Alusão ao Dia Europeu da Musica…Que Foi Ontem…

Dia Europeu da Música... Fonte: http://www.ionline.pt

Ontem foi dia Europeu da Música, no entanto só hoje me foi possível, fazer alusão a esta mesma situação, como tal, vou transcrever um artigo que saiu no dia de ontem num diário da nossa praça, mas não vou comentar o mesmo, em virtude de ser tratar de uma publi -reportagem.

« Cantigas da rua: são de toda a gente

Hoje é o Dia Europeu da Música e milhares de artistas estão nas cidades do velho continente para celebrar canções e melodias. Mas, por Lisboa, há quem nos dê música todo o ano

“Larguei tudo, inclusive o trabalho que tinha, e vim para Lisboa. Pus-me aqui a cantar e foi um êxito.” Começa assim, em 1979, a história de Toni Banza, o fadista-trovador que hoje deita notas de fado na calçada da rua Garrett, em pleno coração de Lisboa. Alentejano de gema, Toni é um dos milhares de músicos do mundo cujo palco é o espaço livre e, apesar de já ter uma cassete editada e um CD feito em casa, um dia pensa gravar “um disco a sério”.

“Cada um tem as suas bênçãos e a minha é cantar”, explica, encolhendo os ombros num sorriso fugaz. A mãe cantava enquanto trabalhava no campo, na aldeia de Rio de Moinhos (perto de Aljustrel), onde nasceu o cantor. E o ouvido não parou de lhe encontrar encanto. O coração falou mais alto que o emprego e o jovem fadista baixinho e simpático trocou as planícies alentejanas pela cosmopolita Lisboa. Em troca, ganhou sanidade. “Se não cantasse já tinha morrido ou dado em doido”, confessa Toni Banza enquanto ergue bem alto um dedo de razão.

Dos primeiros tempos de fado e cançoneta portuguesa, o artista recorda as “belas desgarradas” em que participava. “Era o tempo da Amália, do Fernando Maurício, da Cidália Moreira… Lisboa era a verdadeira capital do fado!”, diz o músico, a agarrar a guitarra como se fosse um livro. Hoje, se lhe perguntamos pelo Dia Europeu da Música ou pela Festa da Música, que se assinala a 21 de Junho por todo o mundo, Toni Banza desconhece a data. “Em Portugal não se dá muito por essas coisas…”

Mas o sonho do fadista passa pelas luzes da ribalta, como o próprio confessa com alguma revolta: “Às vezes vejo na televisão cada cantor… e penso para mim: porque não estou eu ali?” Cantar na rua já lhe deu “momentos muito bonitos com o público”, mas “num palco é outro status”, considera o artista.

É num Coliseu ou num programa de televisão que Toni pensa com mais brilho nos olhos. Nisso e em gravar um CD de fado. Mesmo assim, dá um subtil jeito à cabeça para baixar o olhar e dizer em segredo: “Se ficasse rico, vinha cantar na mesma para a rua.”

O balafom e uma cabana De outras andanças vêm os Draska, o grupo que se formou quando um jovem suíço chamado Drasta foi até ao Burquina Faso para aprender a tocar balafom e por lá descobriu mais do que este instrumento. Encontrou Kadidia Traore, a actual vocalista do grupo, esposa de Drasta e mãe do seu filho (com dois anos), que, dizem os músicos, é uma das grandes inspirações da banda.

Desde 2007, o palco principal dos Draska é um Largo do Chiado atravessado por milhares de turistas e trabalhadores que quase todos os finais de tarde se cruzam com as influências africanas e europeias do grupo através da voz, do n’goni (instrumento de cordas originário da África Ocidental), do balafom e da cabaça (tocada pelo moçambicano Tsetse). Há quatro anos que vivem da música e Tsetse, com um grande sorriso, admite que “foi uma escolha muito difícil”. Mas o espaço livre, segundo o companheiro Drasta, é “a mais real e melhor escola”. “É muito mais pessoal tocar na rua e o público é bem mais crítico”, nota Drasta.

Além disso, na rua, os Draska sentem–se independentes da indústria da música. Não fazem arte para vender, mas para que as pessoas gostem dela. Ao mesmo tempo, consideram o que fazem uma atracção e um apoio à oferta comercial e turística de uma cidade. Mas também há contras: “Já tivemos alguns problemas com a polícia, porque não nos é permitido actuar na rua, embora tenhamos pedido licença várias vezes à Câmara de Lisboa”, conta Drasta, acrescentando em tom sorridente: “Como tudo em Portugal, ter licença é complicado.”

Além do Largo do Chiado, os Draska já actuaram em casas como o Onda Jazz e a Fábrica do Braço de Prata. A próxima paragem é a 25 de Junho, no Festival Med, em Loulé, que conta com nomes como o de Goran Bregovic, Mazgani, The Legendary Tiger Man ou Virgem Suta. A vocalista dos Draska, Kadidia, costuma dizer: “Se acreditarmos muito numa coisa, ela acontece” e este concerto é um desses desejos de Aladino. Eis os planos do grupo a partir daí: “Vamos viajar por esse mundo e tocar para todos!”

Também os Guents dy Rincon acreditam que a música, quando nasce, é para todos. “É um fenómeno de espaço livre”, diz o cabo-verdiano Santos Cabral, vocalista e compositor do grupo de música do mundo que elegeu Lisboa como palco, em 2006. Com os cabo-verdianos Zema (percussão e voz) e Zé Braz (guitarra e cavaquinho), a espanhola Luzia (guitarra) e o português Ângelo Neto (piano e guitarra), Santos Cabral tem partilhado muito crioulo no Largo do Carmo, nas Portas do Sol e em várias casas de espectáculos do país. Mas acredita que a melhor sala de concertos é o espaço livre. “Aqui participam o chão, o céu, os cães, as pombas, a natureza e o público. Quando tocamos em frente a um café, a esplanada está sempre cheia”, nota o músico.

Para este cabo-verdiano que cresceu com arte a fazer-se no quintal ou na praça (como fazia Cesária Évora), “o conceito de música de rua é exclusivamente europeu e leva à discriminação”. O único requisito para se fazer “um bom som”, assegura, não é o espaço mas a dedicação, porque “quem quer ser músico tem de o ser a full-time. Num trejeito ritmado que lhe tolda a expressão, Santos Cabral conta que vive da sua arte há mais de quatro anos e nunca teve problemas com isso. A justificação vem logo a seguir, sem que o cantor perca o compasso: “A música é tão necessária como beber água ou fazer sexo.” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/65461-cantigas-da-rua-sao-toda-gente, a 21 de Junho de 2010, em Jornal I

Boas Musicas!

RT

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