Conheça Uma Entrevista a Alice Vieira…

Junho 4, 2011

Entrevista a Alice Vieira... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre uma escritora da nossa praça, especialmente no que concerne a livros infantis, desta feita, chama-se Alice Vieira…

« Durmo três horas por dia. Não é que não tenha sono, não tenho é tempo para mais”

 “O Livro da Avó Alice” é a mais recente obra da escritora, que se divide entre livros, netos, amigos e 20 cafés por dia

Há livros por todo o lado. Diz-nos, entre gargalhadas, particularidade que mantém durante toda a conversa, que às vezes sonha que entra em casa e os livros lhe caem todos em cima. É dona de uma vida que dava um guião de cinema: casou-se com o homem que um dia lhe escreveu, tinha ela 14 anos, a recusar um texto que tinha enviado para o “Diário Popular”. Mário Castrim, que aos 48 se casou com uma Alice Vieira de 20 e tal. A união foi um escândalo. A escritora, que faz parte do imaginário de quase todos os miúdos de hoje e daqueles que já passaram os 30, gesticula muito e não tem manias de estrela. Com a mesma naturalidade com que fala dos livros (que já lhe valeram inúmeros prémios literários), confessa que tem “um segundo cancro” mas que não tem medo de morrer. Aos 68 anos, com quatro netos, lançou um livro autobiográfico. “O Livro da Avó Alice”, onde não ensina a ser avó, mas conta como o faz: sem medo de brincar numa casa cheia de histórias.

Enviou o seu primeiro texto para o suplemento “Juvenil” de “O Diário de Lisboa”, aos 14 anos. Foi recusado.

Faz agora muitos anos, foi por esta altura. Eu escrevia sempre muito e sempre quis muito ser jornalista e achei que era uma óptima maneira de começar a fazer umas coisas. E achava que escrevia muito bem. Enviei um texto que obviamente foi recusado porque era muito mau, lógico.

Era sobre o quê, lembra-se?

Ai, não sei, era uma coisa terrível, muito desgraçada. Sei que na resposta me diziam “mas porque é que as pessoas têm sempre de ser tão tristes”? E eu fiquei a pensar naquilo e achei que ele tinha razão. Era um texto de uma miúda de 14 anos, daquela altura, não de agora, portanto era uma coisa muito rebuscada e ainda bem que recusaram. Mas continuei sempre e depois os textos começaram a ser publicados, outros não. Explicavam-me o que é que estava mal, davam-nos muitas indicações.

Foi lá que conheceu Mário Castrim?

No fundo eu já o conhecia porque era ele que me respondia aos textos, só que era por carta. Não sabia quem ele era. Era alguém que me respondia e dizia “isto está mal, isto está bem”, pronto.

Como é que vai parar ao jornal?

O “Juvenil” fazia umas entrevistas aos seus colaboradores mais assíduos, para nos conhecerem, e convidaram-me para lá ir ser entrevistada. E eu fui, estou aqui [mostra uma fotografia tirada no jornal nesse dia], com 18 aninhos. Depois começou-se a falar “porque é que não vens cá ver como é que isto se faz, onde é que se faz, as máquinas” que na altura eram aquelas máquinas velhas, as rotativas. O chumbo… eu digo sempre que o cheiro do chumbo quando se mete cá dentro, nunca mais sai. E disse logo, “é isto que eu quero”.

Porque é que quis ser jornalista?

Ai querida, porque quando era muito pequenina – eu nem sabia o que era ser jornalista – ouvi dizer que era uma pessoa que nunca estava em casa. E se havia essa profissão, era isso que eu queria ser. E foi mesmo! O meu sonho sempre foi fugir de casa rapidamente.

Voltando ao seu marido… Foi amor à primeira vista?

Eu acho que sim… acho que olhei para ele e pensei: é este que eu quero para mim. Mas repare, ele tinha mais 23 anos do que eu, tinha família, era casado, tinha 40 e tal anos. Portanto, foi uma grande escandaleira.

O que é que as pessoas diziam?

Quando fomos viver juntos ele estava já em processo de divórcio. Ele tinha 48 e eu 20 e tal. Deixaram-me de falar. De resto, a família dele nunca mais me falou, até hoje. Um irmão dele, que morreu há pouco tempo, nunca me conheceu, nunca conheceu os sobrinhos, que são os únicos que ele teve, nunca foi ver o irmão ao hospital quando estava doente, não foi ao enterro, nada. Da família dele não conheço ninguém. Não sei nada da vida dele antes de nos conhecermos. A minha família amaciou mais cedo. Assim que os miúdos nasceram… e gostavam muito dele. As minhas tias diziam que ele era a melhor coisa que tinha entrado na família, adoravam-no. Ele tinha uma paciência para elas que eu não tinha, dava-lhes chazinho, ia buscá-las…

E foi um amor assolapado?

Ai foi, foi. 40 anos. Costumo dizer que foi assim até ao último dia da vida dele. Não me lembro de uma zanga, de nada. Ele tinha uma relação com os filhos extraordinária e com os três primeiros netos também, a mais nova é que já não o conheceu. O meu filho conta-lhes muitas histórias do avô – a maior parte delas aldrabada, mas não faz mal, o que é preciso é contar – e é uma memória muito viva. A gente festeja sempre o dia de anos dele, sempre. Com bolo, velas e tudo. Marcou-nos muito.

Ele incentivava-a a escrever?

Muito, muito. Eu acho mesmo que ele deixou a carreira dele de escritor para trás exactamente para que eu pudesse fazer a minha, não tenho dúvidas nenhumas. Agora na Caminho vão publicar um livro inédito dele. Ele deixou muita coisa inédita e vamos reeditar outras obras. Mas dizia sempre que não tinha paciência para editar, queria era escrever. Para eu fazer a vida que fazia, ele tinha que ficar com os miúdos, e tratar da casa. Tinha que aguentar o barco. Quando eu estava no “Diário de Notícias” as minhas folgas eram à sexta e ao sábado e assim que eu saía na quinta à tarde ele dizia-me logo, “vai-te embora, tens de ir trabalhar sossegada”. Tínhamos um apartamento em Cascais, pequenino, onde eu trabalhava sossegada aos fins de semana. Às vezes ele ia lá ter comigo. Havia uma vizinha que achava que eu tinha um senhor que me fazia visitas. Era uma relação tão forte que quando ele morreu nunca mais voltei a Cascais. Dei a casa à minha filha e nunca mais lá entrei.

