Agenda Para Este Fim Semana…

Setembro 9, 2011

Hoje trago novamente a agenda para o fim de semana…

« Agenda de fim-de-semana

 

Os festivais continuam em Setembro e o da Vidigueira vai dar que falar. Mas se o mês das vindimas pedir roteiros culturais mais cosmopolitas as propostas estão aí em força. Jazz, música clássica, indie, rock n’roll, exposições, desfile de robertos capital fora ou alimentação verde e práticas ecológicas. Rasgue estas páginas e não saia de casa sem as levar no bolso

 

HOJE

Your brother. Remember?
Culturgest, Lisboa
21h30
Preço: 15€; 5€ até aos 30 anos

O conceito parte de fotografias, mas combina filmes caseiros, excertos de filmes de Hollywood e representação ao vivo.
A concepção, a encenação, a montagem e a interpretação são de Zachary Oberzan. O espectáculo é em inglês com legendas em português.

Noiserv
mercado quebra costas, coimbra
21h30

O concerto é no Pátio do Castilho e Noiserv não é o único a dar música. Os Memória de Peixe também sobem ao palco, com a sua já característica loopstation.

Festa de lançamento do fanzine estrica
ateliê Lisbum, calçada do combro 117, lisboa
21h
entrada livre

Uma história que fala de espelhos, leaks e onde o próprio autor do livro entra na narrativa. Estrica é feito por Alexandre Rendeiro, Diana Policarpo, Marco Franco, Pedro Azevedo e Tamara Alves, que transformaram páginas e alguns pontos da cidade de Lisboa em leaks. Uma salganhada a descobrir.

AMANHÃ

Maratona de robertos
chiado e largo de camões
15h30 às 19h
entrada livre

Dezenas de robertos vão desfilar por Lisboa a convite do Museu da Marioneta, que celebra o décimo aniversário. Haverá vários bonecreiros e a festa merecida.

Japão, o paraíso das mascotes
Galeria sul, museu do oriente, lisboa
das 10h às 18h
Preço: Até 5€

A popularidade da manga ou do anime cresceu em todo o mundo nos últimos anos. A exposição mostra as personagens animadas criadas no Japão desde 1950, como o Ultraman, a Hello Kitty ou o Pokémon.


Concerto inaugural da temporal 2011/2012
grande auditório do ccb
21h00
preço: de 5€ a 22€

Na abertura da nova temporada do CCB vão ser criados dois universos distintos. A primeira parte é inaugurada pela música finlandesa, com dois compositores que rodam as salas de todo o mundo: Jean Sibelius e Magnus Lindberg. Depois do intervalo é a vez da música norte-americana: Scott Joplin, seguido por George Gershwin.

DOMINGO

Filipe melo trio
jardim da tapada das necessidades, lisboa
entrada livre

Desde meados do ano que diversos concertos têm assaltado jardins e anfiteatros lisboetas. Este mês a música é no Jardim da Tapada das Necessidades e conta com o trio de Filipe Melo. Há pufs, bebidas frescas, e o sol parece ter vindo para ficar.

Nara| Fresco electroacústico
sala de ensaio, Centro cultural de belém
preço: 5€

A partir de fonografias recolhidas no Japão, Bertrand Dubedoubt, importante compositor francês, constrói um mundo inspirado no ritual budista Shuni-e ou Omizutori do templo Tôdai-ji de Nara.

Feira alternativa de lisboa
jardim tropical (traseiras do jardim de belém
10h Às 21h
preço: 5€

É o último dia da sétima edição da feira que quer ser veículo de alerta para a vida no planeta. A feira disponibiliza as novidadesdo mercado de alimentação natural, turismo rural ou terapias alternativas. Também há espectáculos, palestras, oficinas e workshops e outros sem fim ligado à aprendizagem. »

 

In: http://www.ionline.pt/conteudo/148085-agenda-fim-de-semana, a 9 de Setembro de 2011, em Jornal I

RT


Conheça o Douro Harvest Film…

Setembro 6, 2011

Hoje trago mais um evento ligado ao Douro…

« Vinho, cinema e futebol num Douro perto de si

O Douro Harvest Film está de volta. Este ano o homenageado é o cinema brasileiro com o futebol como tema. José Wilker e Cacá Diegues são convidados

 O que é que o Porto, Alijó, Pinhão, Favaios, Vidago e Penedono têm em comum? Vinho e cinema. Como? Com o Douro Film Harvest.

Há três anos que o Douro Vinhateiro abre as vinhas ao cinema e seus realizadores, com um festival de filmes premiados. Este ano não é excepção. Com direcção artística do realizador e produtor Ivan Dias, o Douro Film Harvest começou ontem e promete, entre muitas coisas, futebol. Nós explicamos.

Este ano o país homenageado é o Brasil com uma maratona de filmes sobre o futebol brasileiro.

