Discos Que Nos Vão Surgir Até Ao Final do Ano…de 2011…

Hoje trago um artigo que considero bastante interessante, pois versa, sobre os próximos discos a serem editados…em Portugal…

« Os discos que rodam até ao final do ano

De Setembro em diante nem tudo é mau. Esteja de olhos e ouvidos bem abertos para conhecer outros sons dos músicos de sempre, a apresentação de bandas revelação e o aniversário de grupos míticos. Este disco não toca mas vai ser música para os seus ouvidos

Em mais um regresso ao trabalho o que se quer são sonoridades fresquinhas para acompanhar o corpo cansado e ainda preguiçoso. Na rádio ou no mp3 vão ouvir-se novas vozes e ainda o retorno de grandes nomes. Há um pouco de tudo: artistas revelação lançam os álbuns de estreia, cantores míticos apresentam novos trabalhos e bandas já há muito retiradas regressam em edições nostálgicas para sacudir o pó do baú das memórias. Nacional, internacional e nacional cantado em inglês. Faça o círculo perfeito (e em harmonia) para descobrir as suas companhias para os meses que se seguem.

Nacional: em bom português e não só
Há números gordos que são difíceis de ignorar. Servem de exemplo os 40 anos de carreira de Sérgio Godinho. O cantor já pediu várias vezes que não se associe o lançamento do novo álbum ao aniversário mas é tarefa complicada. “Mútuo Consentimento”, que vai estar disponível nas lojas a partir de dia 12 de Setembro, tem vindo a ser revelado pelo autor, que já apresentou dois temas na internet. Godinho estava em pausa discográfica desde 2006, data em que lançou “Ligação Directa”, disco pai do tema “Às Vezes o Amor”. Paulo Gonzo também deve lançar um álbum cantado em português. Este será o sucessor de “By Request” do ano passado, disco em que o cantor reinterpretou temas de Ray Charles e James Brown.

“Komba” dos Buraka Som Sistema tem apresentação marcada para o Outono, os Mundo Complexo marcam dez anos de existência com uma colectânea, os Macacos do Chinês trazem o segundo disco e Valete traz o “Homo Libero”, aquele que será o duplo álbum do rapper licenciado em Economia. Quanto aos Doismileoito, quarteto da Maia com especial gosto por rock”n”roll, já lançaram nas redes sociais e na rádio “Quinta-feira” para primeiro single novo álbum, produzido por Nuno Rafael.

A ter em atenção o sangue fresco que vai correr nos próximos tempos. O trio Julie & The Carjackers apresenta-se com “The Imaginary Life of Rosemary and Me” e os Paus – constituídos por gente já experimente dos Linda Martini, dos extintos Vicious Five e dos If Lucy Fell – também lançam o primeiro longa duração, depois do EP “É Uma Água”. O escritor Jacinto Lucas Pires e o artista plástico Tomás Ferreira são Os Quais, com um primeiro álbum, e Rita Braga é a autora “Cherries That Went To The Police”. Os We Trust também extenderão o repertório depois do single “Better Not Stop”.

Na mesma linhagem independente estão novos trabalhos de Old Jerusalem, Rose Blanket, João Só e os Abandonados, oLUDO, Iconoclasts e o disco a solo do homem à frente dos Diabo na Cruz, Jorge Cruz. Prometidas estão também notícias para os que esperam algo vindo de gente como Jorge Palma, Carlos Nobre (melhor, Pacman, a solo) e B Fachada.

O que vem de lá de fora
Regressos em grande, junções explosivas e até realizadores que fazem música. Há razões mais que suficientes para ficar com os ouvidos alerta. Destaque para a estreia dos Superheavy. Como o próprio nome indica este campeonato é outro, o dos pesos pesados. O grupo que junta Mick Jagger dos Rolling Stones, Dave Stewart dos Eurythmics, Joss Stone, Damian Marley e A.R.Rahman, compositor do filme “Quem quer ser bilionário?” vai mostrar do que é capaz. Também particular é o novo trabalho de Bjork, parcialmente gravado no iPad. “Biophillia” deverá ser uma nova experiência musical, com imagens, vídeos e ainda aplicações nos aparelhos da Apple dando ao utilizador a oportunidade de fazer uma versão nova das canções, entre outras prendas inesperadas.

Em registo dito normal – mas não menos entusiasmante – estão o regresso de Tom Waits com “Bad As Me”, dos Coldplay com “Mylo Xyloto” e ainda dos Metallica que se fazem acompanhar por Lou Reed em “Lulu”. Ryan Adams, The Drums, Beirut, Florence and The Machine, dEUS, Feist e Marisa Monte também cortarão o silêncio dos últimos tempos.

Ainda David Lynch dará um ar da sua graça. O realizador que várias vezes compôs temas para os seus filmes, apresentará o álbum “Crazy Clown Time”. “Good Day Today” é o exemplo de uma electrónica ambígua mas menos negra do que os enredos na tela. Esperar para ouvir.

Regresso ao passado
Dois mil e onze é o Ano Internacional das Florestas e da Química. É também o ano de grandes efemérides. Vinte anos depois, “Nevermind”, disco épico dos Nirvana que inclui temas como “Smells Like Teen Spirit” e “Come As You Are”, ressurge com imagens ao vivo e um DVD. “Achtung Baby” dos U2 que comemora a mesma idade, chega agora em formato de filme recordando a gravação do disco em Berlim. Também na onda cinematográfica aparecem os Pearl Jam com um documentário realizado por Cameron Crowe. Os Pink Floyd terão toda a discografia remasterizada para outro saborear das músicas da banda de Cambridge. A comemorar ao dobro estão os Queen que deverão fazer completar a reedição de toda a discografia, recomeçando por “The Works” e até “Made in Heaven”. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/145893-os-discos-que-rodam-ate-ao-final-do-ano, a 30 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Samantha Fox em Vila Real…

Samantha Fox... em Vila Real... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago uma sugestão para hoje, mas em Vila Real..

« Reviver o passado em… Vila real

Há muito, muito tempo o Egipto enfrentou dez pragas inexplicáveis. Entre elas uma invasão de gafanhotos, outra de rãs e uma de moscas. Mas nada se compara ao fenómeno (musical) que acontece hoje em Vila Real. Anuncia-se a queda de uma nave vinda dos anos 80. É para lá dos montes, na freguesia de Andrães que os Europe vão aterrar, juntamente com Samantha Fox. Já faltam poucas horas para o espectáculo por isso dirija-se para norte, em direcção ao Naturwaterpark. Prepare-se a rigor, decore as letras e às 21horas ande para trás no tempo. Depois da festa não fique a chorar o passado. Há muito que fazer por estas terras. De passeios, a museus e, claro, boa comida

Europe
Quem nunca gritou “The Final Countdown” a largos pulmões, seja sozinho no quarto, a conduzir para o trabalho ou no final de uma noite de arromba, a arrastar-se pela pista de dança que levante o braço. Ah, pois é. É assim que se mede a influência de uma banda.

Na voz Joey Tempest, na guitarra John Norum e na bateria Tony Reno fizeram o sucesso dos anos 80 com o seu rock pesado. Foi precisamente com “The Final Countdown”(1986), o seu terceiro álbum, que conquistaram a alma dos adolescentes mais rebeldes. O disco vendeu mais de três milhões de cópias nos Estados Unidos e ficou nos ouvidos pelo tema que tomava o mesmo nome e também pela balada “Carrie”.

Foi “Space Oddity” de David Bowie que inspirou a letra do tema de sucesso “The Final Countdown”. Dois anos depois seguiu-se “Out of This World” onde se destacou o tema “Superstitious”. Daí em diante a banda começou a ser ofuscada por outras que então surgiam como Nirvana ou Pearl Jam. Em 1992 decidiram fazer uma pausa.

Surgiram rumores que se juntariam outra vez mas foi só em 2003 que se revelou real. A banda lançou ainda três álbuns no novo milénio, sendo que o último “Last Look at Eden” foi em 2009. “Um álbum retro-rock moderno” descreviam os membros dos Europe na altura do lançamento.

Entretanto, a banda liderada por Joey Tempest já anunciou que o sucessor de “Last Look at Eden” está para chegar ainda no final deste ano.

Quem sabe se os Europe não terão alguns temas inéditos na manga prontinhos para saltarem para o palco do Naturwaterpark.

Samantha Fox
Não é preciso dizer mais nada. Nem era necessário ter uma fotografia a ilustrar.  Em qualquer cabeça se desenham os contornos de uma loira bombástica e avantajada a gritar alegremente “touch me!”. Vinte e cinco anos depois do primeiro single, a cantora vai pisar palco transmontano.
Entrou para a escola de arte e espectáculo aos cinco anos. Aos 10 apareceu numa peça na BBC e aos 14 formou a sua primeira banda.

Com este percurso, podia ter sido como qualquer rapariga londrina, engraçada, a tentar infiltrar-se nos meandros do espectáculo. Isto se não tivesse posado em topless com apenas 16 anos para a página três do jornal “The Sun”.

Ondas de polémica levantaram-se. “Eu cobri-me durante anos porque era muito tímida. E um dia aconteceu (faz o gesto de se destapar)”, revelou a cantora em  entrevista no “This Morning” em 1992. Com uma voz calma e um discurso pausado, acrescentou ainda:“Há mulheres e homens que não concordam. Pensam que é uma maneira de degradar as mulheres. Eu fi-lo voluntariamente. Tinha um sorriso na minha cara. Não foi nada foleiro, foi no ‘The Sun’!”

