Conheça As Series de Televisão Que nos Vão Acompanhar Brevemente…

Séries de Televisão... Fonte: http://www.blogverbalegis.blogspot.com

Hoje trago um artigo sobre as próximas séries que nos vão acompanhar nos dias mais frios…

« Foi-se o sol mas vieram as séries

 Setembro já não tem o sabor tão amargo de outros tempos quando o estômago doía dos nervos provocados pela contagem decrescente para o início das aulas e consequente final de férias. Primeiro porque já não andamos na escola e segundo porque temos as séries – esses minutos (às vezes horas) de televisão tão preciosos e facultadores de belos temas de conversa entre amigos ou, porque não, de elevador. Apesar de não haver nenhuma estreia bombástica, há regressos muito esperados, como “The Boardwalk Empire”, “The Good Wife”, “Dexter” e outras que tais. “The Kennedys”, uma mini-série de oito episódios estreia este mês na Fox Life, com Katie Holmes e Greg Kenear, e o canal SyFy traz “Falling Skies”, produzido por Steven Spielberg.

The Kennedys
Esta minissérie de oito episódios conta a história de uma das famílias mais conhecidas e poderosas dos Estados Unidos. Uma produção nomeada para dez Primetime Emmys, traz-nos Greg Kinear (“Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos”) no papel do presidente John F. Kennedy, Katie Holmes (a mãe da Suri, aquela criança que anda de saltos altos) como Jacqueline Kennedy e Tom Wilkinson (“A Conspiradora”) como o pai Kennedy. Nem Marilyn Monroe foi esquecida, interpretada por Charlotte Sullivan.

Onde FOX Life

 

Falling Skies
Parece que Steven Spielberg ganhou o gosto pela produção e não quer outra coisa. Depois de “Band of Brothers”, o realizador de E.T. larga os heróis de guerra para abraçar o que realmente gosta: extraterrestres. Noah Wyle (o dr. Carter da série “E.R.”) é Tom Mason, um professor de história, pai de três filhos, que luta por sobreviver num mundo dominado por extraterrestres maus, ao mesmo tempo que tenta libertar um dos filhos das muitas patas dos invasores de outro planeta. Will Patton também entra com um papel pouco simpático.

Onde SyFy

 

Na Casa d’Este Senhor
O sucesso desta série começou na Internet o ano passado e agora vai passar para a televisão. O “d’Este” é um vídeo artista viúvo que vive num palacete em Sintra com o seu produtor musical Sam the Kid, com Tuxa, a transexual e musa inspiradora, Adolfo o jardineiro e o gato Maniche. Juntos vão mostrar do que é feita a inspiração e o dia-a-dia deste grande artista. Para quem prefere o amor entre mulheres, estreia “Lip Service”, uma série escocesa que explora a intimidade homossexual de jovens mulheres.

Onde SIC Radical

 

Awake
A produção é de Howard Gordon, o mesmo da séria “24”. Ahistória é complicada mas curiosa: depois de um acidente de carro que lhe rouba a mulher e o filho, o detective Michael Britten (Jason Isaacs, o Lucius Malfoy de “Harry Potter”), passa a viver em duas realidades distintas. Numa a mulher é viva mas o filho morreu, na outra o filho é vivo e a mulher não. Ao mesmo tempo divide-se entre dois parceiros de trabalho e vários casos diferentes. E dois psicólogos que lhe garantem que, ali, está acordado. Complexo.
Onde NBC

 

Grimm
Vindo dos produtores executivos de “Buffy, a Caçadora de Vampiros” e “Angel” (aquele vampiro amigo da Buffy que depois teve uma série só dele) só se podia esperar uma coisa com criaturas assustadoras. Nick Burckhardt (David Guintoli) é um polícia e o último dos Grimm. O que é que isso significa? Que é capaz de ver criaturas más onde o resto do mundo só vê pessoas. Para o ajudar tem  Eddie Monroe (Silas Weir Mitchell) que também não é bem uma pessoa. Os contos de fadas estão prestes a transformar-se em pesadelos.
Onde NBC

 

Suburgatory
Ah, os subúrbios americanos. O que ainda haverá para dizer? Desta feita, George Altman (Jeremy Sisto, de “Sete Palmos”), pai solteiro, fica louco quando descobre preservativos na mochila da filha Tessa (Jane Levy) e decide arrastá-la de Nova Iorque até aos subúrbios mais próximos na esperança de evitar maiores desgraças. Uma comédia familiar cheia de gente loura e dentes brancos a contrastar com o pai e filha mais normais e mal vestidos. Atenção fãs de “Sete Palmos”, Jeremy Sisto engordou uns quilinhos.

Onde ABC »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/146719-foi-se-o-sol-mas-vieram-as-series, a 03 de Setembro de 2011, em Jornal I

RT

Anúncios

Uma Entrevista a… Claudia Vieira…

Entrevista a Cláudia Vieira... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago uma entrevista que o Jornal I fez a Claudia Vieira…

« Cláudia Vieira. “De repente passei também a ser um cromo do Bollycao. Foi um choque

Nada de saltos altos, maquilhagem exagerada, roupas justas ou penteados elaborados. Cláudia Vieira, 33 anos, apareceu de calças largas e sapatos rasos, com algum medo, confessado depois, da entrevista. No final respirou de alívio e agradeceu as perguntas pouco invasivas. Apesar disso falou com o mesmo à-vontade com que sorri para a máquina do fotógrafo, que teve de lhe dar poucas indicações. Contou-nos de como recusou inscrever-se numa agência de modelos que queria que ela emagrecesse seis quilos. Falou do perigo do deslumbramento da série “Morangos com Açúcar” e da filha Maria, que nasceu um mês antes do esperado.

Disse numa entrevista que a representação foi o encontrar do seu rumo. Andava perdida?

Não andava perdida, mas sabia que estava a utilizar muito a minha imagem e que era uma altura para ganhar dinheiro, fazer coisas giras, conhecer pessoas novas. Um mundo diferente da minha infância, daquilo que tinha vivido até então, mas que não era, de forma alguma, uma actividade de futuro e não estava totalmente definido o que é que ia ser a minha vida. O contacto com a representação foi muito especial por diversos motivos mas principalmente porque encontrei o meu caminho e aquilo que quero fazer.

Como é que foi parar à moda?

Os convites começaram desde cedo. Aos 14 anos já me abordavam na rua porque era muito magra e bastante alta. Os meus pais são um bocadinho conservadores, mais o meu pai, e não era uma coisa que ele achasse muita piada. E as coisas foram andando. Até que aos 18 anos participei num concurso de misses, só por piada, aquelas coisinhas de terras pequenas e conheci um rapaz que era manequim. Ele levou-me a uma agência onde me disseram que tinha de perder peso, peso que eu me tinha esforçado imenso para ganhar. Ainda por cima estava realmente a sentir- me bem assim. Tinha de perder peso, escadear o cabelo e dar uma lavagem à minha imagem. Aquilo assustou-me um bocadinho e voltei a ficar de pé atrás.

Foi uma abordagem um bocado agressiva.

Foi. Porque eu era daquelas pessoas um bocado complexadas por ser magricela. De repente, naquela idade dos 16, 17 anos, consegui ganhar peso e para mim era uma satisfação, sentia-me muito mais bonita e muito mais mulher, coisa a que nessa altura damos muito mais importância. Chegar a uma agência e dizerem–me que eu tinha de perder uns seis ou sete quilos que era provavelmente aquilo que eu tinha ganho, foi assustador e estranhíssimo. E foi definitivo porque pensei: “Eu não quero isto tanto assim”. Achava que era um mundo giro de conhecer mas não era um sonho especial como o de tantas meninas que vão parar à moda. E desisti. Mais tarde, por contactos com pessoas amigas do meio, foram surgindo mais convites, às vezes de clientes mais do que de agências e fui fazendo umas coisas. Acabei por me inscrever numa agência e comecei a fazer muita publicidade para televisão, fotografia, alguns desfiles. Nunca fui manequim de desfilar na Moda Lisboa ou Portugal Fashion. Quando podia ter entrado nesse registo mais de moda, foi precisamente quando fiz o casting para os “Morangos com Açúcar”.

Pensou que os “Morangos com Açúcar” se transformassem num fenómeno?

Como fiz parte da segunda série já tinha a noção que aquilo iria provocar uma mudança na minha vida. Não sabia é que seria uma mudança tão grande nem que a série fosse tão duradora. Quando fiz o casting não o fiz totalmente motivada ou a achar que poderia ficar. Fiz da mesma forma que fazia os da publicidade, como um trabalho específico e pontual. Quando percebi que ia ficar e que seria a protagonista tive noção que a mudança ia acontecer. Aliás, liguei à minha mãe assim que soube e ela não teve a mesma reacção que eu e disse: “Parabéns filha”, da mesma forma que o fazia quando eu ganhava um casting de publicidade. “Mãe, não estás a perceber, eu vou fazer os ”Morangos com Açúcar”, uma série que está a ser um sucesso incrível e ainda por cima vou ser a protagonista. Isto vai implicar com a minha vida e se calhar com a vossa”. E a minha mãe: “Que exagero, vais ver que não vai ser nada assim”.

E a vida mudou mesmo?

Mudou, mesmo. Naquele ano acho que a minha família ainda sentiu mais a mudança do que eu própria, porque aquilo era tão intenso a nível de horários e de foco no trabalho, a dedicação que exigiu da minha parte, que ainda por cima não tinha formação naquela área, foi levada a um tal extremo que os meus pais, irmãos e amigos é que tiveram a noção do efeito que estava a ter. Eu acordava de manhã para ir gravar e saía de lá à noite com os textos para o dia seguinte. E começaram a aperecer muitos convites de trabalho.

Disse que não a muita coisa?

Inevitavelmente tive de dizer, mas naquela altura pensamos que não sabemos quanto tempo aquilo vai durar.

Isso acontece muito, o medo que acabe tudo?