“Rosa, minha irmã Rosa”, o seu primeiro livro, nasce graças aos seus filhos?

Nasceu sobretudo de eles estarem sempre a atazanar-me o juízo e dizerem que eu passava a vida no jornal, o que era verdade, e que escrevia para o jornal e nunca escrevia nada para eles, eram uns infelizes, coitadinhos. Resolvi então escrever uma história com eles. Despachei-a em 20 dias mas nunca pensei que fosse publicada, nunca. Nota-se um bocadinho que eu quis contar tudo naquela história, porque pensei: “Despacho isto e nunca mais tenho de escrever nada.” Foi sempre a ideia que tive.

Mas eles ajudaram-na com a história?

Muito. Há um capítulo inteiro que começa com um problema qualquer de ângulos, a intersecção de A com B, que era exactamente o problema que estava no caderno do meu filho nesse dia e eu copiei. Quem nos conhece sabe que aquilo somos nós há 30 anos. Eram os colegas deles, a escola, os professores. As tias, as flores, é tudo a nossa vida, só mudei os nomes. A única coisa que não é completamente autobiográfica é a questão da irmã que nasce 10 anos depois. Os meus filhos têm um ano de diferença e não se lembram de um sem o outro. Só que nessa altura ia nascer outro filho e eu tive muito receio que eles reagissem mal. Então construí essa história e eles não deram por nada. Íamos discutindo sem eles darem por isso. Mas depois tive um desastre de automóvel e a criança não veio. Dei-lhes a história, eles gostaram muito e nunca mais me lembrei daquilo.

Até que ganhou o prémio da Caminho.

Era uma editora que estava a começar e que aproveitou ser o ano internacional da criança, em 1979, para lançar esse concurso do melhor texto do ano. E quem enviou o texto foi o meu marido que foi exactamente como eu o tinha escrito em casa, não foi mudou uma vírgula. E ganhou. Há 32 anos não era muito habitual este tipo de histórias que mostram o dia-a-dia das pessoas. Para os miúdos escreviam-se aquelas histórias com fadas e princesas. Porque este é um livro perfeitamente banal, o diário de uma família, pronto. E vendeu-se imenso.

E quanto é que foi o prémio, lembra-se?

Ah lembro-me perfeitamente: 75 contos. Naquela altura era muita massa e eu decidi que, como eles os dois me tinham ajudado tanto, que íamos logo gastar tudo. E fomos os três uma semana para a Grécia, para Atenas, porque eles adoravam mitologia grega, o pai contava-lhes aquelas histórias todas. Aterrámos os três na Grécia em Dezembro. Estava um tempo extraordinário. Passámos a semana inteira no Pártenon!

Este novo livro mostra uma faceta diferente: ser avó. Já sei que foi convencida a escrevê-lo. Porquê?

Isto não tem nada a ver com o tipo de coisas que eu faço. Quando me ligaram a fazer a proposta, da Lua de Papel, deixei a senhora falar até ao fim e depois, com aquele meu ar sério disse: “Eu gostava muito, mas repare, eu trabalho para a Leya, não posso…” e a senhora: “Mas nós somos da Leya”. Está a ver a figura que eu fiz? Mas parece que não era nada disto que eles queriam, só soube depois. Eles queriam uma coisa muito séria, porque a Lua de Papel tem aqueles livros de auto ajuda, e queriam conselhos e o que é que as avós devem fazer. Eu disse que assim não, mas se quisessem uma coisa autobiográfica, fazia. E está a correr muito bem.

Percebemos, pelo livro, que foi criada por tias. Porquê?

Olhe é uma das coisas que, no outro dia até falei disso com o meu irmão, não nos perdoamos: não termos tido coragem de chegar ao pé da nossa mãe e de perguntar. Porque não foi por razões económicas, o nosso pai era um industrial.

Então os seus pais eram vivos?

Sim, sim. E somos três, eu sou a mais velha. Portanto iam dando filhos. Eu acho que a minha mãe não tinha nenhum instinto maternal. Há quem tenha e quem não tenha e ela não tinha. E foi sempre muito apaparicada pela mãe, pelos tios, que faziam as vontades todas à menina e isso tornou-a numa mulher muito fria, e sem nenhum instinto maternal. Achava-se muito nova para tratar das crianças – tinha 24 anos quando eu nasci, também não era assim tão nova – e ia dando às tias, enquanto houvesse tias.

E nem cresceu junto dos seus irmãos?

Não. A minha relação com o meu irmão a seguir a mim é muito boa porque nos encontrámos em Paris, já adultos. Ele estava lá a fazer o doutoramento e aí conseguimos uma relação muito forte. Mas só a partir dessa altura. Até aí era só nos natais e festas de anos.

Quando é que via os seus pais?

Natais, aniversários. Eu saí de casa com 15 dias e nunca mais lá voltei. Nunca dormi uma noite na casa da minha mãe. E isso deu-me muitos problemas porque achava, quando era pequena, que a culpa tinha de ser minha. Ouvia as minhas colegas no liceu a falar das mães e eu não sentia nada pela minha e achava que devia sentir porque todas sentiam. Durante toda a minha vida essa falta deu-me muitos problemas. E as pessoas que me criaram também estavam sempre a lembrar-me e a atirar à cara que não eram minhas mães.

Eram tias velhas?

Eram minhas tias avós, sim. Vivia com uma tia e um tio, que era herói da República, está a ver a idade que ele tinha. Aliás, a minha entrada na política foi com 5 anos em que fui com o meu tio ver a urna do Norton de Matos. Portanto, convivi sempre com gente muito velha e em casa, porque só fui à escola com 10 anos.

A primeira vez que foi à escola tinha 10 anos?

Porque eu disse que queria ir. Até aí ia um professor lá a casa, o que é uma coisa horrível. Hoje quando ouço dizer que os meninos ficam a estudar em casa com os pais, tios ou avós, passo-me! Porque não é só o que se aprende, obviamente que quando entrei para o liceu Filipa de Lencastre sabia mais do que as outras, mas quer dizer, não compensa. Há outras coisas, os amigos, viver em sociedade, às vezes até mais necessárias. Mas elas deixaram-me ir para o liceu, apesar de uma das minhas tias ter dito que que não ia gostar e que voltava logo para casa. Eu até inventava aulas que não tinha só para não vir para casa.

Foi difícil fazer amigos, pela primeira vez, com essa idade?