Por esta altura já tinha dado mais que provas de outros dotes. O primeiro single “Touch Me” levou-a aos tops, alcançando a terceira posição no Reino Unido e a quarta nos Estados Unidos.   “Nothing’s Gonna Stop Me Now” do segundo álbum também foi bem recebido. Lançou mais sete álbuns mas nunca mais alcançou o sucesso inicial. Hoje, com 45 anos, Samantha mantém a mesma sensualidade em palco, com o olhar atrevido, os decotes vertiginosos e as pernas nuas. Ao que parece, também aprecia as divas mais recentes. Confessou que gostava de Lady Gaga e que estaria interessada em fazer uma música lado a lado a Rihanna. »

 

In: http://www.ionline.pt/conteudo/142775-reviver-o-passado-em-vila-real, a 12 de Agosto de 2011, em Jornal I

 

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Conheça o Festival Que Vai Durar Até ao Final de Agosto…

Festival Hippie... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre um festival que nos vai levar até ao final de Agosto…

« Os festivais para meninos acabaram. Agora é só hippies

 Começa hoje o festival de trance Freedom, em Elvas. No Gerês, o Rainbow reúne hippies até ao fim de Agosto

 “Pedir a alguém no Rainbow para não fazer sexo em frente dos seus filhos, é como ir a um bar com miúdos e pedir aos clientes para não beberem álcool.” A frase foi escrita por Jim Dee, um autoproclamado hippie e “filho de um hippie dos anos 70” na página do Facebook do Rainbow. Jim Dee aconselha todos os participantes do encontro – que começou em Portugal a 30 de Julho e se prolonga até 29 de Agosto – a não levarem crianças.

“Em miúdo, o meu pai levou-me a alguns encontros destes e fiquei chocado. Há muita nudez e sexo, por exemplo em tendas públicas como a do chá”, escreveu. “Também há sexo na relva e em arbustos, onde os miúdos brincam.”

O primeiro Rainbow aconteceu na Califórnia em Julho de 1972 e contou com 20 mil pessoas. Onze anos depois chegava à Europa e realizava-se na Suíça. O que começou por ser um evento pontual numa floresta norte-americana tornou-se no maior encontro anual de hippies, pseudo-hippies, viajantes e curiosos que aguentam alguns dias na comunidade até apanharem piolhos. Nos encontros europeus, que duram um mês, os participantes trazem as suas tendas e montam um acampamento onde as actividades principais são workshops como os de respiração holotrópica, permacultura e curas com ervas – fumá-las é a técnica preferida.

Este ano, Portugal é o país escolhido para o encontro europeu, tal como em 1996 e em 2008 – neste último juntou apenas 70 pessoas porque se tratava de um evento local. Mas não é fácil encontrar o sítio. Com uma pesquisa no Google percebemos que se realiza na “Ibéria”. Só depois de saltarmos por vários sites com arco-íris, descobrimos que é em Salto, uma aldeia em Montalegre, perto do Gerês.

“Espaço para 4 mil pessoas, fontes de água potável, madeira para fogueiras e lugares de estacionamento a um mínimo de uma hora e meia do local de encontro” são algumas das características do espaço do Rainbow.

Freedom nos intervalos do Boom

A partir de hoje, a Herdade do Monte da Chaminé, em Elvas também se vai encher de pessoas com rastas. Até dia 15, são esperados entre 8 a 10 mil amantes da música trance no Freedom. O festival que teve a sua primeira edição em 2005 realiza-se de dois em dois anos, para coincidir com os intervalos do psicadélico Boom, em Idanha-a-Nova.

“O que nos difere da cultura do Boom é apostarmos em nomes mais fortes no cartaz”, conta Tiago Mota, director do palco principal. Na 1ª. edição, a organizadora Crystal Matrix levou a Elvas nomes sonantes do trance como os israelitas Infected Mushroom e juntou 10 mil pessoas em três dias, com bilhetes a 55 euros.

Este ano os bilhetes aumentaram de preço (custam 110 euros), mas o festival dura uma semana e inclui uma after-party no dia 16. “Os principais artistas vão ser Talamasca [um DJ francês], Vibe Tribe [o projecto do produtor russo Stas Marnyanski] e os Sun Project [que combinam metal com trance].”

Tal como no Boom, onde no ano passado foram apreendidas perto de 16 mil doses de heroína e quase 5 mil selos de LSD, o consumo de drogas pesadas é habitual no Freedom. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/142341-os-festivais-meninos-acabaram-agora-e-so-hippies, a 10 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Conheça a História do Festival de Vilar de Mouros….

Vilar de Mouros... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago nada mais nada menos que a história do primeiro festival de verão em Portugal, desta feita Vilar de Mouros.

«Vilar de Mouros. O Woodstock à portuguesa faz 40 anos

 A 8 de Agosto de 1971, Elton John actuou no primeiro festival de música pop em Portugal, que foi criado pelo médico António Barge

Elton John aterrou no Porto com manager, banda e instrumentos, pronto para o primeiro festival de música pop em Portugal. Só faltava um detalhe, ou melhor, um carro para o levar ao recinto. O transporte combinado não tinha chegado e no carro de António Barge, médico minhoto e mentor do Festival Vilar de Mouros, não cabiam todos os membros da banda, muito menos o equipamento. Por sorte, Júlio Isidro, que ia apresentar a estrela no festival, já tinha chegado e deu boleia a Elton John e ao manager. Do caminho entre Porto e Viana, o apresentador só recorda o comentário sobre as nossas estradas: “Não são muito boas.” Elton John ia levar outras memórias de Vilar de Mouros, que partilhou com Amélia Barge, a mulher do criador do festival. Fernando Zamith entrevistou-a para o livro “Vilar de Mouros, 35 anos de Festivais” e reproduziu o diálogo.

Elton John: “Acha que eles estão a gostar?”

Amélia Barge: “Estão!”

Elton John: “Mas não se manifestam!”

Amélia Barge: “Não, cá em Portugal é assim.”

Era assim em 1971, no país de brandos costumes que acolheu pela primeira vez uma espécie de Woodstock, com menos lama, talvez menos droga e mais “tintol”, como se via nas fotografias. Era também a primeira vez que se falava em vegetarianos por terras de boa carne minhota. Uma modernice do grupo pop Manfred Mann, nos tops na altura, que Isabel Barge, filha do organizador, conseguiu solucionar. Numa pensão de Caminha lá se arranjou um prato feito à medida, recordou Fernando Zamith.

Mas estas são as pequenas peripécias num projecto megalómano que não foi organizado por produtoras com grandes patrocinadores, nem por institutos públicos, mas por um médico e pela sua família que ficou com dívidas durante anos. “O festival custou 2500 contos [cerca de 600 mil euros hoje] e eles só tiveram o apoio de 30 contos de uma instituição pública. O resto foram os bens da família e as receitas de bilheteira. Houve muita afluência, mas não foi suficiente. A mulher obrigou-o a prometer que não se metia em mais nenhuma coisa destas. No final deve ter tido um prejuízo de 1700 contos”, diz ao i o jornalista da Lusa.

Vilar de Mouros, paraíso O objectivo deste médico, nascido em Venade, a seis quilómetros de Vilar de Mouros e a viver em Lisboa há muito tempo, era divulgar a região. “Ele achava que era preciso promover o resto do país, descentralizar. Foi ele que mandou fazer os primeiros postais da região para oferecer aos amigos”, recorda Fernando Zamith, também professor na Universidade do Porto.

António Barge, com dois filhos, e uma enorme paixão pela música demorou três anos a planear o festival. Antes já tinha feito parte da organização de alguns eventos musicais na terra e o de 1968 foi o mais marcante. Entre ranchos folclóricos, houve cantores de intervenção. “Zeca Afonso não resistiu e tocou músicas proibidas. António percebeu se queria fazer uma coisa em grande, não podia ter o regime à perna”, diz o jornalista. Como era uma espécie de futurista, começou a pensar num evento em grande e depois de 1969, quando aconteceu o pai de todos os festivais, o Woodstock, nos Estados Unidos, virou-se para a juventude.

O planeamento não olhava a meios e não tivessem os The Beatles acabado um ano antes, António Barge teria conseguido trazer os Fab 4 a Portugal. “O mais incrível era a determinação de António Barge em ir em frente sem receio. Ele queria trazer os Beatles e quando lhe disseram que cobravam 1000 contos [o equivalente hoje a 250 mil euros] por concerto, ele respondeu: ”Tudo bem””, recorda ao i Fernando Zamith.

Os Rolling Stones também foram uma hipótese e só por não terem datas vagas é que não foi possível virem a Portugal. Aliás, Elton John esteve quase para não vir e os Black Sabbath eram os substitutos. Barge conseguiu apoios da Phillips para a parte eléctrica e as obras nas estradas da região foram adiantadas por causa do festival.

Quando os nomes foram sendo confirmados, os jovens foram aderindo. Ninguém queria perder aquela oportunidade. Apesar disso, as cerca de 30 mil pessoas ainda não sabiam bem o que fazer em festivais. “As pessoas estavam contidas. Sabiam que a polícia andava por ali. Os concertos foram pequenos e não houve encores porque ninguém os pediu”, diz o autor do livro. A mediatização do evento também não foi grande. A RTP, que inicialmente tinha concordado em gravar o festival, recusou à última da hora, provavelmente com medo do regime. Por essa razão, praticamente não existem registos em vídeo do festival.