Acontece um pouco de tudo. Naquele momento a sensação era que tinha realmente de aproveitar aquele fenómeno dos “Morangos” e tudo o que estava a provocar na minha vida. Os convites que estava a ter e o que aqueles dois anos de trabalho poderiam significar para mim a nível de contactos noutras áreas e por aí fora. Depois tive de dizer que não porque não tinha tempo. Era a loucura. Muitas vezes eu e o Pedro [Teixeira] trabalhávamos de segunda a sábado e ao domingo íamos fazer um trabalho de outras coisas que surgiam. E isso foi continuando.

Tinha 26 anos, na altura. Já não era uma criança, mas para os mais novos há o perigo de se ficar deslumbrado?

Sim. Eu tinha 26 anos, uma idade que não me permitiu esse tipo de deslumbramento. Além disso já tinha passado por várias experiências. Tinha aberto uma empresa na área das promoções, com estratégias de promoção de determinadas marcas e acções de Verão. Mas para uma criança, um jovem de 16, 17 anos, ser solicitado para mil e uma situações e ser cada vez mais valorizado, com cachets cada vez maiores e sentir que são os ídolos dos miúdos de 13, 14 anos, acho que pode ser muito perigoso. Acima de tudo é muito fácil acreditar que a partir dali a vida muda. A mudança acontece mas pode ser momentânea. De repente sentes-te especial e importante. Necessário, quase, na sociedade, o que é um bocadinho relativo. Ou se tem uma base muito boa e se sabe realmente o que é importante na vida ou tem de se ter pessoas à volta sempre a alertar e a dizer “cuidado que isto é assim este ano mas depois pode acabar”.

Às tantas não se tornou uma fábrica de meninos bonitos, todos iguais?

Completamente. Eu tive situações giríssimas de mães a virem ter comigo a dizer que tinham de levar as filhas ao cabeleireiro porque queriam um corte igual ao meu, mas tenho plena consciência que se tornou uma fábrica de meninos bonitos. Temos de perceber, nós, os tais meninos bonitos da altura, que a nossa imagem está a abrir portas, mas para nos mantermos é, se calhar, a primeira coisa a limitar a nossa evolução na representação. O teatro não exige que as pessoas sejam bonitas, exige que sejam muito boas profissionais. Há um estigma… agora cada vez há mais colegas de teatro que também fazem televisão. Há uma guerra de sobrevivência, quase.

Mas sentiu esse estigma?

Senti muito aquela coisa do “sou comercial, sou de televisão”. A televisão tem esse efeito. As pessoas gostam de ligar e de ver pessoas bonitas, não é de agora. No Brasil são maravilhosos e tentam que sejam os mais bonitos de todos. Nos “Morangos” isso acontecia, a selecção era feita pela imagem. Tentavam ver algum carisma, pessoas empáticas, porque isso é fundamental.

Quando era miúda também tinha ídolos, como os actores dos “Morangos com Açúcar” o são para os mais novos?

Tinha, mas na nossa altura os nossos ídolos não eram nacionais, eram daquelas séries que víamos, como “Beverly Hills” em que fazíamos a colecção dos cromos… e eu de repente passei a ser também um cromo do Bollycao! Foi um choque para mim.

E se um dia a sua filha, quando for mais crescida, também vir nesses miúdos ídolos?

Espero que isso aconteça, é sinal que continuamos a fazer boa ficção nacional. Se isso acontecer estou preparada para lhe dizer que aquelas pessoas não são mais do que ninguém, o trabalho que desempenham é que tem uma exposição muito grande porque entram em nossa casa e ficamos com a sensação que os conhecemos, mas que não têm nada a ver com as personagens que desempenham.

Qual foi o primeiro cachet que recebeu?

Assim a sério foi com a primeira campanha que fiz, para a MacDonalds. Lembro-me que ganhei 200 contos. Foi maravilhoso.

Como o gastou?

Serviram para ajudar na compra do carro. Juntei às economias que já tinha feito. Mas antes disso, com aquele concurso de miss que falei há pouco, também ganhei um valor qualquer em dinheiro e comprei uma acelera.

Cresceu onde?

Sou de Loures e cresci numa quinta, um ambiente muito pequeno em que toda a gente se conhecia. Cresci rodeada de animais, daqueles mesmo a sério, tipo galinhas, coelhos, ovelhas, cavalos. Tenho um contacto extremo com tudo o que é natureza, sou uma defensora de tudo o meta conservação e preservação do ambiente.

Os seus pais faziam o quê?

O meu pai tinha um oculista, a minha mãe era doméstica e andava sempre com os três para todo o lado. Tenho dois irmãos: um, dois anos mais velho e uma irmã, cinco anos mais nova. Sempre fomos muito dados a actividades desportivas porque a minha mãe sempre fez ginástica. Com cinco anos eu andava, para aí, em sete modalidades diferente. O meu irmão também. Atletismo, ballet, ginástica, andei na música, também. A minha irmã já não fez parte destas modalidades todas, não teve o mesmo contacto com o desporto. Ela focou-se mais nos estudos do que nós.

Estudou até que ano?

Fiz o 12º e não cheguei a avançar para a faculdade. Foi uma daquelas coisas que me ficou assim um bocadinho… tenho pena porque sempre gostei de estudar. Mas foi aquela coisa de me querer meter em tudo ao mesmo tempo. Isto contado assim pode parecer que dava tempo para tudo, mas a verdade é que quando comecei a fazer trabalhos de moda e figuração, ocupava-me muito tempo. E se no início o foco principal é a escola, quando entramos no mundo do trabalho começamos a distânciar-nos cada vez mais e a deixar coisas para trás. Depois houve um ano que pensei: “Este ano não me inscrevo na faculdade, está a correr tão bem, tenho uma série de trabalhos, fica para o ano”. Entretanto com a representação, em que fiz alguma formação, distanciei-me dos estudos.

Mas quando era miúda o que é que queria ser?

Inevitavelmente qualquer coisa ligada ao desporto. Como tinha este contacto desde miúda e foi o que segui no 10º ano, iria inscrever-me na Faculdade de Motricidade Humana. Queria ser professora de Educação Física, de ginástica, qualquer coisa relacionada com isso.

Gosta de fazer novelas?

As novelas têm um efeito muito engraçado. Há todo um entusiasmo por parte da coordenadora do projecto, da produção, dos próprios actores e realizadores de “vamos fazer a melhor novela de sempre”. Nos primeiros dois meses andamos sempre a descobrir coisas novas na personagem e a dar coisas novas até a quem está a escrever, ajudando a encontrar outras linhas da história. E isso é motivante.

E o lado mau?

O que se torna desagradável é o exagero de horas de trabalho, o exagero de tempo do projecto, porque normalmente vai de nove meses a um ano, em que todos os dias vestimos aquela personagem e de repente já não temos nada para dar. E depois há outra coisa que se torna desmotivante: não temos muito tempo para fazer muito bem. Se não for no primeiro take, tem de ser no segundo, no máximo ao terceiro. Às vezes sentimos que até estamos a fazer uma coisa com qualidade e depois vemos na televisão que não foi bem assim. Há coisas que se perdem e acaba por ser desmotivante e desprestigiante para o actor porque rouba muito do trabalho. Por outro lado quem tem a capacidade de desempenhar um bom papel numa novela, faz tudo.

Acha que as novelas nacionais são tão boas como as brasileiras?

Acho que estamos a caminhar para aí e cada vez estamos a fazer melhores novelas. Mas falta um bocadinho aquela parte da pessoa sentir necessidade de ver o episódio seguinte. Muitas vezes se não virmos um ou dois dias das nossas novelas, não se perde nada e isso é uma pena. Os brasileiros têm mais ginástica e capacidade de agarrar o espectador. E isso nota-se até nas co-produções que temos tido. Nesta novela, “Laços de Sangue”, que é uma co-produção com o Brasil, já se sente um bocadinho isso.

Vê-se a fazer isto para o resto da vida?

Vejo, quero muito fazer teatro, gostava de fazer cinema, e quero continuar a enriquecer profissionalmente. Mas também tenho muito a noção de onde vim, de quem sou. Sei que sou muito comercial, que vim da televisão. E se inicialmente comecei sem ter essa perspectiva, hoje tenho plena noção. E tive, nestes dois últimos anos da minha vida, contacto com uma área que foi muito gratificante, que foi a apresentação.

Gostou de apresentar o “Ídolos”?

Gostei, mas não me senti 100% confortável na primeira edição. Na segunda quase cheguei aos 100%, mas ainda não consegui. Provoca-me sempre muito nervosismo. Aquela coisa dos directos é sempre uma pressão muito grande para mim. Gosto muito de comunicar e de saber que estou a entrar na casa das pessoas mas provoca-me um nervosismo tal que… ainda por cima comecei com um formato que já vinha com grande sucesso anterior. E tinha de tudo: contacto com grandes multidões em que tínhamos de pôr toda a gente a cantar, e depois as galas em directo em que podia acontecer tudo. E hoje em dia qualquer asneirada que se faça vai logo para o youtube.

Mas no “Ídolos” não havia teleponto?

Havia, mas nem sempre dava para usar. Quando estávamos colocados fora do palco, tínhamos de lançar actuações sem o teleponto. Eu ficava sempre a pensar: “Será que lancei a actuação certa, será que disse o nome da concorrente certa?”

Nos EUA todos os concorrentes que ganham o programa têm carreira garantida, ao contrário de cá. Pensava nisso, na possibilidade de não terem futuro?

Com tanto contacto com eles vemos tanto potencial e talento que acabamos por acreditar que vão sair dali carreiras. Naquele momento eu não tinha dúvidas que aquelas pessoas tinham dado um passo ao encontro daquilo que iriam fazer e que se iriam tornar grandes artistas. Cá ou lá fora. Naquele momento eu estava a acreditar que isso ia acontecer. Depois… o tempo vai passando mas acredito que alguns deles vão conseguir construir carreiras como o Rui Veloso, por exemplo. O potencial está lá. Temos é um mercado muito pequenino.

A televisão vive muito da imagem. Preocupa-se muito com isso quando sai à rua?