Olhe foi extraordinário. A minha melhor amiga, Maria Emília Moura, que trabalha na “TV Guia”, é a minha melhor amiga desse tempo. Fez comigo o liceu, foi comigo para a faculdade e depois para o “DN”. Fui uma aluna muito popular no liceu porque, no fundo, aquela é que era a minha família, era quem me dava atenção. Ia aos casamentos das empregadas todas, as professoras adoravam-me. Até há pouco tempo tinha uma professora a quem eu telefonava sempre e que morreu em Junho. Quando ela morreu a irmã ligou-me a dizer que tinham a casa cheia de fotografias minhas e dos miúdos, que eu ia mandando, de maneira que eu agora tenho a irmã. Herdei! Foi um tempo extraordinário.

Que marcas é que tudo isto deixa numa pessoa?

Conforme o feitio da pessoa, sabe? Tenho dois irmãos que reagiram de outra maneira e que têm um feitio muito mais complicado. Lembro-me de ser muito pequena e dizer “eu nunca me hei de esquecer disto”. E não esqueci, tenho muito boa memória. E quando era mais velha dizia “eu nunca me hei de esquecer disto e um dia hei de contar isto tudo”. Era a minha vingança.

E muitas dessas coisas passou para os livros.

Tudo. A minha vingança foi essa. Não se serve fria, serve-se gelada. Conto tudo. Se reparar há muito poucas mães nas minhas histórias e as que há estão longe ou não têm relação com os filhos. “Flor de Mel” ou um mais recente “O casamento da minha mãe”. As minhas mães não aparecem muito. Depois tenho uma imensidão de tias. O meu filho, quando era miúdo, é que dizia: “Nos teus livros há mulheres a mais e tias a mais.”

É por isso que faz questão de ser uma avó que brinca, que dá espaço para a imaginação e criação dos netos?

O meu marido era muito isso: as casas foram feitas para serem vividas e esta casa foi, desde que para aqui vim há 43 anos. Antes do 25 de Abril esta era uma casa onde as pessoas sabiam que podiam ficar, às vezes gente que eu não conhecia. E ainda ficam, acho que todos os meus amigos têm a minha chave. Nunca foi casa de museu, por isso é que está toda desarrumada. A mesa era para o pingue-pongue, como se vê, coitada, está toda torta, o corredor era para jogar à bola, na entrada havia um cesto de basquete, onde fazíamos os treinos. Havia uma parede no quarto do meu filho onde se podia escrever à vontade, só foi lavada quando ele foi para Erasmus.

Tem muitos amigos?

Tenho uma imensidão de amigos. Puros e duros, tenho um grupo muito bom. Sou amigo dependente e sei que posso contar com eles para tudo, e eles comigo. E eles sabem, o que é muito bom num amigo, quando eu preciso deles sem que tenha de pedir. Tenho um que, se eu não estou muito bem disposta, ou qualquer coisa, chego a casa e tenho cá um ramo de flores. Não é maravilhoso? E telefonamo-nos às 4h00, 5h00 da manhã.

Pois, já ouvi dizer que dorme pouco.

Durmo umas três horas por dia. Não é que não tenha sono, mas não tenho tempo para dormir mais. Tenho sempre escolas, quase todas as manhãs. Se são em Lisboa é fácil, se são mais longe é mais complicado. Devo ser a passageira mais frequente do Alfa das 6h00 ali em Santa Apolónia.

A quantas escolas é que vai por ano?

Ai, muitas. No outro dia fiz as contas e dá-me umas 80 por ano lectivo. Tirando as férias, feriados e fins-de-semana, dá quase uma por dia.

Nunca recusa convites?

Parece a minha filha! Ela é que está sempre a dizer que eu tenho de começar a dizer que não. Mas tem de ser, sim. Ainda por cima tenho tensão baixa, apesar de beber 20 cafés. No outro dia ia na rua com os olhos fechados, a dormir. Mas é que ia mesmo.

20 cafés?

Sim, 20. Daquelas cápsulas da Nespresso, duas embalagens por dia. Agora está quase a acabar, o Volutto, que é o que eu gosto mais. Eu e o Malkovich! Estou sempre de cafezinho na mão. E durmo. Chego à cama e durmo logo. Mas de manhã nem me custa acordar, até porque tenho de ir ao ginásio e quando é que eu tenho tempo? De manhã. Às 7h30 já lá estou.

E faz o que é que faz no ginásio?

Tenho um personal trainer. É lindo. Faz-me muito bem. Vou a pé até ao ginásio, demoro meia hora. Depois faço meia hora de passadeira até ele chegar e se tiver tempo acabo na piscina. Mas o que eu gosto mesmo, a essa hora, é ver nascer o dia. Atravessar a Avenida da República a ver nascer o sol, é das coisas mais bonitas que há.

Voltando às escolas. Não se cansa de ir a tantas?

Já me custa um bocado… já vou às escolas há 30 e tal anos. Para dizer a verdade já custa um bocadinho. Há 32 anos que ando a dizer as mesmas coisas. Mas coitadinhos, eles são sempre diferentes, não é? Fazem é sempre as mesma perguntas. Este ano já comecei a dizer que não. E ando com a saúde complicada, às vezes vou a vomitar no comboio e tudo. Mas depois chego lá e gosto de falar com os miúdos. Eles são extraordinários, é uma alegria estar com eles.

O que se passa com a sua saúde?

Ah, tenho um segundo cancro. Mas eu mato cancros assim.

Teve um há 20 anos.

Tive, e este é por causa desse. Na altura as máquinas não eram tão sofisticadas como hoje e quando fazíamos radioterapia apanhava-nos o peito todo. Depois tudo o que apanhámos, com o correr do tempo, pode proporcionar novos tumores. É no outro peito e não é operável. Às vezes dói, chateia. Fiz radioterapia, devo estar toda radioactiva.

Como é que fala tão descontraidamente de uma coisa destas?

Então querida, é assim. O que é que a gente há-de fazer? A minha médica é que me diz que eu tenho de me mentalizar que sou uma doente oncológica crónica e que tenho de ir ao IPO de dois em dois meses. E eu vou.

Não tem medo de morrer?

Não, nem da primeira vez que tive e fiz a mastectomia radical. Fui eu, a Simone e a Manuela Maria [actrizes], todas ao mesmo tempo. Éramos as três cancerosas de serviço. Mas nunca pensei que ia morrer. Pensei que ia fazer uma operação difícil e o que é que eu fiz? Tudo coisas práticas: deixei uma data de coisas feitas no jornal, para não sentirem a minha falta e que eu tinha mesmo de fazer. Deixei uma procuração ao meu irmão, podia ser preciso qualquer coisa e cortei o cabelo muito curtinho.