Livro A história do primeiro festival nacionais só está contada no livro de Fernando Zamith, lançado quando se assinalaram 35 anos do mesmo. “A minha família é de Vilar de Mouros e tenho uma vivência com a aldeia e com o festival. Fui à edição de 82 com 18 anos e foi uma experiência marcante”, recorda. Foram nove dias com U2, The Stranglers, Carlos Paredes, Jáfumega, entre outros. “Além disso, decidi avançar para o livro porque percebi que havia pouca informação e muitas ideias erradas, como ser um festival contra o regime”, conta ao i. Fernando Zamith não conseguiu entrevistar o mentor do festival, pois António Barge morreu em 2002, mas falou com a família que acompanhou de perto a criação do evento de música mais falado. O criador de Vilar de Mouros não organizou mais festivais, mas esteve presente nalgumas edições. Entre 1999 e 2007 houve festival, até que a autarquia e a PortoEventos se desentederam. Pode ser que um dia o festival regresse, este ano teria sido uma boa desculpa.

 

 


Tozé Brito
cantor e compositor
Actuou no Festival de 1971
no Quarteto 1111

 

“Era uma liberdade controlada. O público fumava marijuana e a PIDE não interferiu”

 

O que recorda do Festival?

Foi um dos espectáculos mais importantes da minha vida. Estávamos na pré-história dos festivais, o Woodstock tinha sido dois anos antes e nunca se tinha visto nada assim em Portugal. Foi um momento mágico, de liberdade controlada. A PIDE estava por lá mas não interferiu. Sentia-se o cheiro de marijuana, vi pessoas a tomarem banho nus no rio e a polícia não fez nada para impedir.

 

Como é que o público reagiu?

No início da tarde, nos concertos antes do nosso, o público ainda estava morno. Queriam era apanhar sol e conviver. Lembro-me que quando tocámos, sabíamos que não podíamos ser contestatários mas queríamos abanar o público por isso cantámos a música “Glory, Glory, Hallelujah” [The Battle Hymn of the Republic], que se tornou o hino da luta contra escravatura. Cantámos à capela e as pessoas levantaram-se acompanharam-nos. Foi um grande momento.

Como foram os concertos?

Nós [Quarteto 1111] actuamos nas duas noites e lembro-me que Manfred Man foi a apoteose. Elton John também foi brilhante a tocar e a saltar no piano como nunca se tinha visto em Portugal.

Conheceu o criador do festival, o médico António Barge? Sim. Ele era um homem especial, com ideias muito à frente do seu tempo. Era um melómano, gostava de música clássica, pop. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/142006-vilar-mouros-o-woodstock–portuguesa-faz-40-anos, a 8 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Uma Entrevista a Roberto Leal…

Roberto Leal... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo sobre o até à bem pouco tempo escondido e desaparecido Roberto Leal…

« Roberto Leal. “A minha maior dificuldade foi sempre Portugal: há guetos e preconceitos”

Roberto Leal não andou desaparecido antes de o “Último a Sair”. Gravou dois discos “a sério” e já não quer vender milhões

Primeiro choque: Roberto Leal não aparece vestido de branco, mas todo de preto, com sapatilhas all star e uma camisa com uma cruz de Santiago gigante. Segundo choque: Roberto Leal já não se queixa de ser português no Brasil e brasileiro em Portugal. Terceiro choque: Roberto Leal já não quer fazer discos de ouro e anda ocupado a estudar a música tradicional portuguesa e a fazer discos “a sério”. O problema agora é vencer o preconceito. “No Brasil deu tudo certo, em Portugal senti-me sempre segregado”, confessa. A razão de tantas mudanças, explica, é o resultado de uma grande caminhada: Roberto Leal diz que teve de mudar muita coisa para finalmente ser feliz. “Mas quando você ganha a consciência de quem é tudo se transforma.” O músico de Vale da Porca, em Trás-os-Montes, comparece na entrevista com a filha, que anda de canadianas porque caiu de um palco e partiu o pé. “Coitadinha, ela estava sozinha em casa e eu trouxe ela”, apressa-se a justificar. Há momentos em que Roberto fala com sotaque brasileiro. Noutras partes da conversa, as palavras soam mais a Portugal. Na semana em que ganhou o programa “Último a Sair“, da RTP, Roberto Leal recorda as coincidências bizarras que o levaram à fama, os primeiros tempos no Brasil, confessa que foi a mulher quem o ensinou a comportar-se à mesa e defende que é preciso que Portugal mude rapidamente de mentalidade.

Passa mais tempo cá ou no Brasil?

Vou andando cá e lá. Já fiz a viagem tantas vezes que já nem dou por isso. Não me custa nada. Uma vez o João Pedro Pais disse-me que cada vez que atravessa o oceano precisa de meses para recuperar. Eu acho que o corpo e a mente acabam por se habituar a tudo. Aliás, eu hoje olho para a minha vida e vejo quantas coisas tive de mudar e readaptar para ser feliz. Há uns anos, por exemplo, detestava que me chamassem brasileiro cá e português lá, mas, a partir do momento em que você ganha a consciência de quem é realmente, esse sentimento acaba. Quando aceitei participar no “Último a Sair”, a minha condição foi exactamente ser quem eu era.

Quem é que o convidou?

Foi o próprio Bruno [Nogueira]. Ligou- -me e eu levei uns dez dias a pensar. Disse-me que era um programa onde ia ser eu mesmo e onde ninguém ia cortar a minha espontaneidade. Gostei dessa ideia e achei mesmo que a naturalidade seria o melhor caminho. Não me poderia desviar daquilo em que acredito e daquilo que sou.

Na casa, você era o conciliador. Também é assim na sua vida?

Ser apaziguador é normal em mim e na minha família. Cresci num ambiente assim, com muito carinho, muito jeitinho. Tenho um casamento que dura há 36 anos! Mas quando aceitei o programa disse logo que não tirava a roupa nem dizia palavrões e que quando falasse em Deus e nos meus valores gostaria que isso fosse respeitado. Os textos eram muito bons, mas havia uma margem grande para o improviso.

Durante décadas, foi uma figura popular. Nos últimos anos desapareceu…

Sabe o que fiz nos últimos seis anos? A maior pesquisa etnográfica e musical deste país. Gravei dois discos. O “Canto da Terra” e o “Raiç/Raiz”. Estudei a música tradicional, o mirandês. Fui passar Entrudos a Macedo de Cavaleiros e a Miranda do Douro. Fui à procura dos nossos traços genéticos, da nossa história. Mergulhei centenas de horas em arquivos municipais. Quanto mais estudava, mais perplexo ficava: como era possível que Portugal não conhecesse nem valorizasse aquele património maravilhoso? É natural que estes trabalhos não tenham tanta projecção, mas foi uma coisa consciente. Tenho uma história bonita, mais de 18 milhões de discos vendidos, não acredito que haja algum artista português com um palmarés tão grande. Cantei no mundo inteiro. Quis fazer isto por amor.

Cansou-se de vender discos?

Sinto que tenho uma missão para com Portugal. Saí de Vale da Porca, em Trás-os-Montes, com 12 anos. Passei por Lisboa, apanhei um navio para o Brasil e só voltei muito tempo depois. Senti, nos últimos anos, que a minha missão era não deixar morrer o património do meu povo. No Interior é que estão os traços genuínos de Portugal. E a música é rica. Há música para ceifar o trigo, para ir buscar a água… às seis da tarde tocam as ave-marias. Houve uma altura da minha vida em que senti um vazio, crescia em mim um desejo de mudar. Precisava de oxigénio, vim para cá.

Mas é mais requisitado no Brasil?

Tenho uma história muito sólida no Brasil. Grandes nomes da música de lá cantaram canções minhas, sou reconhecido, acarinhado. Cá sempre foi diferentes. Senti-me segregado. Aqui há guetos, separações, preconceitos. Há uns tempos, o Rui Veloso ligou-me era meia-noite. Tinha estado a ouvir o “Canto da Terra” e disse que não podia acreditar, e que aquele era o seu disco, cantou para mim ao telefone. Achei tão humilde, chorei tanto… O disco tem tudo: adufes, gaitas de foles, os bombos de Miranda… uma loucura. Fiquei estes anos todos a fazer isto. Para mim, já não é importante fazer discos de ouro.

Está consciente de que nunca vai vender tanto?

Claro que não estou a vender nem um décimo do que vendia. Mas é música que precisa de ser cantada.

Já não quer ser mais uma estrela?

Deixou de ser a prioridade. E o “Último a Sair” foi um passo em frente nessa mudança. Desfiz, finalmente, aquele boneco do homem vestido de branco. O artista tem de ter capacidade de superação. Quando se tem 40 anos de carreira, começamos a repetir-nos, não evoluímos. Isso é o pior que pode acontecer. Com o programa, quis superar-me. Eu sempre fui um vencedor! A minha maior dificuldade, como disse, sempre foi Portugal.

Porquê?

Não me cabe julgar. Em 2004 fiz um disco chamado “De Jorge Amado a Pessoa”, que foi um sucesso estrondoso no Brasil. Convidei artistas incríveis para participar, como o Carlinhos Brown, a Simone, Martinho da Vila. Aqui também convidei e, tirando o Vitorino…, quase toda a gente me ignorou.

