigre e calças de ganga manchadas com lixívia. A Márcia viu–me e entrar e disse: “Roberto… para o quarto, já!” [risos] O pai dela dizia que eu era um vagabundo e que quem usava cabelo comprido só podia ser gay.

Como se constrói uma relação de 36 anos?

Como tudo na vida: sabendo exactamente quem você é. As pessoas não devem pedir a Deus, devem merecer de Deus. A vida constrói-se fluindo normal. Uma vez tive um sonho: eu perguntava ao universo qual era o meu caminho e aí vi um lugar imenso, plano, e derramei um copo de água, que fluiu para um lugar. Esse sonho passou a ser a bússola da minha vida. Entendi que o plano maior tem um projecto para cada um de nós. Conheço muitas pessoas com dinheiro, mas que são infelizes. No começo, tinha muita vaidade, ainda tenho, mas tive de mudar. E descobri isso graças aos meus carros.

Descobriu como?

Olha… eu adorava carro caro. Uma vez saí de casa para comprar um carro e trouxe três, porque podia. A Márcia passava-se e dizia: “Outro, Roberto?” Mas durante anos, todos os carros que eu tinha, batia com eles. Um Mustang… ficou todo desfeitinho e eu não apanhei nem um arranhão. Um Mercedes que tive, um autocarro veio contra mim do nada. Chorava tanto, não entendia. Havia períodos em que achava que já estava curado do vício dos carros, mas tinha recaídas e voltava a comprar e tudo dava errado com eles. Até que um dia percebi. Fiz uma oração, pedi que nada mais interferisse no meu caminho, entendi que já não queria mais coisas materiais. Então ouvi uma voz que me disse que eu já não era o mesmo, que tinha aprendido. Eu dava demasiada importância para a matéria e quando a matéria me vinha parar às mãos rebentava. Era vaidoso.

E hoje, que carro tem?

Ah… hoje está tudo bem. Tenho Jaguar, mas já passou. O problema não é ter um carro bom, é o significado que o carro tem na nossa vida.

Ouviu mais vezes essas vozes?

Sim, em muitos momentos da minha vida. E tenho muitas intuições. Com o programa também foi assim. Pensei em recusar, mas depois algo me disse que devia aceitar, porque fazia parte do meu processo de crescimento e transformação.

A dada altura quis mudar de nome. Também teve a ver com essa necessidade de transformação?

Isso foi tudo um enorme mal-entendido. A minha agência lançou isso de mudar o meu nome enquanto eu não estava em Portugal e quando voltei acabei logo com essa história. Como é que você apaga um nome que demorou anos a fazer? E isso é lesar as pessoas que te querem bem! Mudei outras coisas, claro, porque a minha música, hoje, é diferente. E o preconceito continua. Deixei de me vestir de branco, mudei o cabelo, faço música diferente. Mas seria incapaz de mudar o meu nome.

Conhece bem o Brasil e a Europa. O Brasil está a ter um crescimento enorme e a Europa vive uma época algo conturbada. O que é que está a acontecer?

A velha Europa envelheceu mesmo e às vezes é mais fácil mudar uma praia inteira do que uma areia, quando não se quer mudar. Mudou-se a moeda, as regras, mas as pessoas não querem mudar.

E é preciso mudar em quê?