O que é que não pode faltar quando está a escrever?

Muitas fotografias. Na minha mesa estão ali as fotografias daqueles todos a olhar para mim [Mário Zambujal, Lobo Antunes, os netos, Paris, o marido e o ex-namorado]. Tenho a mania da fotografia. De vez em quando ando meio louca e mudo tudo. Depois preciso de ter música sem palavras, clássica, não clássica e instrumental e tenho que ter a janela aberta para ouvir o barulho da rua.

Antes de publicar o seu primeiro livro de poesia, enviou-o para um concurso sob um pseudónimo. Porquê?

Imagine, pegava naquilo e mostrava a um amigo que me dizia que era muito giro, mas eu nunca teria a certeza, não é? Decidi concorrer a um prémio onde o júri me merecesse confiança e onde só houvesse um prémio. Porque a gente concorrer e o Zé das Couves ficar com o 1º lugar e a gente em terceiro, ninguém gosta. Foi uma coisa que a Maria Alberta Menéres me ensinou: só se concorre a prémios onde só haja um, para não passar pela vergonha de ficar em terceiro. E ganhei.

E o pseudónimo, Filipa Sousa e Silva. Esse nome porquê?

É o equivalente feminino do primeiro namorado que eu tive e a quem o livro é dedicado.

Namorou muito tempo com ele?

Até encontrar o Mário. E depois voltou a ser.

Mas estão juntos agora?

Agora já não, mas foram seis anos extraordinários. Encontrámo-nos mais de 30 anos depois e fez-me muito bem. Eu estava na fossa, tinham passado três anos da morte do meu marido, acho que foi a altura da minha vida em que estava mesmo mal. E fez-me muito bem. A história estava incompleta e fechou.

E agora está sozinha?

Muito bem, estou muito bem comigo. Apetece-me estar assim, farto-me de sair com os amigos, mas estou sozinha. De resto, nesta casa nunca houve mais nenhum homem, isso aí… nunca era aqui, era na casa dele. E à noite preciso mesmo de estar sozinha. Adoro fazer tricot, arraiolos, comida, sou muito prendada. Até sei tocar piano. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/122930-durmo-tres-horas-dia-nao-e-que-nao-tenha-sono-nao-tenho-e-tempo-mais, a 04 de Junho de 2011, em Jornal I

RT


Conheça o Planning de Autógrafos da Feira do Livro de Lisboa…

Abril 29, 2011

Feira do Livro de Lisboa... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo onde os fãs de autógrafos podem-me agradecer por o ter aqui transcrito, pois com a abertura da feira do livro de Lisboa no decorrer do dia de ontem, é natural que os fãs queiram um autografo o possam fazer, fica aqui o Planning das sessões.

« Feira do Livro. Mapa para um safari de caça ao autógrafo

Se o seu único objectivo é ter um autógrafo de Greg, personagem dos livros infantis “Diário de Um Banana”, tem a vida facilitada: ele está todos os dias no pavilhão da Booksmile. O feito só é possível porque é um personagem de ficção. Os escritores de carne e osso têm a agenda mais preenchida e é mais difícil apanhá-los. Aqui fica uma lista de “quem”, “onde” e “quando”, essencial para caçar um autógrafo ao seu autor preferido

 Lídia Jorge
Livro “A Noite das Mulheres Cantoras”
Onde Praça Leya
Quando 28 de Abril, 17h30

A escritora lançou recentemente mais um romance, “A Noite das Mulheres Cantoras”, pretexto para se sentar a conversar com os leitores nesta feira do livro. Para além da nova obra, os títulos antigos, mais de 20, são um pretexto para levar para casa uma assinatura da autora algarvia.

 

Mónica Marques
Livro “Transa Atlântica”
Onde Quetzal
Quando 29 de Abril, 18h00

O primeiro romance da jornalista Mónica Marques, “Transa Atlântica”, é agora reeditado com uma capa nova. É só uma desculpa para conhecer a autora do blogue Sushi Leblon que, ainda para mais, passa grande parte do tempo no Rio de Janeiro, Brasil.

 

António Lobo Antunes
Livro “Sôbolos Rios que Vão”
Onde Praça Leya
Quando 30 de Abril, 15h00

O maior escritor português vivo reconheceu por várias vezes a importância da Feira do Livro no seu contacto com os leitores. Vai estar na Praça Leya durante a tarde de sábado e se quiser meter conversa pergunte o que acha  da adaptação de “A Morte de Carlos Gardel” ao cinema, actualmente a ser rodada.

 

José Luís Peixoto
Livro “Livro”
Onde Quetzal
Quando 30 de Abril e 7 de Maio, 16h00

“Bom dia, pode assinar-me o livro? Qual livro? O ‘Livro’. Sim, mas qual livro? O ‘Livro’, homem de Deus.” Este hipotético diálogo entre um leitor e o escritor de “Livro” mostra bem como é divertido chamar uma obra pelo nome do objecto.

 

Jostein Gaarder
Livro “O Castelo dos Pirenéus”
Onde Zona Presença
Quando 30 de Abril, 15h00

O autor que pôs adolescentes de meio mundo a ler sobre filosofia com o bestseller “O Mundo de Sofia” regressa aos livros com “O Castelo dos Pirenéus”. Tem no dia 30 de Abril uma oportunidade de conhecer Jostein Gaarder e contar-lhe como a sua obra lhe mudou a  vida.

 

Gonçalo M. Tavares
Livro “Matteo Perdeu o Emprego”
Onde Espaço Porto Editora
Quando 30 de Abril, 15h00

O escritor com mais editoras em Portugal vai estar no espaço da Porto Editora, que lhe editou “Matteo Perdeu o Emprego”, mas podia estar no stand da Caminho ou da Campo das Letras, outras que lhe ofereceram um tecto. Um conselho: vá logo pelas 15h00 até à mesa de Tavares, as solicitações devem ser muitas.

 

Margarida Rebelo Pinto
Livro “A Minha Casa é o Teu Coração”
Onde Praça Leya
Quando 6 de Maio, 16h00

Goste-se ou odeie-se, a maior escritora de chick lit português, o equivalente nacional a Carrie Bradshaw, vende aos milhares. Daí que uma presença na feira do livro seja sinónimo de filas, muitos autógrafos e olhares desdenhosos de intelectuais de gola alta – cheios de calor, os desgraçados.