Não tenho essa preocupação quando saio de casa de manhã. Embora, infelizmente, já tenha visto imagens minhas a despejar o lixo, a levar a minha filha à escola ou a passear o meu cão, desgrenhada. Mas para me manter sã e bem comigo não posso ter essa preocupação de pôr uma basezinha ou um rimel antes de sair de casa porque posso ser apanhada. Isso seria um drama para mim. E eu lido bem comigo mesma sem produção.

Está com o Pedro Teixeira há sete anos, desde que se conheceram nos “Morangos com Açúcar”. São um caso raro de um casal da televisão que não se separou à velocidade da luz.

Acho que é porque continuamos a ser as pessoas que sempre fomos, temos amigos antes desta coisa da televisão e temos ao nosso lado as pessoas certas para se preocuparem com a parte da carreira e de dar os passos certos. Não vivemos nessa sombra de “o que é que temos de fazer para a nossa carreira não acabar daqui a dois ou três anos”. Nada disso. Não vivemos reféns de ter sucesso ou manter a carreira de forma desesperada. E não somos competitivos. O Pedro sabe qual é o meu posicionamento no mercado e eu sei qual é o dele e ninguém critica ninguém pelos passos que dá. Vivemos de forma descontraída.

Que idade tem a vossa filha?

Tem 15 meses.

Estava muito nervosa nas semanas antes do nascimento?

Não, porque a Maria chegou um mês antes do que era suposto e fui apanhada de surpresa. Estávamos num jantar e tivemos de ir ao hospital porque estava com contracções. De repente já não saí de lá porque já tinham rebentado as águas e eu não tinha dado por nada. No momento em que a médica disse que ela ia nascer naquela noite é que fiquei em pânico, apesar de saber que ia ser cesariana porque ela estava sentada. O meu ritmo era tão grande que acho que a minha filha se sentou e pensou : “Não vou ficar aqui de cabeça para baixo senão esta não vai parar”. Estes 15 meses têm sido maravilhosos. É mesmo a melhor coisa do mundo e não há nada que se compare. Podes ser profissionalmente muito realizada, orgulhosa e satisfeita mas para mim, ser mãe, é o maior orgulho que posso ter.

Para além da filha, também há um cão na família.

O Yoshi, que tem cinco anos. É um Golden Retriever e é o melhor cão do mundo. É super educado, acompanha-me para todo o lado.

Ele dá-se bem com a Maria, não teve ciúmes?

Teve, teve alguns ciúmes. Mas fiz uma coisa que me ensinaram e resultou. Quando fui para o hospital ter a Maria, a primeira peça que ela vestiu veio para casa, com o cheiro dela e o meu, inevitavelmente, e pusemos junto dele. Para ele perceber que havia mais alguém. Antes disso também punha a barriga junto dele, mas não sei até que ponto é que ele estava a perceber ou não. Mas lembro-me dele ser muito cuidadoso com a minha sobrinha, que tem hoje 6 anos, com quem cresceu. Com a Maria não é tanto. Às vezes dá-lhe assim um encontrão do tipo: “Não estou nem aí, ela tem sempre a atenção deles, toma”. Mas foi fácil. Ele não teve alteração nenhuma na rotina, continua a ir para o nosso quarto, onde dormimos todos. Ele tem a almofada dele, a Maria tem a caminha dela e nós temos a nossa cama. Também não sou stressada com o pêlo dele que às vezes até há na cara da minha filha. Tenho logo a preocupação de tirar, mas ela agarra nele e dá-lhe beijos e ele a ela. Eu fui criada assim e não me fez mal nenhum, pelo contrário. Acho que até é saudável. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/144381-claudia-vieira-de-repente-passei-tambem-ser-um-cromo-do-bollycao-foi-um-choque, a 22 de Agosto de 2011, em Jornal I

RT

Conheça as Melhores Mães da Ficção…

Conheça as Mães da Ficção... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo, que embora esteja um pouco atrasado, achei bastante piada visto que o mesmo é referente às mães…

« Dez mães inesquecíveis. Além da nossa, claro

 Domingo celebra-se mais uma efeméride propícia ao desenvolvimento do negócio das flores: o Dia da Mãe. Não lhe vamos sugerir presentes para a sua mãe guardar em cima da cómoda, nem t-shirts com fotografias de família. Em tempos de crise, fazemos uma homenagem às mães ficcionais que nos acompanham na literatura, no cinema, na televisão e na música. Não são perfeitas mas vale a pena recordar. Pedimos desculpa, em avanço, por algum excesso de lamechice maternal

 TELEVISÃO

01 Marge Simpson; “Simpsons”

É a mãe que nos acompanha há mais tempo. Marge Simpson merece um lugar no livro do Guiness como a mais paciente das mães. Há 20 anos que a vemos tratar de uma bebé, que apesar de todas as atenções e carinhos não fala (só o fez uma vez com a voz de Elizabeth Taylor), de um terrorista e de uma intelectual. Marge Simpson dedica a vida à família e sabe adaptar-se a todas as situações. Dos dramas teológicos e científicos de Lisa, às crises de mau feitio de Bart e às necessidades de Maggie.

02 Gloria; “Uma família muito moderna”

É um tributo às mães latinas. Gloria (Sofia Vergara) está sempre agarrada a “Manny”, um miúdo gordinho, intelectual, muito adulto para a idade. É uma mãe que sabe ser autoritária quando é preciso, mas estraga-o com mimos. Só não gosta quando ele arranja namoradas. Começa a competição: “Ela ou eu?”

03 Estelle Constanza; “Seinfeld”

Prémio de mãe mais chata e com a voz mais estridente da televisão vai para Estelle Constanza (Estelle Harris). A mãe de George Constanza é uma dona de casa dedicada que ensina uma bonita lição ao filho: a vida é dura, as discussões são coisas normais e um casal disfuncional também funciona. Quer o melhor para o seu “Georgie” e não tem problemas em envergonhá-lo.

Cinema

04 Leigh Anne Tuohy; “Um sonho Possível”

Supermãe americana que vai fazer tudo por tudo para que os filhos tenham sucesso. O empenho é tal que decide adoptar um adolescente negro com um passado problemático. “Tens algum sítio para dormir? Não te atrevas a mentir-me.” Apresentações feitas, Leigh (Sandra Bullock) passa a tomar conta de Mike com a mesma dedicação que dá aos seus próprios filhos.

05 Christine Collins; “A Troca”

Neste filme ficamos a conhecer a perseverança de uma mãe. Christine Collins, que, com um ar frágil, luta para encontrar o filho desaparecido e não vai desistir por nada. A polícia dá-lhe uma criança que não é a sua e Christine não alinha na história inventada pelas autoridades. É internada num manicómio, mas não desiste de saber o que aconteceu ao filho. Baseado numa história verídica, o filme é de Clint Eastwood e tem Angelina Jolie como protagonista.

06 Mrs. Gump; “Forest Gump”

“My momma always said” (a minha mãe sempre disse), é uma das frases mais repetidas por Forest Gump (Tom Hanks). A mãe era Sally Field, uma mulher inteligente, solidária e que educou sozinha um filho com problemas mentais. Fez dele um homem independente e sem medos. “A vida é como uma caixa de bombons, Forest. Nunca sabes o que te vai calhar”, é a sua frase mais conhecida.

Música

07 Julia, “The Beatles”

Em 1968, John Lennon escreveu uma letra que imortalizou a sua mãe. É certo que não é uma figura de ficção, mas está incluída nesta categoria porque já faz parte da cultura popular. John Lennon perdeu a mãe quando tinha 17 anos. Depois do tema “Julia”, ainda com os The Beatles, escreveu outra música de homenagem: “Mother”. Julia não era uma mãe exemplar, mas foi ela que ensinou John Lennon a tocar o banjo e lhe comprou a primeira guitarra.

Literatura

08 Gertrudes; “Hamlet”

É uma mãe muito polémica. Gertrudes casa com o cunhado, Claudio, que terá assassinado o seu marido. Não sabemos se é por ser muito inocente ou muito perversa. Seja como for, Hamlet continua a gostar da mãe e ela tenta apoiá-lo ao máximo. Existem muitas teorias sobre a mãe de Hamlet e estudiosos garantem que ela não sabia que o marido tinha sido assassinado pelo cunhado.

09 Mrs. Bennet; “Orgulho e preconceito”

A típica mãe conservadora que quer o melhor para as suas filhas. No século xix, isso significava casar com homens ricos. Era uma daquelas mães inconvenientes, que dizem coisas que não devem, e um pouco preconceituosa. Tinha um grande coração, estava era mesmo junto à boca e saia tudo cá para fora. Ser bela e bela parecer era o mais importante.

10 Mrs. March, “Mulherzinhas”

É preciso um pulso forte para educar sozinha quatro filhas: Jo, Meg, Beth e Amy. A escritora Louisa May Alcott criou uma mãe solidária, trabalhadora, amorosa, ética e inteligente. Mrs. March está sozinha porque o marido está na guerra e tem de trabalhar para sustentar a família. As filhas têm tempo para discussões sobre boas maneiras ou se devem ou não trabalhar. Nesta casa não há espaço para castigos corporais. Santa mãe. Só pode ser uma personagem de ficção, tal é a falta de defeitos. Desculpem mães, mas sabemos que são humanas. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/120104-dez-maes-inesqueciveis-alem-da-nossa-claro, a 02 de Maio de 2011, em Jornal I

RT

Conheça O Novo Canal de Cultura em Portugal…

Canal de Cultura Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo que encontrei num jornal da nossa praça, e que versa sobre  o primeiro canal de cultura português a emitir 24 horas, passo a transcrever a referida peça.

«  Primeiro canal de televisão português dedicado à cultura estreia na segunda-feira

O primeiro canal de televisão português dedicado à cultura e criatividade, estreia na segunda-feira na posição 180 da grelha digital da Zon, com seis horas diárias de programação, foi hoje divulgado pela OSTV.

A empresa, sedeada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, venceu em 2010 o Prémio Nacional das Indústrias Criativas Unicer/Serralves, precisamente com o projeto de lançamento do primeiro canal de televisão colaborativo e interativo na área da cultura.