Mudar por dentro. Só mudámos a estética. Fizemos lindas auto-estradas nos últimos anos, o dinheiro foi mal investido. Devíamos ter investido em tecnologia, em formação. Há demasiados anos que vivemos só de turismo. Tínhamos um calçado e têxteis geniais. Porque não se investiu nisso? Não mudámos mentalmente. No Brasil houve o inverso. O Lula era o final da linha e afinal tornou–se um novo começo. Estabeleceram-se parcerias com países de todo o mundo. O Brasil tornou-se um quintal onde toda a gente começou a plantar coisas. Eu sou amigo do Lula e sei que ele se cansou de tentar falar com Portugal, insistiu de mais, nos últimos anos, em tentar estreitar ligações connosco. Com quem é que Portugal tem parcerias? Nem com o mundo lusófono tem, verdadeiramente! Aliás, sempre defendi a existência de um ministério dos Assuntos Lusófonos. Já viu o que Portugal ganhava se levasse para uma reunião em Bruxelas o apoio de todo o mundo lusófono? Além disso, Portugal nunca se soube vender. Demorou muito a perceber a importância de se vender no estrangeiro. E de se vender cá dentro, também. Há tempos convidaram-me para fazer uma publicidade para dizer às pessoas que comprassem produtos nacionais. Mas tive dúvidas: de que serve esse apelo se depois as pessoas chegam ao supermercado e os produtos portugueses custam mais dinheiro? Isto quando os há nas prateleiras… O consumidor ia perguntar-me: “Ó Roberto, você está brincando, né?” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/141255-roberto-leal-a-minha-maior-dificuldade-foi-sempre-portugal-ha-guetos-e-preconceitos, a 04 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Conheça os 10 Anos do Primeiro Album dos Strokes…

The Strokes... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo para se começar bem, neste primeiro dia de Agosto, o mesmo passa, por os 10 anos do primeiro álbum dos strokes.

«“Is This It”, álbum de estreia dos nova-iorquinos, faz hoje dez anos. Um monumento rock que marca uma geração e confirma o melhor e o pior: estamos todos mais velhos

 Algo vai mal no reino da Wikipedia quando um acontecimento de envergadura significativa é flagrantemente ignorado na sua página “2001 in Music”. Revisitamos o mês de Julho e nem sinal do álbum daquele ano, segundo “Billboard”, “CMJ”, “Entertainment Weekly”, “NME”, “Playlouder”, e “Time”. No reino da rockalhada suja – mas não tão feia ou má que se veja confinada ao underground de vão de escada – continua tudo bem.

Não fazíamos ideia que o mundo iria mudar menos de dois meses depois, com o ataque às Torres Gémeas do World Trade Centre. Os The Strokes, que após os atentados acabaram por substituir a faixa “New York City Cops” por “When it Started”, para aliviar o ferimento de susceptibilidades entre corporações uniformizadas, também não. E talvez o grau de desconhecimento se estendesse ao impacto de épicos como “Last Night” ou “Someday” na produtividade musical que se seguiu.

Seis meses depois de terem lançado o EP “The Modern Age”, e de os três hinos terem impressionado a Rough Trade, chegava “Is This It”, que esquecia deliberadamente o ponto de interrogação a rematar o título, por questões estéticas. O álbum foi gravado com Gordon Raphael no Transporterraum, em Manhattan, em Nova Iorque. As faixas foram quase todas registadas à primeira, a bem da eficiência crua defendida pelo líder, que apostava as fichas no projecto de uma “banda do passado que navegou no tempo até ao futuro para fazer este álbum”.

A polémica capa, sexualmente explícita, sobreviveu apenas durante os meses de Julho e Agosto, cedendo depois lugar nos EUA a uma versão menos kinky, que podia ter qualquer coisa de Helmut Newton e Guy Bordain, mas não é mais que o resultado de uma sessão de fotos caseira do amigo Colin Lane, que retratou a namorada acabada de sair do banho. Consta que a luva ficara lá por casa na véspera.

Não foram só os blusões de cabedal e os All Star que voltaram a estar tão na moda como o provocador látex. O som das guitarras tirava o rock da fossa e remontava a cena nova-iorquina, duas semanas depois dos Yeah Yeah Yeahs lançarem o seu EP de estreia. O que se seguiu deve-se, e muito, às movimentações garage rock e pós-punk na Grande Maçã na aurora do século XXI, a par e passo com os contemporâneos do electro clash, como os Fischerspooner. Escusado será falar de herdeiros como os Interpol, que em 2002 dominam o ano com o primeiro disco, “Turn on the Bright Lights”. Seguiram-se nomes como Franz Ferdinand ou The Bravery, enquanto Excepter ou Liars iam devorando a fatia noise.