A homenagem conta com o actor José Wilker (o famigerado e saudoso Roque Santeiro) e com o realizador Cacá Diegues (“Xica da Silva”, “Tieta do Agreste”, os filmes), que se uniram na produção do filme “O Maior Amor do Mundo”, com exibição marcada para quarta-feira, como parte da secção Ruby Selection. Fãs das novelas e cinema brasileiros, preparem os cadernos de autógrafos já que ambos estarão presentes na exibição do filme.

Mas Brasil não é só futebol, é também Carnaval e frutas na cabeça. Carmen Miranda, a portuguesa mais brasileira do mundo também tem direito a uma homenagem com o filme “Alô Alô Carnaval”, uma comédia musical de 1936 realizada por Adhemar Gonzaga, com Carmen Miranda no elenco.

Late Bottled Vintage Entre os homenageados está Manoel de Oliveira que do Alto dos seus 102 anos vai receber a distinção de Late Bottled Vintage, com a exibição de “Caça” e “Ato da Primavera”.

A Vintage Selection este ano é composta por cinco longas metragens a competir pelo Prémio Turismo no Douro. Em comum têm os prémios arrecadados lá fora: “Uma separação”, do iraniano Asghar Farhadi, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim; “Las Acácias”, do argentino Pablo Giorgelli, venceu o Câmara d”Ouro no Festival de cinema de Cannes; de Cannes vem também “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick com Palma d”Ouro; “Chico & Rita”, o primeiro filme de animação de Fernando Trueba, integrou a selecção oficial do Festival Internacional de Cinema de Toronto; “Hermano”, de Marcel Rasquin, foi eleito o melhor filme no Moscow International Film Festival. O vencedor vai ser anunciado dia 10, na cerimónia de encerramento do festival que conta também com a ante estreia do filme “Meia-Noite em Paris”, a mais recente obra de Woody Allen.

No entanto, dia 11, domingo, ainda é dia de filmes. “Aniki-Bobó”, “Tieta do Agreste”, “Douro Faina Fluvial”, entre outros, vão ser exibidos ao longo do dia. Para que não perca pitada o melhor é ir a dourofilmharvest.com, clicar em programa e apontar os horários e locais de exibição. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/147153-vinho-cinema-e-futebol-num-douro-perto-si, a 05 de Setembro de 2010, em Jornal I

RT


Entrevista a Sérgio Godinho…

Setembro 5, 2011

Sérgio Godinho... Fonte:www. wook.pt

« Sérgio Godinho “Na rádio parece que só tenho duas canções. Caramba, fiz tantas!”

40 anos após a estreia em álbum. Dos “Sobreviventes”, de 71, para 2011, ao ritmo do novo “Mútuo Consentimento”, a editar dia 12, e dos temas que sobreviveram às épocas

Seria da mãe que se esmerava nas quadras que oferecia aos amigos. Ou da avó que declamava poesia na rádio. Ou do tio que punha a família a dançar bebop. Não é certo de onde veio o combustível para os versos, mas tantos anos depois eles ainda queimam nos ouvidos.

Há 40 anos , ao lançar “Sobreviventes”, não passaria um dia inteiro de volta de entrevistas. O que é que mudou mais ao longo deste tempo?

Para já, há 40 não estava cá, porque nos meus dois primeiros discos não podia sequer estar neste país. O “Sobreviventes” e o “Pré-Histórias” foram gravados em Paris, embora no segundo disco já não vivesse em Paris, estava em Amesterdão, depois Canadá, Brasil, etc. Mas as coisas mudam sempre. Assim em que sentido?

Começando pela máquina de propaganda de um álbum, e não só.

Ui, mudou muita coisa. Para lá da máquina de promoção, que é uma coisa necessária, procuro apenas ser selectivo no sentido de não ter que abranger publicações ou programas que não me interessam, mas isso também tem a ver com o bom senso da editora. Agora, ao nível das condições musicais e de trabalho muita coisa mudou, para melhor e para pior. Mas o melhor é podermos praticar a nossa música. Quando voltei para Portugal houve aquele período do PREC em que as condições eram precárias e muitas vezes não correspondiam ao que se fazia em disco. Foi um período tão excepcional que se calhar isso também foi necessário, mas também rapidamente todos sentimos que era preciso solidificar os projectos, fazer espectáculos ao vivo.

Faziam-se poucos?

Fiz uma tournée em 78, a que chamei “Sete anos de Canções”, imagine agora que estamos nos 40, e que foi pioneira, porque não havia esse hábito de apresentar os espectáculos noutras cidades com princípio, meio e fim. Nos princípios dos anos 80, os grupos rock deram um grande impulso a isso, puseram a música na estrada, que sempre gostei.

Continua a gostar?

Sou um bocado saltimbanco. E sempre achei que nos palcos está a última e mais nobre função da música, no caso das canções. As canções têm várias vidas. Primeiro uma criativa, solitária, depois com os músicos; e depois têm a transformação que vai acontecendo quando continuam a pulsar e a viver e a ir para os palcos, com o sentido de risco que há em cada espectáculo. Gosto muito das artes performativas e ao longo dos anos fiz vários trabalhos como actor. Há esse lado do inevitável. Uma vez que começamos aquilo tem que ir até ao fim, a não ser que aconteça uma catástrofe. Até há aquela velha coisa, salvo seja que já bati aqui na madeira [bate mesmo], do actor que gostaria de morrer no palco, o velho cliché.