Quem é que recusou?

Olha, isso eu não quero falar, mas te digo que houve pessoas que à noite disseram que sim, que gravavam comigo, e que voltaram para casa e me ligaram no dia a seguir a dizer que a editora aconselhou a não o fazerem, para não ficarem rotulados comigo. Isso deixou-me triste, porque era um trabalho muito digno, muito bom, e era uma oportunidade para a música portuguesa no Brasil. Andamos sempre a queixar-nos de que ninguém nos valoriza lá fora e depois… adiante.

Também tem um restaurante no Brasil. Como é que se meteu nisso?

É o Marquês de Marialva. Fazemos tudo à moda portuguesa. O leitão, os doces, o cordeiro (porque lá eles têm a mania de que nós somos comemos bacalhau). Levei para lá o melhor azeite de Trás-os-Montes, dei-lhe uma marca e, no ano passado, foi o terceiro azeite mais vendido, no Natal, no Rio de Janeiro. Também estou a exportar doces conventuais, vinho e bacalhau. Sinto que estou a ajudar o Interior, uma região deprimida e que nos últimos anos tem perdido população. O último censo mostra valores assustadores e isso mexe muito comigo. Tenho muito orgulho em Portugal. Quando fui para o Brasil, ser português não era uma coisa bem vista. Eles achavam que tudo era brega e triste. Quis mostrar que Portugal é um país alegre, daí ter misturado a música portuguesa com os ritmos alegres brasileiros.

Porque é que abriu o restaurante?

Vou-te contar. Em Vale da Porca só se comia o que a terra dava, era tudo igual, e só o azeite tinha o poder de mudar o sabor à comida. Era lindo… o meu pai contava histórias. Tive uma infância feliz. Aquilo que as pessoas vêem como pobreza, eu achei muita riqueza. E então o meu pai punha pedaços de pão no lume regados com azeite. Isso ficou-me na cabeça para o resto da vida. E a ausência desses sabores levou-me a querer mostrá-los e levá-los para o Brasil. Sempre fiz na vida o que amo, sempre com amor, e acho que é essa a razão de ter dado tudo certo. Tem a ver com a minha educação. Fui criado num ambiente de amor. E sou fruto de um amor muito puro.

Um amor puro?

É uma história linda. O meu pai era um simples barbeiro e o pai da minha mãe era um burguês, dono de metade das terras da região. O meu pai ia a casa dele fazer-lhe a barba. Até que um dia viu uma menina de olhos azuis, que era a minha mãe. Apaixonaram-se e o meu avô opôs-se. Não podia acontecer, porque o meu pai era um simples barbeiro! Eles fugiram e foram morar para um pequeno monte, uma casa minúscula, dada pelo meu avô paterno. Éramos dez irmãos e vivíamos mal. Mas o amor deles venceu e isto acompanhou-me sempre. Vivemos tanta coisa… havia uma tia, casada com um irmão da minha mãe, que nos levava, debaixo do avental, pedaços de carne para não passarmos fome.

Depois de emigrarem para o Brasil, vendeu sapatos e doces. Como é que chega aos discos?

Foi do nada para o tudo, obra do destino. Juntei dinheiro e gravei um disco numa gravadora minúscula. O single era o “Arrebita”. Gravei, mas ninguém tocava aquilo, ninguém me pegava. Passaram sete meses, eu estava no Rio e não conseguia nada. Resolvi voltar para São Paulo, de onde tinha vindo. Desiludido. No dia antes de ir, li uma entrevista de um cara chamado Chacrinha, que era o maior sucesso da Globo naquela altura. Revelou grandes artistas e tinha um programa em horário nobre. Ele dizia, nessa entrevista, que andava à procura de artistas diferentes, que não queria o óbvio. E eu tive a intuição, a certeza, de que era ele quem me iria lançar.

Achava-se assim tão diferente e bom?

Nossa! Eu era um português de cabelo comprido que se vestia como uma árvore de Natal! [risos] Arranjei maneira de entrar pela Globo adentro e achei o Chacrinha, sem T-shirt, a beber água de coco e a fazer a programação. Ele olhou para mim e chamou-me de paneleiro (risos).

Então e depois, o que aconteceu?

Disse que era um cantor português e pus o single a tocar. Ele ouviu até ao fim sem dizer palavra. Depois pediu para pôr a tocar de novo. A meio disse: “Tu tens cá as tuas raparigas que dançam isto contigo, não tens?” E eu disse logo que sim, lógico que tinha. Mentira. Não tinha nada. Ele disse: “Domingo você está no programa.”

E como é que fez para encontrar as raparigas?

Como estava no Rio, procurei e achei uma associação de Arouca. Deixei lá o CD para ensaiarem. Antes de domingo, quis ir todo bonito e bronzeado para o programa e fui para a praia, mas apanhei um escaldão enorme, parecia uma lagosta [risos]. Não dormia a pensar: “Meus Deus, vou estar na Globo.”

Como é que correu o grande dia?

O programa era das oito às dez da noite. Lá apareci eu, vermelhão, mas com a melhor roupa que tinha. A seguir, a emissão ia para o Maracanãzinho, para o festival internacional da canção, onde estavam grandes nomes como o Demis Roussos. As horas foram passando. Faltavam dez minutos para as dez e eu desiludido… todo o mundo actuou menos eu. Quando faltavam quatro minutos, o Chacrinha me chamou. E eu dancei que nem um cabrito. Quis mostrar tudo. Entretanto, a produção recebe um telefonema. Havia um problema no Maracanãzinho e o Chacrinha tinha de continuar a emissão. Como era eu que estava em palco, mandou-se seguir. Aí já com o Brasil inteiro a assistir, audiência máxima. Isto é obra do destino. No dia a seguir já não podia andar na rua e em 15 dias vendi 150 mil discos. Toda a gente queria aquilo. Ninguém sabia bem o que eu era. Se era pagode, rumba, funk…

Tem nove irmãos. O que é feito deles?

Dois já faleceram. Todos estão bem, no Brasil, na área da restauração. Menos o João Gabriel. Casou com uma brasileira, não deu certo, já nem no namoro dava certo… Depois conheceu uma portuguesinha, vieram para cá e estão a viver em Trás-os-Montes. Farta-se de dizer que aquilo é um paraíso.

Vem de uma família onde ninguém era artista. De onde lhe vem a música?

Costumo dizer que ninguém decide, de uma hora para outra, que quer virar cantor. Já se nasce com o kit completo. A minha irmã mais velha desafina que é um horror [risos]. Timbre, dom, é uma coisa que vem com você, não tem como comprar. O meu irmão mais velho reparou que eu cantava bem. Aí, todos os meus irmãos começaram a juntar dinheiro para eu ir estudar para uma academia musical de um português do Porto. Tinha 200 alunos, mas eu fui-me destacando, porque era cá uma figurinha [risos]. Nunca fui de cantar com as mãos nos bolsos. O meu negócio era alegria, ritmo. Passados quatro anos, influenciado pelo sucesso do Roberto Carlos, quis partir, quis actuar, ter uma carreira. Daí ter gravado aquele disquinho.

Costuma compor com a sua mulher. É trabalho de equipa?

Sim. A Marcinha foi de grande importância em tudo na minha vida. Ela era uma menina da classe média-alta, o pai era presidente de um banco. Tínhamos 21 anos quando nos conhecemos, poucos dias antes da formatura dela. Formou-se em Direito. Comecei a ir todo o dia para casa dela. Foi ela que me ensino a comportar-me à mesa, a pegar nos talheres…

Ensinou-lhe isso?

Sim. E ensinou-me muito mais. Ela cantava no coro da faculdade. Eu sabia tocar violão, mas só dois ou três acordes. Ela também tocava, mas muito. Mostrou-me canções que tinha escrito. Maravilhosas! Mas ela não dava valor, porque era insegura, e ainda hoje é. Acho que foi por isso que deu certo, eu sou o contrário: só sabendo dois ou três acordes no violão já achava que sabia tudo e ela, que tocava tanto, achava que não tocava nada.

Como é que se conheceram?

Numa rádio, andava ela a angariar apoios para o baile da formatura. Arranjei bilhetes e fui lá, com um amigo. Naquela época eu só tinha duas roupas. Quem me visse duas vezes achava que até me apresentava bem [risos]. Ficámos fisgados um no outro. Dançámos toda a noite na formatura.

E o pai dela?

Ui. Que complicação. O pai proibiu, porque eu era português e era pobre. Um dia fui falar com ele e disse que ainda havia de ser famoso. E ele disse que artista não dava para a filha dele, porque se virasse famoso ia ter muitas mulheres. E se não virasse seria pobre. Mas depois do Chacrinha fiquei famoso e ele começou a aceitar aos poucos e a cuidar dos meus negócios. Mas houve episódios incríveis. Uma vez, no início, fui a um cocktail, estava todo o mundo vestido com fato e gravata, e eu entrei com uma camisa com padrão tigre e calças de ganga manchadas com lixívia. A Márcia viu–me e entrar e disse: “Roberto… para o quarto, já!” [risos] O pai dela dizia que eu era um vagabundo e que quem usava cabelo comprido só podia ser gay.

Como se constrói uma relação de 36 anos?