A “Blender” comparou a fulgurante estreia de Julian Casablancas e companhia com os The Velvet Underground, Television e The Feelies, nos anos 70, inspiração assumida do grupo, que não queria mais que fazer música ao melhor estilo Doors, mas tentando obedecer aos padrões clássicos, diria no arranque da banda o baterista Fabrizio Moretti. “Is This It” não precisou de esperar dez anos para se tornar um clássico. Virou sucesso instantâneo com longevidade assegurada e ainda hoje deixa saudades quando as malhas do recente “Angles” são desfiadas ao vivo.

Neste décimo aniversário, a Stereogum lança uma colectânea de tributo. Peter, Bjorn and John, Austra ou The Morning Benders revisitam “Is This It”. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/140273-2001-o-inicio-da-odisseia-no-espaco-garage-rock-dos-the-strokes

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Conheça a Agenda Para o Ultimo Fim de Semana de Julho…

Conheça a Agenda Para o Ultimo Fim de Semana de Julho.... Fonte: http://www.ionline.pt

Como tem sido habitual e continuando na mesma linha dos últimos post que acontecem á Sexta Feira, passo a trazer a agenda de fim de semana.

« Agenda de fim-de-semana

Joss Stone vai caminhar de pés descalços pelo Terreiro do Paço e o Bairro Alto vai estar de bar aberto. Botas de biqueira de aço e vestes pretas vão invadir um largo em Leiria já inundado de música e no Castelo de São Jorge vão passear cheiros exóticos. Noutro castelo, desta vez em Montemor-o-Velho, é a Sede de O’Neill que vai predominar. Abriu-se a caixa de Pandora. E daí talvez não. É só mais um fim-de-semana, mas tem todas as razões para o viver como se fosse o último

 Hoje, 29

 

Festival Fuso
Claustros do Museu de História Natural, Rua da Escola Politécnica, lisboa
às 22h00
entrada livre

Estamos na secção competitiva do Festival Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa. O Fuso espalha imagens projectadas em jardins, esplanadas e pátios. Siga a mostra até à Rua da Escola Politécnica.

 

Citemor
Montemor-o-velho
às 22h30
preço: entrada livre

A 33.º edição do festival traz música, vídeo, teatro, dança e instalações  à vila portuguesa. Esta noite o Citemor conta com um remix da Sede, peça do dramaturgo Eugene O’Neill. É numa interacção com o espaço – um antigo castelo – que os personagens se questionarão sobre o espaço, o tempo e as vontades. 


Chullage
music box, rua nova do carvalho, lisboa
às 00h00
preço: 8€ (oferta de uma bebida a 2€)

O hip hop responde à chamada no Cais do Sodré. A noite está entregue a um dos pioneiros na matéria, Chullage, que apresenta a mixtape “Raportagem”.

 

Sábado, 30

 

Festival Neo Pop
Forte ou castelo de santiago da barra, campo do castelo, viana do castelo
às 22h00
preço: desde 10€

Já foi Anti-Pop, entretanto passou a Neo Pop. O Minho abre portas à música de dança com o carimbo electrónico de Marcel Detmann, Maceo Plex, Martin Buttrich, Marco Carola, Loco Dice, Magda, Modeselektor, Junior Boys, DJ Harvey e outros tantos. A festa prolonga-se até domingo.

 

Joss stone + x-wife
praça do comércio, lisboa
às 21h00
entrada livre

Está aí mais uma edição do Festival dos Oceanos, a oitava, e as honras de abertura serão entregues à soul da britânica Joss Stone, depois de em 2010 ter actuado nos coliseus de Lisboa e Porto. A abrir, os portugueses X-Wife, num terreiro que se prevê cheio.