Não tem esse gosto particular.

Não, não tenho esse gosto. Gosto de viver no palco. É aí que a canção ganha essa imprevisibilidade dentro do que está trabalhado, mais as suas próprias interpretações. Uma canção pode ter, e as minhas tiveram muitas vezes, mesmo por mim, várias vidas. Tive canções que cantei já de maneiras muito diferentes. O âmago continua o mesmo mas mudamos o feeling. Noutras não é preciso. Há canções que canto… por exemplo, o “Espalhem a Notícia”. Continuo a cantar muitas vezes e o arranjo não levou grandes alterações, talvez uma cor um pouco diferente.

Como é que se garante a longevidade de canções como essa?

Bem, mas eu não as canto todas. Podiam ser quarenta anos, como 30 ou vinte. Acho que certas canções sobrevivem e outras não, vão-se embora de morte natural. Como se garante? Não há garantia. Posso cansar-me, ou sentir que até era uma boa canção mas deixou de fazer sentido. Não é uma questão de renegar, é uma questão de as deixar numa prateleira qualquer para ganhar o seu pó natural.

Há canções que já não canta por esse motivo?

Há. Nomeadamente do “À Queima Roupa “, um disco com um conteúdo político mais expresso, ou para-político, social-político. É curioso porque continuo a cantar, e ainda recentemente gravei no disco “Nove e Meia no Maria Matos” [2008], a canção “Liberdade”, que acho que continua a fazer sentido. Não ficou datada e no entanto há canções como “Os Pontos nos Is”, que falava da reforma agrária, que de facto teve a sua função na altura mas as circunstâncias mudaram e temos que falar de outras coisas.

Sente-se ainda um cantor de intervenção?

Nunca fui um cantor de intervenção nem deixei de ser. Não gosto muito dessa palavra, nem eu nem o Zé Mário Branco. Acho que não define nada. Tenho canções que têm esse conteúdo, mais político ou de uma certa crítica social, mas é extremamente redutor que aqueles ou outros sejam os cantores de intervenção. Mesmo em relação à obra do Zeca, que tem tantas cores, onde o popular irrompe de uma maneira luminosa. De facto, as minhas canções que foram ficando, se pensarmos desde “A Noite Passada” ao “Brilhozinho nos Olhos” ou “Lisboa que Amanhece”, falam da vida, também dos amores. Da vida de uma maneira que às vezes até são interrogações filosóficas, sem que seja pretensioso.

A filosofia está em todo o lado.

É, a gente é que não repara. Mas tenho muitas interrogações nas canções. “O Primeiro Dia” é um percurso de uma ruptura, das dúvidas da reconciliação com o melhor de si. Isso é que me interessa. Não consigo sequer definir o que é que eu sou. Intervimos em tudo. Há uma coisa que me dá grande satisfação e que respeito muito, nunca faria troça disso. As pessoas vêm-me falar muitas vezes na rua de como uma frase de uma canção em dado momento fez alguma coisa às suas vidas. Não as transformou, não foram para um convento, mas fez qualquer coisa. Isso é também intervir.

E neste novo álbum não intervém só sobre o amor.

Sim, por exemplo o “Acesso Bloqueado” é de perfeita crítica a esse presente em que o acesso é bloqueado. Adivinhar o presente é mais complicado. Adivinhar o futuro é muito duro, adivinhar o passado é mais seguro embora às vezes também saia errado. E falo mesmo de coisas práticas, do crédito mal “aparado”… Depois há outras coisas que me apetece desenvolver. O contraponto dessa canção podia ser o “Em Dias Consecutivos”, que fiz com o Sassetti. Há muito tempo que queríamos fazer uma canção. É também um bocadinho o retrato do Portugal de hoje, com o seu lado mais depressivo. Digamos que é o lado meio fantasmagórico. Uns de nós ainda mortos, uns de nós ainda vivos.

Volta a rodear-se de uma série de nomes. Já disse em entrevista que não é pelo desejo vampiresco de se rodear de sangue novo.

É engraçado, devo dizer que mais de 50% dessas colaborações foram suscitadas pelos outros. Desde os Clã, com quem trabalho há mais de dez anos, foi sempre acontecendo. O próprio Nuno Rafael e os que vieram dos Despe e Siga disseram que gostavam de tocar comigo. Nunca vou obsessivamente à procura desse tal sangue novo, entre aspas.

Costuma estar receptivo a estas colaborações?

Sim, isso sim. Neste disco, para lá do nosso núcleo duro, Os Assessores, que são responsáveis por mais de metade dos arranjos, há outras sugestões. Umas minhas, no caso do Sassetti ou da Francisca Cortesão. Fiz uma letra para a música dela. Mas outros foram sugestão do Nuno, também produtor musical. Ele sentiu que certas canções precisavam de outro tratamento. Se calhar porque sentiu nalgumas delas o tal acesso bloqueado. Veio o Noiserv e a Roda de Choro, casar-se com um tom que era já um bocadinho de bolero.