Como tudo na vida: sabendo exactamente quem você é. As pessoas não devem pedir a Deus, devem merecer de Deus. A vida constrói-se fluindo normal. Uma vez tive um sonho: eu perguntava ao universo qual era o meu caminho e aí vi um lugar imenso, plano, e derramei um copo de água, que fluiu para um lugar. Esse sonho passou a ser a bússola da minha vida. Entendi que o plano maior tem um projecto para cada um de nós. Conheço muitas pessoas com dinheiro, mas que são infelizes. No começo, tinha muita vaidade, ainda tenho, mas tive de mudar. E descobri isso graças aos meus carros.

Descobriu como?

Olha… eu adorava carro caro. Uma vez saí de casa para comprar um carro e trouxe três, porque podia. A Márcia passava-se e dizia: “Outro, Roberto?” Mas durante anos, todos os carros que eu tinha, batia com eles. Um Mustang… ficou todo desfeitinho e eu não apanhei nem um arranhão. Um Mercedes que tive, um autocarro veio contra mim do nada. Chorava tanto, não entendia. Havia períodos em que achava que já estava curado do vício dos carros, mas tinha recaídas e voltava a comprar e tudo dava errado com eles. Até que um dia percebi. Fiz uma oração, pedi que nada mais interferisse no meu caminho, entendi que já não queria mais coisas materiais. Então ouvi uma voz que me disse que eu já não era o mesmo, que tinha aprendido. Eu dava demasiada importância para a matéria e quando a matéria me vinha parar às mãos rebentava. Era vaidoso.

E hoje, que carro tem?

Ah… hoje está tudo bem. Tenho Jaguar, mas já passou. O problema não é ter um carro bom, é o significado que o carro tem na nossa vida.

Ouviu mais vezes essas vozes?

Sim, em muitos momentos da minha vida. E tenho muitas intuições. Com o programa também foi assim. Pensei em recusar, mas depois algo me disse que devia aceitar, porque fazia parte do meu processo de crescimento e transformação.

A dada altura quis mudar de nome. Também teve a ver com essa necessidade de transformação?

Isso foi tudo um enorme mal-entendido. A minha agência lançou isso de mudar o meu nome enquanto eu não estava em Portugal e quando voltei acabei logo com essa história. Como é que você apaga um nome que demorou anos a fazer? E isso é lesar as pessoas que te querem bem! Mudei outras coisas, claro, porque a minha música, hoje, é diferente. E o preconceito continua. Deixei de me vestir de branco, mudei o cabelo, faço música diferente. Mas seria incapaz de mudar o meu nome.

Conhece bem o Brasil e a Europa. O Brasil está a ter um crescimento enorme e a Europa vive uma época algo conturbada. O que é que está a acontecer?

A velha Europa envelheceu mesmo e às vezes é mais fácil mudar uma praia inteira do que uma areia, quando não se quer mudar. Mudou-se a moeda, as regras, mas as pessoas não querem mudar.

E é preciso mudar em quê?

Mudar por dentro. Só mudámos a estética. Fizemos lindas auto-estradas nos últimos anos, o dinheiro foi mal investido. Devíamos ter investido em tecnologia, em formação. Há demasiados anos que vivemos só de turismo. Tínhamos um calçado e têxteis geniais. Porque não se investiu nisso? Não mudámos mentalmente. No Brasil houve o inverso. O Lula era o final da linha e afinal tornou–se um novo começo. Estabeleceram-se parcerias com países de todo o mundo. O Brasil tornou-se um quintal onde toda a gente começou a plantar coisas. Eu sou amigo do Lula e sei que ele se cansou de tentar falar com Portugal, insistiu de mais, nos últimos anos, em tentar estreitar ligações connosco. Com quem é que Portugal tem parcerias? Nem com o mundo lusófono tem, verdadeiramente! Aliás, sempre defendi a existência de um ministério dos Assuntos Lusófonos. Já viu o que Portugal ganhava se levasse para uma reunião em Bruxelas o apoio de todo o mundo lusófono? Além disso, Portugal nunca se soube vender. Demorou muito a perceber a importância de se vender no estrangeiro. E de se vender cá dentro, também. Há tempos convidaram-me para fazer uma publicidade para dizer às pessoas que comprassem produtos nacionais. Mas tive dúvidas: de que serve esse apelo se depois as pessoas chegam ao supermercado e os produtos portugueses custam mais dinheiro? Isto quando os há nas prateleiras… O consumidor ia perguntar-me: “Ó Roberto, você está brincando, né?” »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/141255-roberto-leal-a-minha-maior-dificuldade-foi-sempre-portugal-ha-guetos-e-preconceitos, a 04 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Dicas Para o Sudoeste 2011…

Sudoeste... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo interessante, sobre um guia para o festival do Sudoeste, passo a transcrever a respectiva peça.

« Sudoeste: a bússola manda e o povo obedece

 Não tem de sacrificar-se para ouvir boa música. Saiba o que ver, onde passear e o que comer para aproveitar ao máximo o festival que arranca hoje e acaba Domingo

Já não há muito a dizer sobre o Sudoeste. O festival está lá todos os anos. E para lá se vai, todos os anos. A maioria são festivaleiros fiéis e experientes que olharão para estas páginas com desdém – esses, que atentem à coluna da direita e testem os seus conhecimentos da edição deste ano. Aos novatos, dedicamos estas quatro colunas de texto com uma série de dicas para ter um campismo bem sucedido, dias de praia bem passados e uma barriga consolada.

Ah e, claro, não se esqueça de ir ver os concertos. Do espectáculo de cores e luzes que Kanye West promete, ao rap puro e duro de Snoop Dog, à dança imparável dos Scissor Sisters. Sonoridades e géneros diferentes juntam-se: David Guetta, Deolinda, The National, Janelle Monáe, Clã ou Interpol. Estes e muitos mais numa festa de quatro dias com mais de 70 convidados em palco e cerca de 40 mil no público.

O mundo lá fora é uma selva
Talvez a expressão seja um pouco exagerada mas a verdade é que deve tirar pelo menos uma tarde para riscar tudo o que precisa da lista. Acampar não é uma tarefa do outro mundo mas pode tornar-se uma experiência desagradável se não pensar as coisas ao pormenor.

Tente chegar o mais cedo possível. Por esta altura é provável que já tenha dificuldade em arranjar o lugar perfeito para montar o estaminé, mas pelo menos ainda deve conseguir uma agradável sombra. Não se esqueça de limpar do chão objectos e/ou bichos estranhos.

Na mochila, chapéu e protector solar não devem faltar, assim como uma lanterna para enfrentar a escuridão do campismo e papel higiénico ou toalhetes para preservar o mínimo da higiene diária. Leve também uma venda – senão conseguir arranjar um lugar à sombra esta será a melhor maneira de resistir à luminosidade quando o sol nascer pelas 6h40 – e alguns comprimidos entre analgésicos e outros que o livrem das maleitas de uma noite de diversão a mais.

A música é boa mas a praia não lhe fica atrás
Poderá banhar-se nas paradisíacas águas da Costa Vicentina. Há muitas praias à escolha, a que está mais à mão é da Zambujeira, rodeada de ravinas, rochas mergulhadas na água de um azul claro. Parece-lhe bem? Assim como a muita boa gente, cerca de 40 mil – contas feitas ao público do ano passado. Por isso, se preferir afastar-se um pouco da confusão festivaleira dirija-se à praia da Amália. O nome deve-se precisamente à fadista que gostava muito de se banhar por estes lados. Pode ser que tenha de se aventurar numa espécie de escalada para pisar as areias desta praia mas, ao menos, terá alguma privacidade garantida. Alguma, sublinhamos. Até porque as circunstâncias propiciam a prática de nudismo mas também de outras actividades menos controversas como o surf ou a pesca. Se esta adrenalina não lhe chega, aconselhamos uma visita à praia do Tonel, igualmente rochosa, recatada e de difícil acesso. Há relatos de pneus que se furam no caminho e para chegar lá tem que descer por uma corda.

A vontade de passear e interagir com a natureza ainda prevalece no dia de encerramento de festival? Então – se o seu destino for para norte – faça uma visita ao Badoca Safari Park, em Santiago do Cacém.

Um estômago prevenido vale por dois
Os festivais já não são o que eram. E os festivaleiros também não. As condições melhoram de ano para ano, as infra-estruturas também e quem vai para um festival não quer só saber da música. Os festivais funcionam como miniférias e o que as pessoas querem é descansar, divertir-se e, claro, comer bem.

Novamente apelando à memória de Amália Rodrigues, visite um restaurante perto da praia do Tonel, na Azenha do Mar (o nome é o mesmo, Azenha do Mar). Não perca os percebes da casa, que segundo o que se diz eram o petisco favorito da cantora. Mais perto da Zambujeira do Mar tem ainda o restaurante “A Barca Traquitanas”, onde não pode perder a feijoada de búzios.

Se ao início da tarde começar a sentir um desejo de algo de adocique o paladar, então temos a dica ideal. É em Vila Nova de Milfontes que está a Mabi, uma pastelaria com croissants de chocolate e doce de ovos de chorar por mais. Tem ainda gelados caseiros feitos no dia: os sabores variam entre os clássicos de morango e noz ou uma exótica caipirinha.