 

Bar Aberto no bairro alto
On Stage, Rua Luz Soriano 18, lisboa
às 23h30
preço: 8€

Teremos lido bem? Sim, sábado há mesmo bar aberto no On Stage, pela simpática quantia de 8€. Uma verdadeira Happy Hour, ou melhor, um Happy Weekend.

 

Domingo, 31

 

Festival Gótico


largo de são pedro,
castelo de leiria
às 16h00
preço: 25€

O Entremuralhas já é uma referência para a comunidade gótica. As actuações estendem-se à  Igreja da Pena, mas para prevenir estragos, apenas 737 pessoas são admitidas em cada dia. Nesta última jornada, sobem ao palco os espanhóis Trobar de Morte e Narsilion, os suecos Arcana, e os alemães Diary of Dreams.

 

Ian Carlo Mendonza & João Miguel Sousa
Parque de Monserrate – Estrada de Monserrate, sintra
às 16h30
preço: 5 a 6€

Uma tarde dedicada às crianças com o percussionista Ian Carlo Mendoza, lendas pré-hispânicas e a quebra da tradicional piñata nesta festa mexicana.

 

Recordações de uma Revolução
casa conveniente, Rua Nova do Carvalho 11, lisboa
Sessões duplas às 20h e às 22h
preço: 10€

Última noite para assistir ao espectáculo encenado por Mónica Calle, sobe ao palco ao lado de dois dos actores com quem tem trabalhado na prisão de Vale de Judeus. »

IN: http://www.ionline.pt/conteudo/140059-agenda-fim-de-semana, a 29 de Julho de 2011, em Jornal I

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Conheça o Funchal Music Fest..

Funchal Music Fest... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo sobre mais um evento a ocorrer este verão, desta feita na região insular da Madeira…

« The Gift, Xutos & Pontapés e James são cabeças de cartaz do Funchal Music Fest

As bandas The Gift, Xutos & Pontapés e James são as cabeças de cartaz da primeira edição do Funchal Music Fest, que decorre de 19 a 21 de agosto no Parque de Santa Catarina, anunciou hoje a organização.

Pela capital madeirense vão ainda passar, ao longo destes três dias, Expensive Soul, Rita Red Shoes, Legendary Tigerman, Fonzie e David Fonseca.

Duarte Costa, da empresa organizadora do festival, realizado numa parceria com a Câmara Municipal do Funchal, explicou em conferência de imprensa, no Funchal, que este “é o maior festival de sempre de pop rock realizado na Madeira”.

 

“Tem por objetivo pertencer ao circuito de festivais de verão que se realizam por esta altura do ano e pretende celebrar, acima de tudo, o Dia da Cidade [21 de agosto] e contribuir, com a música, para que a cidade seja projetada a nível nacional e internacional”, adiantou Duarte Costa.

O responsável acrescentou que o objetivo é transformar o Funchal Music Fest “num mini Rock in Rio”, um espaço “onde as pessoas podem ter momentos de entretenimento em família ou com amigos”.

 

Nesse sentido, Duarte Costa referiu que estão previstas iniciativas lúdicas e desportivas no decurso do festival, que espera 4.500 pessoas por dia, atividades que pretendem “complementar os concertos, que é o motivo pelo qual as pessoas se deslocarão”.

 

O bilhete para cada dia custa 25 euros, enquanto o passe para todos os concertos tem o valor de 50 euros. A organização, junto de cerca de 60 estabelecimentos, sobretudo do comércio tradicional do Funchal, obteve ofertas, válidas até ao final do ano, superior ao preço, para quem aderir ao bilhete para todo o festival.

 

“O objetivo é fazer com as que pessoas adiram aos três dias de concertos”, declarou Duarte Costa, assinalando, ainda, a vertente social e ambiental do evento.

 

A primeira passa por leiloar uma guitarra que será autografada por todos os artistas que passarem pelo palco do Parque de Santa Catarina. A receita tem como destino uma instituição de solidariedade social. A área ambiental passa por ações de sensibilização no Parque Ecológico do Funchal, que ardeu na quase totalidade o ano passado.