Pensado numa lógica “low cost”, o canal 180 tem uma equipa de dez pessoas, nenhum estúdio, câmara de filmar ou apresentador, e assenta numa lógica de colaboração com as instituições culturais.

“Mais do que produzir uma grande quantidade de conteúdos, queremos procurar, encontrar e atrair conteúdos, criando um contexto qualitativo interessante. Temos uma equipa muito concentrada em criar uma boa experiência de conteúdos mais do que produzir”, esclareceu João Vasconcelos, fundador e diretor geral da OSTV, em declarações à Lusa.

O responsável considera que “não é a captação e produção de novos conteúdos que faz falta”.

A necessidade, diz, “é mais a forma” como se agrega, comunica e quais as horas de programação desses conteúdos.

A motivação da empresa é mostrar conteúdos culturais, “que não se conseguem encontrar na televisão”, acrescenta João Vasconcelos.

Quando for para o ar, na segunda-feira a partir das 20:00, o “180” chegará também a outras plataformas – website, facebook, iPad e iPhone.

O público-alvo do canal tem entre 18 e 35 anos, das classes A, B e C1, e são pessoas “informadas e qualificadas, culturalmente ativas, viajantes, artistas, criadores, cinéfilos, melómanos e apreciadores de arte”.

A programação prolonga-se todos os dias até às 02:00, incluindo videoclips, um magazine cultural e um destaque diário (que pode ser um documentário ou um concerto, por exemplo).

O magazine “vive muito da colaboração com as instituições” culturais, o que “permite grandes poupanças”, refere João Vasconcelos.

“Depois, temos os destaques diários, sobretudo no formato documentário. Alguns são adquiridos, outros fruto de colaboração com artistas ou com marcas comerciais”, acrescenta, explicando que o canal se paga “com publicidade”.

Os documentários “Rip: Remix Manifesto”, “Lusofonia a (R)Evolução”, “Uma na Bravo outra na Ditadura”, “12 Histórias sobre John Zorn”, “Inside Outside” e “We ar moving in” são alguns dos destaques para a primeira semana de programação, dedicada ao tema Revolução. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/118256-primeiro-canal-televisao-portugues-dedicado–cultura-estreia-na-segunda-feira- ,  a 19 de Abril de 2011, em Jornal I

RT

Uma Entrevista a Virgilio Castelo…

Virgilio Castelo... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo que penso que seja interessante, nem que seja, por falar de um espectáculo que se pode ver até ao próximo Domingo, passo a transcrever o mesmo.

« Virgílio Castelo “A ficção é um brinquedo caro”

O consultor para a ficção na SIC diz o que se fez na televisão nos últimos 15 anos é “notável”. Agora volta ao teatro com um monólogo. Para ver até domingo

Há vários Virgílios Castelo. Há o actor de teatro, o encenador, o galã da televisão, o consultor da SIC, o ex-director da NBP e o escritor. Encontrámo-nos com todos na esplanada da Pastelaria Benard, no Largo do Chiado, em Lisboa, mas demos mais atenção ao actor. Com 57 anos, Virgílio Castelo faz o balanço de uma carreira com mais de 30. Está no Teatro Tivoli como um banqueiro que atira tudo para o ar e procura o tão falado “sentido da vida” em “Um, Ninguém e Cem Mil”.

Com 36 anos de carreira, ainda lhe dá prazer ser actor?

Representar é vital. Se tiver saúde, há papéis para todas as idades. Mas nunca pensei em ser actor.

Nunca?

Imaginava que ia trabalhar para ajudar os meus pais. Venho de uma família pobre e eu era o mais velho de quatro filhos. Comecei a trabalhar aos 14 anos e fazer uma coisa que me desse prazer não me passava pela cabeça.

O que fazia nessa altura?

Era paquete, depois trabalhei como escriturário, fiz entrevistas de mercado, fui empregado de mesa em Paris. Ser actor aconteceu quando voltei para Portugal, em 1971 e comecei a trabalhar como modelo mas para pagar contas.

Foi convidado?

Concorri a um anúncio de modelos. Correu bem e dos 19 aos 21 anos trabalhei como modelo. Ser actor aconteceu porque conhecia a Helena Isabel que me perguntou se não queria ser secretário num grupo de teatro.

E de secretário para actor?

Já era secretário no grupo e o Francisco Nicholson e o Mário Alberto olharam para mim e disseram: “Precisamos de um rapaz e vais ser tu”. Foi o primeiro espectáculo feito em liberdade. Tudo o que se vivia era do domínio da utopia. Pegava-se num miúdo e dizia-se: “Queres ser actor, ”bora.”

Como aprendeu a posar e a representar?

Vendo os outros e depois estudei representação em Estrasburgo. Vampirizo as coisas à minha volta. No meu tempo, literatura e cinema eram caminhos para vida. Depois o entretenimento tomou conta de tudo e raramente encontramos uma coisa em que se diga “isto é importante para a minha vida”.

Como reagiram os seus pais?

Para o meu pai foi complicado. Era funcionário do antigo regime e eu estava a trabalhar numa companhia comunista [Grupo de Teatro Adoque]. Não me desaconselhou, mas ficou um bocadinho zangado. A minha mãe achou óptimo. Herdei dela a vontade de fazer sempre coisas diferentes.

Como assim?

Não consigo parar quieto durante muito tempo. O meu pai teve dois empregos e só houve o segundo porque houve o 25 de Abril. A minha mãe teve 60. Foi cozinheira nas escolas, empregada de clínicas. Aos 60 anos respondeu a um anúncio para uma pizzaria na Alemanha. Contrataram-na e foi sozinha sem falar uma palavra de alemão. Herdei essa vontade de não estar parado. Ser actor é uma vantagem, porque posso sair dos projectos e entrar noutros sem ninguém ficar chateado.

Chegou a trabalhar como apresentador no “Isto Só Vídeo”. Gostou?

Sim. Era um formato simples, despretensioso. Só apresentei mais dois programas. Recusei muitos convites.

Porquê?

Ser apresentador, nessa altura, correspondia a ganhar muito dinheiro e quando se ganha muito dinheiro criam-se hábitos de vida em função disso. Para manter essa vida, teria sempre de fazer mais um concurso. O meu trabalho como actor iria para segundo lugar.

Como é o trabalho de consultor para a ficção nacional na SIC?

É muito engraçado porque estou do lado contrário de quando estava na NBP. O que faço é dar a minha opinião sobre o texto, os actores, ao director de programas e à direcção de programas.

A ficção está a melhorar ou há muito a percorrer?

Há muito a percorrer. O que fizemos com a ficção televisiva em 15 anos é notável. Não conheço nenhum povo que tenha chegado ao patamar de qualidade que chegámos. Não podemos é comparar com o que se faz em França, Inglaterra ou Brasil. Não temos escala. Isto é um brinquedo caro. É preciso dinheiro. Nós nunca tivemos e agora ainda temos menos.

A instabilidade é uma constante na vida de um actor. Como vive com isso?

Aprendi a viver com a insegurança e com a rejeição. Quando dizem “aqueles tiveram cunhas” ou “outras entram porque são bonitas”. Tudo isso pode existir. Mas tem um tempo limite. Ninguém sabe explicar como é que um actor ou actriz tem sucesso. É completamente arbitrário, porque as modas mudam. Há uns actores que são especiais que têm um estilo inconfundível, mas isso são meia dúzia. Todos os outros, que são normais como eu, levam alguns anos até encontrarem a sua especificidade.

Lidar com a rejeição é fácil?

Há boas e más histórias. Num casting que fiz com o encenador Jorge Lavelli, por exemplo, vi nos olhos dele o pensamento: “O que é que este tipo está aqui a fazer? Não tem jeito nenhum.” Saí dali destruído, nem precisei falar com a produção. Pelo lado positivo, fiz um casting no meio de um corredor, com técnicos a passar, num desrespeito total. Começo a enervar-me e desato aos gritos a insultar toda a gente. A realizadora contratou-me para protagonista da série de 1990 “Procura-se”.

Está no Teatro Tivoli com “Um, Ninguém e Cem Mil”. Porque decidiu interpretar um texto do Nobel Pirandello que nem era uma peça de teatro?

O Nelson Monforte queria trabalhar comigo. Contactou-me e propôs-me alguns textos, sempre monólogos. Quando apareceu o de Luigi Pirandello, achei que era o mais adequado. O texto é sobre quem somos e o que andamos aqui a fazer. Vem muito a propósito. A cereja no cimo do bolo é o facto do protagonista ser um banqueiro, filho de banqueiro, casado com filha de banqueiros, que larga tudo e acaba sozinho à procura de si mesmo. Achei que era uma metáfora sobre a actual conjuntura. O mais difícil foi adaptar o texto.

Porquê?

Aquilo é um romance, não uma peça. Além disso, queríamos uma adaptação que chegasse a todos os públicos. Deixámos o esqueleto da progressão da personagem e de lado ficaram as divagações. Resultou. Quando andámos em digressão uma senhora disse: “Isto são as coisas que nós pensamos antes de adormecer”. É isso mesmo.

Moscardo é um banqueiro meio enlouquecido ou está em busca de identidade. Costuma transportar as personagens consigo?

Um pouco, mas é preciso desmistificar isso. Se estou a fazer um personagem trágico, há um peso. Se andar a fazer comédia ando mais bem dispostos. Ao longo destes anos tive dificuldade com três personagens. Nada de especial.

Quais?

A principal foi na peça “A Rua”, de 1989. O meu personagem tinha sido interpretado pelo vocalista dos Sex Pistols, no Reino Unido. Era uma coisa violenta, sobre sexo, drogas e rock”n”roll. Precisava de duas horas para esgotar a adrenalina. Saía do teatro e tinha de ir dançar ou andar a pé. Não ficava a pensar: “Ai meu Deus, sou como ele”. O nosso trabalho é como o director da escola em Estrasburgo onde estudei dizia: “O actor tem de assegurar o mínimo da personagem, depois, de vez em quando, os deuses descem e somos bons”. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/101092-virgilio-castelo-a-ficcao-e-um-brinquedo-caro, a 28 de Janeiro de 2011, em Jornal I

Boa Peça!