Programa completo em www.sudoeste2011.com »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/140999-sudoeste-bussola-manda-e-o-povo-obedece, a 03 de Agosto de 2011, em Jornal I

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Conheça os 10 Anos do Primeiro Album dos Strokes…

The Strokes... Fonte: http://www.ionline.pt

Hoje trago um artigo para se começar bem, neste primeiro dia de Agosto, o mesmo passa, por os 10 anos do primeiro álbum dos strokes.

«“Is This It”, álbum de estreia dos nova-iorquinos, faz hoje dez anos. Um monumento rock que marca uma geração e confirma o melhor e o pior: estamos todos mais velhos

 Algo vai mal no reino da Wikipedia quando um acontecimento de envergadura significativa é flagrantemente ignorado na sua página “2001 in Music”. Revisitamos o mês de Julho e nem sinal do álbum daquele ano, segundo “Billboard”, “CMJ”, “Entertainment Weekly”, “NME”, “Playlouder”, e “Time”. No reino da rockalhada suja – mas não tão feia ou má que se veja confinada ao underground de vão de escada – continua tudo bem.

Não fazíamos ideia que o mundo iria mudar menos de dois meses depois, com o ataque às Torres Gémeas do World Trade Centre. Os The Strokes, que após os atentados acabaram por substituir a faixa “New York City Cops” por “When it Started”, para aliviar o ferimento de susceptibilidades entre corporações uniformizadas, também não. E talvez o grau de desconhecimento se estendesse ao impacto de épicos como “Last Night” ou “Someday” na produtividade musical que se seguiu.

Seis meses depois de terem lançado o EP “The Modern Age”, e de os três hinos terem impressionado a Rough Trade, chegava “Is This It”, que esquecia deliberadamente o ponto de interrogação a rematar o título, por questões estéticas. O álbum foi gravado com Gordon Raphael no Transporterraum, em Manhattan, em Nova Iorque. As faixas foram quase todas registadas à primeira, a bem da eficiência crua defendida pelo líder, que apostava as fichas no projecto de uma “banda do passado que navegou no tempo até ao futuro para fazer este álbum”.

A polémica capa, sexualmente explícita, sobreviveu apenas durante os meses de Julho e Agosto, cedendo depois lugar nos EUA a uma versão menos kinky, que podia ter qualquer coisa de Helmut Newton e Guy Bordain, mas não é mais que o resultado de uma sessão de fotos caseira do amigo Colin Lane, que retratou a namorada acabada de sair do banho. Consta que a luva ficara lá por casa na véspera.

Não foram só os blusões de cabedal e os All Star que voltaram a estar tão na moda como o provocador látex. O som das guitarras tirava o rock da fossa e remontava a cena nova-iorquina, duas semanas depois dos Yeah Yeah Yeahs lançarem o seu EP de estreia. O que se seguiu deve-se, e muito, às movimentações garage rock e pós-punk na Grande Maçã na aurora do século XXI, a par e passo com os contemporâneos do electro clash, como os Fischerspooner. Escusado será falar de herdeiros como os Interpol, que em 2002 dominam o ano com o primeiro disco, “Turn on the Bright Lights”. Seguiram-se nomes como Franz Ferdinand ou The Bravery, enquanto Excepter ou Liars iam devorando a fatia noise.

A “Blender” comparou a fulgurante estreia de Julian Casablancas e companhia com os The Velvet Underground, Television e The Feelies, nos anos 70, inspiração assumida do grupo, que não queria mais que fazer música ao melhor estilo Doors, mas tentando obedecer aos padrões clássicos, diria no arranque da banda o baterista Fabrizio Moretti. “Is This It” não precisou de esperar dez anos para se tornar um clássico. Virou sucesso instantâneo com longevidade assegurada e ainda hoje deixa saudades quando as malhas do recente “Angles” são desfiadas ao vivo.

Neste décimo aniversário, a Stereogum lança uma colectânea de tributo. Peter, Bjorn and John, Austra ou The Morning Benders revisitam “Is This It”. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/140273-2001-o-inicio-da-odisseia-no-espaco-garage-rock-dos-the-strokes

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Conheça o Funchal Music Fest..

Funchal Music Fest... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo sobre mais um evento a ocorrer este verão, desta feita na região insular da Madeira…

« The Gift, Xutos & Pontapés e James são cabeças de cartaz do Funchal Music Fest

As bandas The Gift, Xutos & Pontapés e James são as cabeças de cartaz da primeira edição do Funchal Music Fest, que decorre de 19 a 21 de agosto no Parque de Santa Catarina, anunciou hoje a organização.

Pela capital madeirense vão ainda passar, ao longo destes três dias, Expensive Soul, Rita Red Shoes, Legendary Tigerman, Fonzie e David Fonseca.

Duarte Costa, da empresa organizadora do festival, realizado numa parceria com a Câmara Municipal do Funchal, explicou em conferência de imprensa, no Funchal, que este “é o maior festival de sempre de pop rock realizado na Madeira”.

 

“Tem por objetivo pertencer ao circuito de festivais de verão que se realizam por esta altura do ano e pretende celebrar, acima de tudo, o Dia da Cidade [21 de agosto] e contribuir, com a música, para que a cidade seja projetada a nível nacional e internacional”, adiantou Duarte Costa.

O responsável acrescentou que o objetivo é transformar o Funchal Music Fest “num mini Rock in Rio”, um espaço “onde as pessoas podem ter momentos de entretenimento em família ou com amigos”.

 

Nesse sentido, Duarte Costa referiu que estão previstas iniciativas lúdicas e desportivas no decurso do festival, que espera 4.500 pessoas por dia, atividades que pretendem “complementar os concertos, que é o motivo pelo qual as pessoas se deslocarão”.

 

O bilhete para cada dia custa 25 euros, enquanto o passe para todos os concertos tem o valor de 50 euros. A organização, junto de cerca de 60 estabelecimentos, sobretudo do comércio tradicional do Funchal, obteve ofertas, válidas até ao final do ano, superior ao preço, para quem aderir ao bilhete para todo o festival.

 

“O objetivo é fazer com as que pessoas adiram aos três dias de concertos”, declarou Duarte Costa, assinalando, ainda, a vertente social e ambiental do evento.

 

A primeira passa por leiloar uma guitarra que será autografada por todos os artistas que passarem pelo palco do Parque de Santa Catarina. A receita tem como destino uma instituição de solidariedade social. A área ambiental passa por ações de sensibilização no Parque Ecológico do Funchal, que ardeu na quase totalidade o ano passado.

 

O presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, considerou que a iniciativa “vem colmatar uma lacuna da celebração do Dia da Cidade”, defendendo a necessidade de criação de “pólos de atratividade e de difusão” das várias artes.

 

O festival arranca dia 19 com a atuação do vencedor do concurso de bandas madeirenses, cuja final decorre no sábado, no Casino do Funchal, seguindo-se os Expensive Soul e a banda de Alcobaça The Gift.

 

No dia 20, depois da atuação de Rita Red Shoes e de Legendary Tigerman, sobem ao palco os Xutos & Pontapés, terminando o Funchal Music Fest, no dia seguinte, com Fonzie, David Fonseca e James. »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/139753-the-gift-xutos–pontapes-e-james-sao-cabecas-cartaz-do-funchal-music-fest, a 28 de Julho de 2011, em Jornal I

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Amy Winehouse….O Fim Trágico de Uma Grande Voz…

Amy Winehouse... Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje trago um artigo sobre a mítica cantora que faleceu no passado sábado, fala da controversa Amy Winehouse…

« Amy Winehouse. Assim se cala uma grande voz

Gerou amores e ódios, encantou e desiludiu. No sábado morreu em casa para tristeza dos fãs de “Rehab”. Amy tinha tudo para ser grande, mas o corpo não deixou

Toda a gente sabia que aconteceria, inevitavelmente. O fim avisava-se há já alguns anos, quando as actuações em palco começaram a chamar mais a atenção de tablóides do que propriamente de amantes da música. Amy Jade Winehouse cultivava amores e ódios à sua volta à velocidade com que dava tragos de uísque em palco. Foi encontrada morta em casa no sábado. Apesar de a polícia ainda não ter avançado com pormenores, o “Daily Mirror” revelou que terá sido uma combinação fatal entre ecstasy de má qualidade e álcool que ditou o destino da cantora.

Nascida no Norte de Londres em 1983, no seio de uma família judia, interessou–se desde cedo pela música. “Frank” (2003) foi a sua entrada triunfal. O álbum de estreia foi nomeado para o Mercury Prize, prestigiado prémio britânico. Três anos depois chegaria “Back to Black”, a encantar meio mundo com uma voz quente e rouca que acompanhava letras pessoais e profundas. O álbum que reunia temas como “Rehab” ou “You Know I’m no Good” venceu cinco das seis nomeações em que estava nomeado para os Grammy. Um terceiro álbum estaria para sair, ainda envolto num certo mistério.

Por trás das músicas envolventes e melancólicas, estavam graves problemas com álcool, drogas e ainda um relação destrutiva com o ex-marido Blake Fielder-Civil. “Não tenho dúvidas: ninguém lhe quis dar a mão”, diz o cantor Fernando Tordo, acrescentando que Amy “era um talento, um cromo! Uma pessoa diferente mas uma rapariga muito frágil”. Poderosa, extraordinária, doce, frágil têm sido alguns dos adjectivos usados para a descrever.