 

Richard Zimler
Livro “Ilha Teresa”
Onde Praça Leya
Quando 8 de Maio, 15h00

Quando se fala em “timing editorial” fala-se disto: “Ilha Teresa” acabou de ser lançado, mesmo em cima da Feira do Livro. O novo romance de Zimler, um americano que já criou raízes em Portugal, ainda tem cheiro a tinta fresca mas está pronto a ser autografado – com tinta ainda mais fresca.

 

José Tolentino de Mendonça
Livro “O Tesouro Escondido”
Onde Praça Amarela
Quando 8 de Maio, 17h00

O sacerdote, poeta e professor Tolentino de Mendonça vai assinar exemplares de “O Tesouro Escondido”, mas mais importante do que o ver assinar páginas é escutá-lo e aprender com um dos portugueses mais sábios. E não, não é a altura certa para confissões.

 

José Rentes de Carvalho
Livro “La Coca”
Onde Quetzal
Quando 8 de Maio, 17h00

Rentes de Carvalho, imperdível português com morada fixa na Holanda há vários anos, é tão bom conversador como escritor. Por isso é aproveitar alguns minutos da sua companhia neste domingo de sol. Se não estiver sol, é de aproveitar na mesma. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/119671-feira-do-livro-mapa-um-safari-caca-ao-autografo, a 28 de Abril de 2011, em Jornal I

RT


Conheça os Detalhes Das Feiras Do Livro de 2011

Março 3, 2011

Detalhes das Feiras do Livro do Porto e Lisboa Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo dedicados  aos livros, desta feita no que concerne mais concretamente com a feira do livro tanto a de Lisboa, como a da cidade do Porto.

« Feira do Livro em Lisboa entre 28 de Abril e 15 de Maio, no Porto entre 26 de Maio e 12 de Junho

A Feira do Livro vai realizar-se este ano entre 28 de abril e 15 de maio em Lisboa e entre 26 de maio e 12 de junho no Porto, segundo consta no site da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).

No site da APEL na Internet informa-se ainda que a 81.ª edição da Feira do Livro de Lisboa “decorrerá, tal como nos anos anteriores, no Parque Eduardo VII”. Não há referência à localização do evento no Porto, porque, segundo indicou fonte da APEL à Lusa, falta confirmar com a câmara municipal local, mas tudo indica que deverá voltar a realizar-se na Avenida dos Aliados.

A APEL indica ainda, no site, que a próxima edição da Feira do Livro enquadra-se “num processo de continuidade”, dando, “uma vez mais, lugar de relevo ao livro, seus autores e outros intervenientes”.

A associação que representa editores e livreiros diz ainda que “continua a ter como propósito fundamental organizar um evento que pressupõe a promoção e difusão do livro em língua portuguesa, fomentar os hábitos de leitura dos portugueses e melhorar o seu nível de literacia”.

Já a Semana dos Livreiros ainda não tem data definida, mas, segundo adiantou à Lusa o secretário geral da APEL, Miguel Freitas da Costa, esta “espécie de prelúdio” da Feira do Livro inicia-se “normalmente” a 23 de abril, Dia Mundial do Livro, durando uma semana. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/107804-feira-do-livro-em-lisboa-28-abril-e-15-maio-no-porto-26-maio-e-12-junho, a 02 de Março de 2011, em Jornal I

Boas Leituras!

RT


Conheça o Denominado de Maldito Karma…

Fevereiro 10, 2011

Kim Lange... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo, sobre o Karma, passo a transcrever o referido artigo.

« Maldito Karma. A difícil vida de uma grande cabra

Bestseller alemão mistura budismo, bastidores da televisão, animais e vibrações cósmicas. David Safier escreveu um livro que vai bem com uma imperial e uma tarde de sol

“O dia da minha morte não teve graça nenhuma. E não foi só porque morri. Para ser mais exacta, isso ficou mais ou menos em sexto lugar no ranking dos piores momentos do dia.” Entramos na vida de Kim Lange, apresentadora de televisão alemã, pela porta principal. Não há falinhas mansas, nem longas introduções sobre a cor de cabelo, os seus olhos profundos nem de como lhe assentava tão bem o tailleur.

David Safier apresenta-nos Kim Lange na primeira pessoa e é ela que nos conduz numa aventura pelos meandros do budismo, da reencarnação, dos casamentos falhados e das situações disparatadas. Sempre com muito humor. “Maldito Karma” vendeu mais de dois milhões de cópias e chega agora a Portugal. É certo que não vai ganhar nenhum Nobel, nem ficar nas estantes dos clássicos da literatura alemã ao lado de Goethe ou Günter Grass, mas fica bem em cima da mesa de cabeceira ou na bagagem para o fim-de-semana.

De guionista a escritor David Safier, natural de Bremen, na Alemanha, é guionista e estreou-se nos romances em 2007. Primeiro ganhou um Emmy Internacional pela série de comédia “Berlín, Berlín”. Em 2004, o mundo descobria o humor alemão. “As pessoas riam-se quando ouviam que tínhamos ganhado o Emmy de comédia. Mas o humor é cada vez mais internacional”, explicou o escritor de 46 anos ao El Periódico.com.

David Safier assinou outras séries como “Mein Leben und Ich” (A Minha Vida e Eu) e “Nikola”, mas tornou-se conhecido graças a Kim Lange. Recém-chegado ao mundo dos romances, não tem medo de rótulos e não se importa que digam que “Maldito Karma” é uma espécie de Bridget Jones numa dimensão desconhecida. “Acho perfeito, gosto de misturar géneros, como o chick lit (literatura para gajas), a comédia e as bandas desenhadas de ficção científica”, respondeu ao jornal espanhol. Se quer saber mais sobre como é a literatura de David Safier, conte sempre com um final feliz. “Gosto de histórias com mensagens morais positivas que têm um final feliz ao estilo de Hollywood”, explicou o escritor. Antes de virar a página e desistir deste artigo, porque não é apreciador de finais felizes, aguente-se só mais uns parágrafos para descobrir como é afinal este bestseller.

O Karma é lixado Vários adjectivos vêm-nos à cabeça quando começamos a ler o livro. Kim é uma egocêntrica, convencida, fútil e cruel que faz tudo para subir na vida. Por exemplo, troca o aniversário da filha única pela cerimónia de prémios televisivos. Outro episódio pitoresco é quando ela decide lixar a colega. Conta aos chefes que a colega dá na coca e fica-lhe com o trabalho. Neste momento começamos a visualizar um animal ao qual atribuímos estas características e concluímos. Kim Lange é uma cabra (apesar de nunca reencarnar neste bicho) que não passa cartão ao marido nem à filha.