RT

Uma Entrevista a Julia Pinheiro….

Hoje, e para começar bem a semana, trago uma entrevista que saiu no final da semana transacta, desta feita, com a apresentadora Júlia Pinheiro, passo a transcrever a mesma.

Julia Pinheiro Fonte: http://www.ionline.pt/

« Júlia Pinheiro. “Grande parte dos programas que faço não são do meu interesse pessoal”

Diz que se pudesse fazia um programa de arqueologia e acha-se desinteressante para entrar “Casa dos Segredos”. A directora da TVI fala das suas opções e de como fugiu a uma carreira na informação

São 19 horas quando Júlia Pinheiro começa a conversar com o i, sempre de telemóvel na mão. A apresentadora vai acelerar a nossa conversa porque não falta ao jantar com o marido e os três filhos. Esperámos pela directora de conteúdos da TVI numa sala de reuniões da estação repleta de cartazes dos programas que marcaram a história do canal. “O jacuzzi das celebridades”, ou melhor, “Quinta das Celebridades”, o “Big Brother Famosos”, agora só falta colar na parede a “Casa dos Segredos”, líder de audiências que já conseguiu 57,8% de quota. Ouve-se a voz de Júlia, de 48 anos, nos corredores, antes do barulho dos saltos altos. A filha única que sonhava ser arqueóloga fala abertamente da carreira, do sonho de ser repórter de guerra, dos amores e do quanto se diverte a fazer directos.

Juntou a um programa diário, “Tardes da Júlia”, a “Casa dos Segredos” e ainda é directora de conteúdos da TVI. Não é cansativo ?

Trabalho desde os 19 anos e não me lembro de ter tido só uma coisa para fazer. Acho até que ficava mal disposta e me iam surgir borbulhas. O que me cansa é gastar o tempo inutilmente em tarefas que são uma chatice. Por exemplo, reuniões. Somos um país de reuniões. Há umas fantásticas, outras um verdadeiro pincel. O momento simples de fazer o programa não me cansa nada.

Parece estar sempre a divertir-se. Numa das galas até surfava.

Aquilo diverte-me. Às vezes perguntam-me porque sou bem sucedida, a resposta é: porque não estou em esforço. Quando me atirei para o chão, foi porque me apeteceu. Sou o terror dos realizadores. Temos marcações para as filmagens, mas eu posso ir para qualquer lado. É isso que adoro nos directos.

Não usa teleponto. Porquê?

Por que é uma chatice. Era o que mais faltava. A forma como se lê não é a mesma como se fala. Eu sou um bicho deste artifício: de falar em directo, sem uma única linha escrita. Tenho uns cartões para saber o alinhamento e mais nada. E se me divertir aquilo corre bem.

E se isso não acontecer?

Não corre bem. Mas mal, mal só me correram dois. Um programa que se chamava “Só para Inteligentes” – só o nome assusta – e um outro “Cantigas de Maldizer”, os dois na SIC.

Por que é que correram mal?

Não eram bons programas. Estavam mal enjorcados. Tive audiência, mas estava em esforço. Grande parte dos programas que faço, se não a totalidade, não seriam os que eu escolheria. Os programas que quereria fazer são uma seca. Adoro arqueologia, mas acha que vou fazer um programa sobre pedras e escavações? A dona Jaquina ia perguntar: “Olha Zé, a dona Júlia dentro de um buraco?” É uma questão profissional. Se a empresa à qual pertenço precisa que os programas sejam executados, faço com o maior prazer. Mas não são os do meu interesse pessoal.

E consegue fazer?

Na maior.

Como directora de Conteúdos da TVI o que viu na “Casa dos Segredos”?

É o formato internacional mais interessante na televisão. Tem uma componente de voyeur, a base do reality show, que é o princípio da vizinha, o lado mais pequenino de nós, mas que é intrinsecamente humano. Em cima disto, puseram uma coisa ainda mais interessante, o jogo, com uma certa manipulação psicológica. É uma experiência sociológica interessantíssima. Correu-nos muito bem o casting, ao contrário do que as pessoas dizem.

Mas há muitas críticas.

Como arranjámos um grupo de pessoas com um histórico, a maior parte deles, problemático, há muitos preconceitos. Mas ter um segredo tipo “tenho três gatos cor-de-rosa” não é propriamente um segredo. Já o segredo “participei num assalto” ou “fui acompanhante de luxo” é. Mas nenhum tem cadastro criminal ou foi condenado, desse ponto de vista fomos cuidadosos. Como tiveram uma experiência mais rica, de tensão, têm conversas mais interessantes. Já discutiram a pena de morte ou a SIDA. A facilidade com que rotulamos isto de pornografia mental, como já li, é proviciano e preconceituoso. Há uma coisa ridícula em Portugal: se é feito lá fora é uma coisa extraordinária, se é feito por nós é uma caca.

É um reality show familiar?

Sim. Toda a família pode ver. Não há um único palavrão, porque metemos os piis, jamais mostrariamos cenas de sexo explícito ou um nu frontal. Nada vai para o ar sem cuidado.

E a emissão 24 horas por dia, no MEO?

Isso é outra coisa. Mas nas nossas responsabilidades com o alvará de um bem público como canal de TV estamos defendidos. Não há nada que não possa ser visto em família.

Era capaz de participar no programa?

Não. Primeiro é preciso ter veia de jogador, coisa que não tenho. Gosto de jogos de cartas e escondidas, mas acho este jogo complicado. Depois, as pessoas que entram nisto têm de ter uma vocação para o acting. Sou incapaz de manter isso durante tanto tempo. Além disso, sou muito desinteressante, não tenho nada a dizer ao mundo. Num sítio daqueles comia, dormia e lia. Leio muito, no mínimo cinco livros ao mesmo tempo. Sabe, quero é estar quieta. Preciso muito de silêncios. Há 18 anos que tenho pessoas a falarem-me ao ouvido [da regi de TV].

Costuma ligar à sua mãe a dizer: “Convidaram-me para este projecto”? Como é que ela reagiu à Casa dos Segredos?

Geralmente é ao contrário. Alguém lhe diz ou ela vê numa revista e vem perguntar-me. É muito crítica, costuma dizer: “É mais uma daquelas patetadas.”

Ela vê a “Casa dos Segredos”?

Acho que sim. Deve ver uns dez minutos para perceber se eu não estou doida de todo, como está o meu vestido e o cabelo e depois vai à vida dela.

Gosta desse lado de glamour nos programas de televisão?

Muitas colegas construíram a sua imagem de comunicadora com base na imagem física, não acho nada mal. Mas eu, quer dizer, não sou propriamente uma das raparigas mais bonitas que o mundo já produziu… Sou uma senhora de idade, tenho quase 50 anos. Gosto de roupa, das coisas da moda, mas estou numa fase da vida que quero tapar e não mostrar. Estou na defensiva. Há dias em que me visto e dispo tantas vezes, graças ao programa diário, que a roupa é um código quase militar. Tenho sorte de ter coisas bonitas de estilistas internacionais, mas chega a uma altura em que só quero despir o Valentino, Donna Karan, Gucci e meter-me no pijama.

É uma das apresentadores mais famosas de Portugal…

Acho que sim.

… as pessoas costumam abordá-la muito na rua?

Sim. A melhor parte é quando me dizem: “É muito menos feia do que na televisão e muito mais magra.” Na televisão envelheço, é uma questão de telegenia. Encontrei uma vez uma senhora que falava de mim ao marido como se não estivesse lá: “É rija”, gritava. Na altura da “Noite da Má Língua” é que foi mais complicado. Entrava num restaurante e metade das pessoas não me falava. Ainda por cima, tinha feito assessoria de imprensa ao ministro do comércio, Faria de Oliveira, na primeira maioria do Professor Cavaco, por isso conhecia toda a gente da política. E naquele programa dessacralizámos os políticos.

Como era fazer a “Noite da Má Língua”?

Hilariante. A fase com o [Rui] Zink, Miguel Esteves Cardoso e a [Rita] Blanco foi tão louca. Tínhamos carta branca. Perguntava ao Emídio [Rangel]: “Então, posso dizer mal do Papa?” Ele respondia que sim. Chegamos até a gozar com o próprio Emídio. Há um episódio em que ele e a Felipa Garnel vão atrás de um jornalista que fazia umas crónicas assassinas no “Semanário”, em que atacava sempre o Emídio. Eles deram-lhe um enxerto de tareia, merecido, aliás. Foi uma escandaleira. Pensávamos, é o nosso chefe, mas não podemos passar ao lado disto. Então recriámos a cena. Andávamos numa carrinha e dávamos um enxerto de porrada a um tipo. O Emídio foi elegantíssimo e não disse nada.

Quando entrou na licenciatura de Línguas e literaturas modernas imaginava estar onde está hoje?

Não queria de todo ser professora de inglês ou alemão. Fui para lá porque não pude ser arqueóloga. A minha mãezinha, que é muito pragmática, disse: “Arqueologia? Fazes isso lá para frente, escolhe algo mais prático.” No ano seguinte a entrar, comecei a trabalhar na área. Estive dois anos na RDP sem ganhar um tostão. Mas foi uma óptima escola. Estava sentada ao pé do Emídio Rangel, na altura um jornalista muito desalinhado, e do Fernando Alves. Foram tempos engraçados.

Mas queria ser arqueóloga?

Foi uma coisa que meti na cabeça aos 10 anos. Devo ter lido uma biografia da Cleópatra e achei que era isso que ia fazer. Onde morava, que eu sou uma menina da margem sul, existia um núcleo de arqueologia amadora. Mal entrei no liceu, fui para lá. Com 12 e 13 anos já participava em escavações. Aliás o meu primeiro beijo com o primeiro namorado, sabe onde foi? Dentro de um buraco.

Como aparece o jornalismo?