Nota-se muito o toque destas pessoas em cada faixa.

Claro, mesmo no tema que abre, arriscado, porque não é uma canção; é um spoken word, uma série de definições poéticas sobre o que é a música, que não define nada. Define só em termos de imaginário. Aí o Hélder Gonçalves fez a cama sonora para esse poema dito. Achámos que era bom começar o disco com isso, é quase como uma declaração de intenções. Tem seis minutos muito envolventes e nós começámos já os espectáculos de final de rascunho , que fiz na Culturgest e na Casa da Música, com isso.

Abre com seis minutos e por diante tem um “Mutuo Consentimento” que parece um beijo muito breve mas muito intenso.

É, acho que é uma boa definição. Sim, é um encontro, um amor de um momento em que ninguém está a cobrar nada ao outro. Aconteceu. Não fugiste nem eu te fugi. Não te pedi nada nem me pediste nada e resultou algo desse momento. Colamo-la a outra canção, “Eu Vou a Jogo”, que é também um mútuo consentimento. Um homem e uma mulher que se conheceram no passado e que se encontram por acaso e contam coisas sem contar muito. E as suas vidas saíram um bocadinho mais enriquecidas. Ambos voltaram à eterna casa de partida, que esteve à venda tão barato, como se diz no fim. É também a minha atitude em relação a este disco e se calhar à vida: “Eu Vou a Jogo”.

No sentido de apostar.

De apostar e de ousar. Acho que tenho muito essa atitude.

Tem rituais de escrita?

Desgraçadamente não. Tenho que me lamentar porque às vezes, por muito que queira, não consigo ser disciplinado. Evidente que quando há pressão, quando marcamos prazos, e eu próprio instigo isso, tens que te haver com isso, sabes que tens que cumprir até certo dia e que as coisas devem estar bem. E eu quando não estou a compor não sou sistemático mas sou obstinado; quero que as coisas saiam bem, que fiquem até onde sei que posso chegar. Às vezes até nos transcendemos um bocadinho sem dar por ela, mas não é isso. Nesse aspecto quero que saia mesmo bem, quero gostar delas sem ser condescendente. E isso é perigoso, porque há um momento em que achamos que já está bem e voltamos no dia seguinte e dizemos “hum”…

Corrige-se muito?

Ah, sim, claro. A gente vê que ainda não é aquilo e julgava que era. Até porque as alturas do dia… Se estivermos a trabalhar à noite já temos certas coisas em cima. Já comemos, já bebemos, já fumámos. Digamos que esses apports nos transformam também na maneira como deixamos a criatividade trabalhar.

Para melhor ou pior?

Uma pessoa pode ter a tendência de achar que está genial e que é muito bom e depois vai ver no dia seguinte…

Foi obra da noite anterior.

É, estive-me a enganar a mim próprio. É um pouco como os sonhos, onde temos ideias geniais. O Hitchcock falava disso. Uma vez teve uma ideia bestial para um filme e meio a dormir apontou num caderno e no dia seguinte era algo do género: um homem e um mulher encontram-se numa gare de comboio e vão tomar um café. Mais ou menos isto. De facto o que ele tinha pensado era outra coisa.

Recorda-se de tirar ideias de sonhos?

Costumo recordar muitos sonhos, mas não acho muito aproveitável, não. Às vezes há mecanismos meio inconscientes, quando as coisas aparecem num repente e de facto já tiveram trabalho antes, mas já é outra coisa. Estamos a absorver sem ter noção disso. Tenho canções onde reconheço coisas de livros que li, filmes, situações que são extramusicais e também de muita música que ouvi.

Canta uma “Linhagem Feminina”. É verdade que a sua avó paterna tinha um programa de rádio onde declamava poesia?

Era, era. Recordo-me de ouvir, no Porto. Tinha uma voz muito bem timbrada, muito bonita, mas em minha casa sempre se gostou muito de literatura e de poesia, muito presentes, como a música. A minha mãe tocava muito bem piano e o meu pai também gostava de música. A minha avó, sim, ouvia-a, e sendo uma coisa oral agradava-me. Eu até nem gostava tanto dessa avó, gostava mais da outra, mas dessas coisas gostava.

A outra não declamava poesia.

Não, mas contava outras histórias, muito saborosas. Também me ensinou muito. Mas nisso gostava da outra, sim, era muito inteligente.

Também daí o gosto pelas letras?

Não, isso sempre existiu em minha casa. A minha mãe tinha um jeito para fazer versos que era uma coisa… Os amigos por exemplo iam lá a casa jantar e ela fazia uma quadra para cada um, mas assim muito bem feito.

Já escrevia nessa altura?

Gostava muito de ouvir música, de todo o género, da clássica que ela tocava ao piano, como os discos do meu pai, brasileira, americana, jazz. O meu tio, irmão da minha mãe, também tocava bebop, música a abrir, para ensinar a dançar, como dizia o meu pai. Sempre cresci com isso, mais os livros.