“São situações que acontecem no teatro, no cinema. São excepções, por isso é que são notícia”, comenta Manuel Moura dos Santos, agente musical e ex-jurado do programa “Ídolos”. O próprio confessou-se fã da cantora, apesar de uma má recordação do Rock in Rio, onde teve uma prestação “deplorável”.

Com 27 anos, Amy morreu e consigo levou o eyeliner carregado, o cabelo negro, a cintura de vespa e a voz enorme.

 

Cabelo
Até tem nome: beehive, por fazer lembrar uma colmeia. A senhora que criou o famoso penteado dos anos 50 e 60 foi Margret Vinci Heldt, dona do cabeleireiro a que emprestava o mesmo nome, em Chicago. O penteado, que se baseia em formar um grande alto no topo da cabeça, foi recuperado pela cantora que o trouxe para o novo milénio. Amy inspirou-se nas The Ronettes, uma banda feminina dos anos 60.

Peito
Respirava blues e R&B. Em criança ouvia Frank Sinatra com o pai, mas foi aos 13 anos que recebeu a primeira guitarra para logo depois começar a escrever. O peito da cantora foi motivo de alguma controvérsia não só por ter colocado silicone mas também porque o pai, Mitch Winehouse, o elogiou num programa de televisão: “Está fantástica, as mamas dela estão óptimas também”, deixou escapar.

Voz
De um lado, os escândalos relacionados com a sua vida pessoal e amorosa, com drogas e álcool à mistura, do outro, os rasgados elogios feitos à sua voz, escrita e interpretação. Grandes nomes da música elogiaram Amy, a britânica esquálida e magricela que brotava uma voz forte e rouca que tantas vezes parecia demasiado potente para o seu corpo. Winehouse era um contralto, tipo de voz que está entre o tenor e o mezzo-soprano. Resumindo: tinha um timbre robusto, a potência de uma voz masculina.

Tatuagens
No antebraço direito, um pássaro com a frase “never clip my wings” que traduzido seria “nunca me cortem as asas”. Uma ferradura (símbolo de sorte), uma boneca pin-up e a expressão “menina do papá” aparecem no braço esquerdo. No peito exibia um pequeno bolso onde estava escrito o nome do ex-marido ­– “Blake’s” ou “do Blake”. Na barriga, mesmo ao lado do umbigo tinha desenhada uma âncora com as palavras “hello sailor”. Ao todo, “12 ou 13”  tatuagens, disse numa entrevista.

Pernas
Há fotos que relembram o quanto foram rechonchudas, mas nos últimos anos eram magras, escanzeladas. Muitas vezes tinham nódoas negras e cortes. A cantora teria por hábito cortar-se mas também sofreu agressões do ex-marido, Blake.

Roberta Medina: “No momento em que a Amy aterrou ficamos mais aliviados”

A cantora fez a sua estreia em Portugal no Rock in Rio 2008. Como foi a experiência de a ter como convidada? Na verdade foi bem característico, se fosse tudo certo não era a Amy. Nunca sabia se ia vir ou não, não sabia se estava na clínica ou não. No momento em que aterrou ficámos mais aliviados.

E o concerto? Recorda-se de algo em particular? Para mim foi uma experiência estranhíssima andar pelo público e ver pessoas dançando – porque realmente a banda é muito boa – e outras olhando assim para Amy, espantadas, porque não estava como se esperava.

Como é que recebeu a notícia da morte? Repito a frase de amigos [da cantora]: é assustador mas não é surpreendente. Na música, também no Brasil, acompanhámos talentos como Cazuza, Cássia Eller ou Renato Russo com um fim trágico.

Neste meio é inevitável a relação com as drogas ou o álcool? Acho que é super evitável. Até porque a maior parte dos músicos são saudáveis. As digressões são muito esgotantes, você tem de ter uma energia enorme para ser simpático, você é o centro das atenções. É uma vida difícil. Não é preciso drogas mas é difícil canalizar essas energias.

Fernando Tordo: “Amy não me ouviu”
“Triste, muito triste.
E se não fosse a idade que me traz pacificação, estaria danado com quem deixou Amy Winehouse mais uma vez sozinha; desta vez foi fatal, o fim. Acabou-se a droga, o álcool; mas pior do que tudo foi ter acabado uma originalidade, uma força tão frágil.
E bela. Dediquei-lhe uma canção – “Amy” – gravada há mais de um ano e que faz parte do meu próximo álbum, “Por este Andar” – com arranjos de Pedro Duarte. Não me ouviu. A Amy não ouviu um tipo insignificante que a admirava muito e que sabia que ela só tinha dois caminhos. Hoje ela escolheu um deles.”
Músico
[Fernando Tordo escreveu este texto
no sábado, dia em que Amy morreu] »

In: http://www.ionline.pt/conteudo/139044-amy-winehouse-assim-se-cala-uma-grande-voz, a 25 de Julho de 2011, em Jornal I

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Conheça o Novo Disco dos GNR…

Novo Discos dos GNR Fonte: http://www.ionline.pt/

Hoje e para se começar bem a semana, trago um artigo interessante, desta feita, feito pelo Grupo Novo Rock, mais conhecido pela sigla de GNR…

« GNR. “As coisas mais engraçadas ainda estão para acontecer”

Aos 30 anos de vida a banda aterra com “Voos Domésticos”. De bagagem pesada, o trio falou do passado com olhos postos no futuro

 É numa mesa redonda que os três membros do grupo conversam entre si. Um fala, outro interrompe, outro ri-se, mais uma história, mais uma gargalhada, piscar de olho para aqui, acenar de cabeça para ali. Recordam um concerto, uma pessoa, uma música. Esquecem-se da pergunta. O Grupo Novo Rock esteve para se chamar Trompas de Falópio, sobreviveu à ressaca do rock, rebentou pelas costuras o Estádio de Alvalade, com um público ansioso por fazer de coro a “Dunas” e chega aos 30 anos de carreira com a convicção de que a banda é a coisa mais importante das suas vidas. Em 1981 era editado “Portugal na CEE”. Três décadas depois, Rui Reininho, Tóli César Machado e Jorge Romão apresentam “Voos Domésticos”, disco que oferece um novo twist aos clássicos dos GNR. Coincide com o festejo do aniversário redondo, mas não é para o celebrar, garantem.

Como é olhar para trás e ver passar estes 30 anos?

(Tóli César Machado) É bom e é mau. É bom porque me sinto bem, é mau porque passou muito depressa. É um instantinho.

(Rui Reininho) E com a viragem do século é ainda mais complicado, dizer que somos músicos do século passado.

Os “Voos Domésticos” vêm fazer as honras da comemoração?

(TM) Este disco não é por causa dos 30 anos, coincide com os 30 anos do grupo mas não fizemos o disco para o aniversário. Continuamos no activo, isto não é um come back, continuamos a fazer digressões, tivemos um disco de originais o ano passado… Este ano pensou-se que seria interessante fazer uma coisa mais abrangente, pegar em discos e gravá-los outra vez. Não é aquele aproveitamento, daquelas bandas que já não fazem nada e que de repente voltam. E não é “vamos fazer 30 anos e um disco em forma de best of”. Aliás, são 30 anos ininterruptos, sem pausas.

Não é um ritmo um pouco cansativo?

(TM) Sei que é bom poder parar mas aqui não se pode, é impossível. Mesmo a pequena estrutura que nós temos não nos permite fazer isso. É um bocado como os bombeiros, estar sempre ao pé do telefone.

E como é que tudo começou? Quais eram os principais objectivos dos GNR?

(RR) Depois de ver estes senhores a tocar, fui-lhes fazer uma entrevista, portanto podemos ter aqui uma candidata a entrar nos GNR [risos].

(TM) Os objectivos de qualquer grupo são gravar um disco e tocar. Não se pensa que vai durar não sei quantos anos ou que vai parar aqui e ali ou que vai tocar lá fora. É o prazer de tocar e de ser visto a tocar e gostar da sua música. Passa apenas por isso. E as coisas vão acontecendo e as ambições vão sendo diferentes

(Jorge Romão) Enquanto permanece o gosto de tocar é arriscar.

(RR) Arriscar sempre, não é? Ir aos Coliseus, ir a Lisboa, são pequenas metas. E aquela história dos estádios…

(TM) Agora preferimos sítios mais pequenos [risos] de outra maneira, uma coisa mais assim para a nossa idade, mais tranquila e intimista. Nos festivais as pessoas também gostam mais.

(JR) Da maneira como as coisas estão também já não há quatro estações, não se pode programar um espectáculo ao ar livre em Setembro.

Hoje em dia gostam de fazer espectáculos mais pequenos, intimistas?

(TM) Não é gostar, são coisas diferentes. Eu agora acho mais piada porque é o espectáculo que estamos a fazer, mas gosto das duas coisas. Fizemos no Delta Tejo, com a orquestra da GNR tal. Eu gosto de fazer as duas coisas.

O que recordam melhor do dia em que encheram o Estádio de Alvalade?

(RR) Por acaso tenho uma memória fresca, porque passou na RTP Memória há algum tempo. É engraçado ver como aquilo foi filmado, com as condições da época, está a fazer 20 anos. Mas a memória é recente.

(TM) Por acaso quando falaste em 20 anos pensei que era menos.

Quando dão grandes espectáculos não ficam com receio de não conseguir alcançar esse nível novamente?