Em miúda, vi a visita do Papa João Paulo II a Lisboa e fiquei fascinada com os jornalistas que estavam ali ao lado. Embora não fossem a notícia, faziam parte dela.

Começou a trabalhar com 19 anos, como reagiram os seus pais?

Muito mal, estavam apreensivos. No segundo ano em que estava na RDP, começaram à procura de pessoas para a Renascença. Eu ia ser jornalista, como a a Christiane Amanpour [da CNN], não ia ser palhaça do entretenimento, mas as vagas eram para locutoras. No turno da noite, não podia haver mulheres jornalistas. Na época em que só ia para rádio quem tinha uma voz extraordinária, eu, que tenho uma voz desgraçada, de apito, pensei “isto vai correr tão mal”. Mas vá-se lá saber porque, o director na época, o Henrique Mendes, achou-me graça. O meu pai é que não, porque chegava a casa às quatro da manhã. Foi um terramoto familiar, mas acabaram por perceber.

Como foi o seu primeiro programa?

Chamava-se “Sessão da Meia-Noite”. [Baixa o tom de voz] Era muito mau… Eu era completamente maçarica. Eu, o José Relvas e o Luís Loureiro apresentávamos um programa da meia-noite às duas da manhã. Andávamos bêbados de felicidade. Mas devia ser muito má. Todos os dias perguntava ao Henrique Mendes se já tinha ouvido e a resposta era sempre a mesma: “A essa hora não. Mas já pedi as gravações.” Devia ser tão mau que ele nem tinha coragem de o dizer.

É na rádio que conhece o seu marido, Rui Pêgo.

Foi tipo filme. Um dia chego à Renanscença, e o Henrique [Mendes], apresenta-nos. Ele era uma estrela da rádio, um divulgador, e eu sabia que naquele dia ele devia ter entrevistado o Mark Knopfler, dos Dire Straits, mas adormeceu. Então fiz o número: “Com que então ficou a dormir e deixou o Mark Knopfler pendurado?” Ele olhou para mim e disse: “E o que é que tem a ver com isso?” Sai porta fora e diz para o Henrique: “Vou me casar com esta miúda.” Se não fosse o Henrique a confirmar esta história, diria que era ele a dar-me a volta. Eu tinha 21 e ele 28, já estava separado mas ainda não divorciado. Nunca mais olhei para ele. Até que ele começou a fazer corte… Já lá vão 26 anos. Tenho um casamento extraordinário, deve-se em grande parte ao meu marido. É um romântico, eu sou um pedragulho. Temos um imenso prazer na companhia um do outro.

Na adolescência, não era romântica?

Não sei seduzir, porque fui sempre seduzida. A única vez que tentei, demorou tanto tempo que ele adormeceu. Nunca sofri aquela coisa de amores, não sou romântica. Na adolescência era muito popular, “the queen of the party”. Durante o dia farra, à noite não. Só fui a uma discoteca aos 18 anos. Eram festas de garagem e muitos namorados. Graças a Deus.

Sim?

Ah! Bué. Faz parte. Namorei o que tinha de namorar.

Quando se viu na televisão pela primeira vez, como se sentiu?

Nos primeiros tempos ficava tão aflita que achava que me ia cair o traseiro. Cheguei à TV muito tarde. Tive uma incursão breve aos 19 anos, num programa de música para jovens, mas foi um toca e foge. Depois andei na rádio e só aos 30 anos, já mãe de uma criança, é que entro na TV, quando apareceu a SIC. Fiz o curso de pivôs e o Emídio escolhe-me a mim e ao Nuno Santos para fazer o “Praça Pública”.

Há um momento em que decide conscientemente deixar o jornalismo?

Sonhei em ser pivô. Mas a dada altura percebi que a redacção da SIC era muito masculina, que havia uma série de colegas minhas com grande potencial e que eu tinha o estigma de ter feito entretenimento na rádio. Depois constatei que ser pivô não era muito excitante. A rotina é cansativa. Além disso, tenho um histrionismo que os anos vieram acentuar, por isso manter-me quieta ali seria problemático. É uma coisa meio formal, mais contida, ainda bem que deixei.

O seu filho é agora seu colega [Rui Pêgo, apresentador do “Curto Circuito”, na SIC Radical]?

E teve exactamente o mesmo percurso. Ganhou o casting, tal como eu, na mesma idade. Mas achei sempre que a SIC teria o constragimento de dar o sinal para fora de que vai ganhar o filho da Júlia. As pessoas iam pensar que o tinham beneficiado e ele ia ser prejudicado.

Imagina-se a trabalhar sempre na televisão?

Sim. Mas tenho duas coisas para fazer na vida: a arqueologia e escrever. Tenho o segundo romance a caminho [“Não Sei Nada Sobre o Amor” foi o primeiro]. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/88253-julia-pinheiro-grande-parte-dos-programas-que-faco-nao-sao-do-meu-interesse-pessoal, a 13 de Novembro de 2010, em Jornal I

RT

Conheça Uma Paródia a Uma Série de Televisão dos Anos 80…

Uma Paródia a MacGyver Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago algo sobre uma estreia, uma paródia a uma série televisiva que passava na RTP, nos anos 80, não vou desvendar o mistério, por isso, toca a ler a transcrição da peça.

« A necessidade é a mãe do engenho. O MacGyver é o pai

“MacGruber – Licença para Estragar” estreia hoje e é uma paródia ao herói dos anos 80, que conseguia tudo apenas com um canivete e um clip. Mac entrou nas nossas vidas há 25 anos e nós testámos as suas engenhocas

“O nome dele é MacGyver. Ele consegue resolver tudo. Com um bocado de fita adesiva e um gancho de cabelo, até põe um computador a funcionar.” Era assim que Pete Thornton (Dana Elcar) descrevia as qualidades do agente da Phoenix Foundation. No ano em que a série faz 25 anos, uma paródia ao herói menos violento da televisão estreia hoje nas salas de cinema. “MacGruber” nasceu num sketch do programa “Saturday Night Live”, inspirado na série “MacGyver” (1985-1992). O anti-herói da comédia está normalmente preso numa sala com uma bomba prestes a explodir. Só que em vez de resolver o problema, distrai-se.

A geração de 80 sabe que com um canivete suíço e um clip é possível fazer quase tudo. MacGyver pôs a criançada a desmontar brinquedos e a sonhar com um canivete. O herói louro, com um corte de cabelo só possível na década dos chumaços, marcou uma época. Basta ver a cara de pasmados com que se fica ao ouvir na “RTP Memória” o “tantantantantantantantan tantantan…”. MacGyver era inteligente e não recorria à violência. Parodiar esta personagem, é quase sacrilégio para os fãs. Pelo menos foi o que pensou o criador da série, Lee Zlotoff. Em Fevereiro, o realizador revelou que ia processar o filme “MacGruber”, mas nada aconteceu.

Em jeito de presente de aniversário, resolvemos testar as técnicas do herói interpretado por Richard Dean Andersen. No programa “Caçadores de Mitos”, do Canal Discovery, Adam Savage e Jamie Hyneman, encheram-se de coragem e em 2008 provaram que Mac sabia o que fazia. Descubra a verdade. Mas não faça isto em casa.

Chocolate trava o ácido Pedro Silva, de 21 anos, é estudante de engenharia electrónica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, mas não esqueceu a experiência “Projecto MacGyver” com a professora de química no 12º ano. “Grande parte das experiências resultavam, mas, no cinema tudo é exagerado. Uma delas era provar que com barras de chocolate se conseguia selar uma fissura num depósito de ácido sulfúrico. A sacarose em contacto com o ácido sulfúrico origina, através de reacções químicas, uma pasta gomosa mas que segundo o que experienciámos nunca seria capaz de estancar uma fuga de H2SO4 [Ácido Sulfúrico].” Richard Dean Anderson reconheceu que para o fazer não bastavam umas barras de chocolate, mas sim qualquer coisa como 18 quilos.

Carro de pára-quedas Logo na primeira série, MacGyver arma-se em James Bond ao saltar de um avião dentro de um carro, com apenas um pára-quedas. A resposta óbvia seria: magia da televisão. Mas como nos diz o físico José Carlos Fonseca, estudante de doutoramento em cosmologia na Universidade de Portsmouth, pode funcionar. “Só é preciso um pára-quedas suficientemente forte.” Ainda por cima, um criado para grandes cargas aguenta até duas toneladas. Mac e a sua amiga num carro pesavam à volta de 1,4 toneladas. “Teria de ter um pára-quedas gigante. A abertura do mesmo teria de ser controlada pelo Mac”, avisa Moisés Piedade, coordenador do mestrado em Engenharia Electrotécnica, do Instituto Superior Técnico.

Fazer uma bomba de extintor MacGyver trabalha com o que tem à mão. Está dentro de um avião a tentar levantar voo, e a ser perseguido por jipes, quando decide fazer uma bomba de um extintor. Espeta dois ganchos na boca do extintor para retirar o bocal, prende duas cordas e atira-o fora do avião. Quando o jipe passa por cima do extintor, os ganchos furam-no e provocam uma explosão. “O extintor de incêndio, como qualquer recipiente com gás sob pressão, pode explodir. Imagine-se uma lata de cerveja que é agitada e depois aberta: explode numa nuvem de partículas No entanto o material dentro do extintor não é inflamável pelo que a explosão não traria chamas. O factor sorte (ou azar) faria com que a explosão conseguisse fazer o jipe despistar. Quase impossível”, diz o professor Alexandre Bernardino, do Instituto Superior Técnico.

Ultraleve de bamboo O desespero conduz a situações desesperadas. MacGyver não tem como fugir dos inimigos e decide criar o seu próprio ultraleve. Usa apenas traves de bamboo, sacos do lixo, um barril, fita adesiva e um motor de uma betoneira. Faz tudo em quatro horas. “Diria que é peso a mais para conseguir planar apesar do bamboo ter boa resistência”, diz José Carlos Fonseca. Os “Caçadores de Mitos” testaram o ultraleve e concluíram que o motor podia movimentar o avião, mas não aguentava tempo suficiente no ar. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/82060-a-necessidade-e-mae-do-engenho-o-macgyver-e-o-pai, a 7 de Outubro de 2010, em Jornal I

Grande Série!