No melhor dia da sua vida, quando recebe o prémio carreira e faz sexo louco com o giraço da televisão, morre de forma inesperada. Leva com um urinol de uma estação espacial russa na cabeça. David Safier merece reconhecimento pela morte estapafúrdia e cómica. É nesse momento que começa a viagem kármica de Kim. Como sempre se portou muito mal, Buda transforma-a em formiga. Para atingir o Nivarna (descanso final, cheio de luz e cor) tem de ir acumulando bom karma e evoluindo na cadeia animal. Vai ser esquilo, vaca, cão e mais não dizemos. Pelo meio, ainda conhece outro humano transformado em bicho: Giacomo Casanova, o romântico veneziano.

“Maldito Karma” é uma fábula moderna. Mas há que dizê-lo com frontalidade, peca um pouco pelo tom lamechas do final. Ainda assim vai bem com uma imperial e uma esplanada. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/103220-maldito-karma-dificil-vida-uma-grande-cabra, a 09 de Fevereiro de 2011, em Jornal I

RT


Que Livros Oferecer Nesta Época de Natal….

Dezembro 10, 2010

Sugestão de Livros de Natal... Fonte: http://www.pppg.ufma.br

Como estamos em época natalícia, deixo aqui uma sugestão de alguns presentes, nomeadamente livros, passo a transcrever a referida peça jornalística.

« Neste Natal: livros aos molhos, para miúdos e graúdos

Está por todo o lado. Não vale a pena tentar fugir, fechar os olhos ou fingir que não é nada consigo. Abrace esta época com determinação e aproveite para pôr a leitura em dia, a sua e a dos outros. Dê livros aos amigos, aos filhos dos amigos, aos pais, avós, tios, irmãos e sobrinhos. Espalhe literatura porque o Natal também é feito de cultura (e rimas, pelos vistos). Imagine dedicatórias amorosas, humorísticas, tradicionais ou simbolistas, em jeito de Camilo Pessanha. E se quiser fugir das lojas, deixe-se estar sentado. Vá a wook.pt, fnac.pt ou bertrand.pt e faça as suas encomendas

Adultos: Ajude amigos e família a passar o tempo nos transportes públicas. Não se esqueça da dedicatória catita

Nome de Código: Leoparda
Ken Follett
Preço: 16,65€
Editora: Casa das Letras
Entre no fantástico mundo dos thrillers pela mão de um autor que sabe como se escreve um best seller. Este livro conta a história de corajosas mulheres feitas agentes secretas durante a II Guerra Mundial, duas semanas antes do dia D.

Sá Carneiro
Miguel Pinheiro
Preço: 28,80€
Editora: Esfera dos Livros
Se um não chegar para ficar a saber tudo sobre o mítico líder do PSD, há mais dois para escolher: “O Meu Sá Carneiro”, de José Miguel Júdice, por 11,66€ e “Camarate – Um caso ainda em Aberto”, de Freitas do Amaral, por 11,25€

O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch
Henry Miller
Preço: 18,45€
Editora: Editorial Presença
Quando regressou aos EUA, Henry Miller escolheu Big Sur, na costa da Califórnia, para viver. Este livro, o primeiro que escreveu a partir daquele local, é composto por textos distintos que retratam a vida e relações do autor.

Alma de Cão
Francisco José Pereira Alves
Preço: 12,51€
Editora: Oficina do Livro
“Um acidente, três homens… e um cão. A mesma vontade de mudar de vida”. Com prefácio de Mário Zambujal. Para oferecer ao amigo bancário cujo sonho é ser cozinheiro, ou para a prima que só fala em mudar-se para o campo.

O Sonho do Celta
Mario Vargas Llosa
Preço: 17,06€
Editora: Quetzal
Não é só por ser um nobel da literatura. “O Sonho do Celta” é sobre Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, que teve a coragem de denunciar as atrocidades do regime de Leopoldo II. Um livro de aventuras reais.

Pack O Reino
Gonçalo M. Tavares
Preço: 20€
Editora: Editorial Caminho
Porquê comprar um livro do vencedor do prémio de Melhor Livro Estrangeiro publicado em França, se pode comprar três? “Jerusalém”, “Aprender a Rezar na Era da Técnica”,  “Um Homem: Klaus Klump” e “A Máquina de Joseph Walser”.

Crianças: São o melhor do mundo, principalmente se estiverem sossegadas. Dê-lhes um livro e transforme-as em anjinhos


O Capuchinho Vermelho, livro pop-up
Louise Rowe
Preço: 13,90€
Editora: Editorial Presença
Livros Pop-Up (pausa para suspiro saudosista). As páginas a abrirem-se, os desenhos a saltarem cá para fora, personagens a três dimensões, e o coração a bater mais depressa. É quase magia. Quer mais argumentos?

Mãe não pises a minha sombra
Ana Esteves
Preço: 12,27€
Editora: Livros Horizonte
Ganhou o prémio literário Maria Rosa Colaço e parte de uma permissa misteriosa: “E se um dia descobrisses que a tua sombra esconde um segredo?”. Com ilustrações de Manuela Bacelar, do rapaz que gostava de ver sombras.

Princesa Poppy: As Melhoras, Avô!
Janey Louise Jones
Preço: 5,84€
Editora: Booksmile
Ajude os seus filhos/sobrinhos/afilhados/primos a perceber a importância dos avós. Com o avô internado no hospital, Poppy fica preocupada e não consegue concentrar-se para o torneio de ginástica.

As Mais Belas Coisas do Mundo
Valter Hugo Mãe
Preço: 13€
Editora: Alfaguara
Valter Hugo Mãe também sabe escrever para os mais pequenos. Neste livro conta a história do menino que, com o avô, procura os mistérios da vida. E quais são as mais belas coisas do mundo? As de verdade, ou as invisíveis?

Vincent Van Gogh e as Cores do Vento
Chiara Lossani Preço: 16,75€
Editora: Livros Horizonte
A história de um dos mais famosos pintores impressionistas escrita para os mais novos. Ilustrações maravilhosas, com tantas cores quantas o pintor usava. Para todos os miúdos com alma de artista.