(RR) Isto é um bocadinho como as paixões, uma pessoa pensa sobre uma paixão que tem há 20 anos: “Será que vou tornar a apaixonar-me?” Eu acho parecido. Se acontecer, tudo bem, se não, não vivemos de recordações.

Há alguma situação ou peripécia particular de que se lembrem desse dia?

(TM) A única coisa que recordo não posso contar.

(RR) Recordo de ter estado ali a dar uns toques numa bola de vólei cá fora.

(TM) Lembro-me que parecíamos uns palhaços todos maquilhados. Parecíamos o Batatoon. Mas quando íamos para a televisão tínhamos de ser assim.

(RR) Foi diferente no sentido em que fomos para lá com um dia de antecedência. É engraçado aquilo, foi quase um casamento de ciganos, durou três dias, para aí. Os festivais eram menos frequentes e foi a primeira vez que participámos assim numa estrutura tão grande.

(TM) Aquilo era um bocado brincar às superbandas, não é? Como ser os Rolling Stones, não é? Aquela ideia que as equipas vão à frente e só temos de chegar e fazer. Nós não, somos os primeiros a chegar e os últimos a sair.

(RR) Tem de se ter o trabalho de casa bem feito.

(JR) Tecnicamente convém.

(TM) É como nos discos, aquilo é “rec”, toca a gravar, não vamos para lá fazer palha, fazer jam sessions, estar lá a curtir. Tenho mais que fazer.

E como é que surgiu a ideia para o nome da banda?

(TM) O nome… já nem sei de quem foi a ideia, minha não foi. Havia outros nomes em cima da mesa, esse era o mais engraçado. Havia outro nome, Trompas de Falópio, era assim um disparate. Havia assim uma série de nomes, esse era o que tinha mais graça. E chamava a atenção por causa das siglas, iguais à da guarda.

E o primeiro impacto? Perceberam logo que podiam ter sucesso com o “Portugal na CEE”?

(TM) Por acaso quando foi o lançamento não era o boom do rock na altura, as coisas correram muito bem, nem sei se foi disco de ouro. Mas quando fizemos o segundo disco já era a ressaca do boom do rock e era um disco um bocadinho mais ousado. Mas pronto, teve altos e baixos, não se tem noção se se vai ser grande ou não – se é que somos grandes, que eu na verdade não tenho essa noção. Realmente há discos que se vendem mais do que outros, mas nunca fomos uma banda muito de top.

Passados tantos anos, os vossos sucessos continuam a ser ouvidos por diferentes gerações, há miúdos que ainda aprendem a tocar viola com as “Dunas”.

(RR) As pessoas lembram-se, fica essa parte afectiva e recíproca.

(Tóli) Acho que este disco é um bocadinho para essas gerações, para ouvir estas músicas com uma roupagem um bocadinho diferente. Mas também não é do género “toda a gente sabe tocar as nossas músicas”. Conhecem uma ou outra…

(JR) Ainda agora no Delta Tejo alguém disse “ah, esta música é dos GNR?”

E o rock que se faz hoje em dia?

(TM) Em Portugal aparecem e têm aparecido muitas bandas rock. Coisas boas.

(RR) Mas com um formato muito pop, não é? As pessoas adoptaram muito aquela questão das músicas realmente não ultrapassarem os dois, três minutos, não há aquele solo de outros tempos, parece que já está um pouco démodé.

E o que é que se ouvia na altura, quando nasceu a banda?

(TM) Eu ouvia muito Talking Heads, Elvis Costello. Também gostava bastante dos Rolling Stones e de coisas mais distintas, de rock sinfónico.

Assistiu-se a algumas entradas e saídas no grupo, nomeadamente do Vítor Rua e do Alexandre Soares. Alguma vez chegaram ao ponto de ruptura? De pensar que podiam acabar?

(TM) Tivemos fases más, mas nunca se pensou em acabar, pensou-se sempre em começar. Houve uma crise muito grande que é coincidente com a entrada do Jorge e foi também a altura da crise económica do país, em 83. Foi uma altura a seguir ao boom, veio tudo por aí abaixo. Fixámos a banda talvez a partir dos anos 90, foi com a saída do Alexandre, que saiu duas vezes [risos].

(RR) A certa altura houve umas crises e uns processos e isso acaba por dar mais união. Uma pessoa acorda maldisposta e tem duas soluções: ou desiste ou anda para a frente e enfrenta as contrariedades e as animosidades. Não é muito fácil, sem querer ser choninhas ou queixinhas, mas há um tipo de força numa imprensa, específica, especializada, em cortar. Isto não serve, isto não vai servir, isto já acabou. Fazem funerais antecipados por ser giro, porque não têm mais nada de que falar e porque não conhecem, também. Acabaram mais jornais e programas que bandas. E continuamos aí. Hoje acho que é mais difícil uma pessoa sobreviver ao segundo disco, o primeiro pode correr bem mas o segundo se não corre bem é quase morte anunciada.

Dentro da banda cada um sabe o seu lugar?

(RR) É espontâneo isso, e nós damos connosco a tratar de tudo. Aquilo de que se fala lá fora, de management, não é muito eficaz em Portugal. São pessoas normalmente muito pouco qualificadas. Acabamos por ser nós a tratar de tudo. Eu posso dizer 30 vezes que tenho vertigens e que não posso ficar acima de um terceiro andar, não me adianta nada.

(TM) E eu que não me importo acabo sempre no terceiro.

(RR) Muitas vezes temos de nos relembrar uns aos outros para fazer cumprir horários.

Chegaram aos 160 mil discos vendidos com o “Rock in Rio Douro”, por exemplo. Os GNR são abastados?

(JR) Não vivemos mal, mas abastados também não. Vivemos sem saber o dia de amanhã, isso é verdade, sem subsídios.

(RR) Não me posso dar ao luxo de dizer vou parar agora este Verão. Já estou para ir ao Butão há cinco anos!

(TM) Ao Bolhão? [risos]

(RR) É um ponto pequenino enfiado ali entre o Paquistão e o Nepal… Não gostam de turistas, acham que os turistas estragam, então tem de se marcar a visita com antecedência de dois anos. Mas depois nunca dá jeito porque estamos sempre à espera que o telefone toque. É só um exemplo de como as coisas podem ser difíceis.

[O telefone toca.]

(TM) Ó diabo! Ganhou uma viagem ao Butão. [risos]

Isso quer dizer que a banda é a prioridade das vossas vidas? Ou um capricho juvenil?

(RR) É um bocadinho isso. Pode dizer-se que não é como aqueles torneios de ténis para seniores, faz parte das nossas vidas. Isto não é um part-time.

(TM) Se a situação está má, tem de se fazer mais. Eu não posso fazer outra coisa, não sei fazer mais nada.

Os GNR são amigos fora do palco?

(RR) Com certeza que somos minimamente solidários, seja por amizade, seja por amor ou interesse. Vamos tomando decisões, este é um meio com muita entropia, muita queixa. Tem é de se ser positivo nestas fases. Já ouvi dizer duas vezes que o seu jornal ia acabar e vocês aguentam-se, dizem que “o i não tem pernas para andar e tal”, mas continuam a publicar, não é? É um pouco esse espírito, está tudo ligado.

Quando ouvem uma música vossa, num café, na rádio, o que fazem?

(JR) Ponho-a mais alto!

(RR) Às vezes as pessoas no supermercado presenteiam-nos e põem a música mais alto, isso é um bocadinho embaraçoso. Até porque às vezes enganam-se e metem de outro. Do género “esta música é muito bonita” – e é dos UHF. E, sem ser pretensioso, acho que grande parte das músicas já não nos pertence, não é?

Para este CD tiveram de estudar muita coisa passada…

(TM) O trabalho de regravarmos coisas de que já não nos lembrávamos, para tirar notas e acordes… Achei piada a ouvir coisas que não ouvia há anos. Mas há coisas que não gosto de ouvir, são um bocado naifs, não é? Por isso é que gravámos este disco. Algumas que achamos que mereciam ser mexidas, outras que tentámos e não conseguimos, outras que foram complicadas, como o “Sangue Oculto”, que é muito difícil, porque é um hit. É como o “Dunas”, que é ainda pior. Nem tentámos.

Depois de tantos anos a actuar ao vivo, nunca se fartam?

(TM) Não damos muitos, queríamos era dar mais. Isto é um bocadinho como o desporto, como jogar futebol. O que cansa é fazer poucos jogos, não é fazer muitos. Porque com poucos não se tem o ritmo de espectáculos que é preciso ter.

(JR) A espera é que cansa.

(TM) Se bem que isto é um bocado como a bicicleta. Com a rodagem que temos dos anos já quase fazemos isto de olhos fechados. Mas aquele ritmo de concerto, o timing de espectáculo, é uma coisa que só se tem se se tiver 15 ou 20 datas. E uma pessoa até fica a dormir melhor.

Que recordações vos tiram mais o sono?

(TM) Ui… As recordações são tantas… Quando o palco cedeu, e ele desapareceu… [Rui Reininho]

(RR) Parti quatro costelas.

(TM) Também estivemos fechados com um gajo num camarim com uma pistola. Porquê? Isso agora…

(JR) Era uma festa de Carnaval!

(RR) As coisas mais engraçadas estão para acontecer, de certeza. »

 In: http://www.ionline.pt/conteudo/138740-gnr-as-coisas-mais-engracadas-ainda-estao-acontecer, a 23 de Julho de 2011, em Jornal I

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