 

O presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, considerou que a iniciativa “vem colmatar uma lacuna da celebração do Dia da Cidade”, defendendo a necessidade de criação de “pólos de atratividade e de difusão” das várias artes.

 

O festival arranca dia 19 com a atuação do vencedor do concurso de bandas madeirenses, cuja final decorre no sábado, no Casino do Funchal, seguindo-se os Expensive Soul e a banda de Alcobaça The Gift.

 

No dia 20, depois da atuação de Rita Red Shoes e de Legendary Tigerman, sobem ao palco os Xutos & Pontapés, terminando o Funchal Music Fest, no dia seguinte, com Fonzie, David Fonseca e James. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/139753-the-gift-xutos–pontapes-e-james-sao-cabecas-cartaz-do-funchal-music-fest, a 28 de Julho de 2011, em Jornal I

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Amy Winehouse….O Fim Trágico de Uma Grande Voz…

Amy Winehouse... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo sobre a mítica cantora que faleceu no passado sábado, fala da controversa Amy Winehouse…

« Amy Winehouse. Assim se cala uma grande voz

Gerou amores e ódios, encantou e desiludiu. No sábado morreu em casa para tristeza dos fãs de “Rehab”. Amy tinha tudo para ser grande, mas o corpo não deixou

Toda a gente sabia que aconteceria, inevitavelmente. O fim avisava-se há já alguns anos, quando as actuações em palco começaram a chamar mais a atenção de tablóides do que propriamente de amantes da música. Amy Jade Winehouse cultivava amores e ódios à sua volta à velocidade com que dava tragos de uísque em palco. Foi encontrada morta em casa no sábado. Apesar de a polícia ainda não ter avançado com pormenores, o “Daily Mirror” revelou que terá sido uma combinação fatal entre ecstasy de má qualidade e álcool que ditou o destino da cantora.

Nascida no Norte de Londres em 1983, no seio de uma família judia, interessou–se desde cedo pela música. “Frank” (2003) foi a sua entrada triunfal. O álbum de estreia foi nomeado para o Mercury Prize, prestigiado prémio britânico. Três anos depois chegaria “Back to Black”, a encantar meio mundo com uma voz quente e rouca que acompanhava letras pessoais e profundas. O álbum que reunia temas como “Rehab” ou “You Know I’m no Good” venceu cinco das seis nomeações em que estava nomeado para os Grammy. Um terceiro álbum estaria para sair, ainda envolto num certo mistério.

Por trás das músicas envolventes e melancólicas, estavam graves problemas com álcool, drogas e ainda um relação destrutiva com o ex-marido Blake Fielder-Civil. “Não tenho dúvidas: ninguém lhe quis dar a mão”, diz o cantor Fernando Tordo, acrescentando que Amy “era um talento, um cromo! Uma pessoa diferente mas uma rapariga muito frágil”. Poderosa, extraordinária, doce, frágil têm sido alguns dos adjectivos usados para a descrever.

“São situações que acontecem no teatro, no cinema. São excepções, por isso é que são notícia”, comenta Manuel Moura dos Santos, agente musical e ex-jurado do programa “Ídolos”. O próprio confessou-se fã da cantora, apesar de uma má recordação do Rock in Rio, onde teve uma prestação “deplorável”.

Com 27 anos, Amy morreu e consigo levou o eyeliner carregado, o cabelo negro, a cintura de vespa e a voz enorme.

 

Cabelo
Até tem nome: beehive, por fazer lembrar uma colmeia. A senhora que criou o famoso penteado dos anos 50 e 60 foi Margret Vinci Heldt, dona do cabeleireiro a que emprestava o mesmo nome, em Chicago. O penteado, que se baseia em formar um grande alto no topo da cabeça, foi recuperado pela cantora que o trouxe para o novo milénio. Amy inspirou-se nas The Ronettes, uma banda feminina dos anos 60.