Um privilégio para a época.

Era um privilégio, com outra coisa importante: uma certa consciência política, porque sobretudo o meu pai era mesmo contra o regime salazarista. Sempre fui comendo dessa colher de sopa, mas fazia-me sentido também. Ainda parti de Portugal legalmente mas nunca me passou pela cabeça ir para a guerra em África. Inclusivamente a nível das colónias, até antes de eclodir a guerra, o meu pai dizia que as devíamos deixar, como os outros países. Já tinha essa influência, embora não tivesse tido uma actividade política. Saí aos vinte anos e para dizer a verdade nunca fiz parte de nenhum partido. Mas tinha ideias contra o regime, claro.

Acompanha a política?

Sim, acompanho. Temos que acompanhar, além do mais ela entra-nos pela casa dentro e pelo bolso, mesmo que não queiramos. Mas sim, sigo de perto.

Tem estado a proteger a garganta. Já a pensar no concerto de sábado [hoje] no Avante?

Não, ando há três dias a acordar meio apanhado, mas sim vou actuar no auditório 1º de Maio. Já lá cantei muitas vezes e gosto. As pessoas estão muito próximas e querem mesmo estar ali por nossa causa. Só cantaremos duas do disco novo, mas a meio do mês vamos estar no Olga Cadaval e no Theatro Circo e cantaremos mais. Mas também teremos canções mais antigas, até porque há esta efeméride dos 40 anos.

Mesmo sem efeméride há sempre o pedido implícito por canções antigas. Constrange-o, tendo álbum novo para apresentar?

Não é constrangimento. Mas quando há álbum novo têm que levar com ele. Agora, acho que as minhas canções têm muitas vezes isso. Há um tempo de apreensão relativamente longo. É-me dito recorrentemente, até por colegas seus, que a primeira vez que ouvem estranham e só depois é que se entranha. Mas gosto que seja assim. É pior quando entra à primeira e depois uma pessoa já está farta.

Gosta de se ouvir por aí, na rádio, por exemplo?

Na rádio não passo muito. Há rádios que não me passam, vamos lá ver se este disco passa, não s ei, mas não quero falar muito disso. Se estiver no carro, onde só ouço rádio, não desligo, excepto quando passam sempre a mesma canção, que me irrita. Parece que só tenho duas ou três, como “O Primeira Dia” e o “Brilhozinho nos Olhos”. Caramba, fiz tantas canções! Parece que há uma certa preguiça. “Ah, embora pôr aquela.”

A sua voz não mudou muito nestes 40 anos.

Não acho que tenha mudado radicalmente, não. Engrossou um bocadinho com a idade, o que é natural. Ganha graves, mas não perdi muito nos agudos.

Terminando por onde devíamos ter começado, parabéns atrasados.

É verdade, foi ontem [quarta-feira]. O ano passado como foi número redondo foi uma grande festa; este ano foi muito tranquilo, só mesmo família, filhos e netos.

66?

66. Route 66. Já estou a atravessá-la. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/146887-sergio-godinho-na-radio-parece-que-so-tenho-duas-cancoes-caramba-fiz-tantas, a 4 de Setembro de 2011, em Jornal I

RT


Conheça As Series de Televisão Que nos Vão Acompanhar Brevemente…

Setembro 3, 2011

Séries de Televisão... Fonte: http://www.blogverbalegis.blogspot.com

Hoje trago um artigo sobre as próximas séries que nos vão acompanhar nos dias mais frios…

« Foi-se o sol mas vieram as séries

 Setembro já não tem o sabor tão amargo de outros tempos quando o estômago doía dos nervos provocados pela contagem decrescente para o início das aulas e consequente final de férias. Primeiro porque já não andamos na escola e segundo porque temos as séries – esses minutos (às vezes horas) de televisão tão preciosos e facultadores de belos temas de conversa entre amigos ou, porque não, de elevador. Apesar de não haver nenhuma estreia bombástica, há regressos muito esperados, como “The Boardwalk Empire”, “The Good Wife”, “Dexter” e outras que tais. “The Kennedys”, uma mini-série de oito episódios estreia este mês na Fox Life, com Katie Holmes e Greg Kenear, e o canal SyFy traz “Falling Skies”, produzido por Steven Spielberg.

The Kennedys
Esta minissérie de oito episódios conta a história de uma das famílias mais conhecidas e poderosas dos Estados Unidos. Uma produção nomeada para dez Primetime Emmys, traz-nos Greg Kinear (“Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos”) no papel do presidente John F. Kennedy, Katie Holmes (a mãe da Suri, aquela criança que anda de saltos altos) como Jacqueline Kennedy e Tom Wilkinson (“A Conspiradora”) como o pai Kennedy. Nem Marilyn Monroe foi esquecida, interpretada por Charlotte Sullivan.