RT

Séries de Televisão a Partir de Setembro…

Programação de TV a Partir de Setembro... Fonte: http://www.populo.weblog.com.pt

Li no decorrer do dia de ontem, e como estamos em tempo de regressos, sendo que no dia de ontem se assistiu ao regresso ao trabalho de muitas pessoas, então voltamos a ter a entrada em Setembro, e como é óbvio, a grelha televisiva também é ajustada com o encerramento do período estival da maioria dos portugueses.

Como tal, vou transcrever na íntegra, uma reportagem que saiu num diário da nossa praça, sobre o regresso de algumas das boas series televisivas.

« Prepare-se para sofázar: as séries que não vai querer perder – vídeo

A rentrée televisiva faz do sofá o seu melhor amigo. Escolhemos oito novidades: de Ridley Scott, a William Shatner e Martin Scorsese

O Verão está a chegar ao fim. Os supermercados já estão cheios de cadernos, mochilas e toda a espécie de material escolar que marca o início das aulas. Os miúdos voltam a ir para a cama à hora certa e as sandes comidas na praia dão lugar aos minipratos engolidos ao balcão em tempo recorde.

Mas espere: não entre já em depressão. Não há razão para isso. Setembro traz a rotina, o regresso ao trabalho, às gravatas e saltos altos, mas traz também as séries de televisão. Entre estreias e regressos de novas temporadas, há um mundo de coisas novas para ver, sem se levantar do sofá. Descobrimos sete novas séries e cinco programas a não perder. Comece já a fazer um horário para se orientar. Está aberta a época de sofázar (e de transformar o substantivo sofá neste verbo inventado). Pode acontecer não ter acesso a algum dos canais que lhe vamos indicar. Nesse caso, a solução, quase sempre ilegal, é a internet. Mas não se esqueça que se for apanhado, arrisca uma pena de prisão até três anos.

Boardwalk Empire

Da cabeça de Terence Winter, produtor e argumentista de “Os Sopranos” e apimentada por Martin Scorsese, esta é uma das estreias mais esperadas de 2010. A receita é simples: bandidagem da máfia num cenário de época, que mostra o nascimento de Atlantic City, nos anos 20. Com Steve Buschemi, Michael Pitt, entre outros.
Quando: 19 Setembro
Onde: HBO (EUA)

Raising Hope

Está a ver aquele rapazinho um bocado totó, oriundo de uma família excêntrica e disfuncional, que toda a gente da vizinhança conhece e simpatiza? Jimmy Chance é esse rapaz. Só que, de repente, torna-se pai de uma menina. Entre luvas de borracha a fazer as vezes de biberão, a uns pais pouco animados com a nova aquisição familiar, Jimmy vai ter muito que penar. Mas a rir, porque afinal, é uma comédia. Do produtor de “My Name is Earl”.
Quando: 21 de Setembro
Onde: FOX (EUA)

The Big C

Laura Linney (a senhora que teve a sorte de ver Rodrigo Santoro em boxers, no filme “O Amor Acontece”) interpreta uma professora dos subúrbios, casada, mãe de um rapaz e dona de uma vida confortável e chata. Já está aborrecido? Calma. É que esta mulher tem um segredo: foi-lhe diagnosticado um cancro. Com apenas um ano de vida pela frente, decide fazer tudo aquilo que sempre quis e nunca pôde. Com Oliver Platt, Gabourey Sidibe, entre outros.
Quando: estreou no dia 22. A boa notícia é que ainda só perdeu dois episódios.
Onde: Showtime (EUA)

Running Wilde

É uma comédia romântica em episódios com Will Arnett e Keri Russel. A história é previsível: um homem rico e poderoso reencontra a sua paixão de infância, que entretanto se tornou uma reaccionária defensora dos fracos e oprimidos, amante do ambiente, com uma filha inteligente que se recusa a emitir uma palavra que seja. No entanto, a personagem de Arnett é tão idiota, que é boa.
Quando: 21 de Setembro
Onde: FOX (EUA)

Voo Directo

É portuguesa e conta com Soraia Chaves. E agora que os leitores masculinos já estão convencidos, aqui vai o argumento para as leitoras: quatro amigas, assistentes de bordo, falam de amor, desilusão, homens e… coisas no geral, durante as longas pontes aéreas entre Lisboa e Luanda. E em terra também, para que o guarda roupa não se limite às fardas das assistentes de bordo. Nenhuma mulher quer isso.
Quando: 2010, mas ainda sem data marcada
Onde: RTP1

The Good Wife

Lembra-se daquela actriz que fazia de enfermeira na série “ER- Serviço de Urgência”, casada com George Clooney (na série, claro) nas primeiras temporadas? Essa mesmo. Julianna Margulies (vencedora de um Globo de Ouro) está de volta à ribalta, no papel de uma mulher obrigada a tomar as rédeas da sua vida depois dos escândalos sexuais e políticos do marido. A boa notícia é que esta série é produzida por Ridley Scott.
Quando: 14 de Setembro
Onde: FOX Life (Portugal)

Shit my dad says

Esta série começou por ser uma conta de Twitter (que conseguiu, em pouco tempo, mais de um milhão de seguidores) e, mais tarde, transformou-se em livro. Justin Halpern teve de voltar para casa dos pais, depois de perder a namorada e o emprego. Com um pai imprevisível e sem papas na língua, começou a anotar todas as teorias de vida e comentários tresloucados (mas acertados) do progenitor. William Shatner é o protagonista desta história real.
Quando: 23 de Setembro
Onde: CBS (EUA)

The Forgotten

Leitoras cuja adolescência decorreu entre os anos 80 e 90, animem-se: Christian Slater está de volta. Pela mão do produtor Jerry Bruckheimer, o senhor “CSI”, Slater transforma-se no líder de um grupo de investigação que resolve crimes cujas vítimas ninguém identifica. E não, não são polícias, mas cidadãos comuns voluntariosos. Pois. Christian Slater. É só isto que é preciso reter.
Quando: 8 de Setembro
Onde: FOX (Portugal)»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/75887-prepare-se-sofazar-as-series-que-nao-vai-querer-perder—video, a 30 de Agosto de 2010, em Jornal I

Bons momentos no Sofá..

RT

Conheça o Que Necessita Para Receber Televisão Digital Terreste…Conheça os Melhores Descodificadores…

Televisão Digital Terrestre... Fonte: http://www.kerodicas.com

Hoje trago uma notícia que pode ajudar muito as pessoas, que ainda não conhecem o TDT, ou seja, televisão digital terrestre…. Vou transcrever a notícia na íntegra.

« TV: sinal desligado em breve. O que fazer?

Dizemos-lhe o que precisa mudar, o que tem de comprar e quanto vai gastar

Se a resposta à pergunta que lhe colocamos no título deste artigo é «não», fique descansado. Saiba que está longe de ser o único. Por isso mesmo, ajudamo-lo a perceber o que vai acontecer e como terá de se adaptar à nova fase da televisão em Portugal.

O sinal analógico, que hoje alimenta a televisão em Portugal, vai ser desligado em breve e substituído por uma nova tecnologia: a televisão digital terrestre (TDT), num processo que se chama switch-off. Ou seja, o «desligamento».

A primeira fase desse «desligamento» vai ocorrer nos primeiros meses de 2011. Até Junho, a TV analógica acaba nalgumas zonas, ainda não definidas, para testar o impacto. Mas a ideia é abranger rapidamente o país todo, até que, a 26 de Abril de 2012, terminem de vez as emissões analógicas dos 4 canais em sinal aberto.

O problema é que pouco ou nada tem sido divulgado junto do público sobre os testes piloto, o switch-off faseado e eventuais apoios à compra do equipamento. O que pode explicar que, num inquérito do Observatório da Comunicação, de 2008, 84% dos portugueses nunca tivessem ouvido falar de TDT.

A sua casa está preparada para receber a TDT?

Mas vamos ao que interessa. No seu caso, os televisores em sua casa estão preparados para embarcar na viagem da TDT? Se não estão, ou não sabe, a Deco Proteste de Setembro dá uma ajuda e explica-lhe o que tem de fazer, como pode fazê-lo e qual a forma mais económica de o fazer.

Muitos têm o trabalho facilitado. Para quem já paga um serviço de televisão (cabo, satélite, fibra óptica ou IPTV), nada muda. Em terra arriscam-se a ficar os que ainda recebem as emissões por antena e que, segundo dados da Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM) são ainda mais de metade dos lares.

Mas ainda não entre em pânico. Se comprou um televisor recentemente, sobretudo após 2009, também pode estar safo. Nessa altura, mais televisores começaram a incluir um sintonizador, que descodifica o sinal.

Caso não tenha um televisor com esse sintonizador, as caixas descodificadoras que a Deco testou são a última bóia de salvação para não ficar «às escuras».

Em média, cada lar tem mais de dois televisores. Sem o sintonizador necessário, nem subscrever canais, tem de comprar uma caixa por aparelho.

Quanto custa preparar-se?

Muitos dos televisores comprados antes de 2009 precisam de caixas descodificadoras. Os desempenhos e preços variam muito (entre os 50 e os 199 euros) e, segundo a Deco, há 5 opções melhores e mais baratas do que a vendida pela PT, a Sagem.

Nos 12 aparelhos testados, a imagem não decepciona, mesmo que tenha um televisor antigo (CRT).
A Escolha Acertada eleita pela Deco é o Denver, que lhe permite poupar 113 euros e ficar «melhor preparado para a era digital», escreve a revista.

Este modelo «vence a caixa vendida pela PT, que custa quase o dobro, mas recebe uma avaliação 6 lugares abaixo pelos nossos especialistas».

O modelo mais caro, Teka, «revela-se um negócio pior: não o recomendamos, sobretudo, pelo consumo inaceitável em stand-by».