Peito
Respirava blues e R&B. Em criança ouvia Frank Sinatra com o pai, mas foi aos 13 anos que recebeu a primeira guitarra para logo depois começar a escrever. O peito da cantora foi motivo de alguma controvérsia não só por ter colocado silicone mas também porque o pai, Mitch Winehouse, o elogiou num programa de televisão: “Está fantástica, as mamas dela estão óptimas também”, deixou escapar.

Voz
De um lado, os escândalos relacionados com a sua vida pessoal e amorosa, com drogas e álcool à mistura, do outro, os rasgados elogios feitos à sua voz, escrita e interpretação. Grandes nomes da música elogiaram Amy, a britânica esquálida e magricela que brotava uma voz forte e rouca que tantas vezes parecia demasiado potente para o seu corpo. Winehouse era um contralto, tipo de voz que está entre o tenor e o mezzo-soprano. Resumindo: tinha um timbre robusto, a potência de uma voz masculina.

Tatuagens
No antebraço direito, um pássaro com a frase “never clip my wings” que traduzido seria “nunca me cortem as asas”. Uma ferradura (símbolo de sorte), uma boneca pin-up e a expressão “menina do papá” aparecem no braço esquerdo. No peito exibia um pequeno bolso onde estava escrito o nome do ex-marido ­– “Blake’s” ou “do Blake”. Na barriga, mesmo ao lado do umbigo tinha desenhada uma âncora com as palavras “hello sailor”. Ao todo, “12 ou 13”  tatuagens, disse numa entrevista.

Pernas
Há fotos que relembram o quanto foram rechonchudas, mas nos últimos anos eram magras, escanzeladas. Muitas vezes tinham nódoas negras e cortes. A cantora teria por hábito cortar-se mas também sofreu agressões do ex-marido, Blake.

Roberta Medina: “No momento em que a Amy aterrou ficamos mais aliviados”

A cantora fez a sua estreia em Portugal no Rock in Rio 2008. Como foi a experiência de a ter como convidada? Na verdade foi bem característico, se fosse tudo certo não era a Amy. Nunca sabia se ia vir ou não, não sabia se estava na clínica ou não. No momento em que aterrou ficámos mais aliviados.

E o concerto? Recorda-se de algo em particular? Para mim foi uma experiência estranhíssima andar pelo público e ver pessoas dançando – porque realmente a banda é muito boa – e outras olhando assim para Amy, espantadas, porque não estava como se esperava.

Como é que recebeu a notícia da morte? Repito a frase de amigos [da cantora]: é assustador mas não é surpreendente. Na música, também no Brasil, acompanhámos talentos como Cazuza, Cássia Eller ou Renato Russo com um fim trágico.

Neste meio é inevitável a relação com as drogas ou o álcool? Acho que é super evitável. Até porque a maior parte dos músicos são saudáveis. As digressões são muito esgotantes, você tem de ter uma energia enorme para ser simpático, você é o centro das atenções. É uma vida difícil. Não é preciso drogas mas é difícil canalizar essas energias.

Fernando Tordo: “Amy não me ouviu”
“Triste, muito triste.
E se não fosse a idade que me traz pacificação, estaria danado com quem deixou Amy Winehouse mais uma vez sozinha; desta vez foi fatal, o fim. Acabou-se a droga, o álcool; mas pior do que tudo foi ter acabado uma originalidade, uma força tão frágil.
E bela. Dediquei-lhe uma canção – “Amy” – gravada há mais de um ano e que faz parte do meu próximo álbum, “Por este Andar” – com arranjos de Pedro Duarte. Não me ouviu. A Amy não ouviu um tipo insignificante que a admirava muito e que sabia que ela só tinha dois caminhos. Hoje ela escolheu um deles.”
Músico
[Fernando Tordo escreveu este texto
no sábado, dia em que Amy morreu] »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/139044-amy-winehouse-assim-se-cala-uma-grande-voz, a 25 de Julho de 2011, em Jornal I

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