Onde FOX Life

 

Falling Skies
Parece que Steven Spielberg ganhou o gosto pela produção e não quer outra coisa. Depois de “Band of Brothers”, o realizador de E.T. larga os heróis de guerra para abraçar o que realmente gosta: extraterrestres. Noah Wyle (o dr. Carter da série “E.R.”) é Tom Mason, um professor de história, pai de três filhos, que luta por sobreviver num mundo dominado por extraterrestres maus, ao mesmo tempo que tenta libertar um dos filhos das muitas patas dos invasores de outro planeta. Will Patton também entra com um papel pouco simpático.

Onde SyFy

 

Na Casa d’Este Senhor
O sucesso desta série começou na Internet o ano passado e agora vai passar para a televisão. O “d’Este” é um vídeo artista viúvo que vive num palacete em Sintra com o seu produtor musical Sam the Kid, com Tuxa, a transexual e musa inspiradora, Adolfo o jardineiro e o gato Maniche. Juntos vão mostrar do que é feita a inspiração e o dia-a-dia deste grande artista. Para quem prefere o amor entre mulheres, estreia “Lip Service”, uma série escocesa que explora a intimidade homossexual de jovens mulheres.

Onde SIC Radical

 

Awake
A produção é de Howard Gordon, o mesmo da séria “24”. Ahistória é complicada mas curiosa: depois de um acidente de carro que lhe rouba a mulher e o filho, o detective Michael Britten (Jason Isaacs, o Lucius Malfoy de “Harry Potter”), passa a viver em duas realidades distintas. Numa a mulher é viva mas o filho morreu, na outra o filho é vivo e a mulher não. Ao mesmo tempo divide-se entre dois parceiros de trabalho e vários casos diferentes. E dois psicólogos que lhe garantem que, ali, está acordado. Complexo.
Onde NBC

 

Grimm
Vindo dos produtores executivos de “Buffy, a Caçadora de Vampiros” e “Angel” (aquele vampiro amigo da Buffy que depois teve uma série só dele) só se podia esperar uma coisa com criaturas assustadoras. Nick Burckhardt (David Guintoli) é um polícia e o último dos Grimm. O que é que isso significa? Que é capaz de ver criaturas más onde o resto do mundo só vê pessoas. Para o ajudar tem  Eddie Monroe (Silas Weir Mitchell) que também não é bem uma pessoa. Os contos de fadas estão prestes a transformar-se em pesadelos.
Onde NBC

 

Suburgatory
Ah, os subúrbios americanos. O que ainda haverá para dizer? Desta feita, George Altman (Jeremy Sisto, de “Sete Palmos”), pai solteiro, fica louco quando descobre preservativos na mochila da filha Tessa (Jane Levy) e decide arrastá-la de Nova Iorque até aos subúrbios mais próximos na esperança de evitar maiores desgraças. Uma comédia familiar cheia de gente loura e dentes brancos a contrastar com o pai e filha mais normais e mal vestidos. Atenção fãs de “Sete Palmos”, Jeremy Sisto engordou uns quilinhos.

Onde ABC »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/146719-foi-se-o-sol-mas-vieram-as-series, a 03 de Setembro de 2011, em Jornal I

RT


Conheça a Agenda Para Este Fim Semana…

Setembro 2, 2011

Hoje trago a habitual agenda para este fim semana…

« Agenda de fim-de-semana

Hoje

o comboio da madrugada
teatro rivoli, porto
às 21h30
preço: desde 10€

Parte de um conjunto de pequenas peças de Tennessee Williams, esta é a história sobre uma mulher velha e espampanante que vê a sua vida mudar de rumo quando recebe uma visita de um jovem. No centro da interpretação desta peça os anos 60 está Eunice Muñoz, o peso pesado dos

palcos portugueses.

 

Peixe: aVião
TMN ao vivo, armazém f,
lisboa, às 22h
Preço: 7€

Longe vão os dias em que as pessoas franziam o sobrolho ao ver escrito o nome da grupo nascido em Braga. Começaram no Verão de 2007 e ao segundo álbum, em 2010 já estavam na lista da Blitz como os sons nacionais mais promissores do ano.

 

miradouro de s. pedro de alcântara
LISBOA, às 18h

É na Travessa dos Inglesinhos, no nr 49 que mora o Indie Rock Café com uma especial adoração pelos ritmos dos anos 70. Hoje, esta adoração sai à rua, até ao miradouro, pelas mãos de Carlos Moreira que estará na mesa de mistura para um anoitecer mexido.

 

Amanhã

2b
teatro garcia resende, évora
às 21h30
preço: 8€

Falar sobre o período pós-revolução é complicado, porque não pô-lo em palavras? O espectáculo de dança, à responsabilidade de Nélia Pinheiro, expressa-se sobre o pós-25 de Abril, do comportamento e maneira de viver das pessoas.

 

the magic of the beatles
Casino de tróia
às 22h30
Preço: 20€

As bandas tributo não têm de ser deprimentes. Pode ser uma boa oportunidade para relembrar velhos tempos com família e amigos. Não são os Beatles de verdade, mas têm bastante sucesso no Reino Unido. Em palco, a recriação é levada ao pormenor: os penteados, a roupas tudo a imitar os quatro fabulosos de Liverpool.