O Alfabeto do corpo humano
José Jorge Letria
Preço: 13,50€
Editora: Oficina do Livro
É um dois em um: aprende-se o alfabeto e o corpo humano. Quer coisa melhor? Vértebras, glândulas, coração ou fígado. Os mais novos da família vão ser ases da anatomia e fazer um brilharete ao pé dos mais crescidos quando recitarem de cor todos os órgãos vitais.

As Gémeas Voltam ao Colégio
Enid Blyton
Preço: 9,09€
Editora: Oficina do Livro
É um clássico com cara lavada, graças às ilustrações de Patrícia Furtado. Perca a cabeça e ofereça logo o segundo volume “Terceiro Período em Santa Clara”, por 8,19€. Para meninas a partir dos 10 anos.

O Diário de um Vampiro Banana
Tim Collins
Preço: 10,99€
Editora: Booksmile
Os vampiros estão (ainda) na moda e ser totó (ou banana) calha a todos. E há idades em que não há volta a dar: a falta de jeito, nomeadamente com raparigas, é inevitável. Nem os vampiros adolescentes, se safam.

Lenda dos Guardiões – O Resgate
Kathryn Lasky
Preço: 10,71€
Editora: Editorial Presença
Animais que falam, pensam e sentem como gente, são capazes de alegrar qualquer coração pré-adolescente. Estas corajosas corujas até já tiveram direito ao grande écran, em 3D. E há mais dois: “A Viagem” e “A Captura”.  »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/92809-neste-natal-livros-aos-molhos-miudos-e-graudos, a 9 de Dezembro de 2010, em Jornal I

Boas Leituras

RT


Conheça a Melhor Livraria Nacional…E a Que Vai ao Pódio a Nível Mundial…

Novembro 19, 2010

Conheça a Melhor Livraria Portuguesa... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo que versa sobre um prémio que uma livraria na cidade do Porto recebeu esta semana, passo a transcrever a referida reportagem.

« A Lello é (quase) a melhor do mundo

A livraria Lello, no Porto, ficou em terceiro lugar no top das dez melhores livrarias do mundo

Divina” foi o adjectivo utilizado pelo “The Guardian” para descrever a livraria Lello, no Porto. Na lista feita pelo jornal britânico, em 2008, a loja ficou em terceiro lugar no ranking das livrarias mais belas do mundo. Agora, a Lello arrecadou o mesmo honroso lugar mas numa classificação diferente: é a terceira melhor livraria do planeta.

O top 10 é obra da “Lonely Planet´s Best in Travel 2011“. O guia turístico australiano elegeu os dez melhores sítios onde moram os livros. E ao que parece, um dos “tops” está mesmo aqui ao lado.

Quanto ao número 1, esse está em São Francisco. A City Lights Books foi fundada em 1953 pelo poeta Lawrence Ferlinghetti e Peter D. Martin. A livraria é símbolo de um movimento revolucionário e de uma cultura alternativa, tanto que chegou a ser o ponto de encontro para grandes artistas como Jack Kerouac e Allen Ginsberg.

Histórica: Mesmo no centro da cidade Invicta, entre os Clérigos e a Avenida dos Aliados, a livraria Lello é conhecida não só pelos anos de história que tem para contar mas também pelo ambiente invulgar.

A loja nasceu em 1906, pelas mãos do engenheiro Francisco Xavier Esteves e a inauguração contou com a presença de importantes figuras como Guerra Junqueiro, José Leite Vasconcelos e Afonso Costa.

Passado mais de um século, preserva a mesma estrutura arquitectónica exuberante. Dois andares de estilo neogótico unidos por uma escadaria vermelha em espiral. Uma decoração elaborada, tanto nas paredes como no tecto, impressiona o olhar. Uma vitrina no centro da sala exibe a frase em latim: “Decus in labore“, o que quer dizer “dedicação no trabalho”. A Lello preza por ter um ambiente descontraído e de prazer pela leitura. Por isso, no último andar há um café onde qualquer visitante pode aconchegar o estômago ao mesmo tempo que revitaliza a mente.

Não deixando de parte o ambiente neogótico, a Lonely Planet destaca as prateleiras antigas e as paredes que exibem o busto de grandes figuras portuguesas. Faz ainda referência à grande escadaria que diz assemelhar-se a uma “flor exótica”.

Resta saber quem ficou acima da livraria portuguesa. Em segundo lugar ficou a El Ateneo, em Buenos Aires, Argentina. Esta livraria, na Avenida Santa Fé, usufrui de condições especiais: está alojada num antigo teatro. A sala enorme, em tons de dourado com ornamentos antigos e até com um grande cortinado de veludo vermelho não deixa enganar. Uma verdadeira junção de arte: visual, artística e, claro, literária. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/89044-a-lello-e-quase-melhor-do-mundo, a 18 de Novembro de 2010, em Jornal I

Parabéns à Livraria

RT


Conheça As Principais Obras Que Vão Sair em Setembro Próximo…

Agosto 25, 2010

Livros Que Vão Sair em Setembro de 2010... Fonte: http://www.www.ionline.pt

Hoje e com o aproximar do mês de Setembro, vamos entrar na recta final do ano, nomeadamente no sector livreiro, que após o período estival, na sua generalidade, costuma presentear-nos todos os meses de Setembro, com novidades. Foi no decorrer deste mesmo seguimento, que li no decorrer do dia de ontem, uma notícia, sobre lançamentos de livros que estão agendados para o próximo mês de Setembro, vou transcrever o artigo na íntegra, pois considero, que algumas das obras, apresentam um teor cultural relevante.