Mais de 80% da população já está coberta pelas novas emissões. Para saber se a sua zona foi incluída, introduza o código postal em http://www.tdt.telecom.pt. Se não paga um serviço de televisão, nem o pretende, seja por comprar um novo televisor ou caixa descodificadora, há uma certeza: o custo desta mudança vai sair do seu bolso, com ou sem comparticipação das autoridades. »

In: http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/tv-televisao-tdt-descodificador-agencia-financeira-sintonizador/1187226-1730.html, a 26 de Agosto de 2010, em Agência Financeira

RT

Conheça o «5 Para a Meia Noite», Um Dos Melhores Programas da Televisão Portuguesa…

Intervenientes do «5 Para a Meia Noite» Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago uma peça jornalística, onde é descrito o que se passa, num dos melhores programas da televisão portuguesa, o 5 para a meia-noite, passo a transcrever a referida noticia, no entanto, vou me abster de comentar a publi-reportagem.

«Cinco Para a Meia-Noite: Os segredos do talk-show mais visto do país

O programa mais arriscado da TV é um sucesso. A culpa é da internet – e destas cinco caras

Em Junho do ano passado, Conan O’Brien estreava “The Tonight Show” na NBC, talk-show que viria a baralhar as contas do horário da noite na televisão americana, até ser interrompido em Janeiro deste ano por fracas audiências.

Na mesma altura, arrancava na RTP2 um talk-show ao mesmo estilo mas mais modesto – e menos conflituoso. “5 Para a Meia-Noite” propunha a típica conversa entre um perguntador sentado a uma secretária e um respondedor sentado num sofá a uma hora a que as crianças já não estão a ver televisão. Nove meses depois, o programa com cinco apresentadores (um por dia) arrasta uma audiência média de 150 mil espectadores, superando em share canais como TVI e RTP1. Senhores da NBC, venham cá ver isto.

Os números são bons mas para Bruno Santos, sub-director da RTP2 e mentor do programa, focarmo-nos neles é medir o sucesso pelos indicadores errados. “Não inventámos a roda, o programa é um talk-show onde os apresentadores trocam e há um tema fixo todas as semanas. Onde marcamos a diferença é na internet”.

“5 para a Meia-Noite” é um programa de entrevistas e sketches que passa entre a noite e a madrugada no segundo canal da televisão pública, mas não é só isso. Depois das luzes do estúdio em Paço de Arcos se apagarem o programa mantém-se vivo: está disponível em download directo gratuito 30 minutos depois de terminar na TV – e neste particular vence “Ponto-Contraponto”, de Pacheco Pereira, online quatro dias depois de passar em antena – e pode ser visto em streaming: o site do programa é o mais visitado da RTP. Se contarmos com o widget (programa que se instala no desktop ou blogue e actualiza tudo o que é novidade do programa), o video-on-demand e os visionamentos por telemóvel, edições como a desta semana dedicados ao tema “gingar” foram distribuídos por cinco canais diferentes – seis se somarmos a boa velha televisão. Mas as contas continuam com as redes sociais, multiplicadores de visionamentos. A página de Facebook tem mais de 86.000 fãs e apresentadores como o Nilton ultrapassam os 11.000 seguidores do Twitter.

Aberto 24h.

“O programa dura 24 horas e não trinta minutos”, diz Ricardo Tomé o responsável pela comunicação e conteúdos multi-plataformas, “a ligação entre os apresentadores e o público não se perde nunca”. Luís Filipe Borges, que apresenta o programa à sexta-feira, chegou a passar cinco horas a responder a e-mails e mensagens dos espectadores. “Os apresentadores testam ideias através das redes sociais, pedem ajuda aos espectadores, recebem um feedback enorme e a partir daí alteram coisas nos programas”, sentencia Tomé.

Para a segunda série, apresentadores e produtores receberam um telemóvel topo de gama para poderem fazer vídeos, actualizar as suas contas de Facebook ou Twitter. “Quem chegou cá a pensar que ia trabalhar umas horas e apresentar um programa uma vez por semana viu logo que não era assim”, conta o responsável pelo online. Os apresentadores reagiram todos bem às exigências da produção. Todos menos um. “Quis saltar fora”, dispara Filomena Cautela. Mas o que assustou a única cara feminina do programa não foi a vertente multimédia do programa, mas o humor: “Não sou humorista, sou actriz. Consigo interpretar textos de humor mas não de os criar. Sou muito crítica em relação à má televisão e não queria participar nisso”. Entretanto a ansiedade da mais jovem do quinteto foi acalmada pela produção que lhe garantiu que ia ter uma equipa experiente a trabalhar com ela e que “conseguia fazer isto sem enlouquecer. Mas enlouqueço sempre um pouco”.

A Magia do directo.

“Não é um simples programa de TV, as pessoas sentem uma proximidade com o ‘cinco’ que nunca sentiram com outro programa qualquer”, aponta Luís Filipe Borges, o ‘Boinas’ das sextas-feiras, apresentador que esteve naquele que foi o protótipo do “5 Para a Meia Noite”, o programa “A Revolta dos Pastéis de Nata”, também na RTP2. Com cinco anos de televisão e muitas horas de directo, Borges confessa que o nervosismo ainda lhe afecta na hora de entrar no ar. Eis o seu método de relaxamento (ou superstição?): “Bebo sempre um whisky depois do jantar, houve um dia em que não havia e fiquei nervosíssimo”.

A conversa de copos e loiças leva-nos até às canecas do programa, mais do que um mero acessório ou potencial peça de merchandising. “Sim, houve uma vez que tinha whisky na minha caneca e sei que o Alvim já pôs vodka na dele”, diz entre gargalhadas antes de rematar: “É possível que já tenha acontecido um ou outro excesso alcoólico, sim, mas como se costuma dizer, ‘é a magia do directo'”.

Magia negra é o que resulta da mistura entre a magia do directo e o humor negro. E quem sofreu as consequências foi Nilton, o homem das quartas-feiras, que teve de emitir um pedido de desculpas depois de um convidado, o humorista Pedro Sinel de Cordes, ter passado dos limites numa piada sobre Eunice Muñoz. “Pedi desculpas porque dou a cara pelo programa, mas não acho que seja preciso impor limites no humor”.

Muitos dos sketches de “5 Para a Meia-Noite” têm um humor mais arriscado e provocador que nem sempre é bem entendido por todos. “Há gente que acha de mau gosto, que não entende, mas nós estamos ali para ser alternativos e diferentes, estamos ali para fazer o que nos apetece”, anima-se Nilton.

O “5 Para a Meia-Noite” funciona um pouco como o irmão reguila mais novo de uma família numerosa: toda a gente sabe que ele faz asneiras, mas ninguém é capaz de se zangar. E por isso ninguém estranhou quando Filomena Cautela atribuiu a Manuel Luís Goucha o prémio de “melhor apresentadora”. O homem das manhãs da TVI é que não achou tanta piada e tratou de processar o programa. “Respeito as pessoas que não acham piada a este tipo de coisas”, é o comentário

Ensaio geralmente.

Terça-feira, 23h, Fernando Alvim chega aos estúdios da Valentim de Carvalho com um ligeiro atraso. Nada que surpreenda ou assuste a equipa de produção. Descontraído, de mãos nos bolsos, passeia entre a maquilhagem e o estúdio até começar aquilo que entre os colegas se chama “um ensaio à Alvim”. Vinte minutos de conversa simulada com os produtores, passam-se os sketches da noite e Alvim vai à sua vida – que consiste em fazer conversa com um dos entrevistados, o taxista-benfiquista Máximo Ferreira e pescar no catering da produção: Filipinos, bolachas de água e sal, sumos e umas maçãs – antes de ir para a maquilhagem.

Os convidados esperam na rua e não tocam nos mantimentos deixados pela produção. A discrição tem dois motivos: já vêm jantados – houve até quem chegasse lá com duas cabeças de leitão – e não são propriamente convidados. O produtor Erick Andrade diz que não precisa de pagar a qualquer figurante desde que o programa descolou. E isso foi antes de começar a ser emitido. “Tinha 400 e-mails de gente a querer participar e ainda não tinha ido nada para o ar além de uns teasers”, recorda Ricardo Tomé.

Gatos escaldados.

O sucesso do programa, segundo produção e apresentadores, não é uma surpresa. O mesmo já não podem dizer daquilo que aconteceu no Carnaval da Trofa: debaixo de chuva, o grupo vencedor da melhor máscara estava vestido de “Eu Amo Você”, uma rubrica em que Nilton liga a anónimos e repete essa frase – e deu origem aos vídeos mais vistos do YouTube do programa com quase 250.000 visualizações. Outras manifestações de apreço ao programa vão de homens nus com a frase escrita numa faixa no meio da serra da Arrábida, a vídeos de garotos a imitar a rubrica.

O sub-director da RTP2 admite que o sucesso do ‘cinco’ esteja relacionado com a falta de oferta nos outros canais – “não há por aí nada parecido” – e na diversidade de apresentadores: “quem não gosta num dia pode gostar noutro”. Nilton reforça a ideia de que o programa é uma alternativa, “muito popular numa altura em que a TV é monocórdica”.
Houve, no entanto, uma altura em que as grelhas tinham outros humoristas sentados em grandes secretárias a fazer perguntas incómodas. “Gato Fedorento Esmiúçam os Sufrágios” foi o maior sucesso televisivo do período eleitoral e conseguiu em poucos dias aquilo que o programa da estação pública demorou meses a conseguir: ter grandes figuras da política sentadas no seu sofá. “Em Portugal parece que só pode haver uma estrela de cada vez e os Gato Fedorento estão nessa espiral alucinante de popularidade. Reúnem à sua volta uma aura imbatível, é outro campeonato”, desabada Nilton. Inveja? “Digamos que é uma inveja salutar, lá chegaremos ao estatuto a que eles chegaram.»

In: http://www.ionline.pt/conteudo/48746-cinco-meia-noite-os-segredos-do-talk-show-mais-visto-do-pais, a 27 de Fevereiro de 2010, no Jornal I

Boa Semana

RT