 

abstraction and storytelling
galeria marz, lisboa
entrada livre

Esta exposição, como o próprio nome indica, é uma divagação dos artistas entre os conceitos de abstracção e narrativa. A autoria é estrangeira mas comissariada por uma portuguesa, Joana Neves.

 

Domingo

out jazz
jardim da tapada das necessidades, lisboa
às 17h
entrada livre

É já desde Maio que este evento anda itinerante por diferentes jardins e anfiteatros da cidade. Em Setembro é chegada a vez da Tapada das Necessidades. Vá com tempo e arranje um puf para disfrutar confortavelmente do ambiente e, claro, da música. A The Zany Dislexic Band e o DJ Nel Assassin são os convidados de honra.

 

welcome – cartografias do processo
palácio quintela, lisboa
entrada livre

Paula Shcer e Stefan Sagmeister, só para nomear alguns dos grandes nomes do design que abrem uma reflexão sobre o processo criativo. A exposição da Experimenta Design reúne um conjunto de 60 cartazes que a abordam a temática.

 

david fonseca
montemor-o-novo
Às 22h

Já não é preciso falar de Silence 4 para falar de David Fonseca. O homem à frente da banda, tomou um rumo a solo que tem vindo a solidificar. “Kiss me”,  “Rocketman” e a mais recente “U Know who I Am” estarão na lista das canções a tocar. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/146722-agenda-fim-de-semana, a 2 de Setembro de 2011, em Jornal I

RT


Conheça Os Detalhes de Uma Profissão Em Extinção…Alfaiate…

Setembro 1, 2011

Hoje trago um artigo sobre uma profissão em vias de extinção…

«Em tempos modernos ainda existe tradição

 Longe vão os tempos em que ir ao alfaiate era um hábito comum a todos os homens, que procuravam nestes artistas verdadeiras obras de arte que se adaptassem na perfeição ao seu corpo. Para os mais novos, a geração dos centros comerciais e das grandes superfícies, este tema pode causar algum espanto mas acima de tudo uma dúvida: ainda existem alfaiates? A resposta é sim, existem! São mais escassos que antigamente e muitos vêem os seus negócios ameaçados pela indústria comercial e pelas novas tecnologias de corte e costura que se desenvolveram e continuam a desenvolver, mas alguns sobrevivem, principalmente em Lisboa e no Porto.

A alfaiataria nasceu no Renascimento, quando a roupa deixou de ter como única função esconder o corpo para passar a dar destaque aos seus contornos. Foi nesta altura que ganharam importância os mestres alfaiates.

O i encontrou alguns daqueles que resistiram ao fabrico de roupa em série e fornecem ao seu cliente um produto personalizado, adaptado ao seu estilo e ao seu corpo. Procurado essencialmente por homens de classe média-alta, o fato – calças e blazer – continua a ser a peça mais pedida. No entanto, a maior parte dos alfaiates tem maior oferta que antigamente. Camisas, gravatas e até sapatos fazem parte daquilo que têm à disposição das pessoas que os procuram.

Apesar de, por tradição, ser uma arte geralmente mais procurada por homens, alguns alfaiates também oferecem roupas para mulheres e crianças. Há ainda quem faça fardas, trajes e bordados a pedido do cliente.

Talvez por ser um serviço personalizado e por a maior parte das casas utilizar tecidos de primeira qualidade, o serviço destes profissionais não sai barato, podendo os preços chegar aos milhares de euros. Também por essa razão as pessoas que os procuram são sobretudo homens de famílias ricas e importantes, políticos e empresários com os mais altos cargos.

Se é uma pessoa que gosta de tradição e ainda não se rendeu totalmente à moda em série, se gosta de serviços personalizado e de qualidade, siga os conselhos do i e contacte uma destas casas. Com certeza não se vai arrepender. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/146152-em-tempos-modernos-ainda-existe-tradicao, a 31 de Agosto de 2011, em Jornal I

RT


Discos Que Nos Vão Surgir Até Ao Final do Ano…de 2011…

Agosto 31, 2011

Hoje trago um artigo que considero bastante interessante, pois versa, sobre os próximos discos a serem editados…em Portugal…

« Os discos que rodam até ao final do ano

De Setembro em diante nem tudo é mau. Esteja de olhos e ouvidos bem abertos para conhecer outros sons dos músicos de sempre, a apresentação de bandas revelação e o aniversário de grupos míticos. Este disco não toca mas vai ser música para os seus ouvidos

Em mais um regresso ao trabalho o que se quer são sonoridades fresquinhas para acompanhar o corpo cansado e ainda preguiçoso. Na rádio ou no mp3 vão ouvir-se novas vozes e ainda o retorno de grandes nomes. Há um pouco de tudo: artistas revelação lançam os álbuns de estreia, cantores míticos apresentam novos trabalhos e bandas já há muito retiradas regressam em edições nostálgicas para sacudir o pó do baú das memórias. Nacional, internacional e nacional cantado em inglês. Faça o círculo perfeito (e em harmonia) para descobrir as suas companhias para os meses que se seguem.