« O regresso aos livros também se diz rentrée

Não é o equivalente literário da Festa do Pontal do PSD, mas, em Setembro, as editoras lançam no mercado alguns dos seus melhores trunfos. Porquê? “Para que os livros cheguem aos leitores no Natal”, arriscam da Quetzal. Eis as novidades mais aguardadas

O conceito de rentrée pode ser francês mas, tal como o soutien e a indisciplina dos jogadores da selecção, também se usa por cá. Na opinião de Margarida Ferra, do departamento de comunicação da Quetzal, uma das editoras que têm vários trunfos guardados para esta altura do ano, “não vale muito a pena tentar perceber se a rentrée é ou não uma importação. Se noutros países se pratica o mesmo, é porque alguém fez contas e resulta”. Fazer contas e resultar apenas reforçam a ideia de uma origem estrangeira do fenómeno. Será que as editoras esperam que, após meses de praia, caracóis, imperiais e festivais de música, os portugueses regressem com uma vontade inusitada de comprar o novo Gonçalo M. Tavares ou de oferecer aos filhos um inédito de Nabokov? Simona Cattabiani, directora editorial da Civilização, desdramatiza o efeito rentrée: “Lançámos títulos muito fortes na Primavera, por exemplo o vencedor do Booker 2009 ”Wolf Hall”, da Hilary Mantel, e neste momento, em Agosto, estamos nos tops com uma das nossas apostas mais comerciais, ”Um Dia”, de David Nicholls.” Então, qual a explicação para nos próximos meses chegarem às livrarias livros de Saul Bellow, Martin Amis, Rubem Fonseca, Bret Easton Ellis e Paul Auster? No caso dos últimos dois, qual a explicação para chegarem às livrarias seja em que altura for? A primeira hipótese é que a rentrée não existe, é uma invenção mediática. A prova disso é que não existe o equivalente literário da Festa do Pontal e enquanto não tivermos Lobo Antunes aos gritos a exigir uma revisão das suas obras não será de estranhar que as pessoas não acreditem na rentrée. A outra hipótese, um pouco mais racional, é adiantada por Margarida Ferra: “Tendo em conta que os livros, enquanto novidades editoriais, têm um prazo curtíssimo de vida e visibilidade nas livrarias que mais vendem, espera-se que os livros lançados em Setembro e Outubro cheguem aos leitores na altura em que estes têm mais disponibilidade para os adquirir: a proximidade do Natal.” Ou seja, a rentrée é uma antecâmara da sala do tesouro, o Natal. Os clientes têm três meses para se habituar aos livros nos escaparates, para quando receberem o subsídio de Natal o estoirarem em bacalhau, peúgas e Cortázares.

Como nos preocupamos com o estado da economia nacional, antecipamos alguns dos livros mais aguardados da rentrée, todos em língua portuguesa. Há prémios Saramago e prémios Camões, senhoras e senhores, jovens e menos jovens, vivos e mortos, e dois Josés.


José Luís Peixoto, Livro, Quetzal

A estreia deste escritor paira como uma nuvem sobre a obra. “Nenhum Olhar”, publicado em 2000, foi traduzido para várias línguas e valeu ao autor o Prémio Saramago. Entretanto, publicou mais dois romances, livros de poesia, colaborou com os Moonspell, mas não se libertou do peso da estreia. “Livro” cumprirá a promessa de dez anos ou vai marcar passo na afirmação de Peixoto?

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia; Matteo perdeu o emprego, Caminho; Porto Editora

A bom ritmo para se tornar o mais prolífico dos autores nacionais, Gonçalo M. Tavares, outro prémio Saramago, põe, uma vez mais, a carne toda no assador. Na Caminho vai lançar “Uma Viagem à Índia” e um livro da colecção “O Bairro”. A Porto Editora publica as pequenas histórias “Matteo perdeu o emprego”, um problema que não deve afectar o escritor nos próximos tempos.

João Tordo, O Bom Inverno, Dom Quixote

O quarto romance de João Tordo e o primeiro depois do Prémio Saramago (não, o prémio não sai nas raspadinhas). A editora Maria do Rosário Pedreira diz, no seu blogue, que o livro “tem como protagonista e narrador um jovem escritor hipocondríaco e combina de forma aliciante balões de ar quente, mortes, inveja, excentricidades, Itália e recordações de infância na África do Sul”.


António Lobo Antunes , Sôbolos Rios que Vão, Dom Quixote

António Lobo Antunes, que nunca ganhou o Prémio Saramago (que é para quem tem menos de 35 anos), é um veterano das rentrées. Os seus últimos livros têm afastado leitores, mas o escritor parece estar para além das discussões em que a literatura se confunde com o mercado. Indiferente ao mundo, o autor prossegue num caminho que não tem equivalente na literatura portuguesa.


Mónica Marques, Para Interromper o Amor,  Quetzal

Dos blogues para as livrarias, Mónica Marques trouxe um bocadinho do Brasil, onde vive, para as nossas letras. De repente, Lisboa tem mais samba e sol. Sem espartilhos, gramaticais ou morais, a prosa da escritora é uma das grandes revelações dos últimos anos. O sempre difícil segundo livro servirá para comprovar se a qualidade é ilusão de óptica provocada pela diferença ou se temos escritora.

Ana Teresa Pereira, A Outra (conto),  Relógio d’Água

Um segredo bem escondido. A obra da escritora tem sido publicada pela Relógio d’Água, logo, não é inacessível. É a singularidade dos seus livros, alheios às tendências da ficção contemporânea, que a tornam única. As referências (o romance policial, Daphne du Maurier, o filme noir) não lhe servem para fazer jogos pós-modernos, mas como recriação literária de um tempo que só existe nos livros.

Correspondência Jorge de Sena e Raul Leal, Correspondência 1957-1960 Jorge de Sena / Raul Leal, Guerra e Paz

No seguimento da publicação da correspondência entre Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner, a Guerra e Paz vai lançar as cartas que o autor de “Sinais de Fogo” trocou com Raul Leal, um escritor com uma obra quase desconhecida. Todos os pretextos para ler Sena são bons porque era alguém que tinha uma ideia do país e não usava paninhos quentes para atacar aqueles que o mordiam.

José Eduardo Agualusa, Milagrário Pessoal, Dom Quixote

De uma Angola distópica (“Barroco Tropical”) para os labirintos da língua portuguesa. Para o autor, “é uma grande viagem pela história da língua e pela forma como a língua se afeiçoou a territórios tão diversos geograficamente”. Não há outro romancista mais habilitado para abordar o tema. A sua obra é um vaivém entre as variantes do idioma e em que este assume a sua vocação transatlântica.

Rubem Fonseca, O Seminarista, Sextante

Há quem fale em declínio do escritor brasileiro. Depois de criar uma narrativa brasileira fora dos regionalismos de Guimarães Rosa ou Jorge Amado, depois de ter influenciado uma nova geração de escritores, depois de ter atingido um pico de consenso, é natural que os críticos queiram matar o pai. Ainda que “O Seminarista” possa ser mais do mesmo, isso quer dizer que é muito bom. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/75026-o-regresso-aos-livros-tambem-se-diz-rentree, a 24 de Agosto de 2010, em Jornal I

Deixo a Questão: Que Pensa Das Obras Literarias Que Irão ser Alvo de Publicação em Setembro de 2010?

Boas Leituras!

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