Nacional: em bom português e não só
Há números gordos que são difíceis de ignorar. Servem de exemplo os 40 anos de carreira de Sérgio Godinho. O cantor já pediu várias vezes que não se associe o lançamento do novo álbum ao aniversário mas é tarefa complicada. “Mútuo Consentimento”, que vai estar disponível nas lojas a partir de dia 12 de Setembro, tem vindo a ser revelado pelo autor, que já apresentou dois temas na internet. Godinho estava em pausa discográfica desde 2006, data em que lançou “Ligação Directa”, disco pai do tema “Às Vezes o Amor”. Paulo Gonzo também deve lançar um álbum cantado em português. Este será o sucessor de “By Request” do ano passado, disco em que o cantor reinterpretou temas de Ray Charles e James Brown.

“Komba” dos Buraka Som Sistema tem apresentação marcada para o Outono, os Mundo Complexo marcam dez anos de existência com uma colectânea, os Macacos do Chinês trazem o segundo disco e Valete traz o “Homo Libero”, aquele que será o duplo álbum do rapper licenciado em Economia. Quanto aos Doismileoito, quarteto da Maia com especial gosto por rock”n”roll, já lançaram nas redes sociais e na rádio “Quinta-feira” para primeiro single novo álbum, produzido por Nuno Rafael.

A ter em atenção o sangue fresco que vai correr nos próximos tempos. O trio Julie & The Carjackers apresenta-se com “The Imaginary Life of Rosemary and Me” e os Paus – constituídos por gente já experimente dos Linda Martini, dos extintos Vicious Five e dos If Lucy Fell – também lançam o primeiro longa duração, depois do EP “É Uma Água”. O escritor Jacinto Lucas Pires e o artista plástico Tomás Ferreira são Os Quais, com um primeiro álbum, e Rita Braga é a autora “Cherries That Went To The Police”. Os We Trust também extenderão o repertório depois do single “Better Not Stop”.

Na mesma linhagem independente estão novos trabalhos de Old Jerusalem, Rose Blanket, João Só e os Abandonados, oLUDO, Iconoclasts e o disco a solo do homem à frente dos Diabo na Cruz, Jorge Cruz. Prometidas estão também notícias para os que esperam algo vindo de gente como Jorge Palma, Carlos Nobre (melhor, Pacman, a solo) e B Fachada.

O que vem de lá de fora
Regressos em grande, junções explosivas e até realizadores que fazem música. Há razões mais que suficientes para ficar com os ouvidos alerta. Destaque para a estreia dos Superheavy. Como o próprio nome indica este campeonato é outro, o dos pesos pesados. O grupo que junta Mick Jagger dos Rolling Stones, Dave Stewart dos Eurythmics, Joss Stone, Damian Marley e A.R.Rahman, compositor do filme “Quem quer ser bilionário?” vai mostrar do que é capaz. Também particular é o novo trabalho de Bjork, parcialmente gravado no iPad. “Biophillia” deverá ser uma nova experiência musical, com imagens, vídeos e ainda aplicações nos aparelhos da Apple dando ao utilizador a oportunidade de fazer uma versão nova das canções, entre outras prendas inesperadas.

Em registo dito normal – mas não menos entusiasmante – estão o regresso de Tom Waits com “Bad As Me”, dos Coldplay com “Mylo Xyloto” e ainda dos Metallica que se fazem acompanhar por Lou Reed em “Lulu”. Ryan Adams, The Drums, Beirut, Florence and The Machine, dEUS, Feist e Marisa Monte também cortarão o silêncio dos últimos tempos.

Ainda David Lynch dará um ar da sua graça. O realizador que várias vezes compôs temas para os seus filmes, apresentará o álbum “Crazy Clown Time”. “Good Day Today” é o exemplo de uma electrónica ambígua mas menos negra do que os enredos na tela. Esperar para ouvir.

Regresso ao passado
Dois mil e onze é o Ano Internacional das Florestas e da Química. É também o ano de grandes efemérides. Vinte anos depois, “Nevermind”, disco épico dos Nirvana que inclui temas como “Smells Like Teen Spirit” e “Come As You Are”, ressurge com imagens ao vivo e um DVD. “Achtung Baby” dos U2 que comemora a mesma idade, chega agora em formato de filme recordando a gravação do disco em Berlim. Também na onda cinematográfica aparecem os Pearl Jam com um documentário realizado por Cameron Crowe. Os Pink Floyd terão toda a discografia remasterizada para outro saborear das músicas da banda de Cambridge. A comemorar ao dobro estão os Queen que deverão fazer completar a reedição de toda a discografia, recomeçando por “The Works” e até “Made in Heaven”. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/145893-os-discos-que-rodam-ate-ao-final-do-ano, a 30 de Agosto de 2011, em Jornal I

RT